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VIDAS

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS. A VIDA ETERNA, DE RENÚNCIAS!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Se ele aquietar, quem então inquietará? (Jó 34.29)

Existe um tipo de calma que se manifesta em meio à fúria do temporal. Vamos navegando tranquilamente; Ele está conosco no barco, ao chegarmos ao meio do lago, longe da terra, sob a escuridão da noite, de repente levanta-se uma furiosa tempestade. A terra e o inferno parecem estar aliados contra nós, e cada onda parece que vai tragar-nos. Mas ali Ele desperta do Seu sono e repreende as ondas; Sua mão levantada traz bênção e repouso sobre a ira dos elementos em tumulto.
E a sua voz faz-se ouvir acima do silvo dos ventos que crispam as águas: "Cala-te, aquieta-te". — Você não a está ouvindo? Segue-se depois uma grande bonança. "Se ele aquietar..."
Existe uma calma que está presente, mesmo quando não sentimos consolações. Algumas vezes Ele retira de nós esses sentimentos, porque começamos a dar-lhes muito valor. Somos tentados a olhar para o gozo, para os êxtases, para os transportes e visões, com uma atenção um tanto especial. Então ele, por nos amar muito, os afasta de nós . Mas por Sua graça, nos leva a distinguir entre os sentimentos e Ele mesmo. Chega-Se a nós e nos assegura de Sua presença. E uma grande calma nos vem guardar o coração e a mente. "Se ele aquietar, quem então inquietará?"

"Se Ele aquietar", quem pois inquietará?
Vem aquietar minha alma, Salvador.
Tu vês que o vento é forte, e estou tentado;
As águas cercam-me de todo lado,
E sinto aperto; sinto angústia e dor.
Vem aquietar minha alma, Salvador.

Quero-Te ouvir a voz em meio aos ventos,
E em paz descansarei;
Tu que foste tentado, estás comigo;
Tu que sofreste dor és meu abrigo;
E inda que as águas rujam e se perturbem,
Ou que se abalem montes, e se mudem,
Ouvindo a Tua voz, não temerei.
Sei que estás perto, e embora eu não o sinta
Quando as rajadas úmidas me atingem,
Tu o prometeste — isso me bastará.
Tua Palavra traz-me segurança.
Na tempestade, em Ti gozo bonança.
Se Ele aquietar, quem pois inquietará?


sábado, 27 de janeiro de 2018

DEVOCIONAL - 28 DE JANEIRO DE 2018

Zelo por vós com zelo de Deus. (2 Co 11.2)

É preciso ver o carinho com que um harpista trata a sua harpa! Ele a dedilha como quem acaricia uma criança a repousar no seu regaço. Sua vida gira em torno dela. Mas, observemos quando ele a afina. Toma-a com firmeza e, num movimento brusco, fere-lhe uma corda; e enquanto ela estremece como num ai, ele se inclina sobre ela atentamente para apanhar o primeiro som que vem. A nota, como ele temia, é desafinada e áspera. Ele vai esticando a corda com a torturante cravelha; embora ela pareça pronta a rebentar pela tensão, ele ainda a fere de novo, inclinando-se para ouvi-la, atento como antes; e assim prossegue, até que lhe vemos um sorriso no rosto, quando o primeiro som limpo e perfeito se faz ouvir.
Pode ser que Deus esteja lidando assim conosco. Ele nos ama muito mais do que um harpista ama sua harpa, mas encontra em nós um conjunto de cordas desafinadas. Por meio da angústia, Ele vai ajustando as cordas do nosso coração; Ele Se inclina sobre nós com ternura, ferindo a corda e escutando; e, ouvindo apenas uma queixa áspera, fere de novo, enquanto Seu próprio coração sofre por nós, esperando ansiosamente por aquela melodia: "Não se faça a minha vontade, e, sim, a tua" — que é doce aos Seus ouvidos, como o canto dos anjos. E não cessará de ferir a corda, até que nossa alma, disciplinada pela aflição, se harmonize com as harmonias do Seu próprio ser. — Selecionado

O que eu faço não sabes ainda agora,
Depois o entenderás.
Meus caminhos não são os teus caminhos,
Crê somente', e tem paz.

São marcadas as mãos que te modelam,
Transpassadas por ti.
Deixa nelas, inteiro, o teu cuidado;
E reclina-te ali.
No momento parece de tristeza
A firme correção;
Mas depois produz fruto de justiça,
E abranda o coração.
Que depois, trabalhado pela graça,
Cantarás em louvor;
Pelos anos em que tu me afligiste,
Dou-te graças, Senhor!

O MENINO RICO E O POBRE

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Atos 6

O livro de Atos dos apóstolos, escrito, segundo a maioria dos estudiosos, por Lucas, apresenta muitas informações sobre a igreja primitiva. O começo da história da igreja pode ser melhor entendida ao lermos o livro de Atos. Os discípulos e apóstolos precisavam de muito bom ânimo para instituírem o começo do cristianismo. É um livro histórico com algumas revelações interessantes de como os cristãos eram no começo. Atos 6 pode ser curto, possui apenas quinze versículos, mas é um capítulo bem interessante, em um livro que desperta a curiosidade do leitor. 

O estudo bíblico deste capítulo nos faz conhecer como os diáconos foram instituídos na igreja. Quem não sabe o que é diácono pode ler Atos 6 para aprender o que eram – ou quem eram – os diáconos e como surgiram os primeiros diáconos na igreja primitiva. 

O autor do livro de Atos dos apóstolos faz questão de mostrar como viviam os cristãos na igreja primitiva. O estudo bíblico desta parte da bíblia pode ser muito importante para entender como se comportavam os fiéis naquela época e quais as principais dificuldades encontradas pelos cristãos no começo da igreja. 

Helenistas e Hebreus

Assim que começamos o estudo bíblico de Atos 6, podemos ver uma expressão curiosa: os helenistas. Como o nome sugere, este termo tem a ver com os gregos. Helenistas era um termo para designar os judeus que falavam grego. A maior parte dos helenistas eram judeus que viviam fora da Palestina. Para entender um pouco melhor o que é escrito aqui, precisamos entender quem eram os helenistas. Eles viviam em assentamentos fora de Israel, também conhecidos como dispersão ou diáspora. 

