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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

DAVID WILKERSON, FUNDADOR DO DESAFIO JOVEM

David Wilkerson foi o fundador e presidente do “Desafio Jovem”, que é uma organização sem fins lucrativos fundada em 22 de Setembro de 1971. Reverendo Wilkerson foi autor de trinta livros de sua inspiração, visando o ministério para viciado em drogas, jovens e membros de gangues em Manhattan, no Bronx, e no Brooklyn. Sua história é contada na Cruz e o Punhal, um livro que bateu o recorde de venda. (A história tem sido lida aproximadamente por 50 milhões de pessoas em trinta línguas e 150 países desde 1963. Em 1969, o filme do mesmo título foi lançado e ainda é visto por milhares de pessoas).

Em quatro décadas de ministério evangelístico do Reverendo Wilkerson, que incluiu: pregação, ensino e a autoria de vários livros, foi possível alcançar um número significativo de pessoas em todo o mundo. Durante todo esse tempo, também foi preservado uma das características fundamentais deste trabalho, que era assistir aos mais carentes e necessitados entre a população, isto através de uma grande mobilização evangelística-social, cujo um dos objetivos é reintegrar os marginalizados à sociedade, proporcionado-lhe uma nova vida em Jesus Cristo. Até antes de falecer, aos 79 anos, David Wilkerson saía às ruas de Nova Iorque acompanhado de um assistente. Nessas ocasiões, ele também visitava a Broadway e a Oitava Avenida, evangelizando os transeuntes. Sua missão foi sempre procurar o perdido, o desorientado e o derrotado, para pregar a eles sobre o Cristo vivo.

David Wilkerson, nascido em Indiana, no ano de 1931, casou-se em 1953 com Gwen Carosso. Teve dois filhos que são ministros e suas duas filhas são casadas. Ele teve 11 netos. Os Wilkersons vinham servindo ao Senhor na Pensilvânia, até que o Reverendo Wilkerson viu uma fotografia em uma revista sobre violência urbana, que mostrava vários adolescentes assassinos da cidade de Nova Iorque. Movido pela compaixão, ele foi à cidade em fevereiro 1959. Foi assim que ele começou seu ministério de rua. Depois atuou como escritor, visando alcançar os chamados: "desesperados, confundidos e violentos nas ruas e do submundo".

Naquele ano, o Reverendo Wilkerson encontrava um desafio no seu ministério: eram os adolescentes do Brooklyn, Nova Iorque; mas ele, enfim, alcançou a juventude e adultos com problemas através de seus 490 centros de reabilitação social, em todo o mundo (no Brasil existem grupos em São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul, etc). Estes são ministérios de recuperação baseados em um programa para viciados em drogas, os quais têm sido reconhecidos como os maiores centros de recuperação do mundo. Um estudo do Instituto Nacional do Governo dos Estados Unidos de Uso de Droga comprovou a recuperação através do Desafio Jovem, de adolescentes e jovens na marca de 86%.

A Cruzada da Juventude do David Wilkerson, originada em 1967, deu início a um ministério evangelístico, caracterizado por esforços do Reverendo Wilkerson para alcançar os adolescentes e crianças que foram abandonadas, para prevenir que eles caminhem para uma vida de escravidão nas drogas, álcool ou na violência. Através deste ministério, CURA (Centro Urbano de Recuperação de Adolescentes) tem-se recuperado muitas vidas preciosas. O CURA foi um esforço para realizar o idealismo e o sacrifício de muitas pessoas, jovens e cristãos que souberam sobre este trabalho de paz, e desejavam ajudar os necessitados.

Em 1971, o ministério se expandiu e o Reverendo Wilkerson, movido por uma chama missionária, saiu do Texas, sede de seu ministério e do Desafio Jovem, para uma Missão específica de transmitir a eterna mensagem de Cristo através dos seminários para um público cristão, com objetivo de prepará-los para a tarefa de resgatar outras vidas para Cristo. O Desafio Jovem serve como um ponto de partida para cruzadas do Reverendo Wilkerson, conferências dos ministros, livros e produção de vídeo, escolas bíblicas, evangelismo de rua, distribuição de literatura, investimentos em programas antidroga.

