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quinta-feira, 31 de julho de 2014

CUIDADO AO FALAR E A RELIGIÃO PURA




Prof. Adaylton de Almeida Conceição

INTRODUÇÃO:  Tudo o que existe em nosso universo veio a existir pelo poder da palavra. Deus falou, e nosso mundo veio a existir. Quando ele formou o homem, a mais elevada das criaturas terrestres, Deus o abençoou com a capacidade de se comunicar. Podemos falar, e até mesmo escrever, porque Deus nos deu o dom da linguagem. Quando o diabo usou palavras mentirosas para tentar Eva, ela e seu esposo caíram em pecado (Gênesis 3). Quando os homens abusaram da boa dádiva da comunicação para se exaltar e desobedecer a Deus, ele confundiu suas línguas para forçar povos diferentes a se separar e povoar a terra, como ele tinha ordenado anteriormente (Gênesis 11:1-9; veja 9:1).
Mesmo que os homens tenham freqüentemente abusado de suas palavras, a capacidade de se comunicar ainda é uma bênção. Quando o próprio filho de Deus veio ao mundo, ele foi descrito como a Palavra (João 1:1). É pela proclamação de sua mensagem, o evangelho, que chegamos a conhecê-lo e a obedecê-lo. "E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo" (Romanos 10:17).
Os discípulos de Jesus têm a responsabilidade de ensinar o evangelho a outras pessoas. Paulo encorajou Timóteo a cumprir esta missão: "Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2 Timóteo 4:2). "E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros" (2 Timóteo 2:2). Ou seja, o uso da línga para o bem do homem e a glória de Deus.
A língua, portanto, é uma força poderosa. Pode ser usada para o bem, como Deus pretendia, para exprimir amor e oferecer salvação. Ela também pode ser usada para o mal, com efeitos desastrosos que conduzem à condenação. Estas duas possibilidades são claramente contrastadas em Tiago 3:1-12. Consideremos este importante texto e suas aplicações em nossas vidas.
A língua pode ser um canal de benção ou de maldição. Pelo poder da língua podemos edificar vidas ou destruí-las. A bíblia nos mostra esta verdade através de algumas figuras:



a)      A LINGUA COMO CHICOTE – Jó 5:21 – A Bíblia nos ensina que através da língua açoitamos as pessoas ou podemos ser açoitados por elas. A língua pode ser usada como um chicote que fere a alma das pessoas. Mas Deus promete proteger seus filhos do açoite da língua.
b)      A LÍNGUA  COMO PENA – Sl 45:1 –  A língua é comparada à pena de um escritor. Esta figura nos leva a pensar no uso correto da língua. Quando usamos a língua para falar bem das pessoas a língua pode ser comparada a uma pena na mão de um exímio escritor.
c)       A LINGUA COMO FLECHA -  Jr 9:8 – Quando a língua é usada para falar mentiras e enganos, a Bíblia a compara com uma flecha mortífera. A mentira e o engano são venenos mortíferos que podem ser lançados contra as pessoas.
d)      A LÍNGUA COMO ESPADA – Sl 57:4 – Pessoas abrasadas tem língua que pode ser4 comparada com espadas. Estar perto delas pode nos queimar devido ao fogo que sai de sua língua.
e)      A LÍNGUA COMO NAVALHA – Sl 52:2-4 – A língua é comparada com uma navalha quando é usada para: intentar o mal, quando traça enganos, quando é usada por pessoas que amam mais o mal do que o bem, pessoas que amam mais a mentira do que o falar conforme a retidão. Quando alguém faz uso de palavras devoradoras sua língua corta como uma navalha.


"Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo"" (3:2). De todas as tentações que enfrentamos, a mais persistente e difícil é a tentação de dizer alguma coisa que não devemos. Algumas pessoas lutam para eliminar palavrões e piadas sujas de seu falar (Efésios 4:29). Outros, despreocupadamente, mostram desrespeito pelo nome do Senhor, proferindo frases como “Meu Deus!”, ou “Meu Deus do Céu!” sem parar para pensar que eles estão tratando o nome do Santo Deus como se não fosse nada mais do que uma expressão comum de surpresa ou desgosto. Deus merece nosso completo respeito (Salmo 111:9-10). Muitos usam a língua para espalhar boatos e fazer acusações sem fundamento (Provérbios 16:28; 1 Timóteo 5:13). Deste modo, eles podem destruir a reputação de pessoas boas, criar discórdia entre irmãos, e até impedir a divulgação do evangelho (1 Coríntios 3:3; 1 Tessalonicenses 2:15-16). Tais pessoas não são seguidoras de Cristo, mas do diabo, o pai das mentiras e o maior acusador de todos (João 8:44; Apocalipse 12:9-10; 22:8). E todos nós batalhamos contra a tentação de falar antes de pensar, talvez uma palavra áspera ou crítica usada desnecessariamente, talvez uma expressão de raiva ou ódio. Uma simples palavra mal empregada pode levar uma nação à beira da guerra, destruir uma amizade de toda a vida, desfazer uma família, arruinar um casamento ou esmagar o auto-respeito de uma criança. "Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19).
"Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes cousas. Vede como uma fagulha põe em brasa tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno" (3:3-6).
A língua é um pequeno membro do corpo, mas exerce um poder destruidor que ultrapassa todos os outros. Como o leme de um navio ou freio na boca de um cavalo, este pequeno membro é incrivelmente poderoso. Como uma faísca pode iniciar um fogo que destruirá uma floresta, assim a língua descontrolada pode destruir uma alma e criar uma miséria terrível para outros.
O leme é uma peça de madeira ou metal que é instalada na popa de uma embarcação cuja finalidade é controlar o navio. O leme determina a direção que o navio vai tomar. O navio é um grande objeto que é conduzido por um pequeno instrumento que está debaixo do controle do timoneiro. Assim o navio enfrenta os ventos contrários e navega obedecendo a direção do leme. Da mesma forma que o leme, sendo pequeno, pode conduzir um transatlântico, a língua sendo um pequeno músculo pode controlar todo o corpo levando-o a seguir a direção que a língua dá a ele.
O freio é uma peça de metal, colocada na boca de um animal para possibilitar o controle de todo o seu corpo. Um cavalo, que é um animal grande pode ser controlado por um pelo freio que é um pequeno instrumento. Da mesma forma, a língua, sendo um pequeno instrumento pode controlar um grande corpo.
TIAGO E A LINGUA DESENFREADA.
Tiago  fala que aquele que não refreia a língua está enganando a si mesmo e sua religião não tem valor algum. Neste versículo encontramos a palavra grega chalinagôgôn, e significa “levar com um freio ou cabresto, refrear”. A idéia é que o homem tem que colocar um freio em sua própria boca, não em outra pessoa. Se um cristão não consegue refrear sua língua, então toda e qualquer atitude de devoção sua nada mais é que um teatro, pois não tem valor (mataios) algum para Deus. No grego, mataios, significa “vão, vazio, inútil, improdutivo”.
Diante de todas essas imagens podemos concluir que o assunto da disciplina no uso da língua é de grande importância. O mal uso da língua pode comprometer seriamente o nosso testemunho cristão. Vejamos o que diz Tg 1:26. O mal uso da língua desacredita totalmente nossa religião. Quem faz mal uso da língua, na verdade engana-se a si mesmo.
O grande desafio que este ensino nos apresenta é que é muito difícil para uma pessoa comum não tropeçar em nenhuma palavra. Tiago nos fala que uma pessoa que não tropeça em palavras é uma pessoa perfeita (v.2). Perfeita na concepção de Tiago, é uma pessoa madura, de plena estatura moral e espiritual. De acordo com esta afirmação, se uma pessoa for capaz de controlar sua língua pode se considerar madura em Cristo e habilitada para realizar toda boa obra.
Com isso Tiago não quer dizer que os lideres (pastores e lideres em geral), sejam pessoas perfeita no falar. Segundo ele “todos tropeçam no falar”. Mas o que se espera de líderes é que vigiem para que não saiam de sua boca palavras que depreciem ou maltratem as outras pessoas.
Tiago 1.19-27
A carta de Tiago é muito prática. O apóstolo não vê o cristianismo como mera contemplação, mas na ação firmada naquilo que a Palavra de Deus afirma. Nesta parte Tiago começa com uma afirmação importantíssima: “Meus irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus.” (v.19,20).
Um dos grandes desafios da igreja é vivenciar a unidade de forma concreta. É possível que Tiago estivesse observando alguns pontos de contenda entre os irmãos, fruto do egoísmo de estar sempre em evidência. Geralmente somos nós mesmos os maiores culpados por alguns problemas que ocorrem na igreja. E por que? Porque não sabemos ouvir as pessoas. Ouvir é tão importante quanto falar. Em Provérbios 19:11 podemos ler o seguinte: “A sabedoria do homem lhe dá paciência.”. E em Provérbios 14:29 temos a seguinte afirmação: “O homem paciente dá provas de grande entendimento.”
Como eu posso me tornar melhor entendedor das pessoas em minha vida? Ouvindo as pessoas que estão ao meu redor. E não apenas por escutá-las, mas por ouvi-las. Em Provérbios 18:13 podemos ler: “Quem responde antes de ouvir mostra que é tolo e passa vergonha”. Isto é bem claro! Não avalie o que as pessoas fazem ou o que você ouve até ouvir tudo. Deus nos deu dois ouvidos e uma boca – o que significa que você deve ouvir duas vezes mais do que falar. Por isso Tiago adverte: “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”. O texto literalmente diz que o homem deve ser rápido em ouvir, que vem do grego tachys, ou seja rápido, depressa, ligeiro; e lento em falar e irar-se, que no grego é a palavra bradys, ou seja, lento, demorado.
Notamos que no versículo 19, o apóstolo reitera pela terceira vez: "meus amados irmãos!"
Ele não exclui quem quer que fosse da exortação: 'Todo o homem':

1º Deveriam ser prontos a ouvir;
2º Tardios a falar, e;
3º Tardios a irarem-se.

O apóstolo reitera alguns cuidados que os irmãos deveriam ter quanto a paciência. O homem paciente está pronto a ouvir! Esta recomendação tem dois aspectos dentro do contexto que Tiago procurou transmitir:

 a) Eles ouviriam prontamente a mensagem que estava sendo transmitida por meio da carta, e;
 b) Quanto fossem inteirados dos problemas existentes no seio da igreja ( Tg 2:1 -4), não partiriam para julgamentos precipitados, antes estariam prontos a ouvirem um pouco mais. Seriam pacientes.
As recomendações deste versículo soam como um freio à concupiscência de alguns, que eram atraídos a falarem precipitadamente ( Tg 1:13 -14).

Tiago utiliza o mesmo principio que Paulo ao exortar o homem a examinar a si mesmo. Este com poucas palavras, de maneira direita e incisiva.

20 “Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.”

Este versículo esclarece o versículo 15. A abordagem de Tiago tem inicio com a declaração: “Bem-aventurado aquele que suporta a provação” (v. 12). Este homem receberá de Deus o prometido, a coroa da vida, o que é pertinente ao homem livre do pecado.

Os que amam a Deus são aqueles que foram chamados segundo o seu propósito de fazer convergir em Cristo todas as coisas; estes não estão sujeitos ao pecado e têm direito à coroa da vida; antes eram sujeitos ao pecado, e, portanto, alijados da vida que há quando se está em Deus”.

 Nestes versículos podemos observar que dois temas são desenvolvidos paralelamente:
a) Não deveriam errar nas questões conceituais. Se Deus não muda, como conciliar ‘boa dádiva’ com ‘o tentar com o mal’?

b) A maldição do pecado só recai sobre aqueles que não perseveram, e, portanto, não são bem-aventurados.

Aqui no parágrafo (b) vemos  qual o tipo de ‘pecado’ que leva o cristão a morte.
O cristão que for atraído e engodado pela sua própria concupiscência (um exemplo prático que o apóstolo Tiago utiliza é a precipitação em falar (v. 19), não suportando a tentação, teria em si mesmo os elementos necessários a concepção da concupiscência.
É questão de tempo para a concupiscência tomar corpo e dar à luz o pecado e do pecado advém à morte!
O pecado que dá luz à morte é o lançar mão da ira.
Deus diz: “Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo” ( Hb 10:30 ).

Aquele que não suporta a tentação, que advém de uma cobiça e se põe a falar incontidamente, acabará se inflamando em sua própria ira. Este morrerá, visto que deixou de se sujeitar a justiça de Deus, que é pela fé.
Aquele que sai a vingar-se a si próprio está trilhando o mesmo caminho de Davi quando induzido por Nabal “Agora, pois, meu senhor, vive o SENHOR, e vive a tua alma, que o SENHOR te impediu de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse; e, agora, tais quais Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor” ( 1Sm 25.26 ).

O apóstolo Tiago prevendo que alguém poderia ficar indignado frente aos problemas que seriam relacionados nos versículo 1 a 5 do capítulo 2, antecipa-se e demonstra que, se alguém não adotasse o comportamento do versículo 19, incorreria em não estar sujeito a justiça de Deus, que é por meio da fé em Cristo.

Quem se deixar levar pela própria cobiça não suporta a provação, e passa a agir por conta própria alimentando sentimentos facciosos e soberbos, ações pertinentes a ira do homem.
Recomendações

v. 21 Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas.

