VIDAS

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS. A VIDA ETERNA, DE RENÚNCIAS!

domingo, 6 de maio de 2012

ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO

INTRODUÇÃO
: As sete cartas são dirigidas às sete igrejas, cada uma das quais descreve as condições da igreja, com instruções, advertências e promessas.
Em Apocalipse o autor nos oferece um esboço bem amplo do seu livro, dividido em três pontos:

1- As coisas que tens visto : A visão de Cristo no primeiro capítulo, que atua como introdução a todo o livro.
2- As coisas que são (ou estão acontecendo): A condição das igrejas na Ásia Menor (atual Turquia), nos capítulos dois e três.
3- As coisas que irão acontecer, o futuro do mundo: Os últimos dias, as condições que farão anteceder o segundo advento de Cristo, que introduzirá o reino milenial e o estado eterno – do capitulo quarto até o fim do livro.

A IMPORTÂNCIA DESTAS CARTAS

Os dois capítulos que tratam do tema das cartas às igrejas da Ásia Menor, ocupa cerca de um oitavo de todo o livro.

O CARÃTER GERAL DESSAS SETE CARTAS

Joseph Seis, falando sobre as cartas, diz; “Essas cartas se constituem exclusivamente das próprias palavras de Cristo”. Mas, ao contrário das parábolas, estas foram ditadas desde os céus, depois que Ele ressuscitou.
Talvez sejam os únicos registros condensados de seus discursos que chegaram até nós. Há nestas cartas algo de solenidade e importância fora do comum.
Chegam até nós com admoestação, reiteradas sete vezes de que devemos ouvi-las e guardá-las no coração.
Lamentavelmente, é mui raro que nos dias de hoje, as igrejas sejam convidadas a ouvirem e considerarem o conteúdo dessas cartas...

SETE ELEMENTOS COMUNS NAS SETE CARTAS.

1. A ordem de escrever ao anjo de cada assembleia local.
2. Algum titulo sublimado do Senhor Jesus, como um significado particular, com elementos instrutivos, importantes para cada igreja local.
3. Uma mensagem direta ao anjo da igreja, com as palavras, “eu conheço as tuas obras”...
4. Promessa aos vencedores: advertências aos seus membros indiferentes...
5. Uma solene advertência: “Quem tem ouvidos, ouça”.
6. É o Espírito quem dita as palavras de cada carta, não são palavras humanas.
7. Cada uma delas contém uma mensagem profética, que se adapta a um período especial da história da igreja.
Estas cartas expõem os erros, os triunfos e as condições morais que caracterizam a igreja em qualquer de suas épocas.

1 – CARTA À IGREJA DE ÉFESO. AP. 2.1-7

Éfeso era a maior cidade da Ásia. Ema muito importante em todos os aspectos. Era considerada a metrópole política e comercial. Era a capital de Ionia, situada no costa ocidental sobre o Mar Egeu.
Era um porto marítimo, distante umas 40 milhas ao sudoeste de Esmirna.Dois edifícios se destacavam em Éfeso: o Templo de Artemis ( Diana dos efésios) e o Teatro.

O CRISTIANISMO:

É provável que a igreja ali tenha sido fundada entre os anos 52 e 55 d.C. por Áquila e Priscila (Atos 18.18-21: 19.8-10). Que foram deixados ali na segunda viagem missionária de Paulo (Atos 18.18-21: “Paulo, tendo ficado ali ainda muitos dias, despediu-se dos irmãos e navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, havendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto. E eles chegaram a Éfeso, onde Paulo os deixou; e tendo entrado na sinagoga, discutia com os judeus. Estes rogavam que ficasse por mais algum tempo, mas ele não anuiu, antes se despediu deles, dizendo: Se Deus quiser, de novo voltarei a vós; e navegou de Éfeso”.

- Depois Paulo volta a Éfeso e permanece ali por um período de dois anos conforme lemos em Atos 19.1-2, e 8-10.

- “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo tendo atravessado as regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes? Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo... diariamente na escola de Tirano. Durou isto por dois anos; de maneira que todos os que habitavam na Ásia, tanto judeus como gregos, ouviram a palavra do Senhor”.

Paulo havia escrito aos efésios no ano 63, dizendo que “era ricamente abençoado em tudo” (Ef. 1.3)

A CARTA. Cada uma das sete cartas começa com a afirmação: “eu conheço as tuas obras”, cada uma contém uma promessa “ ao que vencer”, e termina com uma advertência “Quem tem ouvidos ouça...”.

2.1 = Ao anjo = Eles são mencionados em Ap. 1.16,20. A maioria crê que são os pastores ou bispos da igreja.

“...o que que anda no meio dos sete candeeiros de ouro”. Os sete candeeiros são as sete igrejas. (1.20). Cristo se move entre os seus, no meio de sua igreja...(Mt. 28.20).

2.2 = Conheço as tuas obras, Aqui se usa o termo grego “oida” em lugar de “ginösko”. Assim, esse conhecimento “enfatiza bem melhor a visão total que fotografa todos os atos da vida tal como acontecem”. Aqui vemos um enfoque sobre a onisciência de Cristo. As obras que Jesus conhece representam as condições espirituais da igreja em geral., e não apenas aquilo que chamamos de “serviço ativo”.

Portanto, a palavra “obra”, (gr. erga) neste caso, indica o caráter geral, a natureza da pessoa que atua, e também aquilo que faz, ou seja, toda a vida e conduta.

= e o teu trabalho, Serviço ativo. Gr. “KOPOS”, que significa “labor até o limite das forças”. A forma verbal “KOPIAO”, significa: esgotar-se, trabalhar arduamente, lutar...

= e a tua perseverança; Paciência. Volta a ser mencionado no versículos seguinte. Significa constância sob circunstancias adversas. Segundo o texto, eles lutavam firmemente e suportavam as situações dificeis, contrárias...

2.2 = sei que não podes suportar os maus. Esses homens maus, provavelmente eram os “nicolaitas”, que são mencionados no vers. 6. Eram falsos Mestres e falsos apóstolos, que eram uma Praga para a igreja apostólica.

…os que se dizem apóstolos e não o são…; A presunção daquela gente era muito grande, ao ponto de querer compartilhar da autoridade dos próprios apóstolos.

Deus proveu a igreja de um dom especial para prevenir e ajudar os cristãos na luta contra tais homens; o dom de “discernir os espíritos”, ( I Cor, 12.10).

Mesmo sem ter uma referencia direta, creio que aqui se trata de uma forma de agnosticismo. Oito livros do Novo Testamento foram escritos contra as diversas heresias agnósticas.

Eles tentavam combinar a Filosofia grega, a mitologia e as religiões orientais. Eles criam que a matéria é o principio do mal, e o corpo é incapaz de ser redimido pois o mesmo participa da matéria. Assim que se podia fazer qualquer coisa com o corpo. Licenciosidade...

2,3 = e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste. Eles tinham uma visão positiva de Cristo, trabalhavam até desfalecer. Oura vez o verbo “kopos” do vers. 2, aqui significando “labor até o esgotamento”.

= o surpreendente aqui é descobrir que a atividade, a paciência e a lealdade no meio do sofrimento, o árduo trabalho e a fidelidade na doutrina e na disciplina, todas estas virtudes não garantiam que tudo estava bem.

Trabalhavam arduamente por amor ao nome de Cristo, porém com um amor defeituoso.

2.4 = Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.”

-Nunca teríamos imaginado que uma comunidade cristã que estava sendo descrita como leal nas perseguições, sofrida e paciente, poderia aparecer como quem havia “abandonado” primeiro amor por Cristo.

