VIDAS

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS. A VIDA ETERNA, DE RENÚNCIAS!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

ARGUMENTO SOBRE DEUS (3)

Argumento sobre o mundo ser um todo que interage

Este argumento é semelhante a uma nova versão do argumento do desígnio, apresentado por alguns filósofos cultos. Nós o apresentamos da seguinte forma, resumida e revisada, para reflexão:

PONTO DE PARTIDA. Esse mundo nos foi entregue como um sistema dinâmico e ordenado com muitos elementos ativos. A natureza desses elementos (propriedades naturais) são ordenadas para interagir com outros em relacionamentos estáveis e recíprocos, que nós chamamos de leis da Física. Por exemplo, cada átomo de hidrogênio em nosso universo está ordenado para combinar com átomos de oxigênio na proporção de 2:1 (o que implica que cada átomo de oxigênio está ordenado para combinar com átomos de hidrogênio numa proporção de 1:2). O mesmo acontece com as valências químicas de todos os elementos básicos. E todas as partículas que possuem massa são ordenadas para se moverem em direção uma das outras, de acordo com as proporções fixas da lei da gravidade.

Em um sistema dinâmico, interconectado e interligado como esse, a natureza ativa de cada elemento é definida por sua relação com os demais. Isso pressupõe a existência de vários elementos para que haja inteligibilidade e capacidade de agir de algum outro.

A ciência contemporânea nos revela que nosso sistema mundial não é meramente um conjunto de leis distintas, separadas e não-relacionadas, mas um todo rigorosamente interligado, onde o relacionamento com o todo gera estrutura e determina as partes. Estas não podem mais ser compreendidas em separado do todo; a influência dele permeia todas elas.

ARGUMENTO. Em um sistema como o mencionado anteriormente (o nosso mundo) nenhum componente ou elemento ativo pode ser autossuficiente ou autoexplicativo. Isso porque cada parte pressupõe todas as outras; e todo o sistema já existe para combinar-se com suas próprias propriedades racionais. Nenhum elemento pode agir a menos que as outras partes estejam presentes para interagir reciprocamente com ele. Qualquer outra parte poderia ser autossuficiente apenas se fosse a causa do restante do sistema – o que é impossível, uma vez que nenhuma parte pode agir exceto em colaboração com as demais. Tampouco o sistema como um todo explica sua própria existência, pois ele é feito de partes componentes, e não é algo separado, existente em si próprio, independente do restante. Além disso, nem as partes nem o todo são auto-suficientes; e nenhuma parte pode ser tomada para explicarmos a existência atual de tal sistema de interação dinâmica.

TRÊS CONCLUSÕES:

1. Uma vez que as partes só têm sentido dentro do todo, e nem mesmo o todo nem as partes podem explicar sua própria existência, então um sistema como nosso mundo exige uma Causa eficiente unificadora que gere a existência de um todo unificado.

2. Uma Causa desse tipo – que traga o sistema à existência de acordo com uma idéia unificadora – tem de ser uma Causa inteligente. A unidade do todo – e de cada uma das leis físicas cósmicas e globais, que fazem com que os elementos interajam entre si – é o que determina e correlaciona as partes. Portanto, esta unidade deve estar de alguma maneira presente como um fator efetivo e organizador. Entretanto, a unidade, a integridade do todo, transcende qualquer uma das partes; logo, não pode estar contida em nenhuma destas. Para estar realmente presente de uma vez só como um todo, essa unidade pode ser apenas uma idéia unificadora e organizadora. Isso porque apenas uma idéia poderia manter juntos muitos elementos de uma única vez sem destruir ou mesclar os aspectos distintos de cada um. Isso é quase a definição de uma idéia. Uma idéia real não pode existir de modo operante e eficiente a não ser em uma “Mente” verdadeira, que tenha o poder criativo de trazer tal sistema à existência. Portanto, para que haja um sistema universal ordenado (como o nosso) precisa haver, em última instância, uma “Mente coordenadora e criativa”. A ordem cósmica exige um Ordenador cósmico, que só pode ser uma Mente.

3. Tal Mente ordenadora precisa ser independente do próprio sistema, ou seja, transcendente a ele, e não pode depender do sistema para existir e operar. Se dependesse do sistema ou de parte dele, teríamos de pressupor este sistema como préexistente para poder operar; ele teria simultaneamente que preceder a si mesmo e causar-se. Isso é absurdo – e a modernidade fracassa filosoficamente, ao pressupor que nosso sistema ordenado tenha surgido de parte primordial de si; nosso universo material exige necessariamente como razão suficiente para a sua existência como um todo operante, uma Mente Criativa e Transcendente, que já existia e era capaz de operar antes e independe do sistema criado.

