Pesquisar este blog

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Daniel servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? (Dn 6.20)

DEUS VIVO. Quantas vezes encontramos esta expressão na Escritura! E, no entanto, é justamente o que perdemos tão facilmente de vista. Sabemos que está escrito: Deus vivo, mas em nosso viver diário parece que nada perdemos de vista tão depressa como o fato de que Deus é o Deus vivo; é agora o mesmo que era há três ou quatro mil anos; tem para com os que O amam e servem o mesmo poder soberano, o mesmo amor salvador, que teve também no passado; e fará agora pelos Seus o que já fez há dois, três ou quatro mil anos — simplesmente porque é o Deus vivo, Aquele que não muda. Oh, como devemos confiar nEle, e em nossos momentos mais sombrios, nunca perder de vista que Ele ainda é e sempre será o Deus vivo!
Se andamos com Ele, olhamos para Ele e dEle esperamos socorro, podemos estar certos de que Ele nunca nos desamparará. Sou um velho irmão, que conheço o Senhor há quarenta e quatro anos, e digo, para seu encorajamento, que Deus nunca falhou para comigo. Nas maiores dificuldades, nas provas mais difíceis, na maior pobreza e necessidade, Ele nunca me falhou. Por Sua graça aprendi a confiar nEle, e Ele tem sempre vindo em meu socorro. Tenho prazer em falar bem do Seu nome. — Jorge Müller
Lutero, certa vez, num momento de perigo e temor em que tinha necessidade de força espiritual, foi visto absorto, escrevendo com o dedo na mesa: "Vivit! Vivit!" (Ele vive! Ele vive!) Essa é a nossa esperança — para nós mesmos, para a Sua verdade e para a humanidade! Os homens vêm e vão. Líderes, mestres, pensadores falam e trabalham por um tempo e então caem, sem voz e sem força. Ele permanece. Eles morrem, mas Ele vive. Eles são luzes acendidas, e, portanto, mais cedo ou mais tarde, se apagam. Ele É a verdadeira luz, da qual os outros obtêm o seu brilho: Ele brilha para sempre! — Alexander Maclaren
"Um dia vim a conhecer o Dr. John D. Adams," escreveu o servo de Deus C. G. Trumbull, "e fiquei sabendo que, o que ele considerava a sua maior posse era a permanente consciência da presença do Senhor Jesus. Dizia que nada lhe dava maior segurança do que a consciência de que o Senhor estava sempre com ele em presença real. Dizia que isto não dependia de seus sentimentos ou emoções, nem de seus merecimentos ou de suas próprias ideias sobre como o Senhor manifestaria a Sua presença.
"Dizia ainda que Cristo era o lar dos seus pensamentos. Toda vez que sua mente estava livre de outros assuntos, voltava-se para Cristo; e ele falava em voz alta com Cristo quando estava só — na rua, em qualquer outro lugar — tão fácil e naturalmente como com um amigo qualquer. Tão real era para ele a presença de Jesus."

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

AURIMAR REIS CORATTI

É com pesar que nos despedimos da irmã em Cristo e colega de trabalho Aurimar Reis Coratti. O conforto está em nosso Deus e Pai, na graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e nas doces consolações do Espírito Santo de Deus. Sabemos que a Aurimar já está no seio de Abraão, esperando a ressurreição para a vida eterna com o Senhor.

Descanse em paz!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Em todas estas coisas, porém, somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou. (Rm 8.37)

Temos mais do que vitória. Nosso triunfo é completo. Não somente escapamos da derrota, mas também destruímos os nossos inimigos e ganhamos um despojo tão valioso que podemos agradecer a Deus pela batalha.
Como nos tornamos "mais do que vencedores? Adquirindo durante o conflito uma disciplina que fortalecerá muito a nossa fé e consolidará o nosso caráter espiritual. A tentação é necessária para nos firmar e confirmar na vida espiritual. É como o fogo para as cores de uma pintura em porcelana, ou como os ventos, que ao baterem de encontro aos cedros, mais os levam a fixar-se no solo.
Nossos conflitos espirituais devem ser contados entre as mais preciosas bênçãos, e o grande adversário é usado para nos treinar para a sua própria derrota. Segundo uma lenda dos antigos frígios, toda vez que eles venciam um inimigo, o vencedor absorvia o vigor físico de sua vítima, e isso era acrescentado à sua força e valor.
De semelhante modo, a tentação enfrentada vitoriosamente redobra-nos a força e as reservas espirituais. Podemos, assim, não apenas derrotar o inimigo, como também capturá-lo e fazê-lo combater em nossas fileiras. O profeta Isaías fala em voar sobre os ombros dos filisteus (Is 11.14). Os filisteus eram inimigos mortais dos israelitas, mas a figura sugere que os judeus seriam capacitados não somente a conquistar os adversários, como também a usá-los para carregar nos ombros os vencedores, para outras vitórias. Assim como o marinheiro sábio usa o vendaval para avançar, manobrando e aproveitando o seu impulso, assim também nos é possível na vida espiritual, pela graça de Deus, tirar proveito de fatos e circunstâncias que parecem ser os mais desagradáveis e adversos. Assim podemos dizer continuamente: "As coisas que me aconteceram têm antes contribuído para o progresso do evangelho." — Life More Abundantly
"Os navegantes antigos imaginavam que os pequenos insetos construtores dos recifes de coral haviam instintivamente construído os grandes círculos das Ilhas Atol para se protegerem em seu interior." Um renomado cientista refutou essa crença, mostrando que o inseto só pode viver e prosperar, enfrentando o oceano aberto — nas bem arejadas espumas de suas ondas poderosas.
Assim, tem-se pensado comumente que comodidade e segurança são as condições mais favoráveis de vida; no entanto, todos os homens nobres e fortes provam, ao contrário, que a resistência nas adversidades é que molda os homens de caráter, e distingue uma mera existência de uma vida vigorosa. As dificuldades formam caráteres. — Selecionado
"Mas graças a Deus que sempre nos conduz em triunfo no Ungido, e manifesta por meio de nós a fragrância do conhecimento dele, em todo lugar." (2 Co 2.14 — tradução literal)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