- deixastes = abandonastes. Gr. APHEKAS, que significa: “irse”, “relaxar”, “dispensar, “descuidar”. Essa mesma palavra era usada para indicar o repudio ou divórcio...

ADVERTÊNCIA. É possível que um crente tenha sido cheio do Espírito Santo, porem, gradualmente vai cedendo aos desejos da carne, o orgulho pessoal e os desejos mundanos. Nesse caso, o crente se está divorciando, aos poucos, daquilo que anteriormente era seu amor, que lhe era precioso. Ex: Um esposo e a esposa que se apaixona por outra pessoa.

QUE SIGNIFICA O PFRIMEIRO AMOR:

Amor é a natureza da nova vida. Pela salvação somos participantes de uma nova natureza (2. Pe. 1.4) que é Cristo em nós.

Nesse primeiro amor, somos identificados como igreja de Deus ou Noiva de Cristo. É o compromisso recíproco de amor que firmamos com Cristo. Porém, na igreja de Éfeso esse amor, deu lugar a uma esterilidade...

PORQUE FOI DEIXADO O PRIMEIRO AMOR

1-O amor se manifesta em atos (I Jo. 3.18). “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade”. Quando faltam estas obras, o amor começa a esfriar-se. A adoração e a ação de graças são os meios mais simples de demonstrar nosso amor para com Cristo. (col. 3.17 = E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai).

2º amor pode esfriar-se quando é transferido para outro objeto ou pessoa...

O ESPIRITO DECLARA QUE O AMOR DEIXADO SIGNIFICA UMA QUEDA.

2.5 = Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.

Uma palavra chave neste versículo é: “lembra-te” (gr. mnëmoneue) É uma exortação à memória piedosa sobre os dias anteriores, quando a devoção intensa a Cristo era a força motivadora de uma vida piedosa e de intenso serviço. Arrepende-te (kai metanoëson).

É como se o Mestre estivesse dizendo: “Lembra-te do teu gozo anterior, quando o verdadeiro amor enchia o teu coração”. Arrepende-te dos teus pecados, compreende o perigo de tua atual condição.

Notemos a progressão: Lembra-te – arrepende-te e pratica, os elos de oro da restauração e do progresso da igreja

PORQUE FOI UMA QUEDA


1- Uma queda pois a perda do primeiro amor pode significar um desastre eterno. Quando Jesus está longe de nós, perdemos os valores espirituais, ficando só as aparências.

2- Uma queda, pois nada substitui o amor de Cristo.

3- O espírito santo reconheceu dez boas qualidades na igreja de Éfeso, porém nenhuma justificava, nem substituía o amor que se havia esfriado.

4- Quando desaparece o segredo da comunhão com Cristo, o primeiro amor, se passa a viver de pura aparência (encontros, eventos...).

= O remédio é simples: ARREPENDE-TE. A maneira de provocar o arrependimento em si mesmo, segundo o Senhor aclara aqui. É lembrar ou meditar nos dias passados, quando o primeiro fervor fluía em sua vida.

2.6 = Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço. Na Septuaginta, Paraíso é usado em dois sentidos: Primeiro, é usado de forma regular para o Jardim do Éden (Gen. 2.8 e 3.1). Segundo, para qualquer jardim especial, como vemos em Isaias 1.30, Jeremias 295 e Eclesiastes 2.5.

Os grandes pensadores da Igreja primitiva não identificavam o Paraíso como o Céu; o Paraíso era o lugar onde a alma dos justos se preparavam para entrar à presença de Deus. Por último, alguns creem que o Paraiso deixou de ser este lugar intermediário, baseando-se nas palavras de jesus ao ladrão da cruz: “Hoje estarás comigo no Paraíso”, Lucas 23.43.

= Quem eram os nicolaitas? O texto se limita apenas a dizer que o Cristo Ressuscitado aborrecia ou detestava os nicolaitas, apenas os menciona e não os define. Voltaremos a encontra-los em Pérgamo (versículo 15), onde se relaciona com os que mantém os ensinos de Balaão.

Segundo os historiadores bíblicos os nicolaitas são identificados como os seguidores de Nicolau, prosélito de Antioquia, que foi um dos Sete chamados a ser diácono (Atos 6.5). O que nos leva a entender que Nicolau se afastou do caminho do Senhor caindo em heresia. Irineu diz que os nicolaitas levavam uma vida de permissividade ilimitada. Hipólito diz que Nicolau era um dos Sete e que se afastou da sã doutrina e adquiriu o costume de inculcar o indiferentismo em matéria de comida e de vida. Clemente de Alexandria diz que os nicolaitas “se abandonavam ao prazer como cabras...levando uma vida de autoindulgência.

2.7 = Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.

Esta formula introduz as “promessas” feitas às igrejas, nesta e nas próximas cartas de Apocalipse.

O versículo sete nos dá a promessa condicional ou “desafio” do Senhor. Chamou a igreja a arrepender-se. No final diz que o que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Faz-se uma promessa que ao que vencer o próprio Senhor lhe dará “de comer da árvore da vida”.

Conheço as tuas obras... ao que vencer...Ouça o que o Espirito diz. Dessas três declarações surgem três mensagens de Deus para todos nós nos dias em que vivemos: 1) Deus me conhece totalmente, não posso engana-lo ou aparentar uma suposta vida de espiritualidade. 2) É imperativo vencer; São Paulo nos dá a chave: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13). 3) Devo ouvir e obedecer a voz do Espirito Santo sempre.

A Arvore da Vida é mencionada 6 vezes na Bíblia, três vezes em Genesis e três vezes em Apocalipses. Par que o homem não vivesse eternamente como pecador, Deus não permitiu que ele comesse dessa árvore (Gen. 3.22-25), mas agora, redimidos pelo sangue de Jesus, é prometido que os vencedores comerão de dita árvore: e viverão eternamente. Por isso se diz que eles não sofrerão o dano da segunda morte Ap. 2.11; 20.6). Tudo isso nos faz entender que as promessas aos vencedores que aparecem no fim das outras cartas, estão relacionados com a promessa de vida eterna (Ap. 2.10, 11, 17; 3.5, 12, 21).

Aqueles comentaristas que veem nestas sete mensagens períodos progressivos cronologicamente da presente Dispensação da Graça, ou da Igreja, alegam que esta carta representa o período apostólico e o pós-apostólico, ou seja, até o fim do primeiro século de nossa era. Entretanto, sem entrar em controvérsia com os que assim creem, só queremos intimar que não se deve limitar a mensagem e sua aplicação a essa época. Quando existem nos dias de hoje os mesmos problemas espirituais, creio que seria correto aplicar as mesmas exortações e soluções encontradas nesta e nas demais mensagens às sete igrejas.

Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B. Th.M. Th.D.) R.I.P.

sábado, 5 de maio de 2012

ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR


Esmirna era uma prospera cidade da Ásia menor. Tinha uma grande importância comercial, pois uma rodovia a cruzava, partindo desde Frigia. Também tinha um porto de saída para a área comercial do vale do rio Hermo.

Ali foi permitido erigir um templo dedicado a Tibério. Sua forte aliança com Roma, a transformou em uma forte aliada e um centro de culto ao imperador. Isso colocou os cristãos daquela cidade em uma situação desesperante, e a perseguição e a morte foi o resultado natural para eles.

Esmirna foi a terra da fábula de Dionísio, um deus que supostamente fora assassinado, mas ressuscitou. Era o local da celebração dos jogos olímpicos e tinha um dos maiores anfiteatros de toda Ásia.

