VIDAS

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS. A VIDA ETERNA, DE RENÚNCIAS!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O que entender por vida abundante?

Em nossos dias vê-se um crescimento vertiginoso de templos e de seguidores de crenças e crendices, o que sugere que haverá fé na terra quando da volta de Cristo, porém, após entender que a fé que Jesus faz referencia não tem relação com as crenças que os homens depositam em lideres religiosos, ídolos, promessas vazias, autoajuda, etc., antes diz da fé que foi manifesta e trouxe salvação a humanidade que jazia em trevas, a pergunta de Jesus acerca da fé na terra quando da sua volta permanece sem uma resposta objetiva “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3.23 ; Jo 1.1 e 14).

“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10)

Para compreender como alcançar a vida abundante prometida por Cristo e no que esta consiste faz-se necessário reler alguns versos bíblicos, como este de Deuteronômio: “... de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8.3); “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47).

O profeta Moisés deixa claro que é a palavra de Deus que concede vida ao homem. A vida não é proveniente do alimento diário, pois do alimento diário está escrito que o homem comerá do suor do seu rosto e, por fim voltará ao pó da terra “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3.19).

O alimento diário não livra o homem do seu destino: és pó e em pó te tornarás, mas na palavra de Deus tem-se a promessa de vida. Se a palavra de Deus é o que concede vida, segue-se que o homem alienado da palavra encontra-se morto diante de Deus, como atesta o apóstolo Paulo: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas ...” (Ef 2.5).

O povo de Israel se fixava em questões circunstanciais e materiais pertinentes à sobrevivência física no deserto, porém, Moisés emitiu um alerta ao povo de que foram contristados no deserto para que entendessem que o que sai da boca de Deus concede vida aos que jazem alienados d'Ele (Dt 8.3).

O povo de Israel devia buscar a palavra de Deus para suprir-lhe a deficiência espiritual, porém, buscava a Deus somente em virtude das necessidades diárias, tais como a água no deserto, carne, maná, roupa, etc., o que não produz vida “Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram” (Jo 6.49).

O profeta Habacuque vaticinou que '… o justo viverá da fé' (Hc 2.4), apontando a mesma verdade abordada por Moisés, ou seja, o homem que vive através da palavra de Deus é declarado justo diante d'Ele.

Quando mesclamos a citação de Habacuque com a de Deuteronômio, temos a seguinte leitura 'O homem justo viverá de toda a palavra que sai da boca de Deus (fé)', pois a 'fé' que o profeta Habacuque apresenta é Cristo, a fé que havia de se manifestar, a 'palavra da boca de Deus' “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3.23 ; Jo 1.1 e 14).

Jesus mesmo disse que as suas palavras são espírito e vida: “... as palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6.63) e, o evangelho é o poder de Deus que vivifica o homem “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2Co 3.6). O espírito que vivifica refere-se a palavra de Deus, a fé que havia de se manifestar: Cristo!

Cristo, o Verbo encarnado, é a 'fé' que justifica o homem, pois é Ele quem vivifica a quem quer “Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21); “Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste” (Jo 17.8).

O espírito que vivifica é a fé que se manifestou trazendo salvação aos homens. Enquanto Adão foi criado alma vivente, Cristo foi feito espírito vivificante (1Co 15.22 e 45). A vida concedida aos que creem possui conexão intima com a ressurreição de Cristo dentre os mortos "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos" (1Pe 1.3).

Desta forma podemos compreender a seguinte exposição paulina: “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” (Ef 1.19-20). A grandeza do poder sobre os cristãos se dá segundo a operação do seu poder, ou seja, do evangelho, que é poder de Deus (Rm 1.17), o mesmo poder que foi manifesto em Cristo ressuscitando-o dentre os mortos.

A proposta central do evangelho de Cristo centra-se na ressurreição do Messias dentre os mortos e, como Jesus ressurgiu, a fé é firme, pois o poder que n'Ele operou, agora opera nos que creem.

O salmista também faz referência à palavra de Deus como ente vivificador por diversas vezes: “A minha alma está pegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra” (Sl 119.25 e vv. 37, 40, 88, 107, 154, 156,159), comprovando que o testemunho dos profetas é segundo o Espírito de Cristo “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir” (1Pe 1.11); “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho” (1Jo 5.11).

Para se alcançar a vida abundante que Cristo prometeu basta crer, apoiar-se, descansar, confiar na fé revelada. O apóstolo João enfatizou: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” (1Jo 2.25). Todos quantos descansam nesta esperança proposta alcançaram a vida eterna “Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.15); “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47); “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.68); “Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.7); “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu...” (Hb 6.18 -19).

Basta ao homem dar ouvido à palavra de Cristo que passará da morte para a vida “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê n'Aquele que Me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).

A morte que Cristo faz referência diz da condição do homem alienado da vida que há em Deus em decorrência da desobediência de Adão. Tal morte não faz referência à morte física, antes diz da condição do homem na condição de trevas enquanto Deus é luz “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.21 -22).

A vida com Cristo diz da nova condição do homem unido ao Criador. Por ter sido gerado de novo, da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, o homem passa a compartilhar da glória de Deus. Qualquer que crê em Cristo passou da morte para a vida, ou seja, vive pelo Espírito, vive pela fé “Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito” (Gl 5.25); “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.8 ; Hc 2.4).

Vida dentre os mortos! É isto que Cristo promete e, é por isso que o cristão deve regozijar-se, visto que o seu nome está escrito no livro da vida “... alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lc 10.20). Essa é a esperança proposta, a vida eterna, portanto, o cristão deve se alegrar nela (Rom 12.12). Cristo nos ofereceu a vida no sentido de o homem compartilhar da natureza divina, estar unido à glória de Deus “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17.22).

Porém, muitos cristãos são atraídos pelo adjetivo pertinente a vida concedida por Cristo (Jo 10.10). Por vida em abundância interpretam 'qualidade de vida' econômica e social, e se esquecem que o reino de Deus não é comida nem bebida “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Há também aqueles que apregoam que a vida 'abundante' ofertada por Cristo tem em vista o alívio dos sofrimentos causados pela pobreza, enfermidades, condições opressoras de trabalho, injustiças sociais, abusos dos direitos civis, etc., e que a vida prometida por Cristo tem em vista uma melhoria das questões de ordem moral. Chegam ao ponto de afirmar que a vida é para a eternidade e a vida em abundância é promessa para o presente momento, contrariando o que Cristo falou: no mundo tereis aflições (Jo 16.33).

Em que consiste a abundância? Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10), essa promessa que Ele fez é a de vida eterna, e a vida eterna é abundante.

Por certo, não se refere às condições existenciais do homem, pois todos tem uma expectativa de viver até os setenta anos, sendo que o que disso passar é canseira e enfado. Além disto, o homem comerá do suor do seu rosto, o que implica em enfado e cansaço "Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando" (Sl 90:10).

Ora, os que creem serão fartos de justiça, visto que é isto que Jesus oferece “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5.6). Como a salvação proporcionada redunda em louvor a graça de Deus, certo é que os cristãos são fartos de alegria “E vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação” (Is 12.3). Na vida com Cristo há fartura de alegria, justiça, consolo, paz, etc.

A vida abundante refere-se ao que o reino de Deus proporciona: justiça, paz e alegria no Espírito Santo “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17), pois em tudo os cristãos foram enriquecidos: “... em toda a palavra e em todo o conhecimento” (1Co 1.5); “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo” (Cl 2.2).

O apóstolo Paulo enfatiza que os cristãos são abençoados com todas as bênçãos espirituais “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3), e o salmista diz que nada tem falta os que O temem "Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem" (Sl 34.9).

Se a vida abundante refere-se às questões de ordem econômica e social, jamais Cristo alertaria para que os seus ouvintes não se inquietassem pelo dia de amanha "Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?" (Mt 6.31), pois os bens que um homem possui não consiste em riquezas "E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12.15).

Porque Jesus prometeria riquezas pertinentes a este mundo, se os cuidados deste mundo tornam infrutíferos os homens, o que poderá levá-los a serem cortado da Oliveira? "Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera" (Mc 4.19).

É por causa destes pseudo evangelhos que hoje muitos apregoam e seguem, que Jesus fez a pergunta: "Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" (Lc 18.8).

Em nossos dias vê-se um crescimento vertiginoso de templos e de seguidores de crenças e crendices, o que sugere uma resposta positiva. Porém, após entender que a fé que Jesus faz referencia não tem relação com as crenças que os homens depositam em lideres religiosos, ídolos, promessas vazias, autoajuda, etc., antes diz da fé que foi manifesta trazendo salvação a humanidade que jazia em trevas, a pergunta de Jesus acerca da fé na terra quando da sua volta permanece sem uma resposta objetiva “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3.23; Jo 1.1 e 14).

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A Doutrina de Cristo

Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus.