DEVOCIONAL - 11 de janeiro de 2018

Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. (Is 40.1)

Irmão, armazenemos reservas de consolação. Consolar era a missão do profeta.

O mundo está cheio de corações necessitados de consolo, mas para estarmos capacitados para esse ministério, precisamos antes ser preparados.
A preparação custa um alto preço, pois, se queremos de fato trazer alívio às pessoas, nós também precisamos passar pelas dores que estão provocando sofrimento e lágrimas em tantos corações nos dias de hoje. Assim, a nossa própria vida se tornará a escola onde vamos aprender a arte divina de consolar. Somos feridos, para aprender, pelo modo como o Grande Médico nos liga as feridas, a dar os primeiros socorros aos feridos, em toda parte.
Geralmente não conseguimos entender o motivo de passarmos por certos sofrimentos. No entanto, se deixarmos passar o tempo, mais tarde encontraremos muitos outros, com as mesmas aflições que agora temos. Então poderemos contar-lhes como sofremos e fomos consolados. Enquanto o fazemos, aplicamos nos aflitos o bálsamo que uma vez Deus aplicou em nossa vida. Assim compreenderemos, no olhar faminto e no raio de esperança que afastará dessas pessoas a sombra do desespero, por que fomos um dia afligidos. Então bendiremos a Deus pela disciplina que nos trouxe aquela reserva de experiência e de aptidão para socorrer.

Quando estive enfermo, certa vez, prostrado,
Aprendi, do modo como fui tratado,
Como pensar chagas,
Como ter cuidado
Com o membro dorido,
Com o membro pisado.
Na dor que sofri,
Sofrendo aprendi.
Quando pela angústia, certa vez, rasgado,
Aprendi, do modo em que fui consolado,
A levar consolo,
Ministrar cuidado,
Ao que tem sofrido,
Ao que está cansado.
Na dor que sofri,
De Deus aprendi.
 
 

sábado, 6 de janeiro de 2018

BOI VOADOR

Os noviços são sempre noviços. Tinham dado a Tomás de Aquino a alcunha de “o boi mudo da Sicília”. (...) Pregavam-lhe peças, brincando com a sua calma imperturbável e a sua confiança imediata. 
Só uma vez ele respondeu. 
Tinham gritado à sua janela: “Frei Tomás! Frei Tomás! Venha ver depressa ... um boi a voar !”.
De bom coração, ele veio à janela, para ser recebido à gargalhada. 
“Acreditou! Acreditou! Palerma! Palerma!”. 
E Tomás disse imperturbável: 
“Prefiro acreditar que um boi pode voar do que um companheiro possa mentir”. 
E o riso acabou.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Amor pela Palavra

Como cresci numa família cristã, costumava ir à igreja regularmente onde conheci as histórias da Bíblia como a de Davi e Golias, e de Daniel na cova dos leões. Mas foi somente quando entreguei minha vida a Jesus (Yeshua), aos 21 anos de idade, que percebi que ainda não havia lido a maior parte da Bíblia por conta própria. Não tinha visto a relevância ou importância de ler muito do Velho Testamento. Depois de ser batizado no Espírito Santo, de repente, senti uma profunda fome por ler e conhecer toda a palavra de Deus. Li a Bíblia, de capa a capa, em cinco meses. Ler sobre Daniel na cova dos leões pela primeira vez sozinho (sem a ajuda dos desenhos ilustrativos!) foi emocionante. Houve vezes em que não conseguia parar de ler. Desde então, separo um tempo todos os dias para meditar na palavra de Deus e já li de Gênesis a Apocalipse inúmeras vezes.

Analfabetismo Bíblico

Por que isso é importante? À medida em que nossa equipe interage com cristãos e viaja ao redor do mundo para ensinar e pregar a palavra de Deus, ficamos surpresos pelo nível de analfabetismo bíblico de muitos cristãos hoje. Mais de uma vez, ouvi um pastor encorajar sua congregação a gastar cinco minutos por dia na palavra de Deus, porque ele sabe que a maioria não está fazendo nem isso.