Por outro lado, a expressão hebreus, também citada neste trecho, é uma expressão mais conhecida e refere-se aos judeus que falavam aramaico. Eram judeus nascidos na Palestina. Os hebreus eram judeus palestinos. 

Podemos ver no versículo um de Atos dos apóstolos que os helenistas estavam se sentido descriminados pelos demais membros da igreja primitiva.  
Outra prática relatada era a de dividir tudo em comum era uma prática da igreja cristã na época. Também é ressaltado como se multiplicavam o número de discípulos, como a igreja cristã crescia no começo. Após o dia de Pentecostes, descrito em Atos 2, os cristãos dividiam tudo em comum. Era uma forma, como vimos no estudo bíblico de Atos 2, de manter a comunidade unida e firme, sobrevivendo às perseguições e ameaças. Apesar deste espírito de amor, algumas tensões começaram a surgir na igreja. Provavelmente aqui é relatado o primeiro problema interno da igreja cristã, uma possível discriminação. Provavelmente, a discriminação cultural fez com que os hebreus recebessem privilégios em relação aos helenistas. Essa discriminação não era à toa. vamos fazer uma análise para entender o que acontecia. Historicamente sabe-se que os judeus que não eram da Palestina sofriam certo preconceito, mesmo antes do cristianismo. Os judeus que não falavam aramaico eram considerados mundanos, ou liberais. De repente, ver esses ‘mundanos’ como irmãos foi difícil para os hebreus que se convertiam ao cristianismo. 

Diáconos

A partir deste problema, foram instituídos os diáconos na igreja cristã. Aliás, a instituição de auxiliares já era uma prática antiga, mesmo antes do cristianismo, os judeus tinha auxiliares para os trabalhos da igreja. Em Êxodo 18.17 podemos ler sobre a instituição de auxiliares para Moisés. De acordo com Atos, a nomeação de diáconos deve ser feita em critérios bem específicos e claros. Todo pastor ou líder religioso que deseja instituir diáconos em sua igreja deve ler o livro de Atos 6. 

Em Atos 6.2 lemos a expressão ‘para servir as mesas’, isto significa servir as mesas das viúvas com dinheiro, como em João 2.15. Uma curiosidade bíblica é que a expressão servir em grego é que dá origem à palavra diácono. No entanto, vale ressaltar que os diáconos aqui citados eram apenas servos e não os diáconos como conhecemos hoje, que possuem uma função na igreja. 

No versículo três podemos ler sobre as qualificações para a escolha das pessoas em questão: devem ser cristãos, de boa reputação, com conhecimento espiritual e sábios. 

O curioso ao ler sobre a instituição dos diáconos é que o texto menciona a escolha de Estevão e Filipe, dois cristãos que tiveram um trabalho evangelístico importante. O mais interessante é que todos os demais tinham nome grego, por isso, muitos estudiosos da bíblia defendem que eram helenistas. Mas foram Estevão e Filipe que tiveram um ministério proeminente, graças a sua atuação fervorosa. 

Podemos ler que era costume, desde então, impor as mãos, como podemos ler em Atos 6.7. Este ato era uma formalização do serviço, pois impor as mãos servia como um sinal de aliança, elo, entre as duas partes envolvidas no ato. Esta imposição de mãos serve para cura, como lemos em Marcos 5.23. Também para comunicação do espírito – Atos 8.17, Atos 9.17 e Atos 19.6. E, por fim, como indicação para um serviço especial, como é o caso aqui e também em Atos 13.3 e 1 Timóteo 4.14. 

Estevão

O grande número de sacerdotes presente em Jerusalém, relatado em Atos 6.7 condiz com escritos do historiador judeu  Josefo. Há estudiosos que defendem que o rompimento do véu serviu para a conversão destes sacerdotes. 

A partir do versículo 8, lemos a história de Estevão no Sinédrio, que era, como vimos no estudo bíblico de Atos 4 , um grupo de judeus autorizados pelos romanos a debater e reger os assuntos religiosos da comunidade. 

No versículo 9, de Atos 6, podemos ler sobre a sinagoga dos Libertos. Segundo estudos bíblicos, era um lugar onde haviam muitos judeus que falavam grego, de família de escravos dos romanos, que foram libertos mais tarde, daí o nome. Ali, judeus se reuniam para estudar e debater as escrituras sagradas. As sinagogas, assim como hoje, eram o centro da comunidade judaica. Na época romana, isso era mais evidente. 

No versículo 11, a expressão “subornaram” também pode ser traduzida para instigaram em segredo. 

Os versículos 13 e 14 nos faz crer que Estevão se referia às palavras relatadas em João 2.9, mas que teriam sido distorcidas pelos seus inimigos. 

A história de Atos nos faz perceber que os judeus combatiam o cristianismo pregando que a nova religião vinha para quebrar e destruir os costumes de Moisés. Ainda hoje, infelizmente, esta é a visão que muitos judeus têm do cristianismo, uma religião que tem por objetivo combater o judaísmo, o que não é verdade. O cristianismo, na verdade, complementa o judaísmo, tendo o messias judeu como seu principal líder.


Como pudemos ler, Atos 6 traz boas curiosidades históricas. Apesar de ser um capítulo curto, contém ensinamentos fundamentais, como a instituição dos diáconos.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

DEVOCIONAL - 23 DE JANEIRO DE 2018

Por que te conservas longe, Senhor? (Sl 10.1)

Deus é "socorro bem presente na angústia". Mas Ele permite que as tribulações nos alcancem, como se estivesse indiferente à sua pressão perturbadora, para que cheguemos ao fim de nossas próprias forças e descubramos o tesouro escondido, o imenso lucro da tribulação. Podemos estar seguros de que Aquele que permite o sofrimento está conosco na dor. Pode ser que só O vejamos quando a aflição já estiver passando, mas precisamos atrever-nos a crer que Ele nunca sai de perto do crisol.
Nossos olhos estão vendados e não podemos ver Aquele a quem amamos. Está escuro — as vendas nos cegam, de forma que não podemos enxergar a figura do Sumo Sacerdote: mas Ele está ali, profundamente compadecido. Não consideremos os nossos sentimentos, mas a Sua imutável fidelidade; e embora não O vejamos, falemos com Ele. Assim que começamos a conversar com Jesus, crendo na Sua real presença, embora nos esteja velada, vem-nos em resposta a Sua voz — que nos prova que Ele está ali, no meio da sombra, velando sobre o que é Seu. O Pai está tão perto quando passamos pelo túnel, como quando caminhamos sob o céu aberto.