ARGUMENTO SOBRE DEUS (2)

Argumento da causalidade eficiente

Este argumento tenta provar que, todas as coisas não poderiam simplesmente “surgir do nada” sem uma causa inicial, mas que necessitam de uma causa eficiente para existirem. Podemos notar que, algumas coisas causam outras coisas (fazem com que elas tenham início, que continuem a existir, ou ambos os efeitos). Um homem tocando piano, por exemplo, está “causando” a música que ouvimos. Se ele parar, o mesmo acontece com a melodia.

Agora faça a si mesmo a seguinte pergunta: Todas as coisas que existem neste exato momento estão sendo causadas à existência? Suponhamos que sim. Suponhamos que NÃO exista um Ser não-causado, nenhum Deus. Então, NADA poderia existir agora mesmo. Lembremos que todas as coisas precisam de uma causa presente fora de si mesmas para que possam existir. Portanto, agora mesmo, todas as coisas, incluindo todas aquelas que estão causando outras, precisam de uma causa. Elas podem gerar algo apenas se estiverem sendo trazidas à existência. Tudo o que existe, portanto, tem necessidade de ser causado à existência. Afirmar que Deus não existe é equivalente a dizer que toda a realidade seria dependente do 'nada'. A existência é como um presente dado pela causa ao seu efeito. Se não há ninguém que possua o presente (existência), este não pode ser passado adiante na cadeia de receptores, não importando o quanto seja curta. Se todas as pessoas precisarem tomar emprestado determinado livro, mas ninguém tiver a obra, nenhuma delas irá consegui-la. Se não existisse um Deus que possui auto-existência e cuja natureza é eterna, então o dom da existência não poderia ser passado adiante às criaturas, e nós nunca poderíamos recebê-lo. Entretanto, nós existimos. Portanto, tem de existir um Deus, um Ser não-causado, que não precisa receber a existência como nós ou como qualquer outro elo da cadeia de receptores.

Agora vejamos a seguinte questão: Por que necessitamos de uma Causa “não-causada”?

Por que não poderia haver uma série infinita de causas, sem uma causa inicial para tudo o que existe? A hipótese de que tudo o que existe tem uma causa, mas que não há um ser não-causado é Ridícula! Tem de haver, obrigatoriamente, algo não-causado, algo do qual todas as coisas que precisam de causa eficiente para existirem sejam dependentes. Do contrário, haveria uma sucessão de causas infinitas, sem que houvesse uma causa inicial (primária). Tudo o que existe teve um começo: portanto, tem de haver uma causa primeira para que tudo existisse. Entretanto, a causa primária só seria a “Primeira Causa” não sendo causada por nenhuma outra; se houvesse algo que a causasse, haveria Causas anteriores a ela (este 'algo'), e ela não seria a “primeira”. Portanto:

• a “Primeira Causa” não pode ter nenhuma causa anterior a si; não poderia haver algo que a causasse.

Somente assim, ela pode ser a causa inicial: tendo sido uma causa 'não-causada'. Assim, necessitamos de uma Causa não-causada, e não poderia haver uma série infinita de causas, sem uma causa inicial para tudo o que existe.

Uma causa que foi capaz de gerar - além de coisas e seres inanimados, - seres animados, racionais e inteligentes, não poderia ser simplesmente “uma coisa” (como se pode pensar), mas tem de ser necessariamente, “um Ser” racional e inteligente, visto que nenhum efeito é maior que sua causa. Por que então, uma causa que gera seres racionais e inteligentes, seria irracional e não-inteligente?

Observe que, mesmo enquanto lê esse texto, você depende de outras coisas para existir. Você não poderia existir nesse instante sem elas. Suponhamos que haja várias dessas coisas (como água, ar, calor, alimento, por exemplo). Se elas não existissem, você também não existiria. E considere que todas essas coisas dependem de outras para existirem. Sem estas outras, estas “coisas” das quais você depende para existir não existiriam, e você também não. Agora pense no universo inteiro. Se não houvesse nada além desse universo de coisas mutáveis e dependentes, então o universo – e você como parte dele – não poderia existir. Isso porque tudo o que existe agora mesmo tem a necessidade de receber existência; e, neste caso, não haveria nada capaz de fornecê-la: tudo o que existe necessitaria, ao mesmo tempo de ser trazido à existência, mas não poderia existir nada para produzir tal existência; não haveria nada capaz de fornecê-la. No entanto, você existe, bem como tudo o mais à sua volta. Portanto, tem de haver Algo existente além do universo de coisas interdependentes – Algo que não possua essa dependência como nós.

Enquanto imaginamos um número, talvez inimaginável, de coisas que necessitam de receber existência, essa necessidade – de existir, de ser algo – não pode ser produzida a partir de dentro desse grupo. Mas é óbvio que tal necessidade foi satisfeita, uma vez que existem seres contingentes. Portanto, existe uma Fonte de existência da qual nosso universo material depende nesse instante, e que está fora dele.

Vocês conhecem o “Argumento da Contingência”, um argumento a favor da existência de Deus?

Argumento da contingência

A fórmula básica desse argumento é simples.