Competia com Éfeso e Pérgamo. O nome dessa cidade significa “mirra”, substancia extraída de uma planta e usada para fabricação de perfume, mas também usado para embalsamar os corpos dos mortos.

É possível que, sendo uma as onze cidade constituintes de Jonia na época da introdução do Evangelho na Europa, quando estava incorporada à Província romana de Ásia, o Evangelho deve ter chegado ali como consequência o ministério de Paulo em Éfeso (Atos 19.11) na sua terceira viagem missionaria.

O culto ao imperador era uma adoração obrigatória aos imperadores romanos, como se estes fossem divindades. Naturalmente, os cristãos se recusariam a oferecer-lhe culto, e em consequência, foram tremendamente perseguidos e muitos deles sofreram o martírio.

Esmirna se transformou no símbolo da igreja dos mártires. Assim que, se supõe que esta carta deve ser entendida como predição sobre o período das tremendas perseguições que aconteceram entre o ano 100 d.C. e o tempo de conversão de Constantino, já no inicio do século IV.

Atualmente quase que não existe o cristianismo em Esmirna (atualmente conhecida com o nome de Izmir, na atual Turquia), pois a maioria da população, cerca de 99% é muçulmana e o resto está divido entre judeus, cristãos e outros.

Das sete cidades que receberam as cartas, esta é a única que ainda existe, com o nome de Izmir, na atual Turquia.

2.8 =Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu”

Provavelmente o anjo da igreja (o pastor) tenha sido Policarpo, o discípulo pessoal do apostolo João. A narração do seu martírio é apresentada por Eusébio, em sua História Eclesiástica. Foi levado à arena, lugar dos jogos olímpicos, um dos maiores teatros da Ásia Menor (atual Turquia). Foi-lhe ordenado que se retratasse de sua fé e Cristo, confessando sua lealdade ao Imperador Romano como se fosse um deus. Fora-lhe ordenado que disse: “Fora com os ateus”, isso é, com os cristãos. Ele se recusou, e disse: “Em meus 90 anos de vida, meu Jesus tem permanecido fiel para comigo, como é que eu agora poderia ser-lhe infiel?” Assim que, as pessoas enfurecidas o condenaram a morrer queimado na fogueira.

... o primeiro e o último, que foi morto e reviveu. Esse é o mesmo título que se encontra em Ap. 1.18.

Jesus se apresenta como o fundamento ideal, insubstituível.

Ele se apresenta como o único. Não há outro nem antes nem depois dele. Em volta de Cristo se centraliza toda a criação, visto que Ele é seu Senhor e Cabeça. Ele é a origem de tudo: Col. 1.16 = “porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele”.

- Todas as coisas encontram em Cristo a razão de sua existência. Filosoficamente, em termos aristotélicos, Cristo é a “causa material”, e a força potencial de tudo

Cristo também é a “causa formal”, ou seja, o plano que se seguirá, porque o homem redimido deverá compartilhar a própria natureza de Cristo, e todas as demais coisas encontrarão em Cristo o Tudo.

Cristo é a “causa final” de tudo, porque é em Cristo que todas as coisas encontrarão seu fiel cumprimento.

... que foi morto e reviveu: Cristo prometeu que na qualidade de quem vive, seria a “primícia” de uma grandiosa ressurreição.

Não nos esqueçamos de que Esmirna era a sede do mito do deus Dionísio, o qual havia sido morte mas ressuscitou.

2.9 = Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás.

A palavra “Conheço a tua tribulação...”, em grego é usado o termo “thilipsis”, “pressão”, “opressão”, derivado de “thilibo”, “ junto”. Mas esta palavra era usada metaforicamente para indicar “pressionar junto”. Mas no N.T. geralmente tem o sentido de “perseguição”, aquela forma de pressão e de opressão que nos atinge, devido a má vontade e ao ódio de nossos semelhantes. Neste contexto as perseguições feitas pelas autoridades romanas estão particularmente em foco, as quais eram comandadas pelo imperador Domiciano, que foi chamado de “o segundo Nero”

“...pobreza...”. Eles tinham grandes necessidades materiais, pois eram pobres materialmente, porém eram ricos na graça para com Deus. Em contraste com Laodiceia que eram ricos para com o mundo e pobres para com Deus (Ap 3.17). Há pobre-rico e rico-pobre. Temos o exemplo da parábola de Lázaro e o homem rico.

Não está mal ser rico, e não há nenhuma virtude e ser pobre. Ninguém será condenado por ser rico, e ninguém será salvo por ser pobre. Tudo depende de como tratamos a oferta de Cristo. Se a aceitamos ou a recusamos.

... a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás. Pode ser uma referencia aos gnósticos, que diziam ser o “novo Israel”, tendo tanto a Moisés como a Jesus como seus progenitores espirituais. Mas reduzindo a Cristo a apenas um entre muitos aeons (emanações angelicais).

2.10= Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.

a- Nem sempre se promete ao crente, liberdade da perseguição e das tragédias, apesar de que ele ora e pede a Deus sobre estes e outros problemas. ...

O mal, a tragédia e o sofrimento podem vir independente de que sejamos crentes ou não. Se trata de um dos problemas mais difíceis para a fé religiosa. Muitos dizem: “como é que meu Deus permita que exista o sofrimento até na vida dos santos”.

b- O problema do mal chama a nossa atenção. O mal, tragédia e o sofrimento podem vir da perversidade voluntaria do homem, e os inocentes poder sofrer. A própria natureza aflige a todos, com inundações, incêndios, desastres, tragédias, enfermidades e a própria morte. Se trata de um dos problemas mais difíceis para a fé religiosa. Muitos dizem: “Como é possível que um Deus todo poderoso, bondoso, que igualmente é onisciente, permite que exista o sofrimento” . Por que Ele não impede? Os cristãos apelam ao padrão mais elevado do plano divino, mais elevado que qualquer hem mortal pode ver, e percebem que os sofrimentos redundarão, finalmente, em glória (ver Romanos 8.18; 2 Coríntios 4.17).

“...Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados”.

= O Novo Testamento defende a real existência de um diabo pessoal, e centro total da maldade, tal como expõe a real existência de Deus pessoal, como a totalidade do bem.

Os cristãos eram presos acusados de traição, por não prestarem culto ao imperador

Satanás se mostra ativo na terra, contando com muitíssimos agentes para confundir aos hem e prejudica-los. As perseguições movidas pelos romanos, com a ajuda dos judeus foram encaradas por João como uma obra de Satanás.

... Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Primeiramente indica que o martírio era como algo paralelo à fé cristã naqueles dias.

A metáfora usada. Talvez esteja por trás desta metáfora a ideia das competições gregas. O fundista vencedor recebia uma coroa de loros. Mas também pode estar em vista a coroa usada por uma pessoa numa coroação real. Aqueles crentes reinariam com Cristo. Usariam essa coroa porque o Rei haveria de recompensa-los com sua própria forma de vida, levando-os a participar de sua gloria. Seria conforme o dito em Apocalipse 1.6, reis e sacerdotes, ou seja, “reis sacerdotais”.

Consiste no grau em que participaremos da vida e da natureza de Cristo, com os atributos e poderes correspondentes.

A coroa é uma representação poética da “recompensa” ou “galardão”. Os galardões ou recompensas não consistirão, essencialmente, daquilo que recebemos, mas daquele em quem seremos transformados para poder servir ao Deus eterno, no mundo de Deus.