Comigo estás, Senhor.
Embora eu não Te veja,
Sei muito bem que Tu comigo estás.
Segura forte a minha mão na dor;
Cerca o meu coração com Teu amor;
Ergue a minha alma, e que ela firme esteja.
Repouso em Ti, Senhor.
Comigo estás.

sábado, 20 de janeiro de 2018

DEVOCIONAL, 20 DE JANEIRO DE 2018

Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. (Ec 7.3)

Quando a tristeza vem sob o poder da graça divina, ela tem um múltiplo ministério em nossa vida. A tristeza revela profundezas de nossa alma que não conhecíamos, bem como capacidades de experiência e serviço que ignorávamos. Pessoas fúteis, levianas, são sempre superficiais, e nunca têm a mais leve ideia das coisas mesquinhas que há em sua natureza. O sofrimento é o arado de Deus, que revolve as profundezas da alma para que ela possa produzir mais abundante colheita. Se não tivéssemos caído, em Adão, então a força normal para dilatar as capacidades da nossa alma seria a alegria divina. Mas num mundo decaído, o sofrimento (desprovido, porém, do desespero) é o instrumento escolhido por Deus para nos revelar aos nossos próprios olhos. Assim, é a dor que nos faz pensar profunda, longa e sobriamente.
O sofrimento nos faz andar mais devagar e com mais consideração pelos outros, e leva-nos a pesar os nossos motivos e atitudes. O sofrimento é que abre os nossos olhos para as potencialidades da vida espiritual que Deus pôs em nós. É o sofrimento que nos faz dispostos a usar toda a nossa capacidade em servir a Deus e ao próximo.
Imaginemos um grupo de pessoas indolentes, vivendo ao pé de uma cadeia de montanhas, sem nunca se aventurarem a explorar os seus vales e reentrâncias; um belo dia, uma tempestade violenta bate contra aqueles montes e rasga as suas gargantas, pondo à mostra os recessos ocultos dos vales. Então os habitantes do sopé dos montes se maravilham ante os segredos inexplorados de uma região tão próxima e contudo tão desconhecida.
Assim acontece com muitas almas que vivem indolentemente na periferia de sua própria natureza, Até que grandes tempestades de sofrimento vêm revelar profundezas escondidas, de seu ser, que até então nem supunham existir.
Ninguém é grandemente usado por Deus, sem antes ser quebrado. José sofreu mais que qualquer outro filho de Jacó. E isto o levou à tarefa de dar suprimento para todas as nações. Por esta razão o Espírito Santo disse a respeito dele: "José é um ramo frutífero... junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro" (Gn 49.22). É o sofrimento que faz dilatar a alma.

Eu vi o arado sulcando a terra,
E meditei:
A minha vida é como um campo
Sob o olhar do Senhor;
— Onde irá crescer
O precioso grão?
Onde, a fé?
Onde, o amor?
A compreensão?
— No sulco aberto pela dor.

Cada pessoa e cada nação tem que aprender na escola da adversidade, na escola de Deus. "Podemos dizer: 'Bendita é a noite, pois nos faz ver as estrelas'. Do mesmo modo podemos dizer: 'Bendito é o sofrimento, pois nos faz ver as consolações de Deus'.
As enchentes levaram-lhe a casa e o moinho, tudo o que o pobre homem possuía na vida. Mas enquanto contemplava a cena de sua miséria depois de baixadas as águas, com o coração partido e desanimado, ele viu alguma coisa brilhando nos barrancos desnudados pelas águas. 'Parece ouro', disse. E era ouro. A enchente que o havia deixado pobre o fazia rico. Assim acontece muitas vezes na vida." — H. C. Trumbull

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Daniel servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? (Dn 6.20)

DEUS VIVO. Quantas vezes encontramos esta expressão na Escritura! E, no entanto, é justamente o que perdemos tão facilmente de vista. Sabemos que está escrito: Deus vivo, mas em nosso viver diário parece que nada perdemos de vista tão depressa como o fato de que Deus é o Deus vivo; é agora o mesmo que era há três ou quatro mil anos; tem para com os que O amam e servem o mesmo poder soberano, o mesmo amor salvador, que teve também no passado; e fará agora pelos Seus o que já fez há dois, três ou quatro mil anos — simplesmente porque é o Deus vivo, Aquele que não muda. Oh, como devemos confiar nEle, e em nossos momentos mais sombrios, nunca perder de vista que Ele ainda é e sempre será o Deus vivo!
Se andamos com Ele, olhamos para Ele e dEle esperamos socorro, podemos estar certos de que Ele nunca nos desamparará. Sou um velho irmão, que conheço o Senhor há quarenta e quatro anos, e digo, para seu encorajamento, que Deus nunca falhou para comigo. Nas maiores dificuldades, nas provas mais difíceis, na maior pobreza e necessidade, Ele nunca me falhou. Por Sua graça aprendi a confiar nEle, e Ele tem sempre vindo em meu socorro. Tenho prazer em falar bem do Seu nome. — Jorge Müller
Lutero, certa vez, num momento de perigo e temor em que tinha necessidade de força espiritual, foi visto absorto, escrevendo com o dedo na mesa: "Vivit! Vivit!" (Ele vive! Ele vive!) Essa é a nossa esperança — para nós mesmos, para a Sua verdade e para a humanidade! Os homens vêm e vão. Líderes, mestres, pensadores falam e trabalham por um tempo e então caem, sem voz e sem força. Ele permanece. Eles morrem, mas Ele vive. Eles são luzes acendidas, e, portanto, mais cedo ou mais tarde, se apagam. Ele É a verdadeira luz, da qual os outros obtêm o seu brilho: Ele brilha para sempre! — Alexander Maclaren
"Um dia vim a conhecer o Dr. John D. Adams," escreveu o servo de Deus C. G. Trumbull, "e fiquei sabendo que, o que ele considerava a sua maior posse era a permanente consciência da presença do Senhor Jesus. Dizia que nada lhe dava maior segurança do que a consciência de que o Senhor estava sempre com ele em presença real. Dizia que isto não dependia de seus sentimentos ou emoções, nem de seus merecimentos ou de suas próprias ideias sobre como o Senhor manifestaria a Sua presença.
"Dizia ainda que Cristo era o lar dos seus pensamentos. Toda vez que sua mente estava livre de outros assuntos, voltava-se para Cristo; e ele falava em voz alta com Cristo quando estava só — na rua, em qualquer outro lugar — tão fácil e naturalmente como com um amigo qualquer. Tão real era para ele a presença de Jesus."