1. Se algo existe, tem de existir também aquilo que foi necessário para que esse algo surgisse.

2. O universo – o grupo de seres no espaço e no tempo – existe.

3. Portanto, tem de existir o que foi necessário para trazer o universo à existência.

4. O que foi necessário para que o universo existisse não pode estar dentro do universo nem limitado por espaço e tempo.

5. Portanto, o que foi necessário para que o universo viesse à existência tem de transcender tanto o espaço como o tempo.

Se alguém negasse a primeira premissa, insistindo que X não necessita que sua causa geradora exista, lembraríamos que algo foi necessário para trazer X à existência, logo há uma condição ou várias condições para a existência de X. Então, é correto afirmar que X existe apenas se sua causa geradora (Y) existir; que sem Y, não pode haver X. É indispensável que subsista o que foi necessário para trazer o universo à existência!

Mas o que foi necessário para que isso acontecesse? Dissemos que o universo é o grupo de seres no espaço e no tempo. Consideremos um ser semelhante a esse: nós mesmos. Existimos e somos, pelo menos em parte, materiais. Isso significa que somos finitos, limitados e passíveis de mudança, porque a matéria está sujeita à mudança e à limitação. Pelo fato de sermos limitados e estarmos em transformação, sabemos que, neste exato momento, somos dependentes de seres [e fatores] externos a nós para termos nossa existência. Não nos referimos aos nossos pais e avós. Eles podem não estarem mais vivos. Neste instante, dependemos de muitas coisas para que possamos existir – por exemplo, do ar que respiramos. Ser dependente dessa maneira é ser contingente: existimos apenas se algo mais existir agora mesmo. Entretanto, nem tudo pode ser assim porque, do contrário, tudo precisaria receber existência, mas não haveria nada capaz de fornecê-la. Não haveria aquilo que é necessário para que tudo, qualquer coisa existisse. Portanto, tem de haver algo que não exista condicionalmente; algo que não exista apenas se algo mais também existir; algo que exista por si mesmo. O que é necessário para esse algo existir tem de estar em seu próprio Ser. Diferente de uma realidade material mutável, não há distância por assim dizer, entre o que este Ser é e o fato de que ele existe. Obviamente, o grupo de seres mutáveis no espaço e no tempo não poderia ser esse tipo de ser. Portanto, o que é necessário para que o universo exista não pode ser idêntico ao próprio ou a alguma parte dele.

Questão: Mas por que deveríamos chamar essa Causa de Deus? Talvez exista algo desconhecido de nós que dê base para o universo mutável no qual vivemos.

Resposta: O que nós humanos conhecemos diretamente, pelos nossos sentidos, é o mundo mutável em que habitamos. Também sabemos que é necessário existir algo para que o universo exista. Portanto, sabemos que esse universo mutável (o todo ou qualquer parte dele) não pode ter em si próprio o que é necessário para promover sua existência. A causa das coisas mutáveis não poderia ser uma outra coisa mutável ou natural, como por exemplo, um átomo primordial, pois outra coisa mutável, natural e finita exigiria uma causa anterior a si e, consequentemente, uma sequência sem fim de causas, e não haveria uma que as precedesse.

Pense: Como Algo poderia estar fora do universo se fosse igual a tudo que existe no espaço, no tempo e na matéria?

Não temos um conhecimento direto sobre a Causa das coisas mutáveis; sabemos apenas que é necessário existir uma Causa e que essa Causa não pode ser finita nem material — que ela tem de transcender tais limitações, e consequentemente, ser sobrenatural. Logo, o que essa Causa é em si permanece, até então, um mistério. Entretanto, as evidências investigadas também contribuíram para o conhecimento real de que o universo foi criado e é mantido por uma Causa que não possui os limites da matéria e do tempo, que transcende o tipo de existência que nós humanos conhecemos diretamente.

Através da investigação ou observação, por exemplo, podemos chegar à conclusão de que a morte de alguém teve uma causa, foi por assassinato, e não por acidente, sem saber exatamente quem a cometeu e por quê. Isso pode nos deixar frustrados e insatisfeitos, mas pelo menos sabemos que linha de investigação seguir; e sabemos que alguém cometeu um ato, não foi um acidente. O mesmo acontece com as evidências que nos permitem saber que a existência do universo é um ato criativo de um Doador que transcende todos os limites da matéria. Essas evidências não nos dizem muito a respeito de quem é esse Doador, mas apontam numa direção bem definida. Sabemos que o Doador da existência não pode ser material. Sabemos que é pessoal, inteligente, tem vontade e sua essência transcende a matéria, está fora da matéria criada. Sabemos que a Causa das coisas a transcende e não pode ser menor do que elas; pelo contrário, tem de ser infinitamente maior do que as mesmas. O quanto, e de que maneira não sabemos. Até certo ponto esse Doador permanece desconhecido à razão humana. E não deveríamos esperar que fosse diferente [uma vez que somos limitados, e ele ilimitado, infinito]. Contudo, a razão pode, pelo menos cooperar para que saibamos que Alguém realizou o ato. E isso já é de grande valor!