Ele continuou como presidente do Desafio Jovem, ministrando palestras para centenas de milhares de pessoas que, regularmente, recebiam cópias dos sermões e notícias do ministério. O Reverendo Wilkerson, pessoalmente, lia os pedidos de oração, auxiliado pela sua esposa Gwen, que o ajudava a ler as milhares de correspondências, que chegavam mensalmente. Respondia as cartas e intercedia pelas necessidades nelas expressas, levando-as a Deus em oração.

Em 1986, o coração do Reverendo Wilkerson se moveu outra vez para levantar um ministério na Times Square. Ele chorou pedindo a Deus para fazer alguma coisa, e em um dia, pela manhã, sentiu o Senhor falando ao seu coração: "Você sabe que eu amo essa cidade". Naquele momento, a igreja “Time Square Church” foi idealizada. A igreja foi inaugurada em outubro 1987 e, desde então, está com as suas portas abertas. Primeiro em um auditório alugado e depois no Teatro do Hellinger, que o ministério adquiriu em 1989. A igreja está localizada no coração do Distrito de Manhattan. O teatro é belo, em contraste à pobreza e necessidades dominantes daquela área. E a congregação é composta de 8.000 pessoas, da Cidade de Nova Iorque: entre doutores, estudantes, professores, advogados, viciados e os desabrigados, enfim todas as classes.

No dia 27 de Abril de 2011, aos 79 anos de idade, a trajetória de David Wilkerson foi interrompida bruscamente, vindo ele a falecer em um acidente automobilístico, ocorrido em uma estrada do Estado do Texas, EUA, tendo sua esposa Gwen sofrido ferimentos. Entra para a história como um dos maiores evangelistas do século XX, um homem apaixonado por Cristo, pelas pessoas e pelo Reino de Deus.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Teologia do Livro de Jonas

Jonas é um livro que examina a questão do porquê a perplexa misericórdia de Deus é, por vezes, dispensada às pessoas que não parecem merecê-la. As nações parecem ser subjugadas. Jonas é um hebreu, e não um israelita (1:9). Ele ignora uma série de perguntas visando saber sua nacionalidade (1:8-9). A origem racial dos marinheiros não é mencionada. Audiência de Jonas é chamada de “os homens de Nínive”, não “assírios”. Não há referência direta no livro para a eleição de Israel ou a sua história da salvação especial.
Também não há qualquer menção dos pecados históricos da máquina militar assíria que era tão bem conhecida no antigo Oriente Próximo. Ao rei de Nínive não é citado por nome, como é o capitão do navio. Identidades ou nacionalidades não são importantes. Em vez disso, o destaque é sobre a relação das pessoas com Deus. O Livro de Jonas não é uma história sobre judeus e gentios, mas sobre como Deus se relaciona ao arrependimento total aqueles que menos esperam recebê-lo.

§ 1 Teologia

Deus está no controle total das forças da natureza, mas não faz parte delas. O mar não é uma pessoa, mas uma parte da criação. Yahweh pode fazê-lo raivoso ou calmo (1:4, 13, 15). Ele pode enviar o vento e provocar uma tempestade (1:4). Ele pode remover as nuvens e fazer o sol permanecer em toda a sua força (4:8). Ele pode usar o vento do deserto feroz para realizar Seu plano (4:8).

Ele pode nomear enormes habitantes das profundezas (2:1) ou comissionar um verme (4:7) para fazer Sua vontade. Se Ele quiser, Ele pode fazer uma planta especial vir acima da terra para cumprir Seu propósito (4:6). Ele também pode controlar as pessoas, mesmo aquelas que não foram previamente conhecidas. Em Jonas 1:15 os marinheiros jogam Jonas no mar, mas em 2:4 a ação é atribuída a Yahweh. Ele é o Deus do céu, mas também Criador do mar e a terra seca (1:9).

O corolário da doutrina da criação é que o desejo primordial do Criador é preservar a vida e não levá-la. Ele tem piedade das massas repletas de pessoas e animais que podem estar em perigo de destruição, porque Ele é o Criador e Sustentador destes (4:10-11). Não há como escapar deste soberano Criador. Não se pode mesmo ir para o mar até os confins da terra onde a Palavra de Deus nunca foi pronunciada (1:4;. Cf Is 66:19). Jonas não pode sequer esconder-se no piso mais baixo do navio (1:5). Aqui o capitão encontra Jonas e inconscientemente repete alguns dos termos da comissão original de Jonas ("Levanta-te, chama" 1:2, 6).

