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quinta-feira, 31 de julho de 2014

CUIDADO AO FALAR E A RELIGIÃO PURA




Prof. Adaylton de Almeida Conceição

INTRODUÇÃO:  Tudo o que existe em nosso universo veio a existir pelo poder da palavra. Deus falou, e nosso mundo veio a existir. Quando ele formou o homem, a mais elevada das criaturas terrestres, Deus o abençoou com a capacidade de se comunicar. Podemos falar, e até mesmo escrever, porque Deus nos deu o dom da linguagem. Quando o diabo usou palavras mentirosas para tentar Eva, ela e seu esposo caíram em pecado (Gênesis 3). Quando os homens abusaram da boa dádiva da comunicação para se exaltar e desobedecer a Deus, ele confundiu suas línguas para forçar povos diferentes a se separar e povoar a terra, como ele tinha ordenado anteriormente (Gênesis 11:1-9; veja 9:1).
Mesmo que os homens tenham freqüentemente abusado de suas palavras, a capacidade de se comunicar ainda é uma bênção. Quando o próprio filho de Deus veio ao mundo, ele foi descrito como a Palavra (João 1:1). É pela proclamação de sua mensagem, o evangelho, que chegamos a conhecê-lo e a obedecê-lo. "E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo" (Romanos 10:17).
Os discípulos de Jesus têm a responsabilidade de ensinar o evangelho a outras pessoas. Paulo encorajou Timóteo a cumprir esta missão: "Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2 Timóteo 4:2). "E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros" (2 Timóteo 2:2). Ou seja, o uso da línga para o bem do homem e a glória de Deus.
A língua, portanto, é uma força poderosa. Pode ser usada para o bem, como Deus pretendia, para exprimir amor e oferecer salvação. Ela também pode ser usada para o mal, com efeitos desastrosos que conduzem à condenação. Estas duas possibilidades são claramente contrastadas em Tiago 3:1-12. Consideremos este importante texto e suas aplicações em nossas vidas.
A língua pode ser um canal de benção ou de maldição. Pelo poder da língua podemos edificar vidas ou destruí-las. A bíblia nos mostra esta verdade através de algumas figuras:



a)      A LINGUA COMO CHICOTE – Jó 5:21 – A Bíblia nos ensina que através da língua açoitamos as pessoas ou podemos ser açoitados por elas. A língua pode ser usada como um chicote que fere a alma das pessoas. Mas Deus promete proteger seus filhos do açoite da língua.
b)      A LÍNGUA  COMO PENA – Sl 45:1 –  A língua é comparada à pena de um escritor. Esta figura nos leva a pensar no uso correto da língua. Quando usamos a língua para falar bem das pessoas a língua pode ser comparada a uma pena na mão de um exímio escritor.
c)       A LINGUA COMO FLECHA -  Jr 9:8 – Quando a língua é usada para falar mentiras e enganos, a Bíblia a compara com uma flecha mortífera. A mentira e o engano são venenos mortíferos que podem ser lançados contra as pessoas.
d)      A LÍNGUA COMO ESPADA – Sl 57:4 – Pessoas abrasadas tem língua que pode ser4 comparada com espadas. Estar perto delas pode nos queimar devido ao fogo que sai de sua língua.
e)      A LÍNGUA COMO NAVALHA – Sl 52:2-4 – A língua é comparada com uma navalha quando é usada para: intentar o mal, quando traça enganos, quando é usada por pessoas que amam mais o mal do que o bem, pessoas que amam mais a mentira do que o falar conforme a retidão. Quando alguém faz uso de palavras devoradoras sua língua corta como uma navalha.


"Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo"" (3:2). De todas as tentações que enfrentamos, a mais persistente e difícil é a tentação de dizer alguma coisa que não devemos. Algumas pessoas lutam para eliminar palavrões e piadas sujas de seu falar (Efésios 4:29). Outros, despreocupadamente, mostram desrespeito pelo nome do Senhor, proferindo frases como “Meu Deus!”, ou “Meu Deus do Céu!” sem parar para pensar que eles estão tratando o nome do Santo Deus como se não fosse nada mais do que uma expressão comum de surpresa ou desgosto. Deus merece nosso completo respeito (Salmo 111:9-10). Muitos usam a língua para espalhar boatos e fazer acusações sem fundamento (Provérbios 16:28; 1 Timóteo 5:13). Deste modo, eles podem destruir a reputação de pessoas boas, criar discórdia entre irmãos, e até impedir a divulgação do evangelho (1 Coríntios 3:3; 1 Tessalonicenses 2:15-16). Tais pessoas não são seguidoras de Cristo, mas do diabo, o pai das mentiras e o maior acusador de todos (João 8:44; Apocalipse 12:9-10; 22:8). E todos nós batalhamos contra a tentação de falar antes de pensar, talvez uma palavra áspera ou crítica usada desnecessariamente, talvez uma expressão de raiva ou ódio. Uma simples palavra mal empregada pode levar uma nação à beira da guerra, destruir uma amizade de toda a vida, desfazer uma família, arruinar um casamento ou esmagar o auto-respeito de uma criança. "Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19).
"Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes cousas. Vede como uma fagulha põe em brasa tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno" (3:3-6).
A língua é um pequeno membro do corpo, mas exerce um poder destruidor que ultrapassa todos os outros. Como o leme de um navio ou freio na boca de um cavalo, este pequeno membro é incrivelmente poderoso. Como uma faísca pode iniciar um fogo que destruirá uma floresta, assim a língua descontrolada pode destruir uma alma e criar uma miséria terrível para outros.
O leme é uma peça de madeira ou metal que é instalada na popa de uma embarcação cuja finalidade é controlar o navio. O leme determina a direção que o navio vai tomar. O navio é um grande objeto que é conduzido por um pequeno instrumento que está debaixo do controle do timoneiro. Assim o navio enfrenta os ventos contrários e navega obedecendo a direção do leme. Da mesma forma que o leme, sendo pequeno, pode conduzir um transatlântico, a língua sendo um pequeno músculo pode controlar todo o corpo levando-o a seguir a direção que a língua dá a ele.
O freio é uma peça de metal, colocada na boca de um animal para possibilitar o controle de todo o seu corpo. Um cavalo, que é um animal grande pode ser controlado por um pelo freio que é um pequeno instrumento. Da mesma forma, a língua, sendo um pequeno instrumento pode controlar um grande corpo.
TIAGO E A LINGUA DESENFREADA.
Tiago  fala que aquele que não refreia a língua está enganando a si mesmo e sua religião não tem valor algum. Neste versículo encontramos a palavra grega chalinagôgôn, e significa “levar com um freio ou cabresto, refrear”. A idéia é que o homem tem que colocar um freio em sua própria boca, não em outra pessoa. Se um cristão não consegue refrear sua língua, então toda e qualquer atitude de devoção sua nada mais é que um teatro, pois não tem valor (mataios) algum para Deus. No grego, mataios, significa “vão, vazio, inútil, improdutivo”.
Diante de todas essas imagens podemos concluir que o assunto da disciplina no uso da língua é de grande importância. O mal uso da língua pode comprometer seriamente o nosso testemunho cristão. Vejamos o que diz Tg 1:26. O mal uso da língua desacredita totalmente nossa religião. Quem faz mal uso da língua, na verdade engana-se a si mesmo.
O grande desafio que este ensino nos apresenta é que é muito difícil para uma pessoa comum não tropeçar em nenhuma palavra. Tiago nos fala que uma pessoa que não tropeça em palavras é uma pessoa perfeita (v.2). Perfeita na concepção de Tiago, é uma pessoa madura, de plena estatura moral e espiritual. De acordo com esta afirmação, se uma pessoa for capaz de controlar sua língua pode se considerar madura em Cristo e habilitada para realizar toda boa obra.
Com isso Tiago não quer dizer que os lideres (pastores e lideres em geral), sejam pessoas perfeita no falar. Segundo ele “todos tropeçam no falar”. Mas o que se espera de líderes é que vigiem para que não saiam de sua boca palavras que depreciem ou maltratem as outras pessoas.
Tiago 1.19-27
A carta de Tiago é muito prática. O apóstolo não vê o cristianismo como mera contemplação, mas na ação firmada naquilo que a Palavra de Deus afirma. Nesta parte Tiago começa com uma afirmação importantíssima: “Meus irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus.” (v.19,20).
Um dos grandes desafios da igreja é vivenciar a unidade de forma concreta. É possível que Tiago estivesse observando alguns pontos de contenda entre os irmãos, fruto do egoísmo de estar sempre em evidência. Geralmente somos nós mesmos os maiores culpados por alguns problemas que ocorrem na igreja. E por que? Porque não sabemos ouvir as pessoas. Ouvir é tão importante quanto falar. Em Provérbios 19:11 podemos ler o seguinte: “A sabedoria do homem lhe dá paciência.”. E em Provérbios 14:29 temos a seguinte afirmação: “O homem paciente dá provas de grande entendimento.”
Como eu posso me tornar melhor entendedor das pessoas em minha vida? Ouvindo as pessoas que estão ao meu redor. E não apenas por escutá-las, mas por ouvi-las. Em Provérbios 18:13 podemos ler: “Quem responde antes de ouvir mostra que é tolo e passa vergonha”. Isto é bem claro! Não avalie o que as pessoas fazem ou o que você ouve até ouvir tudo. Deus nos deu dois ouvidos e uma boca – o que significa que você deve ouvir duas vezes mais do que falar. Por isso Tiago adverte: “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”. O texto literalmente diz que o homem deve ser rápido em ouvir, que vem do grego tachys, ou seja rápido, depressa, ligeiro; e lento em falar e irar-se, que no grego é a palavra bradys, ou seja, lento, demorado.
Notamos que no versículo 19, o apóstolo reitera pela terceira vez: "meus amados irmãos!"
Ele não exclui quem quer que fosse da exortação: 'Todo o homem':