Já que a justiça de Deus não coaduna com a ira do homem, o apóstolo concita os ouvintes a lançarem fora toda impureza e todo vestígio do mal. A imundície e superfluidade de malícia são descritas em Tiago três, treze a dezesseis.
A amarga inveja e o sentimento faccioso geralmente advêm da incontinência em falar e da pressa em vingar uma causa própria.
A prontidão em falar acintosamente e a ira não é próprio daqueles que são mansos, ou seja, a palavra do evangelho deve ser recebida em mansidão.

Tiago mais uma vez adverte os cristãos: “Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece, e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los.”. Como cristãos a nossa vida deve falar mais que o nosso discurso. Não podemos ser praticantes da Palavra vivendo um estilo de vida corrompido. Neste versículo podemos encontrar alguns vocábulos que apontam para esta ideia. Tiago diz, “livrem-se”, em que no grego aparece como apothemenoi  e que significa “pôr para fora, despojar-se”, uma metáfora que indica o ato de tirar roupas. O cristão deve se livrar de tudo aquilo que impede o crescimento espiritual e uma vida mais comprometida.
Por isso Tiago traz a afirmação: “livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece”. Impureza aqui vem do grego ryparia, e significa “sujeira, imundície”. A palavra era usada para descrever roupas sujas, bem como uma conduta moral impura e vulgar. E maldade vem do grego kakia, e significa mal, maldade, malícia. Esta palavra também pode ser traduzida como “iniquidade”. Desta forma, impureza e maldade representam uma postura indigna para aquele que se chama cristão.
A atitude correta é aceitar “humildemente a palavra implantada”, ou seja, acolher os preceitos divinos, vivendo por eles. O vocábulo emphytos, e indica que o evangelho de Cristo passa a dominar o nosso ser por inteiro, formando em nós uma nova perspectiva de vida. Esta palavra implantada nos leva a desfrutar da obra da salvação em toda sua plenitude.
22 E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.

Tiago solicita um compromisso com a palavra do evangelho. O compromisso com a palavra se estabelece quando o ouvinte resiste as tentações, é paciente, e manso. Este não esta se enganado a si mesmo.
 E diz mais no versículo 23 "Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;"

Dos versos 23 a 25 Tiago tenta demonstrar o contraste entre o que ouve e pratica a Palavra e aquele que é apenas um ouvinte sem fortes convicções. Aquele que é apenas ouvinte é comparado  “...a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência.” (v.23,24). Já aquele que ouve e pratica é como “o homem que observa atentamente a lei perfeita, que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer.” (v.25). Podemos ver aqui um contraste claro entre o “esquecer” do verso 24 e o “perseverar” do verso 25. E o que diferencia o ouvinte do praticante? A obediência. Jesus no sermão da montanha faz a distinção entre o sábio e o insensato, ou seja, aquele que vive e o que não vive na prática da sua palavra (Mt. 7:24-27).
É interessante notar que aquele que pratica vive na lei da liberdade e que é perfeita. Mas que lei é esta? Paulo escrevendo às igrejas da Galácia, disse: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão...Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.” (Gl. 5:1,13). A lei da liberdade é a lei do Espírito, em que somos dirigidos por Ele de forma a cumprimos a vontade de Deus em nossa vida.

Esta é a segunda comparação que Tiago faz.

Ele estabelece uma hipótese: “Se...”. Aquele que duvida é comparado à onda do mar, e o ouvinte que não pratica é semelhante a quem contempla o próprio rosto através de um espelho. A comparação se firma no versículo seguinte: 24 Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.

Através das comparações Tiago demonstra dois perigos:

a) O ouvinte esquecido ou relapso, e;
b) Ouvinte sem fé, que é levado de uma a outra parte “...porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte” (v. 6).

25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.

O apóstolo faz uma ressalva: “Aquele, porém...”.
O ouvinte que recebe a palavra com fé e a pratica, este é o que atenta bem para a mensagem do evangelho, a lei perfeita.
A lei que não deixa alternativa de escolha não é perfeita. A lei perfeita deixa alternativa entre cumprir e o não cumprir
Cuidado Social: No verso 27 podemos encontrar esta indicação apontando para os órfãos e viúvas. A palavra grega episkeptesthai  significa “olhar, cuidar, visitar, auxiliar”. Geralmente esta palavra era usada indicando a visita aos enfermos. O cuidados aos órfãos e viúvas está prescrito no Antigo Testamento como forma de imitar o próprio cuidado de Deus com estas pessoas (Êx. 22:22; Dt. 10:18; 14:29; 24:17,19-21; 26:12,13; 27:19). Podemos ler o Salmo 68:5 que diz: “Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada.”. Em Isaías podemos ver o profeta dizer: “Lavem-se! Limpem-se! Removam suas más obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva.” (Is. 1:16,17). Os cristãos que desejam ser reconhecidos como filhos de Deus devem imitar a conduta dEle.
Viúva -  "chera” (χήρα) - “viúva”, ocorre em Mt 28.13 (em alguns textos); Mc 12.40.42,43; Lc 2.37; 4.25; 4.26 (literalmente, “uma mulher, uma viúva”); Lc 7.12: 18.3,5; 20.47; 21.2,3; At 6.1; 9.39,41; 1 Tm 5.3 (duas vezes); 1 Tm 5.4,5,11; 5.16 (duas vezes); Tg 1.27; em 1 Tm 5.9, diz respeito a “viúvas” anciãs, reconhecidas para receberem apoio ou sustento da igreja (cf. 1 Tm 5.3,16).
A Verdadeira Religião
Tiago  escreveu um dos livros mais práticos da Bíblia que fala sobre a importância de mostrar fé ativa e obediente, e de deixar a palavra de Deus entrar nas profundezas do coração.
A ênfase neste parágrafo é sobre o autoengano (1:22,26). Se um crente é enganado porque o diabo o engana é uma coisa, mas se ele peca porque engana-se a si mesmo, é uma coisa muito mais séria.
“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta; Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se incontaminado do mundo” Tiago 1.26-27.
Religião aqui deve ser entendida não como um corpo de doutrinas, mas de uma postura adequada diante de Deus, ou seja, qual a forma verdadeira de culto que agrada a Deus. Tiago nos adverte que se pensamos ser religiosos sinceros, mas não atentamos para as três verdades aqui descritas nossa religião é vã.
Tiago neste texto fala sobre a religião verdadeira ("pura e sem mácula"), este termo traz algumas implicações:

1 - Falar em religião verdadeira,  implica que há religião falsa.
Nem toda expressão religiosa é boa. Nem todos os caminhos levam a Deus. A ideia pós-moderna de que religião não é importante, é equivocada. O homem não chegará a Deus seguindo uma religião falsa, tanto quanto um homem que comprou uma passagem para Ramos poderia chegar a Roma.
2 - Falar em religião pura em sem mácula implica haver religião misturada (verdade e erro sendo ensinados juntamente).