A Função dos Milagres

"Havia entre os fariseus um homem chamados Nicodemos, um dos principais dos Judeus. Este foi ter com Jesus de noite, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus. Pois ninguém poderia fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele" ( Jo 1.1-2)

Entre os Judeus havia um mestre do judaísmo de nome Nicodemos. Ele era fariseu e foi encontrar-se com Jesus à noite. Neste encontro, surpreendentemente Nicodemos chamou Jesus de ‘Rabi’, ou seja, Mestre. Tal reconhecimento vindo da parte de um juiz, ou de um mestre em Israel era para deixar qualquer um dentre os homens lisonjeado.
Mas, por que Nicodemos chamou Jesus de Mestre? Em sua abordagem inicial Nicodemos fez a seguinte afirmação: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” ( Jo 3.2 ).
Nicodemos entendeu que Jesus era mestre por causa dos milagres que estavam sendo realizados. Nicodemos ao ter noticia dos milagres realizados por Jesus entendeu que Ele era Mestre, porém, um mestre enviado por Deus, o que tornava Jesus distinto de todos os outros mestre em Israel.
Quem poderia realizar os milagres que Jesus estava realizando sem o auxilio do dedo de Deus? O próprio Nicodemos responde: Ninguém poderia realizar estes sinais que Tu fazes! A análise de Nicodemos é totalmente válida, e a conclusão também ( Jo 5.36 ).
Nicodemos venceu uma grande barreira ao concluir que Jesus era Mestre vindo de Deus, e esta conclusão impulsionou Nicodemos a ter um encontro com Cristo à noite. Outros fariseus tiveram encontro com Cristo à luz do dia, porém, movidos de hipocrisia, querendo pegar Jesus nalguma contradição.
Após analisar a pessoa de Jesus através dos milagres que Ele operava, Nicodemos foi até Jesus e expôs a sua conclusão:

Jesus era Mestre;

Enviado por Deus;

Ninguém poderia realizar tais milagres, se Deus não estivesse com ele.

Nicodemos não foi atrás de um milagre, antes queria saber mais sobre a doutrina d'Aquele que operava milagres.
Sabemos que Deus possui todo poder, e que milagres não são maravilhas superior a própria obra da criação. Não há milagres que supere a obra criativa de Deus, tais como: a vida, o universo, etc. Tudo é um milagre, pois todas as coisa foram operadas maravilhosamente através do poder de Deus.
A função precípua de um milagre é despertar o homem a conhecer o seu Criador. Qualquer uso ou discurso que se faz fora desta tônica desvirtua o 'testemunho' que Deus dá acerta d'Ele, para que o homem procure se aproximar de Deus ( Hb 2.4 ).
Milagres não é o primordial na vida do homem, antes é preciso ter em mente que os milagres são a confirmação de Deus do que foi anunciado pelos profetas e por Cristo. É preciso crer em Deus que opera maravilhosamente, e não nas maravilhas operadas. O homem precisa estar focado na mensagem de Deus, e não nas maravilhas que Dele procedem.

A Doutrina de Cristo

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3)

Embora reconhecesse Jesus como sendo Mestre da parte de Deus, Nicodemos desconhecia a doutrina de Cristo. O milagre foi à causa primária da conclusão de Nicodemos de que Cristo havia sido enviado por Deus, porém, Nicodemos precisava ouvir a doutrina do Mestre enviado .
Nicodemos estava focado na qualidade de Mestre daqueles que era enviado de Deus e operava milagres que ninguém poderia operar, se Deus não fosse com Ele “... porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” (Jo 3.1).
Qual não foi a surpresa de Nicodemos quando Cristo lhe respondeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3).
A estratégia de evangelismo de Jesus é a mesma adotada por João: os milagres tinham a função de demonstrar aos homens que Jesus era o enviado de Deus. Uma vez que Nicodemos já havia reconhecido que Cristo era Mestre enviado por Deus “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus...”, Jesus chama a atenção de Nicodemos para o primordial, o novo nascimento “... e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).
Os milagres deixam de ter importância quando a verdade vem à tona e Nicodemos pergunta: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” (Jo 3.4). Nicodemos não contesta a informação dada pelo Mestre enviado por Deus, antes se preocupou em entender a dinâmica do ‘novo nascimento’, ou da doutrina de Cristo.
Por estar vetado o reino dos céus àqueles que não nasceram de novo, Nicodemos ficou preocupado, uma vez que ele já era velho. Haveria um milagre extraordinário que tornaria possível Nicodemos voltar ao ventre materno para que ele pudesse nascer de novo, mesmo sendo velho?
O fariseu Nicodemos, seguidor de um seguimento mais severo da religião judaica, ao ser informado que não tinha direito de ver o Reino de Deus, deveria soar no mínimo como absurdo. Nicodemos poderia ter rejeitado de pronto a doutrina de Jesus, já que ele, além de ser fariseu, era um representante do melhor da nação e da religião judaica.
Fica claro que ser judeu ou gentil, ser fariseu ou de qualquer outro seguimento religioso, ser mestre ou leigo, ser juiz ou réu, não habilita ninguém a ter acesso ao Reino de Deus. Antes, todos, indistintamente necessitam nascer de novo.
Em nossos dias há muitas pessoas que querem conhecer Cristo através de milagres e maravilhas, mas que não buscam a sua palavra “Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo 5.47).
Nicodemos foi além dos milagres operados por Cristo “porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”, e suportou a doutrina de Cristo, mesmo ela demonstrando que a sua condição não lhe dava direito ao reino dos céus.
Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus. É sobre estes aspectos que comentaremos o novo nascimento: Por que devemos passar pelo novo nascimento? O que é esse novo nascimento? O homem consegue nascer de novo sem a participação de Deus?
Ao preocupar-se em como um velho poderia nascer novamente, vemos que Nicodemos despiu-se de seus méritos e posições. Ele poderia ter perguntado como era possível alguém na posição de juiz, ou de mestre, nascer de novo, mas diante de Jesus, Nicodemos viu a sua real posição: um homem já velho, que carecia de salvação (novo nascimento)!

A Universalidade da Mensagem

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3)

A resposta de Jesus a abordagem de Nicodemos é taxativa e universal.
É taxativa porque se não for satisfeita a exigência, não há como o homem ver o Reino de Deus. É universal por englobar toda humanidade.
Visto que o novo nascimento é uma necessidade que abrange todos os homens, podemos inferir que a salvação não diz de uma restauração moral, nem tão pouco de uma restauração física. Se assim fosse, os homens de moral mais elevada não necessitariam do novo nascimento.
Através da declaração de Jesus vemos que, tanto aqueles que possuem, quanto os que não possuem qualidades e méritos, precisam do novo nascimento. Nicodemos é um exemplo claro desta verdade.
Nicodemos era membro do Sinédrio, supremo tribunal dos Judeus (Jo 3.1). Ele era um dos mestres em Israel (Jo 3.10). Era membro também de uma das mais severas seitas do judaísmo, o farisaísmo (Jo 3.1). Perante a sociedade, os da seita do farisaísmo eram tidos por justos pelo comportamento distinto que apresentavam (Mt 5.20).
Mas, apesar de todas as suas qualidades pessoais (moral, caráter e comportamental), Nicodemos precisava nascer de novo, assim como qualquer outro homem desprovido de qualidades e méritos.A abordagem de Jesus deixa evidente que os valores que os homens tanto primam (prezam) seguir não operam e nem mesmo promovem o novo nascimento.

Jesus demonstrou que todos os homens precisam do novo nascimento, ou seja, é imprescindível o novo nascimento para se ver e ter acesso ao Reino de Deus.
Desta forma, verifica-se que o novo nascimento não está vinculado aos princípios em que as relações humanas se firmam.

O homem procura aprovação na religião, na sua origem, no comportamento, na moral, no caráter, na justiça própria, na justiça humana e até mesmo através dos sacrifícios, mas estas coisas também não promovem o novo nascimento.
Geralmente as religiões propõem uma melhora ou uma mudança no caráter e no comportamento do homem, o que é proveitoso para as relações humanas, porém, tal proposta não possui valor algum na obtenção da salvação.
Nicodemos era o melhor que a sociedade da época podia apresentar, mas a resposta de Jesus deixa implícito que o Reino de Deus não é conquistado por questões pertinentes a este mundo.

Como Nascer Novamente?

“Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Poderá voltar ao ventre da sua mãe e nascer?” (Jo 3.4)

A resposta de Jesus mudou as convicções de Nicodemos sobre como alcançar a salvação, visto que, até aquele momento ele acreditava que tinha direito ao reino de Deus por ser descendente (filho) de Abraão ( Mt 3.9 ; Jo 8.33).
Quando ele soube que era necessário um novo nascimento para ter acesso ao o reino de Deus, questionou: Como pode um homem velho nascer novamente? É possível que ele volte ao ventre materno para novamente nascer?
Ao preocupar-se em como um velho poderia nascer novamente, vemos que Nicodemos despiu-se de seus méritos e posições. Ele poderia ter perguntado como era possível alguém na posição de juiz, ou de mestre nascer de novo, mas diante de Jesus, Nicodemos viu a sua real posição: um homem já velho, que carecia de salvação (novo nascimento)!
A conjectura de Nicodemos é descartada: ‘Poderá voltar ao ventre materno, e nascer?’, uma vez que o novo nascimento não tem relação com a descendência humana (maternidade ou paternidade).
Mesmo após ser descartada a conjectura de Nicodemos, ela nos auxilia na compreensão do sentido exato da palavra ‘nascer’ quando empregada por Jesus neste capítulo.
Quando Jesus falou da necessidade do novo nascimento, a ideia primária da palavra ‘nascer’ permaneceu a mesma (foi preservada).
Nascer ou nascimento refere-se à chegada de um novo ser ao mundo. Diz do início de uma nova vida neste mundo pleno da mesma vida que há em seus pais (natureza).
Se Nicodemos entendeu que, para ocorrer o novo nascimento era preciso voltar ao ventre materno, podemos inferir que o sentido exato da palavra 'nascer' utilizado por Jesus não diz de uma reforma na natureza do homem. Ela também não diz de uma possível recuperação moral e comportamental do homem. Não diz de uma conformidade. Não diz de uma reversão de atitude. Não é uma revitalização de uma vida que se extingue etc.
Quando Jesus disse que é preciso nascer de novo, ele falou da vinda de um novo ser a existência, pleno da vida que há em Deus, e de posse da natureza divina.
Jesus falou de uma ‘nova geração’, ou seja, de uma nova criação. Da mesma maneira que a palavra nascimento diz da vinda de um ser ao mundo, pleno da vida que há em seus pais, o novo nascimento diz da criação de um novo ser pleno da vida que há em Deus.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ARQUEOLOGIA