Podemos investigar a Causa usando a razão, mas há muito mais que Deus revelou sobre si, pois somente Ele seria capaz de se autodescrever e revelar-se corretamente para nós. Somente uma pessoa é capaz de autodescrever corretamente, pois ninguém a conhece melhor que ela mesma. Por isso, para um conhecimento do Criador, fora exigida uma revelação, uma descrição pessoal; uma versão, um testemunho do próprio.

ARGUMENTO SOBRE A EXISTÊNCIA DE DEUS

Argumento da mudança 
O mundo material que experimentamos à nossa volta está em constante mudança. Podemos conhecer uma mulher que chegou a ter uma estatura de 1.75 m, mas ela nem sempre foi desse tamanho. O grande carvalho que vemos na floresta cresceu a partir de uma pequena semente. Quando algo chega a determinado estado, esse não pode produzir sua própria existência. Isso porque, até que algo venha a existir, não pode ser considerado; e se ainda não existe, não pode causar nada.

Quanto ao ser que sofre a mudança, embora tenha a capacidade de ser aquilo que se tornará um dia, isso ainda não aconteceu, ou seja, ele ainda não se tornou o que um dia virá a ser. Uma semente de Carvalho, ainda não se encontra no seu último estado, que atingirá no futuro (o de uma grande árvore formada).

Nada pode dar a si próprio aquilo que não possui, e o objeto que sofre mudança não pode ter agora mesmo aquilo que possuirá apenas no futuro. O resultado da mudança não pode existir realmente antes que a mudança ocorra. O objeto que sofre a mudança começa apenas com o potencial para mudar, mas precisa receber a atuação de coisas fora de si para que esse potencial se torne realidade. Do contrário, ele nunca poderá mudar.
Nada pode mudar a si próprio. Objetos que aparentemente têm movimento próprio, como corpos vivos, são movidos pelo desejo e pela vontade – algo diferente de meras moléculas. E quando o animal ou o ser humano morre, as moléculas permanecem, mas o corpo não mais se move, porque o desejo e a vontade [a alma] não está mais presente para produzir o movimento nas moléculas.

Agora, vejamos outra questão. As coisas fora do objeto que sofre mudança também mudam? E os objetos que fazem estas coisas se moverem também estão se movendo? Se isso for verdade, todos esses elementos permanecem, a cada instante, com a necessidade de receber uma atuação de outras coisas, caso contrário não poderão mudar. Não importa quantos itens existam na série, cada um deles precisa de algo fora de si para tornar realidade seu potencial de mudança.

O universo é a soma total de todos esses objetos móveis, independente de quantos sejam. O universo como um todo está em processo de mudança. Entretanto, já percebemos que essa mudança em qualquer ser exige uma força externa para torná-la real. Portanto, existe alguma força do lado de fora (que se acrescenta) ao universo, algum Ser real que transcende o universo. Essa é uma das coisas que consideramos quando pensamos em Deus. Em poucas palavras, se não há nada fora do universo material, então não existe nada que possa causar mudança no universo. Entretanto, este está sofrendo mudança. Portanto, tem de haver algo além de mera matéria, além do universo material, que é a soma total de toda matéria, do espaço e do tempo. Essas três grandezas dependem uma das outras. Portanto, tal ser externo está “fora da matéria, do espaço e do tempo”. Ele não sofre mudança. Ele é a Fonte imutável da mudança. Ele é Deus.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

HERÓIS DA FÉ

Charles  Spurgeon
O príncipe dos pregadores
(1834-1892)

No período da Inquisição, na Espanha, sob o reinado do imperador Carlos V, um número elevadíssimo de crentes foram queimados em praça pública ou enterrados vivos. O filho de Carlos V, Filipe II, em 1567, levou a perseguição aos Países Baixos, declarando que ainda que lhe custasse mil vezes a sua própria vida,limparia todo o seu domínio do "protestantismo". Antes da sua morte gabava-se ter mandado ao carrasco, pelo menos, 18.000 "hereges".

Ao começar esse reinado de terror nos Países Baixos, muitos milhares de crentes fugiram para a Inglaterra. Entre os que escaparam do "Concilio de Sangue", encontrava-se a família Spurgeon.

Na Inglaterra, o povo de Deus, contudo, não estava livre de toda a perseguição "passando a maior parte do tempo sentado, por se achar fraco demais para se deitar". Os bisavôs de Charles eram crentes fervorosos, criando os filhos na admoestação do Senhor. Seu avô paterno, depois de quase cinqüenta anos de pastorado no mesmo lugar, podia dizer: "Não passei nem uma hora triste com a minha igreja depois que assumi o cargo de pastor!" O pai de Charles, Tiago Spurgeon, era o amado pastor de Stambourne.