Milhões de pessoas se dizem RELIGIOSAS, a prova disto é a quantidade enorme de Religiões   no mundo, acrescente se a estas as que vão sendo criadas pelos homens, mesmos os ATEUS que dizem não professar nenhuma religião, são religiosos, pois escolheram não servir aquele que os criou e servem aos seus próprios pensamentos. Existem basicamente dois tipos de religiões , a religião humana, criada pelos homens, com suas próprias regras  e que não leva as pessoas para Deus, o máximo que podem alcançar é praticar algumas boas ações, e o segundo tipo de religião , é a criada por Deus , El e estabeleceu que para qualquer ser humano se RE LIGAR a Ele, precisa reconhecer Jesus Cristo como o meio, ligação entre Deus e os homens. Os homens criaram muitas religiões, Deus criou um somente, Jesus Cristo.

Como saber se a nossa religião é verdadeira?
E a resposta de Tiago é que:
I - Uma das maiores implicações da religião verdadeira é que ela renova em nós a imagem de Deus
A verdadeira religião se expressa na vida do cristão por meio do cuidado com os necessitados: "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações".
Lembre-se da parábola do bom samaritano: aquele que amou o seu próximo foi, não o líder religioso, mas o inimigo que parou e socorreu o necessitado.
Deus ama o órfão e a viúva, símbolo de todos os desamparados e esquecidos, e deseja cuidar deles por meio de sua Igreja. Se somos cristãos verdadeiros, devemos ter o mesmo cuidado que ele tem.

II – Sua religião molda em você o caráter de Deus, ou seja, Santidade? (veja Tg 1.27)
"a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo"
Tiago diz que religião sem santificação é falsa, mentirosa e maculada.
O autor de Hebreus ensina a mesma verdade quando diz: "Segui (...) a santificação, sem a qual, ninguém verá o Senhor" (12.14)
Você tem crescido em santidade? tem odiado e abandonado o pecado e crescido em fazer o que agrada a Deus?
III – Sua religião leva você a ter o mesmo critério que Deus tem no trato com os outros, ou seja, não olhar as aparências? (veja Tg 2.1-5)
É fácil amar o rico cheiroso e desprezar o pobre andrajoso? É mais um dos que adulam os ricos e poderosos e desprezam o pobre?


A primeira manifestação de uma adoração sincera é manter a língua refreada. Quantos “santos fofoqueiros” e quantas “santas faladoras” encontramos nos arraiais evangélicos. O próprio Jesus nos adverte em Mateus 12.37 “Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado”. Isso tem faltado a muitos seguidores de Jesus: sobriedade no falar, piedade no relacionamento com o mundo e austeridade nas palavras.
O termo hebraico para palavra é “Dabar”, que significa a extensão de nossa personalidade. O judeu entendia que o que uma pessoa é ela fala. O seu caráter fica explicito nas palavras.  “A boca fala do que o coração está cheio”.  O cristão verdadeiro não fala por falar, ele não aumenta, ele não difama, ele não sente satisfação em passar para outros notícias desagradáveis, não exulta com infâmias, não julga pois não tem esse direito.
A segunda manifestação de verdadeira adoração a Deus é “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições”. Muitos cristãos são levados a pensar que o culto que agrada a Deus é só o momento de culto na igreja. Tiago não nos ensina só uma religião mística,  de contemplação, que a tantos faz bem, mas que isoladamente não prova muita coisa.
“Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições” é manifestar simpatia e solidariedade aos que sofrem privações (materiais, físicas, emocionais e espirituais). As pessoas não são somente almas para salvar, mas reais, concretas, com necessidades em todas as áreas da vida. A palavra visitar no grego é “episképtomai”, que significa olhar, cuidar, visitar, auxiliar”. visito para socorrer”. E isso não é só manifestar solidariedade ou orar.
É uma visita para prover as necessidades da pessoa integral. Convenhamos que é bem mais fácil falar ou orar do que desembolsar bens e dinheiro, levar ao médico, ajudar nas tarefas do lar, etc. A oferta que agrada a Deus é socorrer os necessitados. Em Atos 10.38 lemos sobre Jesus “...com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele”. Jesus de Nazaré andou fazendo o bem.
- A religião que cuida apenas das necessidades espirituais, encarando o homem como um ser descarnado, não é muito proveitosa.
O terceiro aspecto da religião verdadeira é “guardar-se incontaminado do mundo”.  Os dois conceitos ensinados no verso 27 não podem ser separados. Bondade e santidade devem andar juntas. Alguém bom que não seja santo cairá quando as tentações se avolumarem.
Alguém santo que não pratique a bondade é incoerente. A santidade não pode ser só no semblante doce, mas uma atitude para com Deus, que inevitavelmente refletirá nas atitudes para com o próximo. Santidade e insensibilidade não devem caminhar juntas no cristão.
Língua moderada, construtiva somente, amor ao próximo expresso por atitudes concretas, reais, e não somente lamentação, e busca da santidade incessante, esta é a religião verdadeira, na pratica, e não uma religião mística de adoração e contemplação.
Lamentavelmente, muitas igrejas pouco investem em trabalhos sociais, e as que investem, algumas ainda cometem o erro de limitar-se apenas a estes trabalhos, deixando de lado uma ajuda mais específica a alguns membros dessas próprias igrejas.
Para Tiago a religião pura e imaculada para com DEUS, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.
1.27 A RELIGIÃO PURA E IMACULADA. Tiago fala de princípios que definem o conteúdo do verdadeiro cristianismo.

O amor genuíno pelos necessitados. Nos dias do NT, os órfãos e as viúvas tinham poucos meios de auto sustento; em muitos casos, não tinham ninguém para cuidar deles. Esperava-se da parte dos crentes que lhes demonstrassem o mesmo cuidado e amor que DEUS revela aos órfãos e às viúvas (ver Dt 10.18; Sl 146.9; Mt 6.32; Dt 24.17; Sl 68.5). Hoje, entre nossos irmãos e irmãs em CRISTO, há os que precisam de ajuda e cuidados. Devemos procurar aliviar suas aflições e sofrimentos e, dessa maneira, mostrar-lhes que DEUS tem cuidado.
 