Aqui é usado o genitivo de oposição, no grego, o que poderia ser melhor traduzido como” a coroa que é vida”. A vida eterna está em foco, o que também consta em apocalipse 2.7, sob o símbolo da árvore da vida.

v. 11 = “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte”.

Notamos que em cada uma das sete cartas há um “vencedor”. Em cada época houve vencedores, apesar dos problemas e das crises que tiveram que enfrentar. Aqui neste ponto, o vencedor aparece como alguém invulnerável para a segunda morte, o que não é uma promessa nada comum.

“... de modo algum sofrerá o dado da segunda morte”. Somente no livro de Apocalipse (no Novo Testamento) se encontra a expressão “segunda morte”. Supomos que o vidente João se refere à “ira de Deus”, ao “juízo dos incrédulos”. Este texto pode ser comparado com o que diz Apocalipse 20.14, 15, onde temos uma descrição mais completa sobre o que significa a “segunda morte”. Trata-se do juízo final, depois do reino milenial de Cristo (Apocalipse 20.8). O mesmo ocorrerá depois da segunda ressurreição, e consistirá no lançamento no “lago de fogo’.

Que Deus nos conceda o privilégio de reinar com Ele pelos séculos dos séculos.

Pastor Adaylton de Almeida Conceição (Th. B. ;Th.M.; Th

sexta-feira, 4 de maio de 2012

PERGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO

Carta à Igreja de Pérgamo

Pérgamo era a capital da maior cidade da Mísia. Ficava cerca de três milhas ao norte das Caicos e vinte milhas distantes do Mar Egeu. Foi a maior cidade da Mísia, com uma população de aproximadamente 260 mil. Era uma cidade da província romana da Ásia, nos dias do Novo Testamento, na parte ocidental do que é hoje a Turquia asiática. Foi a antiga capital de Átalo, a cidade-estado doou para o Império Romano em 133 a. C. Havia uma antiga forma de adoração ao diabo. Foi também o local do culto antigo babilônico da magia, e se tornou um centro de propagação importantíssimo de "culto ao imperador", que era apenas outra forma de religião falsa, usada por forças satânicas. Tornou-se o lar de quatro grandes cultos pagãos, ou seja, Zeus, Atenas, Dionísio e Esculápio.

A palavra “pergaminho” deriva-se de “Pérgamo”, porque ali foi onde começou a usar este material para escritura.

Em Pérgamo houve uma famosa escola de medicina com um magnifico tempo, destacado por sua forma particular, que era redonda. Tal templo estava dedicado a Esculápio, deus da medicina, cujo ídolo tinha forma de duas serpentes entrelaçadas. Esculápio foi chamado “deus salvador”.

Vale a pena ressaltar que a fama de Pérgamo estriba principalmente em sua preeminência religiosa. Devido que Esmirna, Éfeso e Pérgamo eram cidades reais, rivalizavam entre si para ter a preeminência. Esmirna era o centro comercial, Éfeso era o centro político e Pérgamo era o centro religioso.

A cidade se orgulhava de seu culto aos imperadores romanos. Tinha três templos dedicados ao imperador romano.

Ao analisar a igreja de Pérgamo, deixamos de lado o caráter sagrado da igreja de Esmirna, e encontramos nessa igreja o favor imperial, e o início da penetração do paganismo na igreja. Essa igreja aprendeu a se adaptar ao mundo, desfrutando dos seus benefícios e participando de seus vícios. O que ganhou em conforto e popularidade perdeu em espiritualidade.

Falando profeticamente, a carta à igreja de Pérgamo fala do "paganismo" da Igreja. Historicamente, isso também aconteceu em muitas igrejas da área da Ásia Menor. Gnosticismo, uma antiga heresia, essencialmente, um misticismo oriental, que se misturam elementos do judaísmo, o cristianismo e a filosofia grega e da mitologia, assediaram a igreja por muitos anos. Até os dias dos Apóstolos, uma forma primitiva de gnosticismo fez a sua aparição, e em algumas partes da igreja, o gnosticismo chegou a ganhar o controle, vai aparecer como se fosse uma fé cristã autêntica. Na Epístola aos Efésios, no Evangelho de João e no livro do Apocalipse, encontramos lugares onde é mencionada e combatida a heresia, mas nunca é chamado pelo nome. É quase certo que alguns aspectos da religião falsa, mencionadas nesta carta, são reflexos da heresia gnóstica. Esse era o tipo de "paganismo" que, historicamente, tanto prejudicou a igreja cristã, porém, quando veio a plenitude do aspecto profético desta carta (na época de Constantino e gnosticismo depois desapareceu como um sistema. Sempre houve elementos do gnosticismo sobreviventes em todas as épocas da igreja, e em quase todas as denominações evangélicas. Através Gnosticismo, a imoralidade ", especialmente a forma sensual, tornou-se a ética oficial da cristandade.

É provável que o cristianismo tenha chegado a Pérgamo como o resultado do trabalho do ministério de Paulo em Éfeso (At 19.10), em sua terceira viagem missionária.

Pérgamo foi também a cidadela de Tróia.

CARTA

Veremos que nesta igreja local havia cristãos fiéis, porem também havia falsos credos (vv. 14.16) que conduziriam a tristes consequências.

= 2,12 "e ao anjo da igreja de Pérgamo: Aquele que tem a espada afiada de dois gumes diz isto:" "Escreve". A ordem de escrever ocorre treze vezes neste livro (Revelação 1.11,19, 2,1, 8, 12, 18, 3.1,7, 14, 10,4, 14, 19,9 e 21,5), uma vez em cada uma das sete cartas. A intenção do Senhor era a de que a revelação fosse preservada, e até agora a escrita é a melhor forma de manter a comunicação.

" Cada uma das sete cartas têm um nome diferente ou a descrição de Cristo, que se encaixa com o caráter da igreja. Por si só, este é um aviso ou um encorajamento para a igreja em foco.

"... é que tem a espada afiada de dois gumes ... No que diz respeito à espada afiada de dois gumes, é óbvio que o seu significado primário é uma prova duríssima. Essa sentença vai cair sobre os perseguidores da Igreja, que historicamente eram os cristãos romanos impondo ao "culto ao imperador" (onde o imperador era adorado como uma divindade), sob pena de prisão ou morte.

Aqui, Cristo é visto levando o símbolo de absoluta autoridade oficial na cultura romana. A frase latina “jus gladii” que significa “o direito da espada” implica ter o poder de vida e morte. A espada foi considerada como o símbolo de ordem mais elevado de autoridade oficial investida num pro-cônsul. Os governadores das províncias estavam divididos em uma classe alta e uma baixa, segundo quem tinha esta autoridade. Pessoas prisioneiras eram levadas a Pérgamo para receber sentenças do pró-cônsul romano.

Cristo se dirige à capital oficial da província de Ásia que era o centro de autoridade romana. No milênio vai brandir uma espada como Suprema autoridade.

Mas considerando o caráter da igreja de Pérgamo, sua carnalidade e tolerância para com as piores formas do mal, mesmo no seio da igreja, pode resultar na descrição de Cristo é uma ameaça que "o julgamento deve começar por a casa de Deus." O 16 versículo deste capítulo, apoia esta interpretação, pois a não ser aqueles crentes de arrependam, Cristo se voltaria contra eles com a espada da sua boca.

2,13 = Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita". Ao dizer que sabia onde eles moravam era uma demonstração de que nada ficava escondido do olhar do Senhor. O fato de que o ambiente em que viviam não era recomendado, não era desculpa para a identificação com o mundo. A nossa fidelidade ao Senhor deve ser independente do ambiente em que vivemos. As circunstâncias nem sempre nos serão favoráveis. Estou impressionado com a expressão "trono de Satanás". Isto deve se referir ao lugar onde Satanás controla como se fosse rei. A palavra "trono" (em grego "Thronos") é usada no N. T. Com o sentido de "trono real", ou o sentido de "tribunal".

