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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Protestos por Alcorão deixam 6 mortos no Afeganistão

Por Reuters, reuters.com
Por Mirwais Harooni e Hamid Shalizi

CABUL, 22 Fev (Reuters) - Seis pessoas foram mortas a tiros e dezenas ficaram feridas no segundo dia consecutivo de protestos no Afeganistão nesta quarta-feira por causa da queima de cópias do Alcorão, o livro sagrado do Islã, em uma base da Otan no país, disseram autoridades.
A Embaixada dos Estados Unidos disse que o seu pessoal estava em "confinamento" e que as viagens foram suspensas enquanto milhares de pessoas expressavam fúria por causa da queima, um desastre de relações públicas para as forças da Otan lideradas pelos norte-americanos que combatem militantes do Taliban.
O incidente acontece enquanto as tropas de combate estrangeiras se preparam para a retirada do país, programada para o final de 2014.
O governo dos EUA e o comandante norte-americano das forças da Otan no Afeganistão pediram desculpas depois que trabalhadores afegãos encontraram cópias queimadas do Alcorão enquanto recolhiam lixo da Base Aérea de Bagram, que fica a uma hora de carro ao norte de Cabul.
As desculpas não foram suficientes para conter a ira popular. Milhares de afegãos saíram às ruas gritando slogans antiamericanos.
Ganhar corações e mentes dos afegãos é vital para os esforços para derrotar o Taliban. Incidentes similares no passado provocaram profundas divisões e ressentimento entre os afegãos com relação aos milhares de soldados estrangeiros no Afeganistão.
Sete estrangeiros funcionários da ONU foram mortos durante os protestos registrados por todo o Afeganistão durante três dias em abril de 2011, depois que um pastor norte-americano queimou um Alcorão na Flórida.
Uma autoridade da área de segurança afegã, citando relatos da polícia, disse à Reuters que empreiteiros de segurança ocidentais trabalhando em um acampamento militar norte-americano em Cabul abriram fogo contra os manifestantes, ferindo vários deles.
A testemunha Rahimullah, de 17 anos, disse que seu irmão, Ghafar, de 23, recebeu um tiro de um dos empreiteiros na perna direita quando atirava pedras durante o protesto.
"Agora ele está no Hospital Daoud Khan", disse Rahimullah sobre o hospital no centro de Cabul.