Charles, quando ainda criança, interessava-se pela leitura de "O Peregrino", pela história dos mártires e por diversas obras de teologia. É impossível calcular a influência dessas obras sobre a sua vida.

Que era precoce nas coisas espirituais, vê-se no seguinte acontecimento: Apesar de criança de apenas cinco anos de idade, sentiu profundamente o cuidado do avô, por cau do procedimento de um dos membros da igreja, chamado "Velho Roads". Certo dia, Charles, a criança, encontrando Roads em companhia de outros fumando e bebendo cerveja, dirigiu-se a ele, dizendo: "Que fazes aqui, Elias?" O "Velho Roads" arrependido, contou, então, ao seu pastor, como a princípio se irou com a criança, mas por fim ficou quebrantado. Desde aquele dia, o "Velho Roads" andou sempre perto do Salvador.

Quando Charles era ainda pequeno, foi por Deus convencido do pecado. Durante alguns anos sentia-se uma criatura sem esperança e sem conforto; visitava um lugar de culto após outro, sem conseguir saber como podia livrar-se do pecado. Então, quando tinha quinze anos de idade, aumentou nele o desejo de ser salvo. E aumentou de tal forma, que passou seis meses agonizando em oração. Nesse tempo assistiu a um culto numa igreja; nesse dia, o pregador não fora ao culto, por causa duma grande tempestade de neve. Na falta do pastor, um sapateiro se levantou para pregar às poucas pessoas presentes, e leu este texto: "Olhai para mim e sede salvos, todos os confins da terra" (Isaías 45.22). O sapateiro, inexperiente na arte de pregar, podia apenas repetir a passagem e dizer: "Olhai! Não vos é necessário levantar um pé, nem um dedo. Não vos é necessário estudar no colégio para saber olhar; nem contribuir com mil libras. Olhai para mim, não para vós mesmos. Não há conforto em vós. Olhai para mim, suando grandes gotas de sangue. Olhai para mim, pendurado na cruz. Olhai para mim, morto e sepultado. Olhai para mim, ressuscitado. Olhai para mim, à direita de Deus". Em seguida, fitando os olhos em Charles, disse: "Moço, tu pareces ser miserável. Serás infeliz na vida e na morte se não obedeceres". Então gritou ainda mais: "Moço, olha para Jesus! Olha agora!" O rapaz olhou e continuou a olhar, até que por fim, um gozo indizível entrou na sua alma.

O recém-salvo, ao contemplar o constante zelo do Maligno, foi tomado pela aspiração de fazer todo o possível para receber o poder divino, para frustrar a obra do inimigo do bem. Spurgeon aproveitava todas as oportunidades para distribuir folhetos. Entregava-se de todo o coração a ensinar na Escola Dominical, onde alcançou, de início, o amor dos alunos e, por intermédio desses a presença dos pais na escola. Com a idade de dezesseis anos começou a pregar. Acerca desse fato ele disse: "Quantas vezes me foi concedido o privilégio de pregar na cozinha duma casa de agricultor, ou num celeiro!"

Alguns meses depois de pregar seu primeiro sermão, foi chamado a pastorear a igreja em Waterbeach. Ao fim de dois anos, essa igreja de quarenta membros, passou a ter cem. O jovem pregador desejava educar-se e o diretor duma escola superior, que estava de visita à cidade, marcou uma hora para tratar com ele acerca desse assunto. A criada, porém, que recebeu Charles, por descuido, não chamou o professor e este saiu sem saber que o moço o esperava. Depois, Charles, já na rua, um tanto triste, ouviu uma voz dizer-lhe: "Buscas grandes coisas para ti? Não as busques!" Foi então, ali mesmo que abandonou a idéia de estudar nesse colégio, convencido de que Deus o dirigia para outras coisas. Não se deve concluir, contudo, que Charles Spurgeon resolveu não se educar. Depois disso, ele aproveitava todos os momentos livres para estudar. Diz-se que alcançou fama de ser um dos homens mais instruídos de seu tempo.

Spurgeon havia pregado em Waterbeach apenas durante dois anos quando foi chamado a pregar na Park Street Chapei, em Londres. O local era inconveniente para os cultos, e o templo, que tinha assentos para mil e duzentos ouvintes, era demasiado grande para os auditórios. Contudo, "havia ali um grupo de fiéis que nunca cessaram de rogar a Deus um glorioso avivamento". Este fato é assim registrado nas palavras do próprio Spurgeon: "No início, eu pregava somente a um punhado de ouvintes. Contudo, não me esqueço da insistência das suas orações. Às vezes parecia que rogavam até verem realmente presente o Anjo do Concerto (Cristo), querendo abençoá-los. Mais que uma vez nos admiramos com a solenidade das orações até alcançarmos quietude, enquanto o poder do Senhor nos sobrevinha... Assim desceu a bênção, a casa se encheu de ouvintes e foram salvas dezenas de almas!"