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

AURIMAR REIS CORATTI

É com pesar que nos despedimos da irmã em Cristo e colega de trabalho Aurimar Reis Coratti. O conforto está em nosso Deus e Pai, na graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e nas doces consolações do Espírito Santo de Deus. Sabemos que a Aurimar já está no seio de Abraão, esperando a ressurreição para a vida eterna com o Senhor.

Descanse em paz!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Em todas estas coisas, porém, somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou. (Rm 8.37)

Temos mais do que vitória. Nosso triunfo é completo. Não somente escapamos da derrota, mas também destruímos os nossos inimigos e ganhamos um despojo tão valioso que podemos agradecer a Deus pela batalha.
Como nos tornamos "mais do que vencedores? Adquirindo durante o conflito uma disciplina que fortalecerá muito a nossa fé e consolidará o nosso caráter espiritual. A tentação é necessária para nos firmar e confirmar na vida espiritual. É como o fogo para as cores de uma pintura em porcelana, ou como os ventos, que ao baterem de encontro aos cedros, mais os levam a fixar-se no solo.
Nossos conflitos espirituais devem ser contados entre as mais preciosas bênçãos, e o grande adversário é usado para nos treinar para a sua própria derrota. Segundo uma lenda dos antigos frígios, toda vez que eles venciam um inimigo, o vencedor absorvia o vigor físico de sua vítima, e isso era acrescentado à sua força e valor.
De semelhante modo, a tentação enfrentada vitoriosamente redobra-nos a força e as reservas espirituais. Podemos, assim, não apenas derrotar o inimigo, como também capturá-lo e fazê-lo combater em nossas fileiras. O profeta Isaías fala em voar sobre os ombros dos filisteus (Is 11.14). Os filisteus eram inimigos mortais dos israelitas, mas a figura sugere que os judeus seriam capacitados não somente a conquistar os adversários, como também a usá-los para carregar nos ombros os vencedores, para outras vitórias. Assim como o marinheiro sábio usa o vendaval para avançar, manobrando e aproveitando o seu impulso, assim também nos é possível na vida espiritual, pela graça de Deus, tirar proveito de fatos e circunstâncias que parecem ser os mais desagradáveis e adversos. Assim podemos dizer continuamente: "As coisas que me aconteceram têm antes contribuído para o progresso do evangelho." — Life More Abundantly
"Os navegantes antigos imaginavam que os pequenos insetos construtores dos recifes de coral haviam instintivamente construído os grandes círculos das Ilhas Atol para se protegerem em seu interior." Um renomado cientista refutou essa crença, mostrando que o inseto só pode viver e prosperar, enfrentando o oceano aberto — nas bem arejadas espumas de suas ondas poderosas.
Assim, tem-se pensado comumente que comodidade e segurança são as condições mais favoráveis de vida; no entanto, todos os homens nobres e fortes provam, ao contrário, que a resistência nas adversidades é que molda os homens de caráter, e distingue uma mera existência de uma vida vigorosa. As dificuldades formam caráteres. — Selecionado
"Mas graças a Deus que sempre nos conduz em triunfo no Ungido, e manifesta por meio de nós a fragrância do conhecimento dele, em todo lugar." (2 Co 2.14 — tradução literal)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

DEVOCIONAL - 11 de janeiro de 2018

Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. (Is 40.1)

Irmão, armazenemos reservas de consolação. Consolar era a missão do profeta.

O mundo está cheio de corações necessitados de consolo, mas para estarmos capacitados para esse ministério, precisamos antes ser preparados.
A preparação custa um alto preço, pois, se queremos de fato trazer alívio às pessoas, nós também precisamos passar pelas dores que estão provocando sofrimento e lágrimas em tantos corações nos dias de hoje. Assim, a nossa própria vida se tornará a escola onde vamos aprender a arte divina de consolar. Somos feridos, para aprender, pelo modo como o Grande Médico nos liga as feridas, a dar os primeiros socorros aos feridos, em toda parte.
Geralmente não conseguimos entender o motivo de passarmos por certos sofrimentos. No entanto, se deixarmos passar o tempo, mais tarde encontraremos muitos outros, com as mesmas aflições que agora temos. Então poderemos contar-lhes como sofremos e fomos consolados. Enquanto o fazemos, aplicamos nos aflitos o bálsamo que uma vez Deus aplicou em nossa vida. Assim compreenderemos, no olhar faminto e no raio de esperança que afastará dessas pessoas a sombra do desespero, por que fomos um dia afligidos. Então bendiremos a Deus pela disciplina que nos trouxe aquela reserva de experiência e de aptidão para socorrer.

Quando estive enfermo, certa vez, prostrado,
Aprendi, do modo como fui tratado,
Como pensar chagas,
Como ter cuidado
Com o membro dorido,
Com o membro pisado.
Na dor que sofri,
Sofrendo aprendi.
Quando pela angústia, certa vez, rasgado,
Aprendi, do modo em que fui consolado,
A levar consolo,
Ministrar cuidado,
Ao que tem sofrido,
Ao que está cansado.
Na dor que sofri,
De Deus aprendi.
 