Um dos temas mais enfatizados nas Escrituras a respeito do fim dos tempos é o engano (Mt 24.4-5, 23-25; 2 Ts 2.7-12). Amós 8.11 nos diz que, nos últimos dias, haverá uma fome global de ouvir as palavras do Senhor – viver na “Era da Informação” parece ter-nos tornado ocupados e distraídos demais para focar na sua palavra diariamente, embora esteja disponível a nós nas formas mais variadas (digital, áudio, etc.) que nossos antepassados sequer podiam imaginar. Além disso, estamos testemunhando a Bíblia sendo abolida na vida pública em muitas nações ocidentais hoje. Muitos cristãos hoje não estão cultivando um estilo de vida de leitura constante da palavra de Deus, e isso será uma das causas de muitos serem enganados e se apostatarem da fé (2 Ts 2.3).

Dentre os que ainda estão lendo a Bíblia, o objetivo geralmente é mais para adquirir conhecimento mental do que ser movido pelo diálogo de amor com o Espírito Santo que conduz a uma intimidade mais profunda. Ou, então, é por escolha aleatória – ler a página em que abrirem a Bíblia naquele dia – e não de forma sistemática. Alguns leem apenas a Nova Aliança, o que os impede de enxergar a profunda interligação de toda a linha histórica que vai crescendo de Gênesis a Apocalipse.

Compartilhe o que você ama

Estamos vivendo num tempo em que o amor pela palavra de Deus precisa ser adquirido e passado adiante para a próxima geração. Se não fizermos isso, seremos levados por todo vento de doutrina falsa. A história está se movendo num único sentido, em direção ao retorno de Yeshua e ao estabelecimento do seu reino. Há apenas um manual que nos mostrará como participar com o Rei e atravessar os dias de tribulação e glória que estão diante de nós. Que possamos nos comprometer novamente a ser um povo que conhece, ama e obedece a toda a palavra de Deus.

Cody Archer

Nós Profetizamos em Parte

Buscamos ter um equilíbrio bíblico sobre as questões relativas aos dons apostólicos e proféticos na Igreja hoje. Uma das chaves para encontrar esse equilíbrio é a frase: “em parte profetizamos”.

I Coríntios 13.9 – “porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos”

Amar é o maior mandamento. À medida que continuamos a amar, nosso amor torna-se mais amadurecido. Nessa experiência de maturidade, ganhamos mais paciência e humildade. Quanto mais sabemos, mais percebemos o quanto não sabemos. Reconhecemos o fato de que outros saberão e verão coisas que não enxergamos. Essa atitude preserva a unidade e evita o espírito de divisão.

A frase “em parte profetizamos” pode ser entendida de duas formas. Para aqueles que não creem na validade atual do dom de profecia, ou que dizem que a profecia precisa ser perfeita, ou então é totalmente falsa, podemos ver que a profecia na Nova Aliança envolve um nível de interpretação e entendimento que é apenas parcial por sua própria natureza. Nós “vemos como por um espelho, em enigma” (I Coríntios 13.12).

No entanto, nós realmente profetizamos. Qualquer pessoa que nasceu de novo e está cheia do Espírito Santo pode potencialmente compartilhar revelação profética (I Coríntios 14.5, 6, 24, 31, 32, 39). Só porque a profecia é apenas parcial não significa que não seja verdadeira. É por isso que somos instruídos a “provar” as profecias e “reter o que é bom” (I Ts 5.21). Se tudo o que é profético fosse perfeito e completo, não haveria necessidade de “reter” o que é bom e rejeitar o que não é.

Na Nova Aliança, depois que uma pessoa se arrepende e crê em Yeshua, seu espírito pode nascer de novo. O Espírito de Deus pode dar testemunho ao espírito do homem (Romanos 8.16) através da consciência humana (Romanos 9.1). Através do espírito humano e da consciência humana, pensamentos gerados por Deus podem vir à mente humana (Romanos 8.6; Isaías 55.8-9).

Esta é a experiência normativa da profecia na Nova Aliança: os pensamentos de Deus vêm através do Espírito de Deus para o nosso espírito através da nossa consciência, trazendo os pensamentos de Deus para dentro dos nossos. Quando transmitimos esses “pensamentos de Deus” aos outros, isso é considerado profecia ou sabedoria divina.

Por outro lado, aqueles de nós que acreditam na profecia muitas vezes precisam “diminuir o tom” da nossa linguagem. Não devemos falar em termos ABSOLUTOS, porque, afinal, apenas profetizamos em parte e conhecemos em parte. A profecia da Nova Aliança não é tanto uma ordem direta e exterior de Deus, mas um entendimento interior da vontade de Deus através de palavras e imagens, inspirado por Deus em nossos corações.

Portanto, devemos falar com linguagem, postura, tom de voz, volume e “linguagem corporal” mais humildes. A forma como profetizamos mostra que sabemos que a própria profecia que estamos entregando é, por definição, apenas “parcial”?