Tiago diz que o amor ao próximo deve estar acompanhado do amor a DEUS, expresso na separação das práticas pecaminosas do mundo.
“O que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será ouvido“. (Provérbios 21.13)
Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece também que, em muitos casos, a pobreza é simplesmente fruto de um estilo de vida pecaminoso: “Não ames o sono, para que não empobreças; abre os teus olhos, e te fartarás de pão”. (Pv 20.13) “A preguiça faz cair em profundo sono; e o ocioso padecerá fome”. (Pv 19.15) “Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência cobrirá de trapos o homem”. (Pv 23.20-21)
É por isso que o Apóstolo Paulo ensinou que nós não devemos ajudar aqueles que, podendo trabalhar, não trabalham e acabam empobrecendo por viverem na iniquidade da preguiça:
“Mandamo-vos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebestes. Porque vós mesmos sabeis como deveis imitar-nos, pois que não nos portamos desordenadamente entre vós, nem comemos de graça o pão de ninguém, antes com labor e fadiga trabalhávamos noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós… Porque, quando ainda estávamos convosco, isto vos mandamos: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes intrometendo-se na vida alheia; a esses tais, porém, ordenamos e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando sossegadamente, comam o seu próprio pão”. (II Tessalonicenses 3.6-12)

Resumindo a fé sem obra é MORTA. "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." (Tiago, 2:17)


A igreja moderna, a igreja de hoje, ou seja, NÓS, simplesmente fingimos que não vemos.
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                               Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.Th.B.TH.D.)

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

A IMPORTANCIA DA SABEDORIA HUMILDE



A IMPORTANCIA DA SABEDORIA HUMILDE

 
Prof. Adaylton de Almeida Conceição
Texto: Tiago 1.5; 3.13-18.

O QUE É SABEDORIA?

A palavra sabedoria provém do termo grego sophia, com 71 ocorrências no NT, 44 só nas epístolas paulinas. Ela possui muitos equivalentes, tanto no hebraico, como no grego, que podem ser compreendidos como: entendimento, discernimento, inteligência, capacidade de entender e pensar, percepção, instrução para formar hábitos adequados de comportamento, disciplina, prudência, conselhos, entre tantos outros.

Tiago enxerga a sabedoria como sendo uma necessidade para as pessoas, mas faz questão de mostrar os tipos de sabedoria que podemos encontrar à nossa volta. E para o apóstolo, mais do que ter, ou não, sabedoria, é imprescindível saber a quem pedir, é preciso utilizá-la. 

Tiago 1.5 "Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada".
"... tem falta de sabedoria (leipetai sophias).  Aqui há uma combinação que podemos transliterar como: “Se alguém não chega á estatura ou medida da sabedoria”. Peça (aiteitö). Aqui temos o presente do imperativo ativo de aiteö,que persista em pedir”. A Deus (para tou theou).

Para Tiago, o mestre cristão com um quadro de fundo judeu, a sabedoria é uma coisa praticas. Não é a especulação filosófica ou o conhecimento intelectual; sua esfera são coisas da vida. Os estóicos definiam a sabedoria como “o conhecimento do humano e o divino”.  A sabedoria cristã é um conhecimento tal que passa que passa à ação nas decisões e relações pessoais da vida cotidiana.

Tiago propõe que os cristãos busquem a sabedoria vinda da parte de Deus: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” (v.5). Esta sabedoria não é conhecimento científico ou teológico. É possível que Tiago tenha em mente a visão do Antigo Testamento sobre a sabedoria, em que a fonte dela é o conhecimento do Senhor.

A sabedoria perfeita de Deus

A sabedoria de Deus, de modo geral, pode ser definida como “um entendimento adquirido sobre Deus e as suas verdades reveladas, que como conseqüência nos traz uma aplicação prática na nossa vida em todas as suas esferas (Jó 10:4; 26:6; Pv 5:21; 15:3), revelando a sabedoria de Deus ao mundo através do nosso testemunho, cuja base é, antes de tudo, o temor a Deus, que envolve obediência à Sua Palavra.” Essa sabedoria em tudo contrasta com a sabedoria do mundo. A sua essência e a sua fonte estão somente em Deus (Jó 12:13ss; Is 13:2; Dn 2:20-23). Em Jesus temos o seu modelo perfeito. Essa sabedoria está ao nosso alcance e deve ser buscada.

A sabedoria de Deus não é subjetiva, mas objetiva e presente na criação do universo (Pv 3:19ss; 8:22-31; Jr 10:12), no homem (Jó 10:8ss; Sl 104:24; Pv 14:31; 22:2). Ele governa através da Sua sabedoria os processos naturais (Is 28:23-29) e históricos (Is 31:2). Tal sabedoria não pode ser apreendida pelo homem de forma natural (Jó 28:12-21), mas Deus a revela para ele (Jó 28:23,28). Isto é, toda sabedoria desprovida da revelação de Deus torna-se empobrecida, mesmo nos seus melhores aspectos (cf. 1 Co 1:17; 2:4; 2 Co 1:12 – O Novo dicionário da Bíblia, Edições Vida Nova, SP, 1999).

O homem só é realmente sábio quando Deus graciosamente lhes outorga a sua sabedoria, daí a exortação de Tiago para que busquemos essa sabedoria (Tg 1:5-8). Ela esteve presente na vida de Salomão (1 Rs cap. 3ss; Mt 12:42; Lc 11:31), Estevão (At 6:10), Paulo (2 Pe 3:15), José (At 7:10). Essa sabedoria divina é necessária ao ser humano, para que ele possa compreender os oráculos de Deus (Ap 13:18; 17:9), liderar a igreja do Senhor (At 6:3), perceber os propósitos de Deus na redenção (Ef 1:8,9), andar de maneira digna diante de Deus (Cl 1:9; Tg 1:5; 3:13-17).

Muitas pessoas buscam a sabedoria de Deus, esquecendo-se do seu princípio áureo: o temor do Senhor (Sl 111:10; Pv 9:10). É interessante notar, porém, que não tememos a Deus para ter sabedoria, mas o temor do Senhor transforma e guia os nossos pensamentos e ações, tornando-nos justos e retos, e dessa forma se revela a sabedoria de Deus em nós. Nossas ações, quando praticadas no temor do Senhor, são ações dignas e sábias.

“O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência.” (Provérbios 9:10).
O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.” (Provérbios 1:7).
“Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; é escudo para os que caminham na sinceridade...” (Provérbios 2:6,7).

Além destes versículos existem muitos outros no Antigo Testamento que refletem a fonte da sabedoria: Deus. Tiago explica que se pedirmos a Deus sabedoria, Ele nos dará livremente. Aqui a palavra “haplos”, significa também “simplesmente, incondicionalmente, sem barganha”. A idéia é de franqueza, de coração aberto. Deus está pronto para nos ajudar a viver uma vida cristã mais firme e constante. Esta sabedoria representa também o discernimento que o Senhor nos dá para vivermos mais na dimensão espiritual do que na dimensão deste tempo presente.