Mapa do Mundo Babilônico

Babilónia, cerca de 700-500 AC – provavelmente de Sippar, sul do Iraque

Um Mapa Antigo, sem paralelo, do mundo da Mesopotâmia

Esta tábua contém, simultaneamente, uma inscrição cuneiforme e um mapa sem igual do mundo da Mesopotâmia. Babilónia é mostrada ao centro (retângulo na metade superior do círculo), bem como Assíria e Elam, centros do Império. A área central é circundada por uma inscrição aquática, “Mar Salgado”. A parte exteriro do círculo é rodeada pelo que, provavel e originalmente, foram oito regiões, cada uma identificada por um triângulo, designado “Região” ou “Ilha‘’, e marcadas com a distância entre si. O texto cuneiforme que descreve estas regiões (semelhante a uma criatura mítica) está incompleto.

Esta é uma das peças de visita obrigatória, no British Museum.

domingo, 2 de outubro de 2011

Nascer da Água e do Espírito

A doutrina de Jesus somente tornou evidente o que estava registrado nos profetas: nascer da água e do Espírito é o mesmo que Deus espargindo água pura sobre o homem. Somente Deus pode conceder um novo coração e um novo espírito, ou seja, uma nova vida ao homem!

Água e Espírito

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5)

A resposta de Jesus satisfaz a seguinte pergunta: “Como pode nascer um homem, sendo velho?” A resposta é precisa: o novo nascimento é por meio da água e do Espírito!

Para entendermos a resposta de Jesus é preciso saber que a doutrina apregoada por Ele em nada difere da mensagem apregoada na lei e pelos profetas.
Sabemos que a lei nunca pode aperfeiçoar ninguém por conter somente a sombra dos bens futuros (Hb 10.1). Porém, ela sempre apontou a necessidade da circuncisão do coração.
O que a lei propunha era impossível o homem alcançar por meio dela, visto que, a própria lei estava enferma pela carne (Romanos 8.3). A lei somente serviu de ‘tutor’ para conduzir o homem a Cristo (Gl 3.24), ou seja, ao apontar a necessidade da circuncisão do coração, a lei conduz o homem a Cristo, pois somente nele é possível alcançar circuncisão através do despojar do corpo da carne: a circuncisão de Cristo (Cl 2.11).
Podemos extrair uma grande lição da lei: ela foi escrita em tábuas de pedras e entregue ao povo, mas, não pode aperfeiçoar ninguém, visto que, mesmo após a entrega da lei, Moisés continuou apregoando a necessidade da circuncisão do coração (Dt 10.16; Dt 30.6 ; 2 Co 3.3 e 7).
Caso a lei fosse essencial para a salvação do homem não haveria a necessidade de Moisés apregoar a circuncisão do coração. Conclui-se que, a lei entregue em tábuas de pedra não operou a transformação necessária no coração do povo, visto que, eles ainda precisavam da circuncisão do coração.

A ação divina nunca foi por intermédio da lei, visto que, a mensagem de Deus sempre foi: “Ouve, ó Israel...”, pois a fé é o único meio de se achegar a Deus (Rm 10.17). Caso ouvissem a voz de Deus, haveria uma mudança radical neles: deixariam de ter um coração de pedra e passariam a ter um coração de carne (Dt 11.18 ; Jr 4.4).

A intervenção divina na vida do povo só ocorreria no momento em que eles ouvissem e gravassem a lei em seus corações. A circuncisão é uma ação divina por meio da sua palavra (Dt 30.6-8).

O profeta Ezequiel sobre este assunto disse o seguinte: “Então espargirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” (Ez 36.25-27).

O mestre Nicodemos já conhecia esta passagem bíblica. Há muito que ele lia acerca da promessa de uma nova vida (um novo coração e um novo espírito), porém, não conseguia abstrair a essência do que Deus propôs.

Para alcançar a nova vida é necessário que o próprio Deus venha a espargir água pura sobre o homem (“EU” espargirei água pura sobre vós).

A doutrina de Jesus somente tornou evidente o que estava registrado nos profetas: nascer da água e do Espírito é o mesmo que Deus espargindo água pura sobre o homem. Somente Deus pode conceder um novo coração e um novo espírito, ou seja, uma nova vida ao homem!

Nascer da água é o mesmo que nascer da palavra: Jesus é o Verbo de Deus, ou seja, a Palavra encarnada (Jo 1.14). Sobre este aspecto Paulo escreveu: “Para santificá-la, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra...” (Ef 5.26) “Se alguém tem sede, vem a mim e beba” (Jo 7.37). Jesus é a água que produz vida naqueles que são purificados por Ele, ou seja, naqueles que creem.

Nascer do Espírito é o mesmo que nascer de Deus, visto que, Deus é Espírito e aqueles que d'Ele são nascidos recebem um novo espírito e um novo coração. Portanto, “...o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6), e os que creem recebem poder para serem feitos filhos de Deus! Ora, se o homem crê, da plenitude de Deus já recebeu (Jo 1.16; Cl 2.7-8). Passa a ser participante da natureza natureza divina (2 Pe 1.4).

Quem crê na Palavra encarnada como diz as Escrituras, do seu interior terá rios de água viva fluindo, ou seja, isto foi dito: “... do Espírito que haviam de receber os que nele cressem” (Jo 7.37-39), o nascer do Espírito.

Há uma ordem específica para se nascer de novo? Sim! Primeiro o homem nasce da água, depois do Espírito! Como?

Primeiro o homem precisa da Palavra de Deus para que possa crer, ou seja, para crer, primeiro é preciso ouvir (ser espargido por Deus com água limpa), acerca da fé (evangelho) que é poder de Deus que faz dos homens que descansam na esperança proposta filhos de Deus “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é Poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16).

O homem só tem acesso ao poder de Deus depois que ouve a palavra da verdade, conforme Paulo escreveu a Tito: “... Ele nos salvou mediante a lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo” (Tt 3.5).

Paulo ao escrever a Tito demonstra que Deus lava e renova o homem por meio da palavra e do seu Espírito, ou seja, ele reafirma o que foi dito por Ezequiel: (“EU” “espargirei água pura sobre vós...”).

Através da Palavra de Deus, que é água pura espargida sobre o pecador, ocorre a lavagem da regeneração. Os que de Deus são nascidos, são renovados pelo Espírito Eterno, recebendo um coração de carne em lugar do coração de pedra e um novo espírito (Sl 51.10).

sábado, 1 de outubro de 2011

Objetivo do Livro de Provérbios

O livro de provérbios constitui uma espécie de chave que permite interpretar os outros livros que compõe as Escrituras. Através dos provérbios é possível encontrar a ideia base de alguns termos que permitirá compreender uma verdade contida em outros livros. Em outras palavras, o livro de provérbios é um 'catalisador' que permite a compreensão de enigmas e parábolas que são apresentados em outros livros. Constitui-se uma chave mestra.

“1 PROVÉRBIOS de Salomão, filho de Davi, rei de Israel; 2 Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem, as palavras da prudência. 3 Para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade; 4 Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso; 5 O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos; 6 Para entender os provérbios e sua interpretação; as palavras dos sábios e as suas proposições” (Pv 1.1 -6)

O livro de Provérbios é classificado como um dos livros sapienciais do Antigo Testamento, e está inserido entre o Livro de Salmos e Eclesiastes na Bíblia. Mas, qual o objetivo dos muitos provérbios elencados neste maravilhoso livro? Seria um convite aos judeus para aguçar, manter e valorizar a cultura popular e religiosa do povo? Seria ensino de cunho moral e ético? Segundo o que se abstrai da introdução do livro, o seu objetivo é muito maior que estabelecer uma cultura, fortalecer a religiosidade e difundir ensinamentos éticos e morais. Vejamos!

PROVÉRBIOS de Salomão, filho de Davi, rei de Israel

Na sua maioria os provérbios contidos no livro são atribuídos ao rei Salomão, filho de Davi, que foi um dos reis em Israel. Porém, no livro também há provérbios de outros autores.

Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem, as palavras da prudência.
Para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade;
Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso;

À semelhança da poesia hebraica, os provérbios possuem um quê poético, um ritmo forte de idéias, porém, difere dos salmos, que na sua maioria são cânticos proféticos compostos para serem entoados com instrumentos musicais de corda (Mizmor) ou sem instrumento (Shir).