Sob o ministério desse moço de dezenove anos, a concorrência aumentou em poucos meses a ponto de o prédio não mais comportar as multidões; centenas de ouvintes permaneciam na rua para aproveitar as migalhas que caíam do banquete que havia dentro da casa.

Foi resolvido reformar a New Park Street Chapei e, durante o tempo da obra, realizavam-se os cultos em Exeter Hall, prédio que tinha assentos para quatro mil e quinhentos ouvintes. Aí, em menos que dois meses, os auditórios eram tão grandes, que as ruas, durante os cultos, se tornavam intransitáveis.

Quando voltaram para a Chapei, o problema, em vez de ser resolvido, era maior; três mil pessoas ocupavam o espaço preparado para mil e quinhentas! O dinheiro gasto, que alcançou uma elevada quantia, fora desperdiçado! Tornou-se necessário voltar para o Exeter Hall.

Mas nem o Exeter Hall comportava mais os auditórios e a igreja tomou uma atitude espetacular - alugou o Surrey Music Hall, o prédio mais amplo, imponente e magnífico de Londres, construído para diversões públicas.

As notícias, de que os cultos passaram do Exeter Hall para Surrey Music Hall, eletrificaram toda a cidade de Londres. O culto inaugural foi anunciado para a noite de 19 de outubro de 1856. Na tarde do dia marcado, milhares de pessoas para lá se dirigiram para achar assento. Quando, por fim, o culto começou, o prédio no qual cabiam 12.000 pessoas, estava superlotado e havia mais 10.000 fora que não puderam entrar.

No primeiro culto em Surrey Music Hall, notaram-se vestígios da perseguição que Spurgeon tinha de encarar.Ele estava orando, e depois da leitura das Escrituras, os inimigos da obra de Deus se levantaram, gritando: 'Togo! Fogo!" Apesar de todos os esforços de Spurgeon e de outros crentes, a grande massa de gente alvoroçou-se e movimentou-se em pânico, de tal modo que sete pessoas morreram e vinte e oito ficaram gravemente feridas. Depois que tudo serenou, acharam-se espalhados em toda a parte do prédio, roupas de homens e senhoras; chapéus, mangas de vestidos, sapatos, pernas de calças, mangas e paletós, xales, etc., objetos esses que os milhares de pessoas aflitas deixaram, na luta para escapar do prédio. Spurgeon comportou-se com a maior calma durante todo o tempo da inescritível catástrofe, mas depois passou dias prostrado, sofrendo em conseqüência do tremendo choque.

As notícias sobre as trágicas ocorrências durante o primeiro culto em Surrey Music Hall, em vez de prejudicaem a obra, concorreram para aumentar o interesse pelos cultos. De um dia para outro Spurgeon, o herói do Sul de Londres, tornou-se um vulto de projeção mundial. Aceitou convites para pregar em cidades da Inglaterra, Escócia, Irlanda, Gales, Holanda e França. Pregava ao ar livre e nos maiores edifícios, em média oito a doze vezes por semana.

Nesse tempo, quando ainda moço, revelou como conseguia entender, nas Escrituras, os textos difíceis, isto é, simplesmente pedia a Deus: - "Ó Senhor, mostra-me o sentido deste trecho!" E acrescentou: "É maravilhoso como o texto, duro como a pederneira, emite faíscas quando batido com o aço da oração." Quando mais velho, disse: "Orar acerca das Escrituras, é como pisar uvas no lagar, trilhar trigo na eira, ou extrair ouro do minério."

Acerca da vida familiar, Susana, a esposa de Spurgeon, assim escreveu: "Fazíamos culto doméstico, quer hospedados em um rancho nas serras, quer num suntuoso quarto de hotel na cidade. E a bendita presença de Cristo, que muitos crentes dizem impossível alcançar, era para ele a atmosfera natural; ele vivia e respirava nele (em Deus).

Antes de iniciar a construção do famoso templo em Londres, o Metropolitan Tabernacle, Spurgeon, com alguns dos seus membros, se ajoelharam no terreno entre as pilhas de materiais e rogaram a Deus que não permitisse que trabalhador algum morresse ou ficasse ferido durante a execução das obras de construção. Deus respondeu maravilhosamente, não deixando acontecer qualquer acidente durante o tempo da construção do imponente edifício que media oitenta metros de comprimento, vinte e oito de largura e vinte de altura.

A igreja começou a edificar o tabernáculo com o alvo de liquidar todas as dívidas de materiais e pagar toda a mão-de-obra antes de findar a construção. Como de costume, pediram a Deus que os ajudasse a realizar esse desejo, e tudo foi pago antes do dia da inauguração.

"O Metropolitan Tabernacle foi acabado em março de 1861. Durante os trinta e um anos que se seguiram, uma média de 5.000 pessoas se congregavam ali todos os domingos, pela manhã e à noite. De três em três meses Spurgeon pedia aos que haviam assistido neste período, que se ausentassem. Eles assim faziam, porém, o tabernáculo era superlotado por outras pessoas das massas ainda não alcançadas pela mensagem."