1º Deveriam ser prontos a ouvir;
2º Tardios a falar, e;
3º Tardios a irarem-se.

O apóstolo reitera alguns cuidados que os irmãos deveriam ter quanto a paciência. O homem paciente está pronto a ouvir! Esta recomendação tem dois aspectos dentro do contexto que Tiago procurou transmitir:

 a) Eles ouviriam prontamente a mensagem que estava sendo transmitida por meio da carta, e;
 b) Quanto fossem inteirados dos problemas existentes no seio da igreja ( Tg 2:1 -4), não partiriam para julgamentos precipitados, antes estariam prontos a ouvirem um pouco mais. Seriam pacientes.
As recomendações deste versículo soam como um freio à concupiscência de alguns, que eram atraídos a falarem precipitadamente ( Tg 1:13 -14).

Tiago utiliza o mesmo principio que Paulo ao exortar o homem a examinar a si mesmo. Este com poucas palavras, de maneira direita e incisiva.

20 “Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.”

Este versículo esclarece o versículo 15. A abordagem de Tiago tem inicio com a declaração: “Bem-aventurado aquele que suporta a provação” (v. 12). Este homem receberá de Deus o prometido, a coroa da vida, o que é pertinente ao homem livre do pecado.

Os que amam a Deus são aqueles que foram chamados segundo o seu propósito de fazer convergir em Cristo todas as coisas; estes não estão sujeitos ao pecado e têm direito à coroa da vida; antes eram sujeitos ao pecado, e, portanto, alijados da vida que há quando se está em Deus”.

 Nestes versículos podemos observar que dois temas são desenvolvidos paralelamente:
a) Não deveriam errar nas questões conceituais. Se Deus não muda, como conciliar ‘boa dádiva’ com ‘o tentar com o mal’?

b) A maldição do pecado só recai sobre aqueles que não perseveram, e, portanto, não são bem-aventurados.

