Pesquisar este blog

Carregando...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O PERIGO DO INDIVIDUALISMO

Num mundo de influência existencialista e capitalista, o homem é cada vez mais visto como indivíduo isolado. A ênfase está na liberdade individual. “Eu me amo, não posso viver sem mim”, é o novo slogan. A maioria dos programas de televisão defende a afirmação do indivíduo contra a força do grupo. Sem dúvida, isso tem seu aspecto positivo; mas temos visto também um fator de desagregação da sociedade. O individualismo cria a ilusão de independência, gerando egoísmo e insensibilidade. O sujeito perde a visão de interdependência social e crê-se inatingível. A estrutura econômica de consumo fortalece o indivíduo por meio dos produtos personalizados. Faz propagandas que trabalham o imaginário da “diferença” que o consumidor-alvo terá em relação aos demais se utilizar aquele determinado produto. O que é mais interessante é que, no desejo de ser diferente e particularizado, o indivíduo abraça uma determinada moda e torna-se um “igual”, vítima da massificação.
A grande preocupação é que o individualismo já chegou às igrejas. Suas marcas como inimizade na família, separações conjugais, divórcios, etc, já estão presentes nos arraiais evangélicos. Além disso, em muitos casos, os próprios cristãos tem tratado a igreja como um lugar de satisfação individual; se não agrada, batemos na próxima porta, onde a satisfação pessoal está garantida. A igreja oferece seus produtos: pregação, visitação, coral, comunhão, etc. O indivíduo analisa, vê qual oferece mais “vantagem” e escolhe. Em alguns casos temos cristãos que frequentam duas ou mais igrejas, pois gostam da mensagem e da escola dominical de uma, mas preferem o louvor e a oração da outra. O grande perigo que se vê nesse tipo de movimento é o enfraquecimento da mentalidade de servo, daquele que faz parte do corpo. Muitos não entendem mais a igreja como um organismo que tem autoridade sobre minha vida, diante da qual tenho responsabilidades e devo submissão. A realidade, porém, é que a insatisfação é filha do individualismo egocêntrico. Por isso, muitos são os cristãos que “não dão certo” em lugar nenhum. São insubmissos, utilitaristas, independentes, buscam seus interesses e não se importam com o grupo é como uma criança crescida que não suporta, em hipótese alguma, viver sem os mimos e badalações com os quais foi acostumada. A tristeza maior vem do fato de que muitas “igrejas” e “comunidades” estão sendo formadas hoje para “satisfazer” esse “público”. Muitos grupos religiosos denominados evangélicos acabam investindo nesse “mercado” de almas, procurando captação de recursos ou qualquer outra coisa, sem se preocupar-se com a doutrina eclesiológica do Novo Testamento. É lamentável.
Graças a Deus, porém, pelos muitos cristãos e igrejas que resistem à tendência atual.

Pr. Izidro Milton
Faculdade Teológica da Assembléia de Deus de Brasília