A semelhança fica somente por conta do valor das idéias, como se dava com o cântico satírico (Mashal – termo derivado de uma raiz que significa "ser como"), que geralmente se dá por estabelecer comparações e equivalências entre as idéias.

A poesia hebraica valoriza a ideia em detrimento do ritmo e da rima, diferença significativa com relação à poesia ocidental.

A poesia hebraica é composta na essência de paralelismo, que é uma espécie de rima e ritmo de pensamentos, o que, consequentemente, estabelece um tipo de trava lógica entre a ideia antecedente e a consequente.

Há vários tipos de paralelismo na poesia hebraica e, construção similar ocorre nos provérbios, o que permite analisar as proposições através da lógica.

Qual a natureza dos provérbios de Salomão? É sabedoria humana ou sabedoria espiritual?

É sabedoria espiritual! Apresenta aos homens a sabedoria que é de cima (Tg 3.17), visto que o ‘temor’ do SENHOR é o princípio da sabedoria.

O livro de provérbio constitui uma espécie de chave que permite interpretar os outros livros que compõe as Escrituras. Através dos provérbios é possível encontrar a ideia base de alguns termos que permitirá compreender uma verdade contida em outros livros.

Em outras palavras, o livro de provérbios é um catalisador que permite a compreensão de enigmas e parábolas que são apresentados em outros livros. Constitui-se uma chave mestra que permite abrir outros livros à compreensão.

Na introdução do livro tem-se o seu objetivo: “Para se conhecer a sabedoria e a instrução”, ou seja, o livro foi escrito com o propósito de tornar ‘conhecida’ a sabedoria e a instrução. Ele permite ao homem ‘entender’ as palavras da prudência (Lc 11.31).

Quais são as palavras da ‘prudência’? Refere-se à palavra de Deus, que é Cristo, o Verbo encarnado.

O livro tem por objetivo capacitar o leitor a ‘entender’ os provérbios e sua interpretação. Por que é necessário entender os provérbios? Por que é necessário interpretá-los se eles são construídos com proposições simples?

É importante notar que o livro de provérbios tem o objetivo de dar entendimento ao ‘sábio’, e não ao tolo, o que parece ser um contra senso (v. 5). É o sábio que precisa de entendimento? Não seria o tolo? Ora, com relação às escrituras, sábio é aquele que se aplica ao temor do Senhor, ou seja, conhecimento da palavra de Deus. Sábio não tem relação a quem é letrado ou versado no conhecimento humano.

Observe: “Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). O Senhor Jesus demonstrou que há um conhecimento que não é próprio aos sábios e entendidos deste mundo, e nesta descrição encaixa-se os religiosos judeus e as várias correntes filosóficas. A Sabedoria que vem de Deus consiste em ‘revelação’ reservada aos seus ‘pequeninos’, que é descrição própria de todos que O aceitam pela fé, não importando se rico ou pobre, leigo ou sábio.
Ou seja, o livro de provérbio tem o objetivo de ensinar a alcançar a sabedoria que vem do alto, diferente de outras disciplinas humanas que visa uma vida prudente baseada em fazer o que é correto, justo e digno segundo a moral e a ética.
Por ser uma frase curta, bem construída, que expressa uma ideia simples vincada na experiência humana, muitos só conseguem visualizar que os provérbios consistem em ensinamentos deduzidos da experiência que o povo tem da vida com o fito de orientá-los com relação às coisas deste mudo. É daí que surge o equívoco.
Não consegue ver a importância do livro no contexto geral das Escrituras. O livro de provérbios foi escrito especificamente para se compreender os provérbios, os adágios, os enigmas e as parábolas, pois esta seria a forma que Cristo utilizaria para falar com o povo de Israel (Pv 1.6).

Para entender os provérbios e parábolas; os adágios e os enigmas dos sábios

O que entender com o seguinte provérbio:
“Livrar-te-á também da mulher adultera e da estrangeira, que lisonjeia com suas palavras, a qual deixou o companheiro da sua mocidade e se esqueceu da aliança do seu Deus” (Pv 2.16 -17)

Um leitor culto ou leigo, somente verá neste provérbio um alerta de cunho moral, para que o homem não se deixe enlaçar por uma mulher adultera e, para os judeus, que não se envolvessem com mulheres estrangeiras.

Mas, quem tem o ‘conhecimento’ do Santo, vai olhar o provérbio e observar que o problema da ‘mulher adúltera’ está na sua palavra, e não no apelo de ordem sexual, assim como o mau caminho dos versos anteriores está relacionado com as palavras de perversidade proferidas pelos judeus (Pv 2.12). Observará que o provérbio faz referência a uma ‘mulher adultera’ específica, a que deixou a aliança com o seu Deus: Israel (Pv 2.17). A ‘mulher adúltera’ é uma figura para falar da condição de Israel, que deixou a aliança com Deus, ou seja, representa a nação (homens) que segue após os seus caminhos e proferem palavras perversas, palavras estas que se equiparam com as ‘lisonjas’ de uma mulher adúltera .

Se observarmos os profetas, verificamos a verdade real que há no provérbio: "Foste como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos" (Ez 16.32 ; Jr 3.20).

Jesus nada falava ao povo a não ser por parábolas, ou seja, quando Ele disse: "Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas" (Mt 12:39), não estava acusando os fariseus de serem promíscuos, antes de terem deixado a aliança de Deus (Mc 4:34).

Se os judeus soubessem interpretar os provérbios, saberiam que Cristo haveria em ensiná-los utilizando adágios da antiguidade, como profetizou o salmista Davi (Sl 78.2).

Prova de que o provérbio não faz referência ao comportamento reprovável de uma mulher adultera reside no fato de Jesus oferecer a mulher samaritana água viva, embora ela estivesse com um marido que não lhe pertencia, sendo que já tivera cinco maridos (Jo 4.18).

Com o auxilio dos provérbios é possível compreender porque Tiago chama alguns dos seus leitores, que estavam distorcendo a verdade bíblica de adúlteros "Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.4).

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SEMENTES

Um moço encontrou um homem já de bastante idade plantando um pé de nogueira num campo, na Suiça, e ficando surpreso, disse-lhe:

- O senhor não sabe que este pé só dará fruto daqui a sessenta ou setenta anos? - Sei, foi a resposta - Mas estou colhendo o fruto de muitas árvores que homens de bom senso plantaram a setenta ou mais anos para mim.

Homens de bom senso lançam sementes, Jesus certa vez, contou a parábola do semeador onde dizia que um homem saiu a semear e lançava suas sementes na beira do caminho, entre as pedras, os espinhos e em terreno fértil.

Eu vejo que esse semeador tinha o bom senso de não selecionar a qualidade da terra onde lançava suas sementes, ele apenas as lançava, não competia a ele decidir onde a semente iria produzir frutos e nem quando isso aconteceria, nem mesmo quem os iria colher, ele apenas lançava as sementes.

Semear a semente da palavra, plantar as árvores que produzirão os frutos que alimentarão outras gerações, é um ato de gratidão. Pense nisso!

Pr. Messias Bueno - www.igrejavidaplena.no.comunidades.net

domingo, 25 de setembro de 2011

ESTUDO SOBRE O LIVRO DE NEEMIAS

Escritor: Neemias.

Lugar da Escrita: Jerusalém.


Escrita Completada: cerca de 430 - 420 a.C.


Tema: Reedificação dos muros de Jerusalém.

ANTECEDENTES HISTÓRICOS

O povo de Israel estava numa posição incomoda, pois tinha passado por sucessivas derrotas.
- Primeiro foi a destruição do Reino do Norte com as 10 tribos destruídas e levados cativos pela Assíria. 722 a. C.
Depois veio Nabucodonozor contra o reino do Sul, Destruiu o Templo e levou parte da população cativa para a Babilônia – 586 a.C
Por volta do ano 506 a.C. o rei persa Ciro, autoriza o regresso de alguns judeus a Jerusalém para sua reconstrução, incluindo a reconstrução do Templo. Ed. 1.1
Depois veio Nabucodonozor contra o reino do Sul, Destruiu o Templo e levou parte da população cativa para a Babilônia – 586 a.C
Por volta do ano 506 a.C. o rei persa Ciro, autoriza o regresso de alguns judeus a Jerusalém para sua reconstrução, incluindo a reconstrução do Templo. Ed. 1.1
Ciro Rei da Pérsia
• 23 - Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus do céu me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós de todo o seu povo suba, e o Senhor seu Deus seja com ele.
• Apesar de ter autorização real, a oposição se levantou contra Zorobabel, e o novo rei persa Artaxerxes paralisou a reconstrução da cidade.
• Com a subida do rei Dario ao poder, a obra foi retomada e o Templo concluído (Ed. 6).
• Sua inauguração foi por volta do ano 512 a.C. (Ed. 6.13-22)

NEEMIAS E SUA HISTÓRIA

• Poucas pessoas estão familiarizadas com os feitos e a figura bíblica de Neemias, e ainda assim ele foi fundamental para a reconstrução e restabelecimento de Jerusalém, no século V a.C. após o exílio babilônico.
• Embora não haja consenso sobre a cronologia relativa dos livros de Esdras e Neemias (as datas bíblicas não são claras), o retorno de Neemias a Jerusalém, foi provavelmente precedido de Esdras.
• Ambos trabalharam juntos para restaurar a cidade e dedicar seu povo Deus
• Embora não haja consenso sobre a cronologia relativa dos livros de Esdras e Neemias (as datas bíblicas não são claras), retorno de Neemias a Jerusalém, provavelmente foi precedida de Esdras uns anos depois.
• Ambos trabalharam juntos para restaurar a cidade e dedicar seu povo Deus
• Depois de ouvir sobre o triste estado de coisas em Judá, Neemias conseguiu a permissão do rei para voltar a Jerusalém e reconstruir a cidade e suas fortificações.
• A ele é ainda dado cartas do rei para garantir uma passagem segura e para obter madeira de floresta do rei para os portões e muros de Jerusalém.
• Neemias voltou a Jerusalém em 445 a.C.
• Sua genealogia é obscura.
• Alguns classificam como um sacerdote, outros como profeta.
• Mas seu nome está lá determinado como sendo o principal líder do povo.
• Ele é chamado de "Tirshata" em 8.9, o que significa governador.
• Neemias, cujo nome significa “Deus Consola”, era servo judeu do rei persa Artaxerxes (Longímano).