Aqui no parágrafo (b) vemos  qual o tipo de ‘pecado’ que leva o cristão a morte.
O cristão que for atraído e engodado pela sua própria concupiscência (um exemplo prático que o apóstolo Tiago utiliza é a precipitação em falar (v. 19), não suportando a tentação, teria em si mesmo os elementos necessários a concepção da concupiscência.
É questão de tempo para a concupiscência tomar corpo e dar à luz o pecado e do pecado advém à morte!
O pecado que dá luz à morte é o lançar mão da ira.
Deus diz: “Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo” ( Hb 10:30 ).

Aquele que não suporta a tentação, que advém de uma cobiça e se põe a falar incontidamente, acabará se inflamando em sua própria ira. Este morrerá, visto que deixou de se sujeitar a justiça de Deus, que é pela fé.
Aquele que sai a vingar-se a si próprio está trilhando o mesmo caminho de Davi quando induzido por Nabal “Agora, pois, meu senhor, vive o SENHOR, e vive a tua alma, que o SENHOR te impediu de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse; e, agora, tais quais Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor” ( 1Sm 25.26 ).

O apóstolo Tiago prevendo que alguém poderia ficar indignado frente aos problemas que seriam relacionados nos versículo 1 a 5 do capítulo 2, antecipa-se e demonstra que, se alguém não adotasse o comportamento do versículo 19, incorreria em não estar sujeito a justiça de Deus, que é por meio da fé em Cristo.

Quem se deixar levar pela própria cobiça não suporta a provação, e passa a agir por conta própria alimentando sentimentos facciosos e soberbos, ações pertinentes a ira do homem.
Recomendações

v. 21 Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas.

Já que a justiça de Deus não coaduna com a ira do homem, o apóstolo concita os ouvintes a lançarem fora toda impureza e todo vestígio do mal. A imundície e superfluidade de malícia são descritas em Tiago três, treze a dezesseis.
A amarga inveja e o sentimento faccioso geralmente advêm da incontinência em falar e da pressa em vingar uma causa própria.
A prontidão em falar acintosamente e a ira não é próprio daqueles que são mansos, ou seja, a palavra do evangelho deve ser recebida em mansidão.

Tiago mais uma vez adverte os cristãos: “Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece, e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los.”. Como cristãos a nossa vida deve falar mais que o nosso discurso. Não podemos ser praticantes da Palavra vivendo um estilo de vida corrompido. Neste versículo podemos encontrar alguns vocábulos que apontam para esta ideia. Tiago diz, “livrem-se”, em que no grego aparece como apothemenoi  e que significa “pôr para fora, despojar-se”, uma metáfora que indica o ato de tirar roupas. O cristão deve se livrar de tudo aquilo que impede o crescimento espiritual e uma vida mais comprometida.
Por isso Tiago traz a afirmação: “livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece”. Impureza aqui vem do grego ryparia, e significa “sujeira, imundície”. A palavra era usada para descrever roupas sujas, bem como uma conduta moral impura e vulgar. E maldade vem do grego kakia, e significa mal, maldade, malícia. Esta palavra também pode ser traduzida como “iniquidade”. Desta forma, impureza e maldade representam uma postura indigna para aquele que se chama cristão.
A atitude correta é aceitar “humildemente a palavra implantada”, ou seja, acolher os preceitos divinos, vivendo por eles. O vocábulo emphytos, e indica que o evangelho de Cristo passa a dominar o nosso ser por inteiro, formando em nós uma nova perspectiva de vida. Esta palavra implantada nos leva a desfrutar da obra da salvação em toda sua plenitude.
22 E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.

Tiago solicita um compromisso com a palavra do evangelho. O compromisso com a palavra se estabelece quando o ouvinte resiste as tentações, é paciente, e manso. Este não esta se enganado a si mesmo.
 E diz mais no versículo 23 "Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;"