As referências ao "trono" são os seguintes:

l. Estudiosos pensam que a alusão é ao santuário enorme a Zeus Soter, construído sobre uma base enorme, duzentos e quarenta metros acima do nível da cidade.

3. Também pode ser uma referência a um dos vários templos construídos, a fim de formalizar o "culto ao imperador", em Pérgamo.

4. Alguns estudiosos pensam que a adoração de Esculápio, cujo símbolo era a serpente, está em foco.

5. Ou então, a própria cidade como um centro de idolatria, era por si só um “trono” em si mesmo.

É impossível determinar exatamente a alusão do vidente João. Mas, sem dúvida, a mensagem foi entendida pelos leitores de Pérgamo. Embora não possamos dar uma versão literal ou mais precisa, sabemos que a mensagem é clara. O paganismo que estava em Pérgamo foi controlado por Satanás.

"...Mas reténs o meu nome” Apesar do poder das forças pagãs e perseguição de domínio romano, um remanescente da igreja se apegou à fé em Cristo. O décimo quarto verso mostra que a fé não foi suficiente para mantê-las livre de impurezas no meio em que viviam, pois apesar de que Cristo, continuasse a ser o seu Senhor toleravam um evangelho sem qualquer imperativo moral. Permitiam que continuasse a licenciosidade, até mesmo entre os líderes da igreja.

A referência a "não negaste a sue fé" pode ser usado de várias maneiras:

1. Subjetivamente, isto é, pessoal ou outorgada da própria alma a Cristo.

2. Pode indicar a "virtude" da confiança diária em Cristo (que é um aspecto do fruto do Espírito - (Gálatas 5,22).

3. Objetivamente, isto é, "aquilo em que acredita" "credo" ou "sistema religioso". A última utilização é limitada, principalmente para as epístolas pastorais. No entanto, este é o trabalho mais provável neste ponto. A fidelidade do crente a Cristo levou-os a defender a "fé cristã" na frente de adoração ao imperador. Essa é a aplicação histórica dessas palavras.

"... Antipas, ...". Nós não sabemos quem foi Antipas, mas da forma com que é mencionado aqui, isso indica que deve ter sido uma pessoa muito conhecida. Provavelmente é uma forma abreviada de “Antipater” que significa “contra tudo”. No seu livro intitulado “Versuch” pag. 822, o comentarista Lucke observa que as martiriologias das igrejas latinas e gregas colocam o martírio de Antipas no tempo de Domiciano. Um cristão mais Deus formam uma maioria. Segundo um dos pais da igreja, Tertuliano, Antipas foi o Pastor ou Bispo daquela igreja. Quando recusou tomar parte do culto a Esculápio, o oficial romano exclamou: “Antipas você não sabe que todo o mundo se opões a ti”. Então ele respondeu, “Se é assim estou contra todo o mundo”. Depois disso, foi colocado dentro de uma estátua de bronze na forma de um toro que foi aquecido até que Antipas morreu.

O fato de que Antipas que foi fiel até a morte, prova que a congregação estava em um ambiente que poderia nutrir um espírito de dedicação e lealdade, apesar da perseguição de fora e membros falsos dentro. Ela também mostra que a presença de falsos mestres não é desculpa para a igreja renunciar sua consagração a Jesus Cristo. Não dê a eles o domínio e se render ao seu sofisma.

"... A minha fiel testemunha ...". A palavra grega "martus" originalmente significava apenas "testemunha". Mas depois, como testemunhas cristãs tornaram-se "mártires", a palavra passou a ter o significado último. Entende-se que o testemunho de Antipas era contrária ao "culto ao imperador" e por Cristo como Senhor e Salvador.

2,14 = "entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem." Historicamente, tanto os nicolaítas e os seguidores de Balaão, certamente representou formas licenciosas de gnosticismo, o gnosticismo foi, assim, a heresia dominante nos dias de hoje. Doutrinariamente, os gnósticos negavam a verdade da "encarnação", a fusão de naturezas divina e humana em Cristo, e qualquer ideia de expiação na morte de Jesus. Só viam Cristo como um emanação angelical, um pequeno deus entre muitos. Eles acreditavam que só após o batismo de Jesus é que o Espírito Santo veio a ele, tendo em vista um propósito, uma missão, deixando-o por causa de sua crucificação. Eles acreditavam que o “sistema mundial” é destinado a destruir a matéria, e nós podemos cooperar com esse sistema abusar do corpo (que é algo material), através da licenciosidade.

“... tens aí...”. O mal testemunho de alguns se misturavam entre os demais; toda a igreja estava infectada por alguns permissivos. A heresia na igreja de Pérgamo se expressou em idolatria, imoralidade e infidelidade.

"... Doutrina de Balaão ...". Em hebraico o nome significa “destruidor de gente”, de “balay”, “destruir” e “am”, gente. A Igreja de Pérgamo sofreu um deslize ao permitir o ensino de Balaão na igreja. Mediante seus encantos, negociava lucrativamente com qualquer deus para conseguir os favores divinos; Por exemplo, Balaque, o rei dos moabitas, prometeu a Balaão um pagamento bem generoso se vinha para amaldiçoar a Israel. Frustrado por seu fracasso de não cumprir as condições do seu contrato, Balaão mostrou a Balaque como corromper a Israel por meio de imoralidades, levando os seus homens a ter relações sexuais com mulheres moabitas, maculando a separação entre eles.

A imoralidade (em todos os seus sentidos, incluindo a corrupção econômica, lucros pessoais, etc.) de seus líderes (e, portanto, os seus discípulos) foi aceito como "normal" na ética cristã: Portanto, o evangelho tinha perdido a seu "imperativo moral".

"... a lançar tropeços diante dos filhos de Israel". literalmente, tentou levar os israelitas a adotar ideias pagãs, e participar de idolatria e vícios. Espiritualmente falando, eles estavam "caindo". Aqui, o termo grego usado é "skandalon", "fraude", ou qualquer coisa que leva alguém a "tropeçar" ou "falha".

"... Para comer coisas sacrificadas aos ídolos ..". Esse foi um dos maiores problemas da igreja primitiva. Comer coisas sacrificadas aos ídolos, pode ocorrer de várias maneiras. Russel Champlin diz em seu comentário do N.T. que a carne ou qualquer alimento oferecido pode ser vendido no mercado, tendo servido a sua finalidade, nos templos pagãos. O crente pode comprar sem saber, ou sabendo do fato. Paulo fala sobre o assunto (I Coríntios 10,20).

"... Se prostituírem (ou prostituição)." Tradicionalmente, a idolatria, esteve sempre ligada à toda forma de imoralidade, quer seja sexual ou de outras formas de deslizes. A palavra grega usada para “prostituição” ou “fornicação em algumas versões, é “pornéuo” , termo também usado para indicar metaforicamente fornicação espiritual, ou seja idolatria.

= 2,15 "Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio." Sobre este assunto, "os nicolaitas" já comentamos nas cartas anteriores. Mas vemos que no sexto versículo deste capítulo, os seguidores de Balaão e dos nicolaítas parecem ter sido classificada na mesma categoria. Segundo eles, a emancipação vinha pelo conhecimento, quanto maior capacidade intelectual, maior o caráter.