Era copeiro do rei. Esta era uma posição de grande confiança e honra, e desejável, pois dava acesso direto ao rei.
• Entretanto, Neemias era um daqueles fiéis exilados que preferiu Jerusalém acima de qualquer “causa de alegria” pessoal. (Sal. 137.5, 6)

Não era posição ou riqueza material que ocupava o primeiro lugar nos pensamentos de Neemias, mas sim a restauração da adoração de Deus.
• Estavam numa situação lamentável. (Nee. 1.3) A muralha da cidade era um entulho, e o povo era um vitupério aos olhos de seus adversários sempre presentes.
• Neemias é, sem dúvida, o escritor do livro que leva seu nome.
• A declaração inicial: “As palavras de Neemias, filho de Hacalias”, e o uso da primeira pessoa no texto provam claramente isto. (Nee. 1.1)
• Originalmente os livros de Esdras e Neemias eram um só livro, chamado Esdras. Mais tarde, os judeus dividiram o livro em Primeiro e Segundo Esdras, e ainda mais tarde, Segundo Esdras veio a ser conhecido como Neemias.
• Há um intervalo de cerca de 12 ou 14 anos entre os eventos finais de Esdras e os eventos iniciais de Neemias, cuja história abrange então o período do fim de 456 a.C. até depois de 443 a.C. — Neemias 1.1; 5.14; 13.6.
• O livro de Neemias se harmoniza com o restante da Escritura inspirada, da qual faz legitimamente parte.
• Ademais, o livro marca o início do cumprimento da profecia de Daniel de que Jerusalém seria reconstruída, mas não sem oposição, “no aperto dos tempos”. — Dan. 9.25
• Evidências históricas fidedignas de fontes gregas, persas e babilônicas apontam para 475 a.C. como o ano da ascensão de Artaxerxes e para 474 a.C. como seu primeiro ano de reinado.
• Neemias 2.1-8 indica que foi na primavera setentrional daquele ano, no mês judaico de Nisã, que Neemias, o copeiro real, recebeu do rei permissão para restaurar e reconstruir Jerusalém, sua muralha e seus portões.
• A profecia de Daniel declarava que se passariam 69 semanas de anos, ou 483 anos, “desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder”.
• Uma profecia que se cumpriu de modo notável ao ser Jesus ungido em 29 d.C., uma data que se harmoniza tanto com a história secular como com a bíblica.
• O contexto da atuação de Neemias

I. Contexto político

• A Palestina, na época de Neemias, pertencia à Satrápia Transeufrates. Essa Satrápia era formada pela Síria, Fenícia, a terra de Canaã e Chipre.
• A organização do Império Persa:


• O rei dispunha de um Secretário Real, do exército e de pessoas com missões especiais. A Bíblia cita quatro figuras que possuíam a missão de ser um "olheiro do rei" São eles:
• Sesbasar
• Zorobabel
• Neemias
• Esdras

Porém, a grande função ocupada por Neemias foi a de governador (no hebraico: pehah), por um tempo limitado (Ne 2.6, 9; 3.7). 
• Enfim, Neemias recebe do rei Artaxerxes I (465-423 a.C.) a missão de:
• Fortalecer a comunidade de Jerusalém e prepará-la para reconstrução;
• Reorganizar o povo
• Assentá-lo na terra e na cidade
• Disciplinar o povo sob a Torá;
• Detectar abusos na administração política, na prática religiosa; na economia.
• Desde o exílio de Sedecias (587 a.C.), Jerusalém não abrigava o governo e, consequentemente, não mais possuía força e poder político.
• Contexto social
• A injustiça e a exploração entre os próprios judeus (Ne 5.1-13):
• Crescia a desigualdade entre as famílias;
• Aumentava o desejo de lucro pessoal;
• A volúpia do lucro também contaminava os sacerdotes.
• O cenário de Jerusalém era desolador:
• Contexto social
• A Injustiça e exploração entre os próprios judeus (Ne 5.1-13):
• Crescia a desigualdade entre as famílias;
• Aumentava o desejo de lucro pessoal;
• A volúpia do lucro também contaminava os sacerdotes.
• O cenário de Jerusalém era desolador:
• Por outro lado, há um conflito entre o povo da terra (os que não foram para o exílio) e os exilados que retornaram da Babilônia. Por isso,
• Entre o povo, havia falta de identidade de fé:
• Assimilação de outras práticas religiosas;
• Dificuldades com os casamentos mistos;
• Alianças por interesses econômicos;
• Radicalismos na prática religiosa:
• Exigência da guarda do sábado, (Ne. 13.17...)
• Exigência quanto a prática do jejum,
• Obrigatoriedade quanto ao dízimo. (Ne. 13.11, 12)

Os dez ditos inspirados de Neemias:

1 - A boa mão de Deus está comigo: 2.8
2 - Levanta-se e vamos construir: 2.18
3 - O Deus do céu, ele vai prosperar: 2.20
4 - O povo tinha ânimo para trabalhar: 4.6
5 - Lembre-se do Senhor grande e temível, e lutar: 4.14
6 - E o nosso Deus pelejará por nós: 4.20
7 - Ó Deus, fortalece as minhas mãos: 6.9
8 - Este trabalho foi feito por nosso Deus: 6.16
9 - A alegria do Senhor é a vossa força: 8.10
10 - Lembrai-vos, ó meu Deus: 13.29, 31

Os livros de Esdras, Neemias e Ester fazem parte do mesmo período geral na história de Israel. Em nossa Bíblia foram invertidos na ordem cronológica em que aconteceu. Em outras palavras, os fatos do livro de Ester realmente aconteceram quando Deus começou a se mover no meio do cativeiro de Israel, a fim de retornar esta nação à sua terra. Isso foi pouco depois do meio dos setenta anos que Jeremias tinha predito que o cativeiro duraria. Deus levantou Ester, uma jovem judia, ao trono da Pérsia como rainha.
• Foi seu marido, o rei Assuero da Pérsia, (Artaxerxes) mencionado nos capítulos iniciais de Neemias.
• Isso foi pouco depois do meio dos setenta anos que Jeremias tinha predito que o cativeiro duraria.
• Deus levantou Esther, uma jovem judia, ao trono da Pérsia como rainha.
• Foi seu marido, o rei Assuero da Pérsia, Artaxerxes mencionado nos capítulos iniciais de Neemias.
• Nem Artaxerxes e Xerxes são os nomes deste rei, por isso é muito confuso.
• Estes são realmente títulos.
• Artaxerxes significa "o grande rei”, Xerxes significa “o pai venerável”.
• De modo que não era o nome do rei.
• Pode ser útil ou não poder saber que este é também Artaxerxes e Darius Xerxes Mede, mencionado no livro de Daniel.
• E para adicionar mais confusão, Artaxerxes no livro de Neemias não é o mesmo Artaxerxes no livro de Esdras.
• De qualquer forma, na história desta cidade, Esther, como um instrumento da graça de Deus, foi enviado para ocupar o trono da Pérsia e assim moveu o coração do seu marido, o rei, que permitiu que Neemias seu copeiro , o retorno a Jerusalém.
• Os primeiros seis capítulos abordam a reconstrução do muro, enquanto o resto dos capítulos até o 13, lida com a reconstrução da cidade

O livro de Esdras começa com a construção do templo.

A restauração da casa de Deus é sempre a primeira coisa a voltar para Deus. Depois vem a construção das paredes, como discutido no livro de Neemias, que cobre a necessidade de segurança e força. Finalmente, o livro de Ester vem como a revelação de todo o propósito na vida da pessoa.

Esta é uma visão geral destes três livros.

TEMA E HISTORIA DE FUNDO: 

Zorobabel conduziu o primeiro grupo de exilados de volta à Jerusalém nos quase oitenta anos mais tarde,
• Esdras o escriba veio à cidade santa com um segundo grupo de judeus, dando lugar às reformas de grande envergadura através de seu ministério fundado na Palavra de Deus. 538-537 a.C. (Esd. 2) e supervisionou a construção do templo. 
• Há três classes de pessoas no mundo: Os que não sabem o que está acontecendo, os que estão pendentes do que acontece, e os que fazem com que aconteça. “Neemias pertencia a este ultimo grupo.
• Enquanto o livro de Esdras trata do Templo e da adoração, Neemias trata com os muros e a obra de cada dia.
• O livro de Neemias coloca a Deus no centro dos assuntos da vida cotidiana.