Dos versos 23 a 25 Tiago tenta demonstrar o contraste entre o que ouve e pratica a Palavra e aquele que é apenas um ouvinte sem fortes convicções. Aquele que é apenas ouvinte é comparado  “...a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência.” (v.23,24). Já aquele que ouve e pratica é como “o homem que observa atentamente a lei perfeita, que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer.” (v.25). Podemos ver aqui um contraste claro entre o “esquecer” do verso 24 e o “perseverar” do verso 25. E o que diferencia o ouvinte do praticante? A obediência. Jesus no sermão da montanha faz a distinção entre o sábio e o insensato, ou seja, aquele que vive e o que não vive na prática da sua palavra (Mt. 7:24-27).
É interessante notar que aquele que pratica vive na lei da liberdade e que é perfeita. Mas que lei é esta? Paulo escrevendo às igrejas da Galácia, disse: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão...Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.” (Gl. 5:1,13). A lei da liberdade é a lei do Espírito, em que somos dirigidos por Ele de forma a cumprimos a vontade de Deus em nossa vida.

Esta é a segunda comparação que Tiago faz.

Ele estabelece uma hipótese: “Se...”. Aquele que duvida é comparado à onda do mar, e o ouvinte que não pratica é semelhante a quem contempla o próprio rosto através de um espelho. A comparação se firma no versículo seguinte: 24 Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.

Através das comparações Tiago demonstra dois perigos:

a) O ouvinte esquecido ou relapso, e;
b) Ouvinte sem fé, que é levado de uma a outra parte “...porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte” (v. 6).

25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.

O apóstolo faz uma ressalva: “Aquele, porém...”.
O ouvinte que recebe a palavra com fé e a pratica, este é o que atenta bem para a mensagem do evangelho, a lei perfeita.
A lei que não deixa alternativa de escolha não é perfeita. A lei perfeita deixa alternativa entre cumprir e o não cumprir
Cuidado Social: No verso 27 podemos encontrar esta indicação apontando para os órfãos e viúvas. A palavra grega episkeptesthai  significa “olhar, cuidar, visitar, auxiliar”. Geralmente esta palavra era usada indicando a visita aos enfermos. O cuidados aos órfãos e viúvas está prescrito no Antigo Testamento como forma de imitar o próprio cuidado de Deus com estas pessoas (Êx. 22:22; Dt. 10:18; 14:29; 24:17,19-21; 26:12,13; 27:19). Podemos ler o Salmo 68:5 que diz: “Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada.”. Em Isaías podemos ver o profeta dizer: “Lavem-se! Limpem-se! Removam suas más obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva.” (Is. 1:16,17). Os cristãos que desejam ser reconhecidos como filhos de Deus devem imitar a conduta dEle.
Viúva -  "chera” (χήρα) - “viúva”, ocorre em Mt 28.13 (em alguns textos); Mc 12.40.42,43; Lc 2.37; 4.25; 4.26 (literalmente, “uma mulher, uma viúva”); Lc 7.12: 18.3,5; 20.47; 21.2,3; At 6.1; 9.39,41; 1 Tm 5.3 (duas vezes); 1 Tm 5.4,5,11; 5.16 (duas vezes); Tg 1.27; em 1 Tm 5.9, diz respeito a “viúvas” anciãs, reconhecidas para receberem apoio ou sustento da igreja (cf. 1 Tm 5.3,16).
A Verdadeira Religião
Tiago  escreveu um dos livros mais práticos da Bíblia que fala sobre a importância de mostrar fé ativa e obediente, e de deixar a palavra de Deus entrar nas profundezas do coração.
A ênfase neste parágrafo é sobre o autoengano (1:22,26). Se um crente é enganado porque o diabo o engana é uma coisa, mas se ele peca porque engana-se a si mesmo, é uma coisa muito mais séria.
“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta; Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se incontaminado do mundo” Tiago 1.26-27.
Religião aqui deve ser entendida não como um corpo de doutrinas, mas de uma postura adequada diante de Deus, ou seja, qual a forma verdadeira de culto que agrada a Deus. Tiago nos adverte que se pensamos ser religiosos sinceros, mas não atentamos para as três verdades aqui descritas nossa religião é vã.
Tiago neste texto fala sobre a religião verdadeira ("pura e sem mácula"), este termo traz algumas implicações:

1 - Falar em religião verdadeira,  implica que há religião falsa.
Nem toda expressão religiosa é boa. Nem todos os caminhos levam a Deus. A ideia pós-moderna de que religião não é importante, é equivocada. O homem não chegará a Deus seguindo uma religião falsa, tanto quanto um homem que comprou uma passagem para Ramos poderia chegar a Roma.
2 - Falar em religião pura em sem mácula implica haver religião misturada (verdade e erro sendo ensinados juntamente).