2,16 = "Arrependei-vos, pois, se eu virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca." "Arrependei-vos." Interessante observar que aqui, o apelo tem uma forma de ameaça. O único remédio para esta igreja contagiada com o micróbio da má doutrina, era enfrentar a enfermidade e tomar o “santo remédio”: “confissão e abandono de seu pecado”. O chamado ao arrependimento encontrados em cinco das sete cartas de Apocalipse (Ap. 2,5, 16,21 e 3,3, 19). Arrependimento não é uma mudança meramente intelectual, ou nova resolução, ou o esforço humano no sentido de aperfeiçoamento moral. Embora o termo grego que significa "mudança de mente", o uso do conceito, nas páginas do N.T. indica uma "mudança de mente", isto é, a conversão, através do poder transformador do Espírito Santo . Arrependimento, juntamente com a fé, faz parte da "conversão".

“...batalharei...”. “gr. poleméso”. Este verbo é usado quatro vezes em Apocalipse e fora do livro só em Tiago 4.2.

Se declara uma guerra divina contra quem estavam arruinando sua igreja. Fala-se de uma vinda em juízo. Não se refere ao rapto, nem à segunda vinda.

Observe o "imperativo moral" do evangelho. Não pode haver salvação, sob quaisquer circunstâncias, sem a transformação moral que começa com o arrependimento (ver II Tessalonicenses 2,13). O evangelho deve transformar-nos moralmente, pois, caso contrário, terá sido aplicada indevidamente. Precisamos "ser" aquilo que professamos "ser". A "confissão" cristão deve ser feito com toda a vida, não um simples ato de reconhecimento por parte da igreja local, que aceitamos a Cristo como Salvador.

"... Eu virei a ti, e luta ...". Aqui você pode estar em foco a "parousia" ou segunda vinda de Cristo, para que sentença pronunciada contra os crentes e descrentes. Mas é mais provável ser uma referência a intervenção histórica de Jesus nos assuntos da igreja que não, a sua intervenção escatológica, que envolverá todos os homens.

“...contra eles batalharei...”. Aqui Cristo se vê guerreando contra os crentes que deixaram de serem vencedores, deixando-se enganar pela falsa doutrina de seus líderes. Cristo faz uma declaração em Mateus 12.30, “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”. É o joio de Mateus 13.16.

"... Com a espada da minha boca." Compare a espada do anjo , Números 22.23. Comprando com referencia de Ap. 1.16 vemos seu significado.

Esta espada também mencionada em 19.15 será usada contra as nações rebeldes. A mesma espada vai castigar às igrejas mundanas. O juízo de Deus é imparcial. Embora os líderes gnósticos pervertidos seria fosse o alvo, o fato é que toda a igreja sofreria, como a espada do Senhor para remover o câncer.

2,17 = "Aquele que tem ouvidos ouça o que diz o Espírito para as igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito que ninguém conhece, exceto aquele que o recebe."

“...lhe darei..”. O comentarista inglês Trench afirma que só os que se rendem completamente a Cristo experimentarão as bênçãos especiais que

Ele tem guardadas para os tais.

"... O maná escondido" Este tema é um dos poucos encontrados nas cartas às igrejas que vem exclusivamente do âmbito da historia judaica. No mesmo deserto onde Israel caiu na armadilha moabita preparada por Balaão; Deus lhes preparou uma comida celestial.

No A.T. o maná era um tipo de Cristo, quem faz uma aplicação espiritual a si mesmo em João 6.31-58. Quando Cristo se apresenta ao pecador como o Maná que pode dar a vida eterna, o faz no sentido espiritual. Porém em apocalipse, Cristo dá uma recompensa aos que já tem a vida eterna. O verbo é futuro, que fala do pleno conhecimento de Cristo que o crente terá na glória.

Carballosa diz que comer do maná escondido é a comunhão secreta do Filho de Deus com seu Senhor, coisa escondida ao mundo incrédulo. O crente tem uma comida celestial que o mundo não entende nem aprecia porque não entende quem é Cristo.

"... lhe darei Pedra Branca." Com uma declaração amistosa ao seus, o próprio Cristo entrega pessoalmente a pedra destinada pra o indivíduo.

Sobre o significado desta "pedra branca", existem várias interpretações:

Nos tempos antigos, os juízes, ao lançar os seus votos, dava uma pedra negra, ao que foi julgado, se for considerado culpado, ou dava uma pedra branca, se for considerado inocente. Se essa é a referência, então ao crente está prometido um perdão total, o que lhe dá o direito de entrar na glória celestial.

O simbolismo pode estar relacionado com as Olimpíadas, em que os vencedores receberam uma pedra branca com seu nome gravado nela, como um símbolo da glória da vitória. Isto é consistente com a ideia de "recompensa" dada ao vencedor. Assim, a "pedra branca" simboliza a realização da vitória, a vida eterna na glória ou "prêmio" da execução (veja Filipenses 3.10).

“...e na pedra um novo nome escrito que ninguém conhece”. No mundo moderno, o fato de ter um nome desconhecido não significa nada. Porém, para nós o novo nome fala de um novo carácter dado por Deus. Não será propriedade pública, mas um pequeno segrego entre Deus e seu filho.

Esta carta apresenta uma visão muito clara sobre o perigo de ter comunhão com o mundo.

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Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B. Th.M. Th.D.) - RIP

quarta-feira, 2 de maio de 2012

TIATIRA, A IGREJA TOLERANTE

INTRODUÇÃO

Tiatira estava situada aproximadamente a uns 60 Km ao sudoeste de Pérgamo. É o menor povoado entre os sete mencionados como destinatários das cartas em Apocalipse.

Esta cidade começou como um povoado de guarnição, estabelecida pelos soldados macedônios de Seleuco I, um dos quatro generais de Alexandre o Grande.Estava situada na fronteira de Mísia, em poder de Roma desde o ano 190 a.C.

O inicio da religião em Tiatira é difícil de ser definido, pode ser que a mensagem do evangelho chegou ali como fruto do trabalho missionário do Apóstolo Paulo em sua terceira viagem, quando ficou por um período de dois anos em Éfeso, dando oportunidade a que toda a Província romana da Ásia ouvisse o evangelho (Atos 19.10). Uma moeda da cidade apresenta ao herói Tirimnos, nú montado sobre um cavalo, com um machado de guerra na mão. Acontece que, Apolo, o deus-sol, foi adorado sobre esse nome, Tirimnos. A religião de Tiatira era sincretista, no sentido que vários deuses eram honrados ao mesmo tempo, como é indicado pelas moedas da cidade.

Graças à “pax romanas”, aquele longo período de paz universal, lograda pelo domínio do império romano, Tiatira gozava de muita prosperidade porque era um centro de comunicação.

Atos 16.14 menciona uma mulher desconhecida que levava o sobrenome “Lidia”. Era de Tiatira, “uma vendedora de púrpura”, provavelmente prosélita à religião judia antes de escutar o evangelho através de Paulo.

É interessante notar que, o Senhor manda a carta mais longa de todas à igreja situada na aldeia menor e insignificante. Ele se apresenta em termos singularmente severos. Os versículos 18-19 indicam o que o Senhor detectou nesta e os versículos 20-23 indicam o que o Senhor detestou nesta igreja.

Esta talvez seja a carta entre as que encontramos no capitulo 2 de Apocalipse, pois enfrentamos o problema de ter pouca informação direta de Tiatira e que nos enfrentamos com uma série de quatro questões: 
1) Qual era a situação da Igreja em Tiatira? 
2) Quem era Jezabel 
3) O que ensinava? 
4) O que querem dizer as promessas que são feitas à igreja de Tiatira?