• CAPITULO 1

• O primeiro capítulo nos oferece muito pouco a titulo de introdução. Apenas indicam as circunstâncias da vida de Neemias: O nome do seu pai: Hacalias, e sua alta e influente posição como copeiro do rei Artaxerxes.
• Neemias 1.
• "As palavras de Neemias,..." “Ou suas transações e obras; pois דברי “dibre” significa coisas feitas, assim como palavras faladas;” 
• Na LXX, este é o capítulo 11 do Segundo de Esdras (2 Esdras). 
• O nome “Neemias” significa “Jah Consola; Jah É Consolo”. Hebr.: Nehhem•yáh. 
• "Ora, no mês de quisleu,..." O nono mês, correspondente ao final de Novembro e começo de Dezembro. "No vigésimo ano,…" i.e. de Artaxerxes Longimanus (465-425 a.C.). 
• Compare com Nee 2.1. "Sucedeu que eu mesmo vim a estar em Susã, o castelo." Susã, ou Susa, era a residência comum dos reis da Pérsia.
• Foi no mês de Kislev, no ano 20 (445 ADC) Quando seu irmão Hanani (7.2) visitou alguns de Judá,
• O que ele pediu imediatamente mostra o profundo interesse que ele tinha no povo de Deus.
• "Eu perguntei sobre os judeus que tinham escapado, que foram do cativeiro, e acerca de Jerusalém." 
• v. 4-11 – Durante quatro meses (2.1) Neemias orou a Deus “dia e noite”.
• Neemias se importava mais com as pessoas que consigo mesmo.
• Quando Neemias soube das necessidades do seu povo, sentiu-se chamado para atender às necessidades.
• Neemias é um homem que diagnostica os problemas do seu povo.

Que tipo de problema havia em Jerusalém?

• 1 - Insegurança pública. Os muros estão derrubados. A cidade estava desguarnecida.
• 2 - O povo estava sem defesa, os invasores podiam entrar a qualquer hora.
• 3 - Jerusalém estava enfrentando injustiça social.

Suas portas estavam queimadas. 

• Os juízes julgavam as causas junto às portas da cidade... Não havia julgamento, a cidade estava sem lei
• Jerusalém enfrentava problema de pobreza.
• Hanani concluiu seu relato: “Os restantes que não foram levados para o cativeiro, e se acham na província, estão em grande miséria”
• Jerusalém enfrentava problema de desprezo.
• Hanani conclui dizendo: “...e desprezo”.
• Além de todos os problemas, eram ultrajados e desprezados.
• Embora ele nunca tivesse visto Jerusalém, a cidade de seus pais, ele amava Jerusalém e sentia como todos os outros cativos piedosos, que se expressa muito bem em um dos Salmos:

"Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao céu da boca, se não me lembrar de ti, se eu não preferir Jerusalém à minha maior alegria."(Salmo 137.5-6).

• Se passaram aproximadamente quatro meses nos quais Neemias esperou para aproximar-se do rei. “…aquele que crer não se apressará.” Is. 28.16.
• Certamente a fé e a paciência vão juntos. (Heb. 6.12). Porém, Neemias tinha em mente um plano, dado a ele pelo Senhor, e sabia exatamente quando seria a hora certa.
• Neemias e as ruínas

Levou três meses para Neemias chegar na cidade, e chegou como governador, não como um servo.
• Ele foi paciente e esperou três dias antes de tomar qualquer decisão.
• Os inimigos de Neemias estava assistindo e teve que ser sábio e cuidadoso.
• Mais tarde ele descobriu que alguns dos nobres de Judá eram aliados com Tobias, o inimigo dos judeus.
• Embora tenha vivido em prosperidade, seu coração estava com o seu povo.
• O restante estava em grande aflição e opróbrio, o muro de Jerusalém dividida, e as portas queimadas a fogo.
• Vv. 11/04. Estas tristes notícias o dominaram com grande tristeza
• Ele se sentou e chorou, lamentando por alguns dias.

A ORAÇÃO DE NEEMIAS – 1.5-11.

• ESTA ORAÇÃO FEITA POR NEEMIAS NOS LEMBRA A ORAÇÃO ANTERIORMENTE FEITA POR DANIEL (Dn. 9.4-19)
• Ambas são ricas em conteúdo, confissão, interseção, reconhecimento e dependência para com Deus.
• Ambos descem ao nível do povo...
• Um estudo da oração de Neemias nos dará a chave da espécie de oração que Deus ouve e que tem resultados.
• Neemias não era profeta, não era sacerdote, era um devoto que quando não sabia o que fazer dobrava seus joelhos diante de Deus e dependia diretamente Dele.
• A oração coloca a Deus como parte da solução de nossos problemas...

I - ESTA ORAÇÃO RECONHECE O CARÁTER DE DEUS. 1.5

• “Jerusalém estava enfrentando injustiça social”. Ne. 1.5
• Para saber o que Deus pode fazer, primeiro temos que saber quem é Deus.
• Muitos desconhecem o poder de Deus porque não conhecem a Deus.
• Conhecer a Deus vai mais além de crer em sua Palavra e o que Ele disse...
• Mas crer a sua Palavra e o que Ele diz
• Vejamos o espírito humilde com que ele ora: “Te rogo...”. Não orava exigindo nem demandando
• Neemias apelava para “O pacto de Misericórdia” de Deus.

II – ESTA ORAÇÃO RECONHECE A ATENÇÃO DE DEUS. 1.6

• Estejam atentos os teus ouvidos e abertos os teus olhos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje faço perante ti, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus ser-vos, confessando eu os pecados dos filhos de Israel, que temos cometido contra ti; sim, eu e a casa de meu pai pecamos;
• Para Deus não interessa o que dizemos, mas como o dizemos.
• Que motivação temos quando oramos?
• Para Neemias não havia um tempo para orar, mas o tempo de orar.
• Não profetizava, mas orava, não dirigia culto, mas orava.
• Neemias se sentia parte dos problemas do povo seria parte da solução

III - ESTA ORAÇÃO RECONHECE A CONFISSÃO SINCERA. Ne. 1.7

• “na verdade temos procedido perversamente contra ti, e não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos, que ordenaste a teu servo Moisés”.
• Neemias não ora dizendo que eles se corromperam... Não apenas eles, mas eu também te falhei...
• Eu também me descuidei.

IV - ESTA ORAÇÃO RECONHECE A JUSTIÇA DE DEUS. Ne. 1.8

• “Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a teu servo Moisés, dizendo: Se vós transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos”.
• Aqui Neemias resume Levítico 26 e Deuteronômio 30. Se lembra que a desobediência a Deus trará o castigo.
• O amor de Deus exige Justiça. Amor sem justiça é uma injustiça.
• Deus é amor, mas é justo. Isso o expressou na cruz do Calvário e sua justiça o expressará no Juízo Final.

V - ESTA ORAÇÃO RECONHECE A RESTAURAÇÃO DE DEUS. Ne. 1.9.

• “mas se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, ainda que os vossos rejeitados estejam na extremidade do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome.”
• Outra vez Neemias resume as garantias de Deus arquivadas em Lev. 26 e Dt. 30
• Está mais que seguro que pode descansar sobre as garantias divinas.
• Fora da Palavra de Deus perdemos o direito de garantia oferecido por Deus.

VI - ESTA ORAÇÃO RECONHECE A POSIÇÃO DO CRENTE DIANTE DE DEUS. Ne. 1.10

• “Eles são os teus servos e o teu povo, que resgataste com o teu grande poder e com a tua mão poderosa.”.
• Neemias lembra a Deus por quem ele ora, e o que Ele já fez por eles.
• Na oração declara com ênfase: “eles são teus servos e o teu povo”.

Por causa de Jesus Cristo, a igreja agora tem uma posição de autoridade diante do mundo e de beneficiaria diante de Deus.
• “e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus,”
• Ao reconhecer quem somos em Cristo, determinará como nos reconheceremos diante do mundo.
• Tu e eu nos devemos ver como Deus nos vê e não como outros querem que nos vejamos.

VI - ESTA ORAÇÃO RECONHECE O FAVOR DE DEUS. Ne. 1.11

• Ne. 1.11.“Ó Senhor, que estejam atentos os teus ouvidos à oração do teu servo, e à oração dos teus servos que se deleitam em temer o teu nome; e faze prosperar hoje o teu servo, e dá-lhe graça perante este homem. Era eu então copeiro do rei.”
• Não empreendamos nada para Deus se não estamos seguros de que Ele lhe interessa.
• Neemias associa o êxito com a oração.
• Neemias ora por graça.
• Quando Deus quer que faça alguma coisa, te dará a graça para fazê-lo.