Milhões de pessoas se dizem RELIGIOSAS, a prova disto é a quantidade enorme de Religiões   no mundo, acrescente se a estas as que vão sendo criadas pelos homens, mesmos os ATEUS que dizem não professar nenhuma religião, são religiosos, pois escolheram não servir aquele que os criou e servem aos seus próprios pensamentos. Existem basicamente dois tipos de religiões , a religião humana, criada pelos homens, com suas próprias regras  e que não leva as pessoas para Deus, o máximo que podem alcançar é praticar algumas boas ações, e o segundo tipo de religião , é a criada por Deus , El e estabeleceu que para qualquer ser humano se RE LIGAR a Ele, precisa reconhecer Jesus Cristo como o meio, ligação entre Deus e os homens. Os homens criaram muitas religiões, Deus criou um somente, Jesus Cristo.

Como saber se a nossa religião é verdadeira?
E a resposta de Tiago é que:
I - Uma das maiores implicações da religião verdadeira é que ela renova em nós a imagem de Deus
A verdadeira religião se expressa na vida do cristão por meio do cuidado com os necessitados: "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações".
Lembre-se da parábola do bom samaritano: aquele que amou o seu próximo foi, não o líder religioso, mas o inimigo que parou e socorreu o necessitado.
Deus ama o órfão e a viúva, símbolo de todos os desamparados e esquecidos, e deseja cuidar deles por meio de sua Igreja. Se somos cristãos verdadeiros, devemos ter o mesmo cuidado que ele tem.

II – Sua religião molda em você o caráter de Deus, ou seja, Santidade? (veja Tg 1.27)
"a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo"
Tiago diz que religião sem santificação é falsa, mentirosa e maculada.
O autor de Hebreus ensina a mesma verdade quando diz: "Segui (...) a santificação, sem a qual, ninguém verá o Senhor" (12.14)
Você tem crescido em santidade? tem odiado e abandonado o pecado e crescido em fazer o que agrada a Deus?
III – Sua religião leva você a ter o mesmo critério que Deus tem no trato com os outros, ou seja, não olhar as aparências? (veja Tg 2.1-5)
É fácil amar o rico cheiroso e desprezar o pobre andrajoso? É mais um dos que adulam os ricos e poderosos e desprezam o pobre?