Tudo indica que o problema de Tiatira estava em uma ameaça que vinha de dentro da própria igreja. Havia um movimento interno, contrário à sã doutrina, dirigido por uma mulher a quem João chama Jezabel, que propunha chegar a um acordo com os princípios do mundo. A resposta do Cristo Ressuscitado foi inequívoca: O cristão não deve ter nada que ver com os acordos espúrios, contrários à Palavra de Deus.

A CARTA

V. 18 = “Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente”.

“Isto diz..” . O pecador indiferente das coisas espirituais, jamais poderá conceber a ira do “manso Carpinteiro de Nazaré”.

Apolo - deus sol
“...o Filho de Deus” (ho huios tou theou). Aqui Jesus se apresenta designando-se a si mesmo por este título como em João 11.4, e como afirma sob juramento em Mateus 26.63. “O Verbo de Deus” aparece em 19.13.Pela primeira vez nas cartas vemos que o nome daquele que fala é dado de forma explicita. A cidade ostentava um templo especial dedicado a Apolo, o “deus sol”.

“Seus olhos são como chama de fogo” (tous ophthalmous autou hös phloga puros). Esta frase fala da onivisibilidade de cristo, nada fica oculto aos seus olhos. Tudo indica que a mensagem parece ser tomada da mensagem angelical contida em Daniel 10.6, “o seu corpo era como o berilo, e o seu rosto como um relâmpago; os seus olhos eram como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés como o brilho de bronze polido;...” . Tudo parece indicar um discernimento penetrante sobre o verdadeiro caráter de cada cristão. Os olhos como chama de fogo pode significar duas coisas: A ira ardente contra o pecado, e a terrível penetração dessa olhada que despoja os disfarces e penetra até o mais intimo da pessoa.

v. 19 = “Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras”.

Depois de declarar seu pleno conhecimento, tal como o fez em 2.2, onde Cristo quer dizer que conhece as reais condições espirituais de cada um, a carta continua em termos dos mais altos louvores. O amor, a lealdade, o serviço, a constância da igreja em Tiatira convida a uma felicitação. Devemos observar que estas qualidades vão juntas. O serviço é a manifestação do amor, e a firme constância do produto da lealdade. O serviço, aqui neste texto é “diakonia” que indica toda classe de serviço prestado pela iglesia (aos pobres, enfermos, necessitados, como expressão do amor cristão), e não apenas o serviço prestado por um “diácono”, cujo título é derivado do vocábulo utilizado aqui neste texto.

O “amor” e a “fé” são a motivação do crente verdadeiro, enquanto que o “serviço” e a “paciência” são os dois resultados.

Notamos aqui nas qualidades uma espécie de paralelo com a igreja de Éfeso. Ali eles não toleravam a maldade, porem lhe faltava amor; Tiatira tinha amor, porém tolerava a maldade.

Muitas igrejas começam com muito entusiasmo, mas com o passar do tempo, vão diminuindo o fervor e a dedicação ao Senhor.

A advertência

V. 20 “Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos”.

Depois das palavras de animo e alento, Cristo tem que ocupar a maior parte do tempo expondo uma triste situação na igreja. É como se fosse uma igreja que qualquer pessoa que ali chegasse ficaria admirado com sua manifestação de fé, serviço, amor e sua aparente firmeza. Porém, apesar de tudo isso faltava-lhe algo essencial. Aos olhos humanos, tudo estava bem, mas aos olhos divino, havia algo que mereceu uma dura repreensão.

É possível que uma igreja esteja cheia de membros e visitantes, porque seus membros veem para passar uns bons momentos, desejar estar tranquilos e desejam aplacar sua consciência religiosa; pode ser que algumas igrejas não passem de um clube cristão-evangélico, onde se paga uma taxa em forma de dízimo e umas contribuições em forma de oferta para que o Clube continue funcionando. Essas pessoas não sentem que ali é onde se alimentam espiritualmente e onde aprendem através da Palavra de Deus a afastarem-se e livrar-se do pecado.

“toleras...” (apheis). Sabemos que este é um nome simbólico para uma mulher proeminente na igreja de Tiatira. Nesta igreja havia um permissivismo indulgente. Essa tolerância era devido a uma personalidade influente. A igreja tinha se esquecido do principio bíblico de 1 Timóteo 2.12-14.

“Jezabel” Se Lídia (Atos 16.14) teve sua parte na fundação desta igreja, outra mulher foi responsável pelo fracasso desta igreja. O nome, que é um epíteto por uma mulher de destaque na igreja, significa “desonesta”, “perjúrio”,

No Antigo Testamento, Jezabel era filha de Etbal, rei de Sidom (I Re. 16.13). Ao assassinar seu predecessor chamado Feles, ele usurpou o trono. A filha havia recebido o caráter feroz e sanguinário de seu pai (I Re. 18.17).

Tendo se casado com Acabe, como rainha, tinha direito para influenciar no governo segundo seus caprichos, I Re. 16.31.

Jezabel era adultera e feiticeira (2 Re. 9.22). Introduziu muita maldade em Israel (I Re. 21.25). Destruia aos profetas do Senhor (I Re. 18.4,13) mantendo a seu serviço os profetas pagãos (I Re. 18.19). Sendo assim, a carreira dessa mulher incluía imoralidade, feitiçaria e a matança dos servos de Deus. Era responsável pelo colapso moral e religioso de Israel, desviando o povo do verdadeiro caminho de Deus.

É pouco provável que este seja um nome real de uma pessoa, pois dificilmente alguém poria este nome em sua filha, pois conheciam a história da verdadeira Jezabel e o desastre que provocara à nação de Israel.

“… se diz profetisa”. Ele mesmo se autodenominava “profetisa”, não era alguém que Deus havia chamado e colocado na igreja. Nos dias de hoje, muitas vezes vemos aqueles “autoconvocados” para o ministério. Falam bonito, tem conhecimento, influencia seus ouvidos, mas não foram chamados pelo Senhor. Alguns até filhos de grandes líderes, mas sem o selo de aprovação do dono da Obra.

“…profetisa”. Através da Bíblia vemos que havia profetisas que ministravam entre os israelitas, Miriã em Ex. 15.20, Débora em Jui. 4.4, Hulda em 2 Re. 22.14. O uso do termo no N. T. se encontra em Lucas 2.36, Ana. Na igreja primitiva, as filhas de Felipe o evangelista profetizaram. Atos 21.8-9

“ensina” . Essa mulher ocupava um lugar de destaque na igreja de Tiatira. Ela é acusada de centralizar seus ensino em duas coisas: comer carne oferecida a ídolos, e cometer imoralidades.

Um dos grandes problemas na igreja primitiva, e que os cristão se enfrentara a diário, era o de carne oferecida aos ídolos. Quando uma pessoa fazia um sacrifício em um templo grego, o que se queimava no altar era a menor parte da vitima. O sacerdote recebia uma parte e o ofertante outra parte do animal. Essa parte era comida pelo ofertante e compartilhado com seu amigos.

O problema se complicava pois até mesmo a carne vendida no açougue podia ser que antes se houvesse consagrado a um ídolo.

A igreja não tinha a menor dúvida concernente a abstenção de comer coisas oferecidas a ídolos, pois essa havia sido uma das condições que foi apresentada à Igreja Cristã em Atos 15.29.

A proibição de comer carne sacrificada aos ídolos tinha um alcance muito grande pois contribuía para isolar os cristãos das ocasiões sociais com os não cristãos; quase que não podiam participar das festas ou de um banquete, nos quais pudesse participar os pagãos, pois certamente a comida havia sido previamente oferecida aos ídolos.