Aqui está o equilíbrio: Os “não carismáticos” precisam reconhecer que os crentes na Nova Aliança podem realmente profetizar e que as Escrituras em nenhum lugar ensinam que esse dom cessaria antes do retorno de Yeshua. Os “carismáticos” precisam reconhecer que o que estão profetizando é apenas parcial. E, finalmente, um recado a todos nós em qualquer tipo de argumento teológico: seja o que for que achamos que sabemos, nós só o conhecemos parcialmente. Vamos dar espaço para nos humilharmos e aprendermos com os outros.

Asher Intrater


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Religiões Comparadas: o Budismo


O budismo é uma religião de abrangência e importância mundial. Está presente em todos continentes, com evidente predominância na Ásia, a ponto de ser designado como a “Luz da Ásia”. Já foi a religião oficial da Índia – pátria mãe do budismo – durante o século III a.C., onde praticamente desapareceu.
É importante destacar que embora o budismo possua profunda característica religiosa nos dias atuais, é um movimento “sem deus ou deuses”, o que faz muitos budistas afirmarem que se trata apenas de uma filosofia de vida ou então um simples caminho de crescimento espiritual, através dos ensinos deixados por Buda.

Sidharta Gautama – ou Gautama Buda – o fundador do budismo, não acreditava em deuses, o que fez da literatura monástica budista um movimento onde o conceito de divindade seja insignificante ou até mesmo nulo.

Interessante é notar que com o tempo o próprio Gautama foi endeusado por seus seguidores, a ponto de ser visto, sejam em templos ou nas casas de seus seguidores, estátuas que simbolizam Buda, sejam estas minúsculas ou colossais que remetem os budistas à idolatria e adoração ao fundador deste sistema de crença/filosofia.

SIDHARTA GAUTAMA

A origem do budismo está totalmente ligada à vida de Sidharta Gautama. Este homem nasceu em torno de 563 a.C. vivendo até 483 a.C.. Ele nasceu na região noroeste da Índia, nas planícies de Lumbini, que hoje pertence ao Nepal, ao sul deste país.

As histórias a respeito do budismo – segundo a tradição – apontam Gautama como um príncipe que teve a vida severamente protegida por seu pai, chamado Sudodana, um importante governante/nobre.

Aos 16 anos Gautama já era dono de três palácios, o que evidencia sua vida aristocrática. Aos 19 anos casou-se.

A GRANDE RENÚNCIA

Com aproximadamente 29 anos de idade, Gautama decide conhecer o mundo que se encontrava além das muralhas que o cercava. Ele pode contemplar quatro cenas até então desconhecidas: ele se deparou com um ancião, em seguida com um doente, um defunto e um asceta, cada um em determinado momento. Tais encontros o levaram a um profundo período de reflexões sobre o real sentido da vida, até que decidiu abandonar sua vida de conforto e luxo, bem como sua família, para então integrar um grupo de monges.

Vale lembrar que a expressão Buda não corresponde a um nome próprio, mas a um título aplicado a Gautama. Buda significa Iluminado, Sábio, O Bem Aventurado.

Este título foi aplicado a Gautama devido a sua insatisfação com a vida material que o levou a abandonar todo mundo que o rodeava, fato este conhecido por “A Grande Renúncia”.

Ao abandonar tudo, Gautama se tornou um asceta errante à procura de iluminação. Conta a tradição budista que após 6 ou 7 anos de peregrinações, Gautama encontrou o chamado “Verdadeiro Caminho” após profunda meditação abaixo de uma figueira designada por árvore bodhi (Árvore da Sabedoria) onde Gautama Buda atingiu o Nirvana e a partir deste instante desenvolveu todo corpo doutrinário do budismo. Não vamos nos ater aos ensinos budistas propriamente ditos neste momento, mas sim ao aspecto histórico.

EXPANSÃO

Após a morte de Gautama, o budismo avançou pela Índia e enviou missionários para diversos países asiáticos. É justamente no continente asiático que o budismo concentra o maior número de praticantes.

No ocidente consta o registro da construção do primeiro templo budista nos Estados Unidos, no ano de 1898 na cidade de São Francisco. Em 1906 é fundada na Inglaterra a Sociedade Budista da Inglaterra. Na França, no ano de 1929 foi fundada a Sociedade dos Amigos dos Budistas. No Brasil o budismo chegou na década de 20.

O NIRVANA


Sidharta Gautama atingiu o Nirvana após profunda meditação. Este estado onde Gautama adentrou o levou a profunda compreensão da realidade, que é mais que transitória, ou seja, é uma realidade absoluta além do tempo e espaço. Neste estado, Gautama pode dominar seu desejo de viver, e isso não mais o prenderia à matéria. O benefício que Gautama descobriu foi que não haveria mais necessidades de retornar ao corpo material em novas encarnações: o ciclo de reencarnações estaria encerrado.

Gautama descobriu que o caminho ficou aberto para que ele pudesse abandonar o mundo e atingir o Nirvana Final. O Nirvana Final é como um eterno apagar de luzes. No seu entendimento, a alma não é eterna. Sendo assim, a alma, após sofrer inúmeras reencarnações se tornaria como o fogo de uma lamparina, que se passa de uma para outra, até finalmente extinguir-se. O Nirvana Final não é um estado de gozo e alegria eterna, mas sim um triste fim de inúmeros ciclos de vida que não levaram a lugar algum. É simplesmente, no entendimento budista, o fim da reencarnação.