O Senhor soberano controla todas as coisas de forma que os homens no navio identificam Jonas como a fonte da calamidade (1:7-10). Os marinheiros sabem que Deus é soberano e que Ele faz o que quer (1:14). Ele não pode ser resistido até mesmo pelos indivíduos mais teimosos. Sua vontade não pode ser anulada pela força de vontade mais intensa (1:5, 13). Ele não pode ser manipulado em ação por encantamento ou ritual. Deus é “misericordioso e compassivo, lento para a ira ... e cheio de amor, um Deus que se arrepende de enviar calamidade” (4:2). Ele não deseja que ninguém pereça, senão que todos venham para a salvação. Em Nínive Deus viu as suas obras e não a nacionalidade (4:10).

O corolário da doutrina da criação é que o desejo primordial do Criador é preservar a vida e não levá-la. Ele tem piedade de das massas repletas de pessoas e animais que podem estar em perigo de destruição, porque Ele é o Criador e Sustentador destes (4:10-11). Não há como escapar deste soberano Criador. Não se pode mesmo ir para o mar até os confins da terra onde a Palavra de Deus nunca foi pronunciada (1:4;. Cf. Is 66:19). Jonas não pode sequer esconder-se no piso mais baixo do navio (1:5). Aqui o capitão encontra Jonas e inconscientemente repete alguns dos termos da comissão original que Jonas recebeu (“Levanta-te, chama” 1:2, 6).

Pessoas religiosas querem usurpar a prerrogativa sagrada de Deus de escolher aqueles que são seus. Jonas acredita que os que adoram ídolos automaticamente perdem a graça salvadora (2:9-10). Ele acredita que, porque ele realiza certos rituais ele é, portanto, digno da salvação. Ele está, naturalmente, sem saber que os marinheiros, aparentemente sob a orientação do Espírito Santo, também ofereceram sacrifícios e fizeram votos (1:16). Parece ser a natureza humana tentar alcançar a salvação pelas obras. Os marinheiros rezam, mas também jogam fora a carga, sortes, e interrogam (1:5-13). Mas, no final, eles aprendem que Deus é soberano e as pessoas devem ser salvas pela simples submissão à Sua vontade (1:15).

§ 2 Ética

Os gentios no livro de Jonas não são reprovados de forma alguma por sua idolatria. O pecado é identificado como má conduta e violência em suas mãos (3:8). De acordo com Isaías 59:6-8 isso pode incluir o derramamento de sangue inocente e vários tipos de injustiça. Quer incluísse os Ninivitas já soubesse disso ou não. À elas são dadas nenhuma instrução pelo profeta sobre a piedade.

A santidade da vida é um tema central do livro. Mesmo que os marinheiros soubessem que deviam jogar Jonas ao mar, eles têm medo de derramar sangue inocente (1:14). Em outras muitas cenas que identificam uma pessoa supostamente ameaçando a vida da comunidade, o juiz, após verificar o que foi feito, procura passar a sentença de morte imediatamente. Mas, em Jonas, se vê esses “juízes” fazendo tudo o que for possível para evitar a execução da pena de morte. No Livro de Jonas não é só tirar a vida de um último recurso, mas todas as medidas possíveis devem ser tomadas para preservar a vida.

Raiva de Jonas e desgosto na salvação da grande cidade (4:1-2) são descritos com o mesmo vocabulário usado para retratar a ira assassina de Caim (Gênesis 4:5-6). Como Caim, Jonas é questionado sobre sua atitude (4:3, 9; Gen 4:6). Como Caim, Jonas sai da presença de Deus (1:3; Gen 4:16). Ambos vão para o leste e constroem algo (4:5; Gen 4:16-17). Jonas fica extremamente feliz ao passo que ele observa para ver o que vai acontecer em Nínive (4:6). No uso da linguagem e estilo em que Caim é retratado o autor claramente rotula a atitude insensível de Jonas sobre a vida humana como assassina.

§ 3 Soteriologia

A salvação é posse exclusiva do Senhor (2:10). Deus é soberano e pode ter misericórdia de quem Ele escolher (Êxodo 33:19; Rom 9:15). Outros profetas foram confrontados com a morte por desviar-se de sua vocação (Nm 22:33; 1 Reis 13:24). Jonas se recusa da comissão inteira, depois repreende Deus (1:3; 4:2-3), e quase desafia a Deus matá-lo. No entanto, ele escapa ileso no final do livro. Deus parece sempre disposto a aceitar o arrependimento sincero, mesmo se se trata de pessoas que tiveram um pronunciamento de morte pronunciada sobre eles (3:4-10). Assim, o livro pode ser pensado como um midrash sobre Jeremias 18:7-10. Estes versos estabelecem a regra geral de que qualquer nação sob a proibição que se arrepende encontrará vida. O Livro de Jonas é um exemplo específico, concreto esta decisão.