CONCLUSÃO:

• Oremos sabendo quem é Deus.
• Oremos buscando a atenção de Deus pelo que oramos.
• Oremos amparados nas garantias divinas
• Oremos vendo-nos na posição que Deus nos vê.
• Oremos para triunfar e para receber graça de Deus.
• 2.1 – Do cap. 1.5-11, vemos que Neemias já levava quatro meses em oração, buscando a orientação de Deus, dia e noite, com lágrimas e jejuns (1.4).
• A prudência de Neemias se prendia a muitos fatores:
• Artaxerxes havia apoiado o projeto de Esdras de honrar o templo de Jeová em Jerusalém e de ensinar e aplicar a Lei em Judá. (Esd. 7.6, 11-28).
• Mas por oposição o rei havia mandado deter as obras em Jerusalém
• Ed. 4.21 = “Agora, pois, dai ordem para que aqueles homens parem, a fim de que não seja edificada aquela cidade até que eu dê ordem.’
• ...ainda que tenha deixado aberta a porta para reverter essa ordem (Esd. 4.21). Qual seria sua atitude agora?
• Depois de servir o vinho ao rei, o mesmo nota por primeira vez, o aspecto triste do seu copeiro, Artaxerxes lhe pergunta o motivo (2.1, 2).
• Isso deu lugar a um diálogo onde por três vezes o rei dirige uma pergunta a seu copeiro (2.2, 4ª, 6ª) e três vezes este lhe responde (2.2b, 3, 4b, 5, 6b).
• Esta era a oportunidade que Neemias esperava e a aproveitou para falar ao rei acerca de Jerusalém.
• Vemos a inteligência de Neemias ao responder ao rei.
• Primeiro ele reafirmou sua lealdade ao rei mediante a saudação tradicional (2.3, cf. I Re. 1.31, Dan.2.4). Logo depois deu uma resposta sábia, certamente planejada durante seus quatro longos meses de oração.
• Fez um aproximação, personalizada, sentimental e cauto.
• Em vez de debater questões políticas, falou dos sepulcros de seus pais.
• As leis do Antigo Oriente guardavam um profundo respeito pelos sepulcros ancestrais.
• Neemias evitou o nome “Jerusalém”, cidade que Artaxerxes havia intitulado de rebelde e perigosa (Esd. 4.12, 19, 20).
• Em vez da delicada palavra “muralhas” só falou das portas da cidade. Não pediu nada, só falou de sua tristeza em resposta à pergunta do rei.
• A segunda pergunta de Artaxerxes abriu uma porta grande (2.4).
• O rei supunha que se o seu copeiro havia pranteado um problema, já deveria ter um plano para resolvê-lo, o qual requeria a autorização real.
• Porém antes de responder, Neemias manda uma mensagem divina (2.4 ver 1.11b).
• Plasmou sua resposta em oração (2.5). Se for do agrado do rei, e se teu servidor for aceito diante de ti.
• Logo depois começa sua própria petição com outro paralelismo:
• Envia-me a Judá. A cidade de meus pais.
• Guardou o principal e mais delicada até o final: Para que eu reedifique. Ainda continuou evitando usar a palavra “Jerusalém” e “muralha”, mas edificar a cidade bem podia incluir amuralhá-la. (ver Jos. 6;26. I Re. 12.25, 15.17, 21, 22).
• Em sua terceira pergunta Artaxerxes já se mostrava favorável à solicitação (2.6ª).
• Em verdade a concedeu antes mesmo de que Neemias a respondesse (2.6b). Neemias havia indicado um prazo curto, ainda que ele terminasse ficando por 12 anos em Judá (5.14; 13.6).
• Logo depois, Neemias pediu cartas de apoio oficial 2.7, 8. Durante quatro meses de oração, Neemias havia desenvolvido um plano pormenorizado.
• Quando lhe chegou o momento de fazer sua petição, o apresentou como um programa bem pensado e estruturado.
• Durante sua viagem, Neemias usou as cartas de salvo-conduto (2.9).
• No vers. 10 encontramos o primeiro sinal de oposição. Sambalat era governador da província persa de Sumária, ao norte de Judá.
• Ouviram (2.10). É um verbo clave na estrutura dos capítulos 2–6. Cada vez que o projeto de reconstrução da muralha avançava, os inimigos o ouviram e reagiram com desagrado ou oposição (2.10,19: 4.1,7: 6.1).
• Por outro lado, o mesmo verbo introduzirá o anuncio do fracasso da oposição (4.15; 6.16).
• Neemias exclui Sambalat e Tobias dos legítimos filhos de Israel (2.10).
• Seu desagrado refletia seus interesses. Reconheciam que a vinda de Neemias ameaçava seu poder em Jerusalém (6.16-19; 13; 4-9, 28 cf. Esd. 4;11.12.17.23).

NEEMIAS CONVENCE AOS JUDEUS DE RECONSTRUIR A MURALHA. 2.11-20.

• Depois da viagem de 1800 km. Supõe-se que a viagem da babilônia a Jerusalém era de aproximadamente quatro meses (Esd. 7.9) e o trecho de Babilônia a Susa acrescentava mais algumas semana.
• Ao chegar, Neemias se tomou três dias, ou seja o resto do dia de sua chegada mais os dois dias seguintes, para descansar, ordenar seus assuntos, sua casa e ser recebido pelas pessoas influentes da cidade (2.11, cf Esd. 8.33).
• O v. 16 amplia o que Neemias já tinha dito no v. 12: Não tinha revelado sua meta a ninguém.
• Quando Neemias apresentou o seu projeto aos judeus (2.17, 18), não lhes falou como um funcionário persa, mas como um irmão, usando a primeira pessoa do plural: estamos, edifiquemos e sejamos.
• Lhes declarou de como a Mão de Deus esteve com ele tocando no rei para comissioná-lo a edificara muralha (2.18).
• Esta foi uma noticia clave, pois sobre os judeus pesava o decreto de Artaxerxes que proibia construir os muros (v. Esd. 4.21).
• Quando os inimigos o ouviram, começaram uma guerra psicológica (2.19). O ataque consistia em zombaria e uma acusação de rebelião contra Artaxerxes (2.19).
• A zombaria foi perpetrada para desanimar, e a acusação para atemorizar. Foi por uma acusação semelhante que Artexerxes tinha mandado parar a construção do muro (Esd. 4.12, 19, 21).
• Porem, o testemunho de Neemias (v.18) já tinha se antecipado em tirar o aguilhão da acusação.
• Neemias, de forma brilhante, reafirmou sua confiança em Jeová e recusou toda interferência dos três opositores em Jerusalém (2.20).
• Não falou do apoio do rei, mas do Deus dos céus (1.11; 2.4, 8, 12, 18), a quem havia clamado em 1.5 e 2.4.
• A recusa enfática no final do vers. 20 antecipa a luta que Neemias sustentará contra a influencia de Tobias e Sambalat em Jerusalém (v. 6.7; 13.4-9, 28).
• Também introduz a necessidade da separação (9.2; 1013.1-3, 23-30; Esd.4.1-3; 6.21).
• As expressões: (2.20) nos levantaremos e edificaremos deixa claro uma ideia principal, e ao mesmo tempo reconhece que a construção não será obra de Neemias, mas de todo o povo.

DIFERENTES GRUPOS PARTICIPAM DA RECONSTRUÇÃO 

• O cap. 3 deixa de manifesto a extraordinária capacidade de Neemias para motivar e organizar.
• O trabalho se repartiu entre grupos já existentes: famílias, habitantes de determinada cidade ou região e diversos setores (sacerdotes, levitas, servidores do templo, obreiros, perfumistas e comerciantes), 3.1
• Assim, o capitulo ressalta o segundo personagem do livro: A comunidade com sua liderança múltipla.

A RECONSTRUÇÃO EM CURSO

• 3.1. “Então se levantou Eliasibe, o sumo sacerdote, juntamente com os seus irmãos, os sacerdotes, e edificaram a porta das ovelhas, a qual consagraram, e lhe assentaram os batentes’’.
• Consagraram-na até a torre dos cem, até a torre de Hananel.”
• Eliasibe dirigiu o primeiro grupo (3.1). Foram sacerdotes, um sinal de que a obra foi uma tarefa sagrada.
• O sumo sacerdote era a segunda pessoa mais poderosa em Judá, depois do governador, e seu apoio foi clave para que o povo se envolvesse com entusiasmo.
• A porta das Ovelhas estava a oeste da esquina nordeste da cidade (ver v. 32).
• Seu nome sugere que por ela entrava as ovelhas destinadas para o sacrifício no templo e que perto dela havia um mercado de ovelhas.
• Antes de completá-la os sacerdotes a santificaram. Depois santificaram também sua seção do muro.
• Jericó (3.2), a uns 30 km ao nordeste de Jerusalém, foi uma das varias cidades de Judá que enviaram equipes (v. vers. 3, 5, 7, 13 e 27).
• Sena ou Hassenaá era uma cidade e seus filhos seus habitantes. (ver 9.36-38; Esd. 2.33-35).
• Aparentemente pela porta dos Peixes se traziam os peixes para a cidade e sua venda era realizado próximo a ela.
• 3.6 “Joiada, filho de Paséia, e Mesulão, filho de Besodéias, repararam a porta velha, colocaram-lhe as vigas, e lhe assentaram os batentes com seus ferrolhos e trancas.”
• “A frase traduzida por “Porta Velha”, é literalmente “a porta da Antiga”, talvez de uma forma abreviada “a porta da (cidade) Antiga”. Estava próximo do segundo bairro, o setor menos antigo da cidade.
• 3.14, 15. “A porta do monturo, reparou-a Malquias, filho de Recabe, governador do distrito de Bete-Haquerem; 
• Aporta da fonte ou do Manancial. O tanque de Siloé estava no extremo sul de Jerusalém. Salum restaurou a parte do muro que servia de retenção para o tanque.