Deve lembrar como Deus dá liberalmente, generosamente e sem humilhar a ninguém. Os sábios judeus sabiam perfeitamente que o melhor presente do mundo pode perder-se pela forma de ser dado.

Filemon, o poeta grego, chamava a Deus de “aquele que ama os presentes”, não no sentido de que Ele goste de receber presentes, mas de que adorava dá-los. E Deus não lança em cara nada que dá, ou seja, não censura. Dá com todo o esplendor de Seu amor. É interessante a palavra “sem censura” (me oneidizontos). Havia o mal hábito de lançar palavras ferinas junto com o dinheiro, como é ilustrado em Sirac 41.22. Diz mais: “E lhe será dado” (kai dothesetai autöi), aqui significando, não só sabedoria, mas todos os bons dons, incluindo o Espírito Santo.

E finalmente dos versos 6 a 8, Tiago nos dá a principal exigência para termos sabedoria: Fé. “Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal pessoa que receberá coisa alguma do Senhor, pois tem mente dividida e é instável em tudo o que faz.”.

A fé consiste na confiança em Deus numa entrega total e plena nas mãos de Cristo. Porém, no relacionamento com Deus às vezes passaremos por momentos de dúvida. Porém o oposto da fé não é a dúvida, mas o medo. Por quê? Porque o medo paralisa, tira a perspectiva do alvo. A dúvida nos mostra o risco, e sem o elemento risco não há fé.

Quando Tiago fala em dúvida aqui no texto, a palavra grega é diakrinomenos e significa “dividir, duvidar, vacilar, estar em dúvida consigo mesmo”. 

Tiago 3.13-18 "Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência;  então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.  Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas".

A SABEDORIA HUMILDE E A FALSA SABEDORIA

O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra.” Provérbios 15:33.
Uzias tinha somente 16 anos quando seu pai foi assassinado e ele subitamente se tornou rei de Judá, no oitavo século antes de Cristo. A história de seu reinado, que é registrada em 2 Crônicas 26, ensina uma lição poderosa sobre a importância da humildade. Uzias começou bem. Ele respeitava o Senhor e sua palavra, e Deus o abençoou abundantemente. O reino se expandiu e o rei fiel conseguiu dominar seus inimigos de todos os lados. Sua reputação se espalhou a outros países. Uzias se fortaleceu.
Então, tudo mudou. "Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso" (2 Crônicas 26:16). Uzias era um homem especialmente escolhido por Deus para conduzir seu povo. Durante muitos anos, Uzias serviu o Senhor fielmente. Porém não estava autorizado a entrar no templo para queimar incenso. Esse papel estava reservado para outros homens escolhidos por Deus, os sacerdotes, que serviam no templo. Uzias, não estando mais contente com o desempenho do papel que Deus lhe havia dado, tentou assumir uma função extra e foi fortemente repreendido por seu erro.
O sacerdote Azarias e 80 outros sacerdotes seguiram Uzias até o templo e desafiaram seu ato presunçoso. Uzias enraiveceu-se e Deus respondeu imediatamente ao seu erro. O rei ficou leproso ali mesmo no templo diante dos olhos dos sacerdotes. Eles imediatamente o atiraram fora do templo, e Uzias correu da casa de Deus, percebendo que o Senhor tinha punido sua arrogância. Seu filho assumiu os negócios do Estado e deixou o leproso Uzias isolado em sua casa pelo resto de sua vida. A vida abençoada de um grande homem foi arruinada por um ato de desobediência,pela falta de humildade.

A HUMILDADE É FUNDAMENTAL PARA NOSSA COMUNHÃO COM DEUS

Quando Jesus pregou o sermão que define o caráter do verdadeiro discípulo, suas palavras iniciais foram diretas ao coração: "Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mateus 5:3). Ele continuou a pregar durante mais três capítulos, mas muitos ouvintes não o ouviram porque nunca passaram da linha de partida. Mesmo hoje, a maior parte da mensagem do evangelho cai em ouvidos surdos de homens e mulheres arrogantes que não querem mesmo reconhecer a posição de Jesus como Senhor.
Mas Jesus não reduziu os padrões. Ele não abriu uma porta extra para entrarem os arrogantes ou os "quase" humildes. Ele manteve intacto o seu requisito fundamental porque ele reflete a exigência eterna de Deus. Deus nunca aceitou o homem cheio de orgulho que pensava fazer as coisas a seu próprio modo. Ao contrário de toda a sabedoria dos homens carnais, tendentes a adquirir poder e posição, Deus aceita exclusivamente os humildes. Uma geração depois de Uzias, o profeta Miquéias pegou perfeitamente a idéia quando ele citou as palavras de Deus: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom e o que é que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus" (Miquéias 6:8). As Escrituras deixam perfeitamente claro que não há  outra maneira de caminhar com Deus. Ou andamos humildemente com nosso Deus, ou não andamos de modo nenhum com ele!
Jesus andou no meio de homens carnais e enfrentou tremendo desafio. Como poderia ele capturar seus corações para moldá-los como os servos humildes que o Pai quer? Não foi uma tarefa fácil. Ele falava freqüentemente de humildade, e mostrava em sua vida de serviço o que significa elevar os outros acima de nós mesmos. Quem poderia exemplificar melhor a humildade voluntária do que o próprio Deus, que deixou sua habitação celestial para servir e mesmo morrer pelos homens pecadores? (Esta é a essência do apelo irresistível de Paulo em Filipenses 2:3-8).
Há exemplos que mostram claramente como Jesus ressaltava a humildade para seus apóstolos. O um deles está em Mateus 18:1-4. Os apóstolos freqüentemente disputavam entre si sobre a grandeza. Dois deles uma vez foram tão ousados a ponto de pedir que fossem colocados acima de seus colegas no reino. Jesus respondeu à atitude deles chamando uma criança. Enquanto estes homens crescidos olhavam, Jesus começou a pregar um sermão memorável: "Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus" (Mateus 18:3-4).

COMO A ARROGÂNCIA IMPEDE AS BÊNÇÃOS DE DEUS.