Aqui era onde entrava Jezabel. Lhes dizia aos cristãos que não tinha porque isolar-se da sociedade ou excluir-se dos grupos.

A outra parte do ensino de Jezabel não está tão clara. Se diz que ensinava às pessoas a cometer fornicação (v. 20). Sabemos que há uma ligação muito estreita entre a idolatria e a imoralidade. Isso também está diretamente ligada às doutrinas dos agnósticos, que ensinavam que com as experiências sexuais, se obtinham conhecimento, o que para eles era um meio de se obter a salvação.

Pode ser que o ensino de Jezabel fosse que os cristãos não tem necessidade de ser exclusivos em seu culto a Jesus Cristo e, sobre tudo, que não tem porque negar-se a dizer “César é Senhor”, queimar uma varinha de incenso.

A pretensão do Cristianismo não é que Jesus Cristo é um dos salvadores, nem sequer que é o principal de todos eles, mas que é o ÚNICO SALVADOR.

v. 21. “e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição.”

O tempo é um tesouro. No Tribunal humano, uma confissão pode produzir castigo, porem nunca na área espiritual. O Senhor é longânimo para conosco, é paciente e não deseja que ninguém se perca.

v.22 “Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela”.

Um leito de enfermidade em contraste com o leito do aldultério. Aqui provavelmente esteja em foco o adultério espiritual; inclusive o comer coisas sacrificada aos ídolos e a fornicação. “Adulteram com ela”,no grego denota participação com ela em seus adultérios, no sentido de permiti-la ou anima-la a fazer. O castigo dela é diferente dos demais; enquanto ela será lançado num leito de enfermidade, seus filhos serão mortos (v.23), enquanto que os que participam nos pecados com ela serão lançados em grande tribulação. Mais uma vez encontramos a longanimidade divina, dando oportunidade ao “arrependimento”.

v.23 “e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras”.

A falsa doutrina de Jezabel havia produzido uma prole de indivíduos contaminados por heresia e agregados à “família de infiéis”. Eles seguem os ensinos de sua mãe.

“ferirei de morte” (apoktenö em thanatöi) – É um hebraismo que significa “matar com pestilência” (veja Ex. 5.3).

Thánatos (morte) tem dois aspectos, físico e espiritual. Ao Senhor não lhe faltam os meios para castigar aos rebeldes.

“e todas as igrejas saberão”. O que expressa que todas estas cartas se destinam à igreja universal em todas épocas e lugares. Será tão palpável e visível como castigo de Deus que toda a Igreja o reconhecerá como obra de Deus.

“saberão que eu sou aquele que esquadrinha”. Implica uma cuidadosa investigação, não é por achismo ou suposição.Se usa em Ro. 8.27 em relação ao Pai; em I Co. 2.10 em relação ao Espírito Santo; em Ap. 2.23 em relação ao Filho.

“rins” (nefrus) Literalmente “rins”. Os antigos consideravam os rins como o centro das emoções, e o coração era o da inteligência.

“coração”. Algumas vezes esse termo indica os “pensamentos” e outras vezes “emoções”. Mas emquase todas as vezes que ocorre no N.T. está em foco a alma, o homem interior, em contraste com a pessoa física e seus atos, pois podem ser vistos por outros homens.

“a cada um”. O juízo de Deus sempre é perfeito. A pessoa não poderá esconder-se entre os membros da igreja, cada um é responsável de separar-se da má doutrina disseminada na igreja.

v. 24. “Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei;”

Aqui Cristo se dirige a todos os fiéis que não se contaminaram com a malévola influencia de Jezabel.

“esta doutrina”. Não no sentido de pensamento bem formulados e ordenados, mas de conceitos falsos da profetisa que eram uma mistura confusa de filosofias e ideias raras concernente à vida humana.

“profundezas” (bathós). Segundo Tertuliano, Hipólito e Irineu, este era um termo favorito dos agnóstico e seus ensinos das coisas esotéricas. O agnosticismo, que cresceu muito no segundo século, costumava usar este termo, desdenhando aos demais que não o conheciam.

Deus tem Suas coisas profundas. E as revela a seus filhos dedicados os quais estão abertos ao ensino do Espírito Santo, I Co. 2.10.

“outra carga vos não porei;”. (ou-allo baros) Aparentemente uma referencia ao Concilio de Jerusalém (Atos 15.25), onde se utiliza a mesma ‘baros’ e se faz menção sobre os dois pontos nov. 20 (fornicação e idolatria), sem mencionar os outros,como afogados, etc. Era importante continuar observando as regras simples que haviam sido ditadas pelo Concílio de Jerusalém sobre a conduta das igrejas de origem gentío.

v. 25 mas o que tendes, retende-o até que eu venha.

“Redende-o”. (kratesate). Nos últimos dias desta dispensação, os crentes fiéis à Palavra de Deus nescessitam um esforços especial. Estão os que querem tira-la e substitui-la com falsa doutrina e comrpomisso com o mundo.

“... até que eu venha”. É importante observar o caráter escatológico dos últimos versículos desta carta. A”parousia” ou o segundo advento de Cristo está em foco.

Como aplicação podemos dizer que essa vinda envolverá o juízo, e que poderá acontecer em qualquer período da história eclesiástica.

v. 26 Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações”.

Govet diz que nem todo crente é conquistador, mas só aqueles que aguentam as aflições e as tentações desta vida. O fiel cumprimento das obras que Cristo tem para cada crente, é a prova de seu caráter cristão, Ef. 2.10.

As obras de Cristo são as que Ele entrega à seus filhos obedientes. O termo “até o fim”, nos fala de sua vida terrena. O crente é imortal, nesta vida, até que tenha terminado o prazo de vida que o Senhor lhe concedeu. A autoridade está relacionada com a vida durante omilenio Ap. 20.4,56.

v. 27-29  “e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai, também lhe darei a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas”.

A carta de Tiatira termina com uma série de grandes ameaças e grandes promessas.

Aos fiéis se faz uma promessa dupla:

A primeira parte procede do Salmo 2.8-9 “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão.Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro”. Para os judeus, este era um Salmo messiânico, referente ao Messias conquistador que destruiria aos gentios e estenderia o domínio de Israel até o último da terra. Também tem sido uma das maiores inspirações missionárias da igreja cristã.

A segunda parte é a promessa da estrela da manhã.

A estrela era um antigo símbolo de senhorio (ver Numero 24.17 e Mateus 2.2). Também convém observar que o próprio Cristo em Ap. 22.16 é identificado como “a estrela resplandecente da manhã”. Para os povos antigos, a estrela da tarde simbolizava a morte, mas a estrela da manhã simbolizava vida e imortalidade.

O próprio Apocalipse chama a Cristo de: “a resplandecente estrela da manhã” 22.16. A promessa da estrela matutina e a promessa do próprio Cristo.

CONCLUSÃO.

Uma das coisas que aprendemos nesta carta é que a direção da igreja é dado aos ministros chamados por Deus e capacitado para o ministério. Lamentavelmente, em alguns casos, o ministério tem sido como um bem pessoal, familiar, e tratado como uma herança, o que tem levado a que muitos ocupem pastorado sem nunca terem sido chamados por Deus. As vezes bons filhos de pastores, bons ensinadores, mas sem o chamado pastoral. A Igreja deve ser dirigida com base nos ensinos baseado na PALAVRA DE DEUS.

O verdadeiro líder é aquele que tem autoridade sem ser autoritário.
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Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.Th.M.Th.D.) RIP