 

sábado, 6 de janeiro de 2018

BOI VOADOR

Os noviços são sempre noviços. Tinham dado a Tomás de Aquino a alcunha de “o boi mudo da Sicília”. (...) Pregavam-lhe peças, brincando com a sua calma imperturbável e a sua confiança imediata. 
Só uma vez ele respondeu. 
Tinham gritado à sua janela: “Frei Tomás! Frei Tomás! Venha ver depressa ... um boi a voar !”.
De bom coração, ele veio à janela, para ser recebido à gargalhada. 
“Acreditou! Acreditou! Palerma! Palerma!”. 
E Tomás disse imperturbável: 
“Prefiro acreditar que um boi pode voar do que um companheiro possa mentir”. 
E o riso acabou.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Amor pela Palavra

Como cresci numa família cristã, costumava ir à igreja regularmente onde conheci as histórias da Bíblia como a de Davi e Golias, e de Daniel na cova dos leões. Mas foi somente quando entreguei minha vida a Jesus (Yeshua), aos 21 anos de idade, que percebi que ainda não havia lido a maior parte da Bíblia por conta própria. Não tinha visto a relevância ou importância de ler muito do Velho Testamento. Depois de ser batizado no Espírito Santo, de repente, senti uma profunda fome por ler e conhecer toda a palavra de Deus. Li a Bíblia, de capa a capa, em cinco meses. Ler sobre Daniel na cova dos leões pela primeira vez sozinho (sem a ajuda dos desenhos ilustrativos!) foi emocionante. Houve vezes em que não conseguia parar de ler. Desde então, separo um tempo todos os dias para meditar na palavra de Deus e já li de Gênesis a Apocalipse inúmeras vezes.

Analfabetismo Bíblico

Por que isso é importante? À medida em que nossa equipe interage com cristãos e viaja ao redor do mundo para ensinar e pregar a palavra de Deus, ficamos surpresos pelo nível de analfabetismo bíblico de muitos cristãos hoje. Mais de uma vez, ouvi um pastor encorajar sua congregação a gastar cinco minutos por dia na palavra de Deus, porque ele sabe que a maioria não está fazendo nem isso.

Um dos temas mais enfatizados nas Escrituras a respeito do fim dos tempos é o engano (Mt 24.4-5, 23-25; 2 Ts 2.7-12). Amós 8.11 nos diz que, nos últimos dias, haverá uma fome global de ouvir as palavras do Senhor – viver na “Era da Informação” parece ter-nos tornado ocupados e distraídos demais para focar na sua palavra diariamente, embora esteja disponível a nós nas formas mais variadas (digital, áudio, etc.) que nossos antepassados sequer podiam imaginar. Além disso, estamos testemunhando a Bíblia sendo abolida na vida pública em muitas nações ocidentais hoje. Muitos cristãos hoje não estão cultivando um estilo de vida de leitura constante da palavra de Deus, e isso será uma das causas de muitos serem enganados e se apostatarem da fé (2 Ts 2.3).

Dentre os que ainda estão lendo a Bíblia, o objetivo geralmente é mais para adquirir conhecimento mental do que ser movido pelo diálogo de amor com o Espírito Santo que conduz a uma intimidade mais profunda. Ou, então, é por escolha aleatória – ler a página em que abrirem a Bíblia naquele dia – e não de forma sistemática. Alguns leem apenas a Nova Aliança, o que os impede de enxergar a profunda interligação de toda a linha histórica que vai crescendo de Gênesis a Apocalipse.

Compartilhe o que você ama

Estamos vivendo num tempo em que o amor pela palavra de Deus precisa ser adquirido e passado adiante para a próxima geração. Se não fizermos isso, seremos levados por todo vento de doutrina falsa. A história está se movendo num único sentido, em direção ao retorno de Yeshua e ao estabelecimento do seu reino. Há apenas um manual que nos mostrará como participar com o Rei e atravessar os dias de tribulação e glória que estão diante de nós. Que possamos nos comprometer novamente a ser um povo que conhece, ama e obedece a toda a palavra de Deus.

Cody Archer

Nós Profetizamos em Parte

Buscamos ter um equilíbrio bíblico sobre as questões relativas aos dons apostólicos e proféticos na Igreja hoje. Uma das chaves para encontrar esse equilíbrio é a frase: “em parte profetizamos”.

I Coríntios 13.9 – “porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos”

Amar é o maior mandamento. À medida que continuamos a amar, nosso amor torna-se mais amadurecido. Nessa experiência de maturidade, ganhamos mais paciência e humildade. Quanto mais sabemos, mais percebemos o quanto não sabemos. Reconhecemos o fato de que outros saberão e verão coisas que não enxergamos. Essa atitude preserva a unidade e evita o espírito de divisão.

A frase “em parte profetizamos” pode ser entendida de duas formas. Para aqueles que não creem na validade atual do dom de profecia, ou que dizem que a profecia precisa ser perfeita, ou então é totalmente falsa, podemos ver que a profecia na Nova Aliança envolve um nível de interpretação e entendimento que é apenas parcial por sua própria natureza. Nós “vemos como por um espelho, em enigma” (I Coríntios 13.12).

No entanto, nós realmente profetizamos. Qualquer pessoa que nasceu de novo e está cheia do Espírito Santo pode potencialmente compartilhar revelação profética (I Coríntios 14.5, 6, 24, 31, 32, 39). Só porque a profecia é apenas parcial não significa que não seja verdadeira. É por isso que somos instruídos a “provar” as profecias e “reter o que é bom” (I Ts 5.21). Se tudo o que é profético fosse perfeito e completo, não haveria necessidade de “reter” o que é bom e rejeitar o que não é.

Na Nova Aliança, depois que uma pessoa se arrepende e crê em Yeshua, seu espírito pode nascer de novo. O Espírito de Deus pode dar testemunho ao espírito do homem (Romanos 8.16) através da consciência humana (Romanos 9.1). Através do espírito humano e da consciência humana, pensamentos gerados por Deus podem vir à mente humana (Romanos 8.6; Isaías 55.8-9).

Esta é a experiência normativa da profecia na Nova Aliança: os pensamentos de Deus vêm através do Espírito de Deus para o nosso espírito através da nossa consciência, trazendo os pensamentos de Deus para dentro dos nossos. Quando transmitimos esses “pensamentos de Deus” aos outros, isso é considerado profecia ou sabedoria divina.