ENSINOS: BASE DOUTRINÁRIA

Após a iluminação, Gautama (a partir de agora “Buda”) fez seu primeiro sermão, conhecido como Sermão de Benares, pois foi feito na localidade de Benares, atual Varanasi, cidade ao norte da Índia. Este sermão é conhecido como As 4 nobres verdades.

As 4 nobres verdades sobre o sofrimento:

1) A verdade santa sobre o sofrimento:

Tudo no mundo é sofrimento. Nascer, envelhecer, morrer, estar unido às coisas que não trazem satisfação, separar de coisas agradáveis, não conseguir aquilo que queremos. Tudo isso corresponde a sofrimento intenso. Para o Budismo, como tudo é passageiro, a vida é marcada pelo sofrimento.

2) A causa do sofrimento:

Buda afirma que todo sofrimento humano tem como causa comum o desejo. Como o desejo pelas coisas acarreta obstinação, o homem nunca conseguirá saciar por completo seus desejos, e isso produz sofrimento.

3) A suspensão; a cura do sofrimento:

Para encerrar o sofrimento, os desejos devem ser dominados. Após dominar o desejo, o estopim do Nirvana é aceso. O homem precisa enfrentar sua ignorância para se libertar dos desejos. A ignorância produz desejo, o desejo produz atividade, a atividade traz renascimento e este produz mais ignorância. Vencer a ignorância rompe o círculo vicioso.

4) O caminho para cura do sofrimento:

Para Buda, a cura para o sofrimento e libertação dos ciclos de renascimento é possível ao seguir-se o Caminho das Oito Vias, ou Nobre Caminho Óctuplo, este pode ser resumido assim:

Nobre Caminho Óctuplo

1. Crença justa ou livre de superstição e de engano;

2. Resolução justa, não causando dano a nenhum ser vivo;

3. Palavra justa, bondosa, franca e verdadeira;

4. Ato justo, honesto, pacífico e puro;

5. Visão justa, elevada e digna de um homem inteligente e sincero;

6. Esforço justo, para desenvolvimento e domínio próprio;

7. Pensamento justo, ativo e vigilante;

8. Meditação justa, profunda sobre a realidade da vida.

ADEPTOS NO MUNDO

O budismo é uma religião de abrangência mundial, com predominância em países asiáticos como China, Mongólia, Mianmar, Tailândia, Camboja, Nepal e Japão.

Estima-se que cerca de 5,9% da população mundial (algo em torno de 380 milhões de pessoas) confessem o credo Budista. No Brasil existe a estimativa de que 0,15% da população (cerca de 280 mil pessoas) sejam budistas.

ESCOLAS BUDISTAS

O budismo possui divisões que são chamadas de “Escolas”, conforme a doutrina seguida. Originalmente o budismo era formado por cerca de 18 escolas. Com o passar dos anos muitas destas escolas deixaram de existir ou foram absorvidas pelos movimentos hoje existentes. Os demais grupos ou partidos que confessam variações do budismo são frutos destas correntes principais, a Maaiana e Teravada.

BUDISMO MAAIANA (OU MAHAYANA)

A Escola Maaiana teve origem em 185 a.C., sendo designada como “Escola Maior”, “Veículo Maior” ou “Caminho de Muitos”. Em contraste com a Teravada (Escola mais tradicional), a Maaiana é um segmento budista mais liberal. Sua presença é marcante nos países do norte asiático, como Coréia, Japão, China, Tibet, Nepal, Indonésia e Vietnã.

Para os Maaianas, Buda é considerado um ser divino, pois acreditam que ele optou em abdicar do Nirvana Final para ficar por mais tempo na Terra ensinando os sofredores. Para esta Escola, o amor e compaixão são considerados fundamentais, sendo assim, para os Maaianas, aquelas pessoas que buscam a iluminação (no campo pessoal/individual), são considerados seres egoístas.

Esta Escola possui características particulares que a levou a posição de destaque em relação à Teravada. Isso se dá por sua capacidade de adaptação cultural, às questões do cotidiano, à compaixão e amor e ao sincretismo religioso. A Maaiana é contrária e rejeita o asceticismo extremo dos Teravadas, crendo que toda e qualquer pessoa, mesmo sendo leiga, possa alcançar a iluminação.

ESCOLA TERAVADA (OU THERAVADA / HINAYANA)

A palavra Hinayana significa “Pequeno Veículo”, em contraste com a Escola vista anteriormente. É a segunda grande divisão do budismo, prevalecendo ao sul asiático, em países como Sri Lanka, Mianmar, Tailândia, Laos e Camboja. É considerado o lado mais conservador do budismo, cuja expansão significativa ocorreu em torno do século III a.C.

Diferente dos Maaianas, os Teravadas crêem que leigos não podem atingir a iluminação, sendo assim, apenas os monges podem alcançar este objetivo final. A dádiva maior para um leigo é poder reencarnar como um monge numa futura existência.