Durante certo período, pregou trezentas vezes em doze meses. O maior auditório, no qual pregou, foi no Crystal Palace, Londres, em 7 de outubro de 1857. O número exato de assistentes era de 23.654. Spurgeon esforçou-se tanto nessa ocasião, e o cansaço foi tal, que após o sermão da noite de quarta-feira, dormiu até a manhã de sexta-feira!

Todavia, não se deve julgar que era somente no púlpito que a sua alma ardia pela salvação dos perdidos. Também se ocupava grandemente no evangelismo individual. Nesse sentido citamos aqui o que certo crente disse a respeito dele: "Tenho visto auditórios de 6.500 pessoas inteiramente levadas pelo fervor de Spurgeon. Mas ao lado de uma criança moribunda, que ele levara a Cristo, achei-a mais sublime do que quando dominava o interesse da multidão".

Parece impossível que tal pregador tivesse tempo para escrever. Entretanto os livros da sua autoria, constituem uma biblioteca de cento e trinta e cinco tomos. Até hoje não há obra mais rica de jóias espirituais do que a de Spurgeon, de sete volumes sobre os Salmos: "A Tesouraria de Davi". Ele publicou tão grande número de seus sermões,que, mesmo lendo um por dia, nem em dez anos o leitor os poderia ler todos. Muitos foram traduzidos em várias línguas e publicados nos jornais do mundo inteiro. Ele mesmo escrevia grande parte da matéria para seu jornal, "A Espada e a Colher", título este sugerido pela história da construção dos muros de Jerusalém no tempo angustioso de Neemias.

Além de pregar constantemente a grandes auditórios e de escrever tantos livros, esforçou-se em vários outros ramos de atividades. Inspirado pelo exemplo de Jorge Müller, fundou e dirigiu o orfanato de Stockwell. Pediam a Deus e recebiam o necessário para levantar prédio após prédio e alimentar centenas de crianças desamparadas.

Reconhecendo a necessidade de instruir os jovens chamados por Deus a proclamar o Evangelho, e, assim, alcançar muito maior número de perdidos, fundou e dirigiu o Colégio dos Pastores, com a mesma fé em Deus que mostrou na obra de cuidar dos órfãos.

Impressionado pela vasta circulação de literatura viciosa, formou uma junta de vendagem de livros evangélicos. Dezenas de vendedores foram sustentados e milhares de discursos feitos, além de muitas toneladas de Escrituras e outros livros vendidos de casa em casa.

Acerca de tão estupendo êxito na vida de Spurgeon, convém notar o seguinte: Nenhum dos seus antepassados alcançou fama. Sua voz podia pregar às maiores multidões, mas outros pregadores sem fama gozavam também da mesma voz. O Príncipe dos Pregadores era, antes de tudo, O Príncipe de Joelhos. Como Saulo de Tarso, entrou no Reino de Deus, também agonizando de joelhos. No caso de Spurgeon, essa angústia durou seis meses. Depois (assim aconteceu com Saulo) a oração fervorosa era um hábito na sua vida. Aqueles que assistiam aos cultos no grande Ta-bernáculo Metropolitano diziam que as orações eram a parte mais sublime dos cultos.

Quando alguém perguntava a Spurgeon a explicação do poder na sua pregação, O Príncipe de Joelhos apontava para a loja que ficava sob o salão do Metropolitan Tabernacle e dizia: "Na sala que está embaixo, há trezentos crentes que sabem orar. Todas as vezes que prego eles se reúnem ali para sustentar-me as mãos, orando e suplicando ininterruptamente. Na sala que está sob os nossos pés é que se encontra a explicação do mistério dessas bênçãos."

Spurgeon costumava dirigir-se aos alunos no Colégio dos Pastores desta forma: "Permanecei na presença de Deus!... Se o vosso fervor esfriar, não podereis orar bem no púlpito... pior com a família... e ainda pior nos estudos, sozinhos. Se a alma se tornar magra, os ouvintes, sem saberem como ou por quê, acharão que vossas orações públicas têm pouco sabor."

Ainda sobre a oração, sua esposa deu este testemunho: "Ele dava muita importância à meia-hora de oração que passava com Deus antes de começar o culto." Certo crente também escreveu a esse respeito: "Sente-se, durante a sua oração pública, que ele é um homem de bastante força para levar nas mãos ungidas as orações duma multidão. Isto é a idéia mais grandiosa, de sacerdote entre Deus e os homens".

Convicto do grande poder da oração, Spurgeon designou o mês de fevereiro, de cada ano, no Grande Tabernáculo, para realizar a convenção anual e fazer súplicas por um avivamento na obra de Deus. Nessas ocasiões, passavam dias inteiros em jejum e oração, oração que se tornava mais e mais fervorosa. Não só sentiam a gloriosa presença do Espírito Santo nesses cultos, mas era-lhes aumentado o poder com frutos abundantes.