Por outro lado, aqueles de nós que acreditam na profecia muitas vezes precisam “diminuir o tom” da nossa linguagem. Não devemos falar em termos ABSOLUTOS, porque, afinal, apenas profetizamos em parte e conhecemos em parte. A profecia da Nova Aliança não é tanto uma ordem direta e exterior de Deus, mas um entendimento interior da vontade de Deus através de palavras e imagens, inspirado por Deus em nossos corações.

Portanto, devemos falar com linguagem, postura, tom de voz, volume e “linguagem corporal” mais humildes. A forma como profetizamos mostra que sabemos que a própria profecia que estamos entregando é, por definição, apenas “parcial”?


Aqui está o equilíbrio: Os “não carismáticos” precisam reconhecer que os crentes na Nova Aliança podem realmente profetizar e que as Escrituras em nenhum lugar ensinam que esse dom cessaria antes do retorno de Yeshua. Os “carismáticos” precisam reconhecer que o que estão profetizando é apenas parcial. E, finalmente, um recado a todos nós em qualquer tipo de argumento teológico: seja o que for que achamos que sabemos, nós só o conhecemos parcialmente. Vamos dar espaço para nos humilharmos e aprendermos com os outros.

Asher Intrater


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Religiões Comparadas: o Budismo


O budismo é uma religião de abrangência e importância mundial. Está presente em todos continentes, com evidente predominância na Ásia, a ponto de ser designado como a “Luz da Ásia”. Já foi a religião oficial da Índia – pátria mãe do budismo – durante o século III a.C., onde praticamente desapareceu.
É importante destacar que embora o budismo possua profunda característica religiosa nos dias atuais, é um movimento “sem deus ou deuses”, o que faz muitos budistas afirmarem que se trata apenas de uma filosofia de vida ou então um simples caminho de crescimento espiritual, através dos ensinos deixados por Buda.

Sidharta Gautama – ou Gautama Buda – o fundador do budismo, não acreditava em deuses, o que fez da literatura monástica budista um movimento onde o conceito de divindade seja insignificante ou até mesmo nulo.

Interessante é notar que com o tempo o próprio Gautama foi endeusado por seus seguidores, a ponto de ser visto, sejam em templos ou nas casas de seus seguidores, estátuas que simbolizam Buda, sejam estas minúsculas ou colossais que remetem os budistas à idolatria e adoração ao fundador deste sistema de crença/filosofia.

SIDHARTA GAUTAMA

A origem do budismo está totalmente ligada à vida de Sidharta Gautama. Este homem nasceu em torno de 563 a.C. vivendo até 483 a.C.. Ele nasceu na região noroeste da Índia, nas planícies de Lumbini, que hoje pertence ao Nepal, ao sul deste país.

As histórias a respeito do budismo – segundo a tradição – apontam Gautama como um príncipe que teve a vida severamente protegida por seu pai, chamado Sudodana, um importante governante/nobre.

Aos 16 anos Gautama já era dono de três palácios, o que evidencia sua vida aristocrática. Aos 19 anos casou-se.

A GRANDE RENÚNCIA

Com aproximadamente 29 anos de idade, Gautama decide conhecer o mundo que se encontrava além das muralhas que o cercava. Ele pode contemplar quatro cenas até então desconhecidas: ele se deparou com um ancião, em seguida com um doente, um defunto e um asceta, cada um em determinado momento. Tais encontros o levaram a um profundo período de reflexões sobre o real sentido da vida, até que decidiu abandonar sua vida de conforto e luxo, bem como sua família, para então integrar um grupo de monges.

Vale lembrar que a expressão Buda não corresponde a um nome próprio, mas a um título aplicado a Gautama. Buda significa Iluminado, Sábio, O Bem Aventurado.

Este título foi aplicado a Gautama devido a sua insatisfação com a vida material que o levou a abandonar todo mundo que o rodeava, fato este conhecido por “A Grande Renúncia”.

Ao abandonar tudo, Gautama se tornou um asceta errante à procura de iluminação. Conta a tradição budista que após 6 ou 7 anos de peregrinações, Gautama encontrou o chamado “Verdadeiro Caminho” após profunda meditação abaixo de uma figueira designada por árvore bodhi (Árvore da Sabedoria) onde Gautama Buda atingiu o Nirvana e a partir deste instante desenvolveu todo corpo doutrinário do budismo. Não vamos nos ater aos ensinos budistas propriamente ditos neste momento, mas sim ao aspecto histórico.

EXPANSÃO

Após a morte de Gautama, o budismo avançou pela Índia e enviou missionários para diversos países asiáticos. É justamente no continente asiático que o budismo concentra o maior número de praticantes.

No ocidente consta o registro da construção do primeiro templo budista nos Estados Unidos, no ano de 1898 na cidade de São Francisco. Em 1906 é fundada na Inglaterra a Sociedade Budista da Inglaterra. Na França, no ano de 1929 foi fundada a Sociedade dos Amigos dos Budistas. No Brasil o budismo chegou na década de 20.

O NIRVANA


Sidharta Gautama atingiu o Nirvana após profunda meditação. Este estado onde Gautama adentrou o levou a profunda compreensão da realidade, que é mais que transitória, ou seja, é uma realidade absoluta além do tempo e espaço. Neste estado, Gautama pode dominar seu desejo de viver, e isso não mais o prenderia à matéria. O benefício que Gautama descobriu foi que não haveria mais necessidades de retornar ao corpo material em novas encarnações: o ciclo de reencarnações estaria encerrado.

Gautama descobriu que o caminho ficou aberto para que ele pudesse abandonar o mundo e atingir o Nirvana Final. O Nirvana Final é como um eterno apagar de luzes. No seu entendimento, a alma não é eterna. Sendo assim, a alma, após sofrer inúmeras reencarnações se tornaria como o fogo de uma lamparina, que se passa de uma para outra, até finalmente extinguir-se. O Nirvana Final não é um estado de gozo e alegria eterna, mas sim um triste fim de inúmeros ciclos de vida que não levaram a lugar algum. É simplesmente, no entendimento budista, o fim da reencarnação.