O asceticismo é marca desta corrente. No entanto vale a ressalva que ambas as Escolas prestam grande reverência a pessoa de Buda (Sidharta Gautama).

DEMAIS GRUPOS BUDISTAS

O budismo possui outras facções que surgiram ao longo da história, como por exemplo, o budismo Nichiren-Shoshu, Soka Gakkai e o Zen-Budismo.

ZEN-BUDISMO

É muito comum nos dias de hoje ouvirmos a expressão “Zen”. Quando uma pessoa está ou é quieta e pensativa, logo surge alguém para rotulá-la como alguém Zen. De onde vem tal costume?

Os grande pioneiros do Zen-Budismo no Japão foram Eisai, que fundou a seita Rinzai em torno de 1191 e Dogen, que fundou a seita Soto em 1227.

O vocábulo Zen significa algo como “meditação”. O Zen-Budismo tem sido propagado de forma crescente no ocidente, desde sua chegada entre o entre os séculos XIX e XX através de D.T. Suzuki.

O Zen é uma mistura eclética de várias correntes. Possui, por exemplo, a característica Maaiana de que todas as pessoas podem ser iluminadas. Possuí também traços do panteísmo, crendo que o cosmos é “um no todo”. A ioga é prática comum para os zen-budistas.

Não existe concepção do divino para o Zen. Os praticantes devem se submeter a intenso esforço próprio, meditação e muito treinamento em direção à iluminação.

Assim como tem acontecido com os fenômenos espiritualistas do Movimento Nova Era, o ingresso de tantas pessoas nas Escolas Budistas se dá pela combinação de frustração com o materialismo e o fascínio pela espiritualidade oriental.

PARALELOS E PERPENDICULARES

Algumas escolas e faculdades teológicas trazem em sua grade curricular uma disciplina chamada “Religiões Comparadas”. Faremos exatamente isso aqui: comparar aquilo que cremos e praticamos em matéria de fé (cristianismo) com o budismo. Focamos até o momento os estudos no aspecto histórico do budismo. Agora faremos a comparação com o Cristianismo.

TENTATIVAS DE TRAÇAR PARALELO

É um fato que os ecumênicos de plantão sempre farão esforço para traçar paralelo forçado entre as religiões e crenças. Por mais que os propósitos e crenças sejam totalmente incompatíveis, haverá sempre alguém disposto a gritar com toda força que todos os caminhos levam a Deus, ou que todas as religiões são boas, ou que somos todos filhos do mesmo Pai. Os que tentam fazer paralelo entre cristianismo e budismo, normalmente trabalham no seguinte eixo, comparando Jesus Cristo com Buda:

a) os discursos: ambos se levantaram na sociedade de sua época e seu povo, em dado momento, para trazer seus ensinos iluminados, formando assim discípulos e tornando-se grandes mestres e exemplos para posteridade;

b) ensinos espirituais: ambos buscam levar o homem ao desprendimento material e a voltar-se para o lado espiritual. A busca desenfreada pelos prazeres materiais leva a frustração;

c) o amor: dentro do cristianismo o amor é fundamental. O ensinamento de Jesus (segundo grande mandamento) é que os seus devem amar o próximo como a si mesmo; amar os inimigos é um ensino moral do Cristianismo. Para os budistas, principalmente da Escola Maaiana, o amor e compaixão são dois alvos, duas virtudes, dois objetivos a se alcançar. O budista que vive uma vida regrada nos ensinos de Buda procura uma vida correta e amorosa.

A REALIDADE PERPENDICULAR

Apesar das grandes tentativas de harmonizar Jesus com Buda, a mistura não é possível. É água e óleo.

Embora os princípios de boa moral, vida regrada, amor ao próximo e misericórdia estarem presentes no budismo e no cristianismo, cada caminho é um caminho, cada qual ensina pontos fundamentais distintos e não é possível transitar em duas estradas ao mesmo tempo. A fé cristã é completamente divergente do que se apregoa no budismo.

É preciso traçar um comparativo doutrinário para, de forma resumida e eficaz, verificar se a base doutrinária cristã – Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, Bíblia e Salvação – é a mesma base doutrinária do budismo. Vejamos se há compatibilidade (para informação adicional, leia os ensaios “O exclusivismo cristão”, “Pluralismo Religioso”): 