RECONSTRUÇÃO DO MURO ORIENTAL – 3.16-31.

• Segundo a evidencia arqueológica, no lado oriental da cidade Neemias não reconstruiu o muro preexílico, mas levantou outro novo mais próximo do pico do monte.
• Não se deve confundir Neemias filho de Azbuque (3.16) com o filho de Acalias, que é o herói do livro.
• 3.16. “Depois dele Neemias, filho de Azbuque, governador da metade do distrito de Bete-Zur, fez os reparos até defronte dos sepulcros de Davi, até a piscina artificial, e até a casa dos homens poderosos’’

• A expressão “sepulcros de Davi’’, deve ser entendido que ali estavam sepultados não só o rei, mas também familiares e seus descendentes. Ignoramos a localização exata de todos os lugares mencionados em 3.16-31.

RECONSTRUÇÃO DO TRECHO NO MURO NORTE.
 
• 3.32. O último trecho termina onde o primeiro começou: na porta das ovelhas.

NEEMIAS ENFRENTA ZOMBARIAS E AMEAÇAS. 

• Zombarias de Sambalat e Tobias – 4.1-6. Segundo o cap. 3 a construção de todo o muro se completou (3.1, 32).
• Agora os caps. 4-6 voltam a contar a história para ressaltar os obstáculos que foram superados.
• Outra vez Sambalat ouviu sobre o avanço do projeto (4.1). Desta vez reagiu com fúria, pensando no poder que iria perder em Jerusalém.
• Para tentar deter o projeto e alentar o seu pessoal, outra vez recorreu à zombaria (ver 2.19).
• O escárnio consistiu em cinco perguntas retóricas (4.2):
• Segundo as duas primeiras, os judeus eram incapazes de fazer qualquer coisa, muito menos restaurar sua própria muralha.
• Na terceira pergunta, ele questiona sobre o Oferecer sacrifícios, como que querendo dizer que o fato de oferecer sacrifício não os habilitaria para terminar a obra.
• A quarta pergunta sugere que os judeus não percebem a magnitude do trabalho,
• A quinta zombaria dos seus recursos. Dizia que aquele tipo de pedra não servia mais para levantar uma muralha.

A oração que faz a diferença (4.4, 5).

• Cap. 4.4, 5 = Ouve, ó nosso Deus, pois somos tão desprezados; faze recair o opróbrio deles sobre as suas cabeças, e faze com que eles sejam um despojo numa terra de cativeiro. Não cubras a sua iniquidade, e não se risque de diante de ti o seu pecado, pois que te provocaram à ira na presença dos edificadores.
• A oração agressiva de Neemias animou e encorajou os judeus diante da intimidação samaritana e em seguida completaram a metade do projeto (4.6).
• “Assim edificamos o muro; e todo o muro se completou até a metade da sua altura; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar”.
• Todos os trechos foram levantados simultaneamente, pois muitos judeus se uniram à tarefa.
• O vocábulo reedificamos e a última oração do v. 6 reconhecem que a construção não dependia apenas do grande líder, mas da participação do povo.

A AMEAÇA DE UM ATAQUE. 4.7-15 

• Mais uma vez os inimigos ouviram e se enraiveceram (4.7, 8).
• “Mas, ouvindo Sambalate e Tobias, e os arábios, o amonitas e os asdoditas, que ia avante a reparação dos muros de Jerusalém e que já as brechas se começavam a fechar, iraram-se sobremodo; e coligaram-se todos, para virem guerrear contra Jerusalém e fazer confusão ali”.
• Rodearam Judá como nunca: Sambalt ao norte, os árabes ao sul, os amonitas ao leste e se juntaram os de Asdod ao oeste (estes eram não só os habitantes da cidade de Asdod, mas de quase todo o território filisteu.
• Apesar do temor dos israelitas, mais uma vez Neemias usou sua confiança para animar os construtores e defender a cidade sem interromper o projeto da construção.

NEEMIAS AJUDA OS EXPLORADOS 5.1-19. 

• O clamor dos devedores (5.1-5). Um clamor de angustia de todo o povo.
• Não se queixaram das nações inimigas, mas de seus irmãos judeus.
• Suas queixas foram quatro (5.2-5):
• Passavam fome (5.2);
• Hipotecavam suas propriedades para poder comer (5.3), e para pagar tributos ao rei persa (5.4);
• Para pagar suas dividas, tinham que entregar seus filhos para serem vendidos como escravos (5.5).
• Neemias socorre aos devedores (5.6-13).
• Neemias viu que os credores eram os próprios governantes judeus (5.7)
• “Então consultei comigo mesmo; depois contendi com os nobres e com os magistrados, e disse-lhes: Estais tomando juros, cada um de seu irmão. E ajuntei contra eles uma grande assembleia”.
• Longe de cumprir com a Lei que mandava proteger ao pobre (Sal. 72.1, 12-14), se aproveitavam deles para obter lucros.
• Neemias os adverte, e fala sobre o castigo de Deus (5.9).
• Disse mais: Não é bom o que fazeis; porventura não devíeis andar no temor do nosso Deus, por causa do opróbrio dos povos, os nosso inimigos?

NEEMIAS E AS INTIMIDAÇÕES 6.1-9.

• Uma das propostas de Neemias, incluía deixar de exigir hipotecas e que devolvessem as propriedades e os juros (5.10, 11).

NEEMIAS E AS INTIMIDAÇÕES 6.1-9

• O que se ouvia desta vez foi que Neemias terminava o projeto (6.1).
• Os inimigos querias preparar uma armadilha, talvez para matar a Neemias (6;2. 10-13).
• A negativa de Neemias teve como desculpa a obra (6.3), dava prioridade ao trabalho mais que a uma reunião com Sambalate e Gesem.
• Por quatro vezes Neemias recusou o convite
• (6.4).“Do mesmo modo mandaram dizer-se quatro vezes; e do mesmo modo lhes respondi.”
• A quinta vez foi enviado por Sambalate através de um de seus funcionários (6.5).
• 6.5- Então Sambalate, ainda pela quinta vez, me enviou o seu moço com uma carta aberta na mão”.

Armadilhas da falsa profecia (6.10-14)

• Neemias foi à casa de Semaias aparentemente porque este havia mandado informar-lhe que tinha uma profecia para ele.
• 6.10 - “Fui à casa de Semaías, filho de Delaías, filho de Meetabel, que estava em recolhimento; e disse ele: Ajuntemo-nos na casa de Deus, dentro do templo, e fechemos as suas portas, pois virão matar-te; sim, de noite virão matar-te.”
• Semaias se apresentava como um profeta aliado de Neemias, mas por fim se comprova que o mesmo era um profeta corrupto, contratado para destruir sua reputação (6.12, 13).
• 6.12, 13 - E percebi que não era Deus que o enviara; mas ele pronunciou essa profecia contra mim, porquanto Tobias e Sambalate o haviam subornado.
• Eles o subornaram para me atemorizar, a fim de que eu assim fizesse, e pecasse, para que tivessem de que me infamar, e assim vituperassem.
• Os inimigos esperavam que Neemias pecasse, mostrando falta de fé em Deus (6.13).
• O número de adversário veio crescendo. Em 6.16 Neemias fala de todos: “nossos inimigos e todos os povos em volta de nós.
• 6.16 = “Quando todos os nossos inimigos souberam disso, todos os povos que havia em redor de nós temeram, e abateram-se muito em seu próprio conceito; pois perceberam que fizemos esta obra com o auxílio do nosso Deus.”
• Quando chegamos ao v.16 pareceria concluir o livro. A construção do muro foi concluído com êxito.

Mas o livro continua por mais 7 capítulos!

• O capitulo 6 conclui com um apêndice, depois da derrota dos inimigos (6.17-19).
• Muitos líderes de Judá mantinhas relações com Tobias por meio de cartas (6.17)
• Os casamentos mistos apareceram, mesmo depois da reforma de Esdras 10.
• 6.17 = Além disso, naqueles dias os nobres de Judá enviaram muitas cartas a Tobias, e as cartas de Tobias vinham para eles.
• Pactos. 6.18ª. “Pois muitos em Judá estavam ligados a ele por juramento..,”
• e até mesmo casamentos. 6.18b = “por ser ele genro de Secanias, filho de Ará, e por haver seu filho Joanã casado com a filha de Mesulão, filho de Berequias.”

EDIFICAÇÃO DO POVO -7.1 – 13.31.

• Neemias e a defesa da cidade 7.1-73
• A passagem de 6.17-7.5 serve de transição entre as grandes tarefas do livro:

A construção do muro (1-6)

• A purificação do povo (7-13)
• ...e também entre os personagens principais. (Neemias e o povo).
• Neemias, depois da construção do muro e outras atividades, se preocupa com a manutenção do trabalho realizado. (7.1-5).
• Neemias nomeou dois governadores sobre Jerusalém (7.2), dando-lhes instruções sobre a segurança da cidade.
• Um dos nomeados foi o irmão de Neemias (7.2)
• A cidade era grande e pouco os habitantes, (7.4) assim, Neemias tinha que usar toda estratégia para defendê-la. (7.5, 6).

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R.I.P.

Prof. Adaylton de Almeida Conceição
(Th.B.,Th.D., Phy.)