ENSINOS: BASE DOUTRINÁRIA

Após a iluminação, Gautama (a partir de agora “Buda”) fez seu primeiro sermão, conhecido como Sermão de Benares, pois foi feito na localidade de Benares, atual Varanasi, cidade ao norte da Índia. Este sermão é conhecido como As 4 nobres verdades.

As 4 nobres verdades sobre o sofrimento:

1) A verdade santa sobre o sofrimento:

Tudo no mundo é sofrimento. Nascer, envelhecer, morrer, estar unido às coisas que não trazem satisfação, separar de coisas agradáveis, não conseguir aquilo que queremos. Tudo isso corresponde a sofrimento intenso. Para o Budismo, como tudo é passageiro, a vida é marcada pelo sofrimento.

2) A causa do sofrimento:

Buda afirma que todo sofrimento humano tem como causa comum o desejo. Como o desejo pelas coisas acarreta obstinação, o homem nunca conseguirá saciar por completo seus desejos, e isso produz sofrimento.

3) A suspensão; a cura do sofrimento:

Para encerrar o sofrimento, os desejos devem ser dominados. Após dominar o desejo, o estopim do Nirvana é aceso. O homem precisa enfrentar sua ignorância para se libertar dos desejos. A ignorância produz desejo, o desejo produz atividade, a atividade traz renascimento e este produz mais ignorância. Vencer a ignorância rompe o círculo vicioso.

4) O caminho para cura do sofrimento:

Para Buda, a cura para o sofrimento e libertação dos ciclos de renascimento é possível ao seguir-se o Caminho das Oito Vias, ou Nobre Caminho Óctuplo, este pode ser resumido assim:

Nobre Caminho Óctuplo

1. Crença justa ou livre de superstição e de engano;

2. Resolução justa, não causando dano a nenhum ser vivo;

3. Palavra justa, bondosa, franca e verdadeira;

4. Ato justo, honesto, pacífico e puro;

5. Visão justa, elevada e digna de um homem inteligente e sincero;

6. Esforço justo, para desenvolvimento e domínio próprio;

7. Pensamento justo, ativo e vigilante;

8. Meditação justa, profunda sobre a realidade da vida.

ADEPTOS NO MUNDO

O budismo é uma religião de abrangência mundial, com predominância em países asiáticos como China, Mongólia, Mianmar, Tailândia, Camboja, Nepal e Japão.

Estima-se que cerca de 5,9% da população mundial (algo em torno de 380 milhões de pessoas) confessem o credo Budista. No Brasil existe a estimativa de que 0,15% da população (cerca de 280 mil pessoas) sejam budistas.

ESCOLAS BUDISTAS

O budismo possui divisões que são chamadas de “Escolas”, conforme a doutrina seguida. Originalmente o budismo era formado por cerca de 18 escolas. Com o passar dos anos muitas destas escolas deixaram de existir ou foram absorvidas pelos movimentos hoje existentes. Os demais grupos ou partidos que confessam variações do budismo são frutos destas correntes principais, a Maaiana e Teravada.

BUDISMO MAAIANA (OU MAHAYANA)

A Escola Maaiana teve origem em 185 a.C., sendo designada como “Escola Maior”, “Veículo Maior” ou “Caminho de Muitos”. Em contraste com a Teravada (Escola mais tradicional), a Maaiana é um segmento budista mais liberal. Sua presença é marcante nos países do norte asiático, como Coréia, Japão, China, Tibet, Nepal, Indonésia e Vietnã.

Para os Maaianas, Buda é considerado um ser divino, pois acreditam que ele optou em abdicar do Nirvana Final para ficar por mais tempo na Terra ensinando os sofredores. Para esta Escola, o amor e compaixão são considerados fundamentais, sendo assim, para os Maaianas, aquelas pessoas que buscam a iluminação (no campo pessoal/individual), são considerados seres egoístas.

Esta Escola possui características particulares que a levou a posição de destaque em relação à Teravada. Isso se dá por sua capacidade de adaptação cultural, às questões do cotidiano, à compaixão e amor e ao sincretismo religioso. A Maaiana é contrária e rejeita o asceticismo extremo dos Teravadas, crendo que toda e qualquer pessoa, mesmo sendo leiga, possa alcançar a iluminação.

ESCOLA TERAVADA (OU THERAVADA / HINAYANA)

A palavra Hinayana significa “Pequeno Veículo”, em contraste com a Escola vista anteriormente. É a segunda grande divisão do budismo, prevalecendo ao sul asiático, em países como Sri Lanka, Mianmar, Tailândia, Laos e Camboja. É considerado o lado mais conservador do budismo, cuja expansão significativa ocorreu em torno do século III a.C.

Diferente dos Maaianas, os Teravadas crêem que leigos não podem atingir a iluminação, sendo assim, apenas os monges podem alcançar este objetivo final. A dádiva maior para um leigo é poder reencarnar como um monge numa futura existência.

O asceticismo é marca desta corrente. No entanto vale a ressalva que ambas as Escolas prestam grande reverência a pessoa de Buda (Sidharta Gautama).

DEMAIS GRUPOS BUDISTAS

O budismo possui outras facções que surgiram ao longo da história, como por exemplo, o budismo Nichiren-Shoshu, Soka Gakkai e o Zen-Budismo.

ZEN-BUDISMO

É muito comum nos dias de hoje ouvirmos a expressão “Zen”. Quando uma pessoa está ou é quieta e pensativa, logo surge alguém para rotulá-la como alguém Zen. De onde vem tal costume?

Os grande pioneiros do Zen-Budismo no Japão foram Eisai, que fundou a seita Rinzai em torno de 1191 e Dogen, que fundou a seita Soto em 1227.

O vocábulo Zen significa algo como “meditação”. O Zen-Budismo tem sido propagado de forma crescente no ocidente, desde sua chegada entre o entre os séculos XIX e XX através de D.T. Suzuki.

O Zen é uma mistura eclética de várias correntes. Possui, por exemplo, a característica Maaiana de que todas as pessoas podem ser iluminadas. Possuí também traços do panteísmo, crendo que o cosmos é “um no todo”. A ioga é prática comum para os zen-budistas.