Podemos tirar algumas conclusões claras e importantes do ensinamento da Bíblia, mostrando o porquê a falta de humildade impede as bênçãos de Deus. Considere como o orgulho é absolutamente oposto às qualidades e comportamentos que Deus quer que demonstremos.
Sem humildade, não serviremos a outros como deveríamos, porque aqueles que são arrogantes e egoístas querem ser servidos, e não servir.
Sem humildade, não seremos seguidores. Os orgulhosos querem ser chefes e cobiçam a posição e a influência de outros. Este foi o problema que Arão e Miriã tiveram em Números 12, e o mesmo pecado que custou as vidas de quase 15.000 pessoas, em Números 16.
Sem humildade não buscaremos realmente a verdade. O homem orgulhoso pensa que já conhece as respostas, e não quer depender de quem quer que seja, nem mesmo do próprio Deus. A arrogância também impede nosso entendimento da verdade. Se não queremos admitir a necessidade de mudança, ou não queremos aceitar o fato que alguma outra pessoa sabe mais do que nós, nosso orgulho será um bloqueio fatal para o estudo eficaz da Bíblia.
Sem humildade, não reconheceremos nossos próprios defeitos. Somos até capazes de enganar nossos próprios corações para não vermos nosso próprio pecado. Saul fez isto quando defendeu sua desobediência na batalha contra os amalequitas. Ele argumentou que tinha obedecido o Senhor e que o povo tinha errado (1 Samuel 15:20-21). Deus não aceitou esta desculpa esfarrapada, e não aceita a nossa.
Um outro problema relacionado com a arrogância  e a falta de humildade é a dificuldade em aceitar a correção. Provérbios 15:31-33 mostra a conseqüência de tal orgulho: "Os ouvidos que atendem à repreensão salutar no meio dos sábios têm a sua morada. O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento. O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra." Provérbios 12:1 é mais direto: "Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido."

O MODELO DE JESUS  
"Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus" (Mateus 18:3-4).
Outro  exemplo dado por Jesus, ainda mais tocante, é registrado em João 13:1-17. Quando se preparavam para partilhar a refeição da Páscoa, Jesus aproveitou o momento para ensinar uma lição necessária. Os apóstolos jamais esqueceriam esta noite, e Jesus não perdeu a oportunidade para ensinar. Ele tomou uma toalha e  água e foi, de discípulo em discípulo, lavando seus pés. Isto era, por costume, serviço dos servos mais humildes, mas aqui o Criador do universo estava se humilhando diante de simples galileus. Quando terminou, ele voltou-se para os apóstolos e perguntou? "Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se sabeis estas cousas, bem-aventurados sois se as praticardes" (João 13:12-17).
Não é de se admirar que outros homens inspirados falassem da importância da humildade. Tiago disse: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós... Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará" (Tiago 4:6)
“Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria.”  Tiago 3.13.

A pergunta — "Quem entre vós é sábio e entendido?" — é de fato um desafio: se você diz ser sábio, demonstre sua sabedoria pelas obras que a verdadeira sabedoria produz. Muitos comentaristas acham que a pergunta de Tiago dirige-se especialmente aos mestres mencionados no versículo 1. Mas nem sophos (sábio, “pessoa sábia”) nem epistêmõn (“instruído”, “cheio de entendimento”) são aplicados como títulos ao mestre. Eles aparecem juntos várias vezes na Septuaginta, uma vez em referência às qualidades que os líderes devem possuir (Dt 1.13,15), mas também é aplicado a todo o Israel (Dt 4.6; Dn 5.12 aplica-os ao profeta). Está claro que Tiago considera a “sabedoria” uma virtude à disposição de todos (1.5), e mesmo 3.1 realmente não se dirige a mestres, mas àqueles que queriam se tomar mestres. Portanto, a exortação de Tiago é melhor compreendida como se fosse dirigida a todos os crentes em geral, mas especialmente àqueles que se orgulhavam de seu conhecimento superior.

É necessário observar os três elementos que compõe o versículo: "Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria".

Mostre pelo seu bom trato – (trato: tratamento; ajuste, pacto, tratado; convivência; passadio, alimentação; procedimento, modos, etc). Aquele que se sentisse sábio e entendido deveria ter uma boa convivência, bons modos e procedimento;

As suas obras – ‘as obras’ constituem o motivo pela qual alguém se gaba; observe que ‘bom trato’ não é ‘boas obras’ (aquelas que são feitas em Deus), e que ‘boas obras’ também não é ‘as suas obras’, que o versículo faz referência; a pessoa que estivesse se gloriando deveria mostrar a sua realização (suas obras);

•Em mansidão de sabedoria – Porém, deveria demonstrar as suas obras segundo a sabedoria descrita no versículo dezessete: em mansidão de sabedoria que do alto vem.

“...sábio e entendido...”. (sophos kai epistemön). ‘Sophos’ se usa para definir o mestre prático (v.1), e ‘epistemön’ de um experto, uma pessoas destra e científica com um tom de superioridade.

Sabedoria é um assunto típico da literatura hebraica. Há três livros no Antigo Testamento que se enquadram na categoria de “livros de sabedoria”. 
Ao contrário do que acontecia com os gregos, a sabedoria para os judeus era sempre prática, vivencial e se focalizava em como aplicar ä vida as verdades de Deus. Por isso Tiago desafia seus leitores a mostrarem pelas suas obras que tipo de sabedoria eles têm.

UM NOVO CONCEITO DE SABEDORIA

Sabedoria em Tiago tem mais que ver com uma conduta que reflete a natureza e a vontade de Deus do que com um intelecto aguçado. Tiago lança um desfio: “Quem é sábio e tem entendimento entre vocês?” Tanto sabedoria como entendimento andam bem juntos. Sabedoria direciona os passos, e entendimento informa o destino das decisões. Segundo Tiago, ela é demonstrada pelo bom procedimento. A questão não é o quanto sabemos na nossa mente, mas quanto esse conhecimento é refletido no nosso procedimento.

Conforme Dibelius destaca, a exortação de Tiago à “pessoa sábia” parece desajeitada, pelo fato de ele combinar duas idéias nela: a sabedoria deve produzir obras e a sabedoria deve ser caracterizada pela humildade. A primeira idéia dá-nos uma forte lembrança da exigência anterior de Tiago, no sentido de que a fé se manifesta em obras. A verdadeira sabedoria, assim como a fé real, é uma qualidade prática e vital que tem a ver tanto (ou mais) com o modo pelo qual vivemos como com aquilo que pensamos ou dizemos. Neste sentido, Tiago é fiel ao conceito veterotestamentário da sabedoria como um modo de vida, a atitude e conduta típicas de uma pessoa piedosa. Mas Tiago está muito mais interessado na segunda ideia mencionada acima, as qualidades que devem ser manifestadas pela sabedoria. Em mansidão de sabedoria deve ser entendido como um qualificativo de obras\estas devem ser praticadas “em mansidão” que caracteriza a “sabedoria” ou nasce dela (vendo o genitivo como descritivo ou indicador de origem). Mansidão (praütês), na mente da maioria dos gregos, dificilmente era uma virtude a ser buscada: ela sugeria um rebaixamento servil e ignóbil. Mas Jesus, que pessoalmente foi “manso” (Mt 11.29), pronunciou uma bênção sobre aqueles que fossem mansos (Mt 5.5). Tal mansidão cristã envolve uma compreensão sadia acerca de nossa falta de méritos diante de Deus e uma respectiva humildade e falta de orgulho no trato com nossos semelhantes.

“Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.” 3.14.

O problema encontra-se no coração do homem e a língua torna evidente este mal “...sentimento faccioso em vosso coração...”.
Este versículo demanda um exercício de interpretação de texto para uma melhor compreensão. Observe:

Uma pergunta – “Quem entre vós é sábio e entendido?”. O contexto nos mostra que só quem quer ser mestre se considera sábio e entendido;
Uma determinação a quem respondesse afirmativamente que é sábio e entendido – “Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria”. A determinação do apóstolo só é cabível a quem presume ser sábio e entendido; porém, a determinação é impossível de ser cumprida por quem se arroga na condição de sábio e entendido;

Uma conclusão – “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração...”. Este versículo é uma conclusão do apóstolo, e aponta os elementos que consta do coração daqueles que se acham sábios e entendidos. Observe que o argumento fica inconsistente quando se tenta combinar a primeira e a segunda parte do versículo ao se enfatizar a partícula ‘se’: “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso...”, e; “...não vos glorieis, nem mintais contra a verdade”. O indivíduo pode se gloriar de uma alta posição, porém, jamais alguém vai querer se gloriar de ser invejoso e faccioso. A Bíblia Vida Nova da Editora Vida Nova reza o seguinte: “Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade”. Para enfatizar a partícula ‘se’, trocam o ‘não’ pelo ‘nem’, o que dá a entender que alguém se gloria em ser invejo e faccioso (‘glorieis disso’, disso o quê?).

A pergunta persiste: quem é sábio e entendido? Um sábio e entendido deve mostrar através do seu bom comportamento suas obras em mansidão de sabedoria. Quando alguém que se diz sábio e entendido não consegue cumprir com a determinação anterior, só pode estar acometido de amarga inveja e um sentimento faccioso no coração.

A determinação é clara e precisa: “...não vos glorieis nem mintais contra a verdade”.

Não vos glorieis – Com relação a gloriar-se, a primeira determinação do apóstolo é oposta: “Glorie-se o irmão de condição humilde (...) o rico, porém, glorie-se na sua insignificância...”; O apóstolo Tiago dá um bom motivo para os irmãos se gloriarem (Tg 1:9-10), e reitera que todos devem estar prontos a ouvir, tardios em falar (Tg 1:19). Se alguém estava procurando a posição de mestre com a intenção de gloriar-se, a determinação é clara: não vos glorieis; pois os mestre receberão maior juízo (Tg 3:1); a língua se gaba de grandes coisas ( Tg 3:5); e, quem entre eles era sábio e entendido, a ponto de gloriar-se? (Tg 3:13);
Muitos dentre os cristãos se sentiam mestres, sábios e entendidos, porém a sabedoria que neles estava não vinha de Deus (Tg 3:1 e 13).

A pretensa sabedoria que alguns possuíam não era a sabedoria que vem do alto.
A sabedoria terrena, animal e diabólica é a que está vinculada à velha natureza. Eles ainda eram carnais (1Co 3:3).

v.16 "Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa".

A partir do v. 17, surge a descrição da sabedoria que vem do alto.
Vejamos rapidamente o que significa cada uma dessas características:

Pura é uma sabedoria que não está contaminada pelas imundícies que desagradam a Deus. Pura, em grego, hágnos e o sentido desta raiz contem a ideia de suficientemente puro para acercar-se aos deuses.  

Pacífica porque onde o Senhor está, há paz. A sabedoria diabólica , por outro lado, produz confusão e toda má obra. Moderada: o termo sugere moderação, equilíbrio, gentileza. É uma forma de autêntico cavalheirismo, é fazer aquilo que é justo, mesmo que isso implique em abrir mão de seus direitos.

 A sabedoria divina é ainda cheia de misericórdia. A palavra aqui usada significa “compaixão pelos desgraçados”. Uma pessoa que tenha sabedoria que vem do alto terá profundo interesse pelas pessoas e irá se condoer com os que sofrem. Cheia de misericórdia e de bons frutos tem sido interpretado por alguns como uma redundância: os frutos que a misericórdia produz. No entanto, pode ser mais amplo. Não basta a misericórdia. Além dela, bons frutos devem ser apresentados. Sem parcialidade: a questão da acepção de pessoas tratada no capítulo 2 é aqui retomada. Quando na igreja há atitudes de favoritismo está havendo pecado.

Por tudo isso a sabedoria do alto é sem hipocrisia. A palavra “hipócrita” tem uma origem bem interessante: ela vem das peças teatrais gregas onde o ator representava uma personagem. O hipócrita é aquele que não age com sinceridade, mas toma suas atitudes de acordo com os seus próprios interesses do momento.

“Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz”. V. 18
Ao concluir este capitulo Tiago mostra através deste versículo um vínculo de conexão entre o que temos estado analisando e o que virá nos capítulos finais.
Mais uma vez Tiago tem que colocar nossa fé a prova, esta vez concernente à classe de sabedoria que manifestamos em nossa vida cotidiana.

O apóstolo Tiago chega a uma conclusão: o fruto da justiça semeia-se na paz! O que ele quis dizer?

Não se semeia o fruto, e sim a semente, pois devemos ter em mente que a semente dará o seu fruto no devido tempo. Ou seja, para se obter o fruto da justiça devemos lançar a semente na paz. Mas, qual é a semente que produz o fruto da justiça? Para se obter o fruto da justiça faz-se necessário semear a semente apropriada, que é a palavra de Deus ( 1Pe 1:23 ).
Nada bom pode crescer em um ambiente no qual as pessoas estão em constante rivalidade e desacordo.

CONCLUSÃO
Entendemos, que a sabedoria do alto é muito mais que um conhecimento profundo de Deus. Ela se desdobra em ações praticadas pela justiça, mediante um santo proceder, fruto de uma mente renovada pela graça de Deus. É uma sabedoria que não permanece estática diante da revelação de Cristo, mas que reage a essa revelação de maneira positiva, com o intuito de aprender dele para servi-lo. Ela às vezes pode confundir os que se deparam com ela (Mc 6:2), mas a ela ninguém pode resistir (Lc 21:15; At 6:10). Ela deve estar presente nos servos de Deus (At 6:3), como sabedoria dada por Ele (1 Co 1:17), porque somente o poder de Deus pode produzir em nós a verdadeira fé (1 Co 2:1-13). A sabedoria de Deus nos impede de cometer erros terríveis (1 Co 2:8) e nos traz pleno conhecimento dele (Ef 1:17).
A humildade, a pouca solvência faz parte  do plasmar da verdadeira sabedoria oriunda de Deus.

Que sejamos sábios, que sejamos humildes, que sejamos SERVOS DO DEUS ALTÍSSIMO.
                                  
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                                   Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.Th.M.Th.D.)


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