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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma entrevista com John Walker

John Walker, 83 anos, veio para o Brasil em 1964 em obediência a uma direção de Deus de tirar sua família de uma sociedade materialista e tecnológica (EUA) e criar seus seis filhos num ambiente natural e simples, em que seriam desafiados a servir a necessitados e não a buscar um futuro seguro e próspero para si mesmos. A seguir, uma entrevista com ele sobre a importância da vida simples em sua experiência e jornada espiritual.

Onde o senhor aprendeu sobre a vida simples? Foi na sua própria criação?
Não aprendi sobre o estilo de vida simples na minha criação. Fui criado num ambiente em que, embora não houvesse ostentação, havia bastante afluência. Aprendi sobre simplicidade através de um amigo chamado John Manchester e da experiência que tive trabalhando num ministério de literatura, The Herald of His Coming (O Arauto da Sua Vinda).
Com John, aprendi sobre alimentação saudável, sobre como fazer pão integral e, também, sobre a esposa ter os partos em casa e não no hospital.
No Arauto da Sua Vinda, aprendi muitas coisas que marcaram minha vida. Por exemplo, na parede havia uma placa que dizia: “Economizar para Evangelizar“. Os obreiros recebiam apenas o estritamente necessário para viver. Alguns davam seu trabalho voluntariamente porque eram aposentados. Usavam roupas (em alguns casos) que eram enviadas como donativo para o ministério. A atitude de todos era economizar o máximo a fim de dar o máximo à obra do Senhor. O próprio jornal publicado ali tinha uma tiragem de várias centenas de milhares de cópias, enviadas gratuitamente aos leitores, num ministério totalmente sustentado pela fé.

Há algum testemunho contemporâneo ou passado que influenciou suas convicções nesta área?
C. T. Studd sempre foi uma inspiração para mim. Ele herdou uma fortuna e doou tudo a obras de Deus antes de atender ao chamado para ir a terras estrangeiras para pregar o evangelho. Ele foi primeiro à China, depois à África, ficando, às vezes, meses ou até anos longe de sua esposa. Posso citar também Francisco de Assis e Madre Teresa.

Como o senhor definiria a vida simples para o cristão? Existe um padrão ou regra que todos os cristãos deveriam seguir?
Aprendi primeiro sobre a atitude de 100% de John Manchester. Na época em que conversávamos sobre isso, nenhum dos dois ainda era convertido! Porém, essa idéia encontrou ressonância imediata no meu coração. Se Deus é Deus, então não pode haver meias medidas. O primeiro mandamento é amar a Deus com todo seu coração. O segundo é semelhante a este: amar ao seu próximo como a si mesmo.
Não existe uma regra para todos os cristãos – senão seria uma obrigação. Ou, se houvesse, seria esta: Tudo para Jesus.
O apóstolo Paulo nos exorta a nos contentarmos com o que comer e o que vestir (1 Tm 6.6-8). Jesus disse que devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e todas as outras coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). Quando o Espírito foi derramado no Pentecostes, as pessoas dividiam suas posses umas com as outras, de forma que ninguém sentia falta de coisa alguma (At 2.44-45; 4.34).

Qual tem sido a sua experiência nesta área? Conte um pouco sobre como aplicou isso na sua vida e família.
Este estilo de vida simples tornou-se uma paixão em minha vida. Sentia que era um grande pecado (ou crime) desperdiçar dinheiro em luxos ou coisas desnecessárias. Nunca comprávamos móveis novos, roupas caras, sapatos extras ou coisas assim. Se eu tinha algum dinheiro a mais, logo achava um jeito de doar para algum necessitado.
Meu alvo era: tudo para Jesus. Ensinei isso à minha família. Não fazíamos festas dispendiosas, não comprávamos presentes desnecessários. Como eu sofria quando ia visitar meus parentes na época do Natal e via tanto desperdício!
Tudo de que precisávamos, se fosse possível, era comprado usado, inclusive o carro da família. Meu pensamento era: Como podemos desperdiçar um centavo quando há tanto sofrimento e falta no mundo ao nosso redor? Desperdício de comida se incluía nisso também.
Praticávamos uma alimentação saudável. Não gastávamos dinheiro com médicos ou remédios. Enviávamos dinheiro a missionários, e nossas ofertas quase sempre somavam mais do que o dízimo. Tudo para Jesus!

Olhando em retrospecto para essas experiências, quais foram os resultados de levar uma vida simples?
O resultado de levar uma vida simples é que não somos obrigados a entrar na corrida desenfreada, tornando-nos escravos do sistema deste mundo. Podemos ser livres para viver em favor de Jesus e do reino de Deus. Podemos ter capacidade de ajudar a outros que estão em necessidade. Teremos uma consciência livre de que estamos colocando o reino em primeiro lugar e não a nossa própria satisfação e ambições.

O que o senhor gostaria de dizer aos cristãos nesta presente geração a respeito do desafio de viver uma vida simples e do propósito de se viver assim?
Temos que decidir se vamos servir a Deus ou a Mamom (o dinheiro). Não podemos ter os dois (Mt 6.24). Se a igreja quiser estar pronta para a segunda vinda de Jesus, ela não pode estar no sistema capitalista de buscar riquezas, prazer e um estilo de vida egoísta. Precisamos dedicar tudo possível para aliviar o sofrimento dos outros e para alcançá-los com as boas novas em palavras e em ações.
Precisamos desenvolver um estilo de vida alternativo, uma comunidade dirigida pelo Espírito Santo. Por exemplo, casamentos não precisam ser uma cópia dos casamentos na sociedade do mundo. Podem ser simples, simples, com o Senhor em primeiro lugar. Nada de dinheiro desperdiçado em vaidade e status.
Tudo isso é apenas uma paixão que tenho recebido do Senhor; nada para crédito pessoal. Afinal, a vida com Jesus é um romance que termina em casamento!

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/entrevista-a-pratica-da-vida-simples