Não existe concepção do divino para o Zen. Os praticantes devem se submeter a intenso esforço próprio, meditação e muito treinamento em direção à iluminação.

Assim como tem acontecido com os fenômenos espiritualistas do Movimento Nova Era, o ingresso de tantas pessoas nas Escolas Budistas se dá pela combinação de frustração com o materialismo e o fascínio pela espiritualidade oriental.

PARALELOS E PERPENDICULARES

Algumas escolas e faculdades teológicas trazem em sua grade curricular uma disciplina chamada “Religiões Comparadas”. Faremos exatamente isso aqui: comparar aquilo que cremos e praticamos em matéria de fé (cristianismo) com o budismo. Focamos até o momento os estudos no aspecto histórico do budismo. Agora faremos a comparação com o Cristianismo.

TENTATIVAS DE TRAÇAR PARALELO

É um fato que os ecumênicos de plantão sempre farão esforço para traçar paralelo forçado entre as religiões e crenças. Por mais que os propósitos e crenças sejam totalmente incompatíveis, haverá sempre alguém disposto a gritar com toda força que todos os caminhos levam a Deus, ou que todas as religiões são boas, ou que somos todos filhos do mesmo Pai. Os que tentam fazer paralelo entre cristianismo e budismo, normalmente trabalham no seguinte eixo, comparando Jesus Cristo com Buda:

a) os discursos: ambos se levantaram na sociedade de sua época e seu povo, em dado momento, para trazer seus ensinos iluminados, formando assim discípulos e tornando-se grandes mestres e exemplos para posteridade;

b) ensinos espirituais: ambos buscam levar o homem ao desprendimento material e a voltar-se para o lado espiritual. A busca desenfreada pelos prazeres materiais leva a frustração;

c) o amor: dentro do cristianismo o amor é fundamental. O ensinamento de Jesus (segundo grande mandamento) é que os seus devem amar o próximo como a si mesmo; amar os inimigos é um ensino moral do Cristianismo. Para os budistas, principalmente da Escola Maaiana, o amor e compaixão são dois alvos, duas virtudes, dois objetivos a se alcançar. O budista que vive uma vida regrada nos ensinos de Buda procura uma vida correta e amorosa.

A REALIDADE PERPENDICULAR

Apesar das grandes tentativas de harmonizar Jesus com Buda, a mistura não é possível. É água e óleo.

Embora os princípios de boa moral, vida regrada, amor ao próximo e misericórdia estarem presentes no budismo e no cristianismo, cada caminho é um caminho, cada qual ensina pontos fundamentais distintos e não é possível transitar em duas estradas ao mesmo tempo. A fé cristã é completamente divergente do que se apregoa no budismo.

É preciso traçar um comparativo doutrinário para, de forma resumida e eficaz, verificar se a base doutrinária cristã – Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, Bíblia e Salvação – é a mesma base doutrinária do budismo. Vejamos se há compatibilidade (para informação adicional, leia os ensaios “O exclusivismo cristão”, “Pluralismo Religioso”): 

Quadro Comparativo Doutrinário: Budismo e Cristianismo


Foco
Budismo
Cristianismo
Deus
No Budismo existem dois entendimentos sobre Deus; ou Ele é ignorado, pois não pode interferir na vida das pessoas; ou Deus é tudo e tudo é Deus (panteísmo). Apesar de não glorificarem a Deus, Buda foi “endeusado” por seus seguidores.
Deus é soberano, é o Todo-poderoso, Pai bondoso. É o único Deus e Se revela e Se relaciona com os que O buscam – Gn 1.1; Êx 3.14; Sl 47.2,7,8; 139; Is 40.12-18; 43.11; 44.6; 1Jo 4.8.
Jesus
Jesus foi um grande mestre, professor puro da mais alta moral, uma reencarnação de um buda. Alguns creem que Ele peregrinou até o Tibet e Índia.
Jesus Cristo é Deus Filho, a segunda pessoa da Trindade – Is 9.6; Mt 1.23; Jo 1.1; 10.30; 14.9; 20.28; Rm 9.5; 2Co 4.4; 1Ts 2.3; Cl 1.15; 2.9; Fp 2.5-7; 1Jo 5.20.
Espírito Santo
Não possui nada formulado ou entendido sobre o Espírito Santo.
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade Divina – Sl 139.7-12; 143.10; Jo 16.7-14; At 5.3-4; 10.19-20; 2Co 3.17; Ef 4.30; 1Ts 5.19.
Bíblia
Despreza a Bíblia como Palavra de Deus; seus ensinos estão estruturados num conjunto de três obras literárias chamadas de Triptaka.
A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus inspirada – Sl 19.7-10,119; Jo 17.17; 1Tm 4.9; 2Tm 3.16; Hb 4.12-13; 2Pe 1.20-21.
Salvação
Não existe vida eterna com Deus; não há alegria ou gozo eterno, apenas o encerrar das reencarnações e o “apagar de luzes” do Nirvana Final.
Salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo. A morte reserva a vida eterna ao lado de Deus. A crença está em torno da ressurreição dos mortos, não existindo possibilidade de reencarnação – Jo 3.16; 14.6; At 14.12;Rm 3.23-26; 10.9-10; Gl 2.16; Ef 2.8-9; Tt 3.4-5.


CONCLUINDO

Por mais nobre que sejam as motivações, não há como tentar conciliar a prática budista com a fé cristã. As cosmovisões são opostas, completamente divergentes.

Concordo com a afirmação incisiva de Josh McDowell:

    Há divergências radicais entre o budismo e o cristianismo que tornam impossível qualquer tentativa de reconciliação entre as duas crenças.[1]

Como vimos, o entendimento sobre os pilares elementares do cristianismo é muito avesso no budismo; apesar do segundo ensinar muitas coisas nobres, diverge significativamente do primeiro.

O cristianismo é uma fé baseada em Jesus Cristo exclusivamente, e como Ele afirmou ser o único caminho e único mediador (Jo 14.6; 1Tm 2.15), pela fé e pela razão, confiamos nossas vidas apenas em Jesus Cristo


NOTAS


[1] MCDOWELL, Josh. Respostas convincentes. São Paulo: Editora Hagnos, 2006. p.312