A primeira manifestação de uma adoração sincera é manter a língua refreada. Quantos “santos fofoqueiros” e quantas “santas faladoras” encontramos nos arraiais evangélicos. O próprio Jesus nos adverte em Mateus 12.37 “Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado”. Isso tem faltado a muitos seguidores de Jesus: sobriedade no falar, piedade no relacionamento com o mundo e austeridade nas palavras.
O termo hebraico para palavra é “Dabar”, que significa a extensão de nossa personalidade. O judeu entendia que o que uma pessoa é ela fala. O seu caráter fica explicito nas palavras.  “A boca fala do que o coração está cheio”.  O cristão verdadeiro não fala por falar, ele não aumenta, ele não difama, ele não sente satisfação em passar para outros notícias desagradáveis, não exulta com infâmias, não julga pois não tem esse direito.
A segunda manifestação de verdadeira adoração a Deus é “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições”. Muitos cristãos são levados a pensar que o culto que agrada a Deus é só o momento de culto na igreja. Tiago não nos ensina só uma religião mística,  de contemplação, que a tantos faz bem, mas que isoladamente não prova muita coisa.
“Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições” é manifestar simpatia e solidariedade aos que sofrem privações (materiais, físicas, emocionais e espirituais). As pessoas não são somente almas para salvar, mas reais, concretas, com necessidades em todas as áreas da vida. A palavra visitar no grego é “episképtomai”, que significa olhar, cuidar, visitar, auxiliar”. visito para socorrer”. E isso não é só manifestar solidariedade ou orar.
É uma visita para prover as necessidades da pessoa integral. Convenhamos que é bem mais fácil falar ou orar do que desembolsar bens e dinheiro, levar ao médico, ajudar nas tarefas do lar, etc. A oferta que agrada a Deus é socorrer os necessitados. Em Atos 10.38 lemos sobre Jesus “...com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele”. Jesus de Nazaré andou fazendo o bem.
- A religião que cuida apenas das necessidades espirituais, encarando o homem como um ser descarnado, não é muito proveitosa.
O terceiro aspecto da religião verdadeira é “guardar-se incontaminado do mundo”.  Os dois conceitos ensinados no verso 27 não podem ser separados. Bondade e santidade devem andar juntas. Alguém bom que não seja santo cairá quando as tentações se avolumarem.
Alguém santo que não pratique a bondade é incoerente. A santidade não pode ser só no semblante doce, mas uma atitude para com Deus, que inevitavelmente refletirá nas atitudes para com o próximo. Santidade e insensibilidade não devem caminhar juntas no cristão.
Língua moderada, construtiva somente, amor ao próximo expresso por atitudes concretas, reais, e não somente lamentação, e busca da santidade incessante, esta é a religião verdadeira, na pratica, e não uma religião mística de adoração e contemplação.
Lamentavelmente, muitas igrejas pouco investem em trabalhos sociais, e as que investem, algumas ainda cometem o erro de limitar-se apenas a estes trabalhos, deixando de lado uma ajuda mais específica a alguns membros dessas próprias igrejas.
Para Tiago a religião pura e imaculada para com DEUS, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.
1.27 A RELIGIÃO PURA E IMACULADA. Tiago fala de princípios que definem o conteúdo do verdadeiro cristianismo.

O amor genuíno pelos necessitados. Nos dias do NT, os órfãos e as viúvas tinham poucos meios de auto sustento; em muitos casos, não tinham ninguém para cuidar deles. Esperava-se da parte dos crentes que lhes demonstrassem o mesmo cuidado e amor que DEUS revela aos órfãos e às viúvas (ver Dt 10.18; Sl 146.9; Mt 6.32; Dt 24.17; Sl 68.5). Hoje, entre nossos irmãos e irmãs em CRISTO, há os que precisam de ajuda e cuidados. Devemos procurar aliviar suas aflições e sofrimentos e, dessa maneira, mostrar-lhes que DEUS tem cuidado.
 

Tiago diz que o amor ao próximo deve estar acompanhado do amor a DEUS, expresso na separação das práticas pecaminosas do mundo.
“O que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será ouvido“. (Provérbios 21.13)
Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece também que, em muitos casos, a pobreza é simplesmente fruto de um estilo de vida pecaminoso: “Não ames o sono, para que não empobreças; abre os teus olhos, e te fartarás de pão”. (Pv 20.13) “A preguiça faz cair em profundo sono; e o ocioso padecerá fome”. (Pv 19.15) “Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência cobrirá de trapos o homem”. (Pv 23.20-21)
É por isso que o Apóstolo Paulo ensinou que nós não devemos ajudar aqueles que, podendo trabalhar, não trabalham e acabam empobrecendo por viverem na iniquidade da preguiça:
“Mandamo-vos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebestes. Porque vós mesmos sabeis como deveis imitar-nos, pois que não nos portamos desordenadamente entre vós, nem comemos de graça o pão de ninguém, antes com labor e fadiga trabalhávamos noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós… Porque, quando ainda estávamos convosco, isto vos mandamos: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes intrometendo-se na vida alheia; a esses tais, porém, ordenamos e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando sossegadamente, comam o seu próprio pão”. (II Tessalonicenses 3.6-12)

Resumindo a fé sem obra é MORTA. "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." (Tiago, 2:17)


A igreja moderna, a igreja de hoje, ou seja, NÓS, simplesmente fingimos que não vemos.
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                               Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.Th.B.TH.D.)

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