Quadro Comparativo Doutrinário: Budismo e Cristianismo


Foco
Budismo
Cristianismo
Deus
No Budismo existem dois entendimentos sobre Deus; ou Ele é ignorado, pois não pode interferir na vida das pessoas; ou Deus é tudo e tudo é Deus (panteísmo). Apesar de não glorificarem a Deus, Buda foi “endeusado” por seus seguidores.
Deus é soberano, é o Todo-poderoso, Pai bondoso. É o único Deus e Se revela e Se relaciona com os que O buscam – Gn 1.1; Êx 3.14; Sl 47.2,7,8; 139; Is 40.12-18; 43.11; 44.6; 1Jo 4.8.
Jesus
Jesus foi um grande mestre, professor puro da mais alta moral, uma reencarnação de um buda. Alguns creem que Ele peregrinou até o Tibet e Índia.
Jesus Cristo é Deus Filho, a segunda pessoa da Trindade – Is 9.6; Mt 1.23; Jo 1.1; 10.30; 14.9; 20.28; Rm 9.5; 2Co 4.4; 1Ts 2.3; Cl 1.15; 2.9; Fp 2.5-7; 1Jo 5.20.
Espírito Santo
Não possui nada formulado ou entendido sobre o Espírito Santo.
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade Divina – Sl 139.7-12; 143.10; Jo 16.7-14; At 5.3-4; 10.19-20; 2Co 3.17; Ef 4.30; 1Ts 5.19.
Bíblia
Despreza a Bíblia como Palavra de Deus; seus ensinos estão estruturados num conjunto de três obras literárias chamadas de Triptaka.
A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus inspirada – Sl 19.7-10,119; Jo 17.17; 1Tm 4.9; 2Tm 3.16; Hb 4.12-13; 2Pe 1.20-21.
Salvação
Não existe vida eterna com Deus; não há alegria ou gozo eterno, apenas o encerrar das reencarnações e o “apagar de luzes” do Nirvana Final.
Salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo. A morte reserva a vida eterna ao lado de Deus. A crença está em torno da ressurreição dos mortos, não existindo possibilidade de reencarnação – Jo 3.16; 14.6; At 14.12;Rm 3.23-26; 10.9-10; Gl 2.16; Ef 2.8-9; Tt 3.4-5.


 CONCLUINDO

Por mais nobre que sejam as motivações, não há como tentar conciliar a prática budista com a fé cristã. As cosmovisões são opostas, completamente divergentes.

Concordo com a afirmação incisiva de Josh McDowell:

    Há divergências radicais entre o budismo e o cristianismo que tornam impossível qualquer tentativa de reconciliação entre as duas crenças.[1]

Como vimos, o entendimento sobre os pilares elementares do cristianismo é muito avesso no budismo; apesar do segundo ensinar muitas coisas nobres, diverge significativamente do primeiro.

O cristianismo é uma fé baseada em Jesus Cristo exclusivamente, e como Ele afirmou ser o único caminho e único mediador (Jo 14.6; 1Tm 2.15), pela fé e pela razão, confiamos nossas vidas apenas em Jesus Cristo


NOTAS


[1] MCDOWELL, Josh. Respostas convincentes. São Paulo: Editora Hagnos, 2006. p.312

domingo, 31 de dezembro de 2017

Reconhecimento de Jerusalém por Trump


O Presidente norte americano Donald Trump reconheceu o que tem sido realidade há décadas: Jerusalém é a capital de Israel. Ele declarou sua intenção de reverter décadas de hesitação presidencial norte-americana naquilo que o Congresso decidiu com grande maioria  em 1995 – mudar a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém.

A reação mundial variou entre empolgação, desapontamento e incitamento. Alguns afirmam que é profético, enquanto outros dizem que é catastrófico. Aqui vão 7 pontos para nos ajudar a pensar e orar:

1- Israel declarou em 1950 que Jerusalém era a sua capital. No entanto, desde então, somente duas nações concordaram em reconhecer esse fato, e ainda sim mudaram suas embaixadas de volta para Tel Aviv. Imagine se praticamente todas as nações do mundo se recusassem a reconhecer Washington DC como a capital dos EUA; ou Pequim como a capital chinesa; ou Paris como a capital francesa. Haveria alguma coisa “normal” em pedir a essas nações para funcionarem sob tais circunstâncias? Mas é isso o que o mundo tem exigido de Israel.

2- O Hamas e outros grupos terroristas estão dizendo que as ações de Trump em relação a Jerusalém são uma “atrocidade”. Eles estão convocando uma nova intifada. Entretanto eles nunca têm nada a dizer sobre Assad usando armas químicas, ISIS assassinando muçulmanos e cristãos, 500.000 mortos na Síria, 10 milhões de refugiados, o tratamento à mulher no mundo árabe, etc. Existem atrocidades reais no Oriente Médio que causam enfurecimento – mas essa não é uma delas. 

3- Deus predisse (ou previu) há milhares de anos que a cidade de Jerusalém seria a cidade mais controversa do mundo. Salmos 2 fala sobre as nações se enfurecendo contra Deus. A resposta de Deus é: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião.” Zacarias 12.2-3 diz que no fim dos tempos Jerusalém será um “cálice de tontear, uma rocha inabalável” para as nações ao redor, “ferindo a si mesmas” por causa da sua posição contra Jerusalém e contra o Deus de Israel. 

4- A despeito de toda a revolta, as pessoas parecem esquecer que em toda a história, Jerusalém teve pouca importância para o mundo árabe-muçulmano. Nunca foi a capital de qualquer nação árabe; foi somente quando os judeus começaram a retornar para Israel que esse falso zelo por Jerusalém foi concebido no mundo muçulmano. Os Otomanos Islâmicos controlaram Jerusalém por 400 anos e a deixaram totalmente abandonada e desolada.