Na sua autobiografia, desde o começo do seu ministério em Londres, consta que pessoas gravemente enfermas foram curadas em resposta às suas orações.

A vida de Spurgeon não era vida egoísta e de interesse próprio. Juntamente com sua esposa, fez os maiores sacrifícios para colocar livros espirituais nas mãos de um grande número de pregadores pobres e ambos contribuíam constantemente para o sustento das viúvas e órfãos. Recebiam grandes somas de dinheiro, mas davam tudo para o progresso da obra de Deus.

Não buscava fama nem a honra de fundador de outra denominação, como muitos amigos esperavam. A sua pregação nunca foi feita para sua própria glória, porém tinha como alvo a mensagem da Cruz, para levar os ouvintes a Deus. Considerava seus sermões como se fossem setas e dava todo o seu coração, empregava toda a sua força espiritual em produzir cada um. Pregava confiando no poder do Espírito Santo, empregando o que Deus lhe concedera para "matar" o maior número de ouvintes.

"Charles Hadon Spurgeon recebia o fogo do Céu, estudando a Bíblia, horas a fio, em comunhão com Deus."

Cristo era o segredo do seu poder. Cristo era o centro de tudo, para ele; sempre e unicamente Cristo.

J. P. Fruit disse: "Quando Spurgeon orava, parecia que Jesus estava em pé ao seu lado."

As suas últimas palavras, no leito de morte, dirigidas à sua esposa, foram: "Oh! querida, tenho desfrutado um tempo mui glorioso com meu Senhor!" Ela, ao ver, por fim, que seu marido passaria para o outro lado, caiu de joelhos e com lágrimas exclamou. "Oh! bendito Senhor Jesus, eu te agradeço o tesouro que me emprestaste no decurso destes anos; agora Senhor, dá-me força e direção durante todo o futuro."

Seis mil pessoas assistiram ao culto de funeral. No caixão estava uma Bíblia aberta, mostrando este texto usado por Deus para convertê-lo: "Olhai para mim, e sede salvos, todos os confins da terra."

O cortejo fúnebre passou entre centenas de milhares de pessoas postadas em pé nas calçadas; os homens descobriam-se à passagem do cortejo e as mulheres choravam.

O túmulo simples do célebre Príncipe dos Pregadores, no cemitério de Norwood, testifica da verdadeira grandeza da sua vida. Ali estão gravadas estas humildes palavras:

Aqui jaz o corpo de
CHARLES HADON SPURGEON
esperando o aparecimento do seu
Senhor e Salvador
JESUS CRISTO

DEVOCIONAL - 06 DE AGOSTO DE 2018

Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. (Ct 4.16)

Observe um momento o significado deste pedido. Sua raiz se encontra no fato seguinte: como numa árvore aromática pode achar-se latente um delicado perfume, assim no coração de um crente podem achar-se, armazenadas e sem desenvolvimento, certas graças. Há muitas "plantas" só de nome, pois delas não se desprendem aromas de sentimentos santos ou de atos piedosos. O mesmo vento sopra tanto no cardo como na planta aromática, mas só uma delas espalha doces perfumes.

Às vezes, Deus envia severas rajadas de provação sobre Seus filhos, para desenvolver as graças que estão neles. Assim como as tochas brilham mais quando agitadas de um lado para outro; assim como o zimbro desprende mais doce perfume quando é atirado nas chamas, também muitas vezes as qualidades mais ricas de um crente só aparecem sob o vento norte do sofrimento e da adversidade. Muitas vezes são os corações moídos que desprendem o aroma que Deus gosta de sentir.

"Desperta, vento norte”, sim, desperta,
“E vem tu, vento sul”, ó vem e sopra.
“Sopra no meu jardim", (Pai, que assim seja)
"Para que se derramem seus aromas."

Orei. E o coração, em dias jovens,
Tremia emocionado, enquanto orava.
Tora real, porém, esta oração
E movida de Deus, eu vejo agora.

Algum tempo passou — um tempo curto —
E o vento sul soprou! Rajadas frias!

E o vento norte! Tempestuoso e forte!
E deram no jardim. Deram com força.
E as árvores, bem novas, e os arbustos,
Tremeram, sacudidos até às raízes.

Mas eram planta dEle, do Senhor,
Plantação genuína; e o Seu amor
Emanou dos arbustos, e das flores,
E de todo o arvoredo, num perfume
Que tudo foi enchendo, e se espalhando,
E da graça de Deus testificando...

Olhando para trás, hoje, eu bendigo
O santo Lavrador e meu Senhor,
Por me ter dado cedo a conhecer
Seu conforto na dor, e Seu poder
De fazer de um jardim (jardim que é Seu)
Açoitado por vento tempestuoso,
Manancial de fragrância, paz e gozo!