5- Por outro lado, Deus escolheu Jerusalém para ser o lugar onde sua casa seria edificada e tem sido a capital da nação judaica desde o Rei Davi, há mais de 3.000 anos. Jerusalém (ou Sião) é mencionada aproximadamente 1.000 vezes no Antigo Testamento e ZERO vezes no Alcorão.

6- A geografia dos relatos dos Evangelhos é totalmente centrada em Israel e os dias finais de Yeshua – sua morte, sua ressurreição e o nascimento da congregação primitiva da igreja – aconteceram em Jerusalém. Maomé nunca visitou Jerusalém; existe apenas uma vaga menção de uma única visita à noite em um sonho para al-Masjidal-Aqsa, que os muçulmanos afirmam ser Jerusalém. (Alcorão 17.1)

7- Os líderes mundiais (na sua maioria de esquerda) estão com medo de que a declaração dos EUA venha prejudicar seriamente o processo de paz. QUE PROCESSO DE PAZ!?!? Os palestinos estão formando um governo de unidade com os terroristas do Hamas. Eles não vão reconhecer Israel como um estado judaico. Eles ensinam seus filhos a odiarem judeus. Eles colocam nomes de terroristas nas praças, ruas e escolas de suas cidades. Nomes de terroristas que explodiram mulheres e crianças judias inocentes. Você não pode prejudicar algo que não existe. Por quase 70 anos, as nações do mundo acreditaram que NÃO reconhecer Jerusalém como a capital israelense iria de alguma forma promover a paz. Não promoveu! Como o presidente disse, se você quer atingir resultados diferentes, precisa tentar algo novo. Parabéns ao Trump por ter tido a coragem de acreditar que abraçar a realidade de Jerusalém como a capital de Israel pode ser uma chave para trazer algum tipo de paz para israelenses e palestinos. Vamos orar para que isso aconteça; e que possamos ver cada vez mais judeus e muçulmanos se voltando para Yeshua!


sábado, 30 de dezembro de 2017

DEVOCIONAL - 31 DE DEZEMBRO DE 2017

Até aqui nos ajudou o Senhor. (1 Sm 7.12)

A expressão: "Até aqui" parece-nos um marco referente ao passado. Cinquenta, setenta anos se passaram, e "até aqui nos ajudou o Senhor!" Por meio de pobreza e riqueza, doença e saúde, em casa ou fora, em terra ou mar, em honra ou desonra, em oração ou tentação — "até aqui nos ajudou o Senhor"!

É agradável olhar para trás contemplando uma longa alameda de árvores. É bonito vê-las erguendo-se como colunas de um templo, fechando a abóbada com seu arco de ramos. Da mesma forma, contemple as alamedas de seus anos passados e veja-os cobertos pelos ramos verdes da misericórdia de Deus, e os troncos, como os fortes pilares da Sua fidelidade e amor que sustentam as suas alegrias.

Não há aves cantando nas ramagens? Certo que haverá muitas, e todas elas cantam a misericórdia recebida "até aqui".

Mas esta expressão aponta também para diante. Pois quando alguém chega a um certo marco e escreve: "Até aqui", ele ainda não chegou ao fim; ainda há distâncias a percorrer. Mais provas, mais alegrias, mais tentações, mais triunfos; mais orações, mais respostas; mais labores, mais vigor, mais lutas, mais vitórias; e então vem a doença, idade, enfermidade e morte.

E agora, é o fim? Não! Há mais ainda — acordar semelhante a Jesus, tronos, harpas, cânticos, vestes brancas, a face do Salvador, a companhia dos santos, a glória de Deus, a plenitude da eternidade, a sempiterna bem-aventurança. O crente, tenha bom ânimo, e com grata confiança erija o seu "Ebenézer", pois Quem te ajudou até aqui, Te ajudará até ao fim.

Quando lido lá na plena luz do Céu, que visão gloriosa e maravilhosa não desenrolará ante os seus olhos agradecidos, o seu "até aqui".

Os pastores dos Alpes têm o bonito costume de terminar o dia cantando uns para os outros uma canção de despedida. O ar é tão cristalino, que a canção ecoa por longas distâncias. Quando a noite começa a cair, eles tomam as ovelhas e as vão conduzindo montanha abaixo, cantando: "Até aqui nos ajudou o Senhor. Louvemos o Seu nome!"

Finalmente, como suave cortesia, cantam um ao outro a amistosa despedida: "Boa-noite! Boa-noite!" As palavras são levadas pelo eco, e de lado a lado vão repercutindo mansa e docemente, até morrer a música à distância.

Assim também, falemos um com o outro dentro da noite, até que as sombras fiquem cheias de muitas vozes, encorajando a hoste de peregrinos. Que os ecos se ajuntem, até que uma verdadeira massa sonora de "aleluias" chegue em ondas até ao trono de Safira. E quando romper a manhã, nos encontraremos ante o mar de vidro, cantando com a hoste dos remidos: "Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos"!

"E outra vez disseram: Aleluia." (Ap 19.3)

Será meu canto eterno ali: "Jesus guiou-me até aqui."