No início do livro de Jonas aparece o oposto. Aqui temos um profeta credenciado que era o servo do Senhor. Ele está às portas da morte por sua desobediência. Sua deserção mostra como é fácil tornar-se alienado de Deus. Em Jonas 1:3 cinco ações curtas seguem uns aos outros em sequência rápida. Tudo parece ir muitíssimo bem para conseguir o profeta cumprir sua missão ao chegar na cidade de Tarso. Enquanto a vida ainda permanece, nunca é tarde demais para rezar pela salvação. Como Jonas está no ponto de perder a consciência, ele se lembra, e sua oração leva à sua libertação (2:1, 6, 8). Jonas e os Ninivitas aparecem como paradigmas ilustrando os candidatos menos prováveis ​​para a salvação. Aquele que são verdadeiramente penitentes devem, como o rei de Nínive, remover todos os símbolos da soberania pessoal e abdicar do trono a reconhecer a soberania total de Deus (3:6). Curiosamente, a salvação pela fé não é enfatizada. Em 3:10 Deus vê as obras dos ninivitas que são uma consequência de sua crença em Deus (3:5).

Paul Ferguson

Teologia do Livro de Habacuque

O profeta Habacuque enfrentou a violência e a injustiça do rei Jeoaquim (609-597 a.C ver Jer 22:13-18), bem como o ataque cruel de Babilônia. Curiosamente o livro que leva seu nome começa com uma descrição estendida da vinda dos caldeus. Isto tem um efeito perturbador sobre Habacuque (1:6-11), levando-o a focar os problemas em torno dele ainda mais. O livro termina com uma revelação da incrível vinda de Deus (3:3-15). Isso faz com que Habacuque se concentrar em Deus, o que resulta em paz alegre (3:17-19).

O livro começa com um lamento perguntando “porquê” e “quanto tempo”, mas termina com um cântico de vitória. O triunfo da fé na vida de Habacuque mostra que a nossa maior luta não vêm em nosso relacionamento com outras pessoas, mas em nosso relacionamento com Deus.

§ 1 Teologia

As obras de Deus são incompreensíveis, estupefaciente, e às vezes terríveis (1:5, 3:2, 16). Ele tem o controle soberano sobre a história humana. O aparentemente invencível exército caldeu torna-se totalmente subserviente ao Seu desejo (1:6). Seus decretos parecem lento, mas eles são infalíveis e cheios de certeza (2:3). Ele é entronizado no seu santo templo e toda a terra deve manter silêncio diante dEle (2:20).

Deus é eterno e imortal (1:12). Ele é santo e incapaz de ver o mal (1:13). Sua sua glória se estende por todas as forças da natureza. O sol e a lua são oprimidos por Seu brilhantismo (3:3, 11). Todos os fenômenos terríveis da tempestade participam de Sua vinda, mas ele é separado de tudo isso. Toda a natureza é uma criação passiva que deve fazer o Sua vontade. Ele é exaltado no seu templo (2:20), mas Ele é um Deus pessoal que pode ser chamado de “meu Deus” (1:12). Ele possui estabilidade imutável tal que pode ser chamado de “Rocha” (1:12).

Deus não é afetado pela idade. Ele pode atuar hoje com o poder como sempre fez. Habacuque encontra em cima de sua torre de vigia uma teologia suficiente, mesmo para uma nação confrontada com o seu desaparecimento. O salmo no capítulo 3 reflete os pensamentos de Habacuque sobre os atos salvadores de Deus do passado (v. 2). Talvez ele regularmente tenha ouvido os cantos sobre os atos redentores de Deus em Moisés (Dt 33:2-5, 26-29), por Débora e Baraque (Juízes 5), e por David (Salmo 18). Seu salmo é quase de citações diretas deles (cf. Salmo 18:33; com Hab 3:19).

A diferença mais marcante é que as antigas tradições do profeta baseia-se regularmente na força retratar da vinda do Guerreiro Divino no tempo perfeito do verbo hebraico, denotando ação concluída. Habacuque, no entanto, consistentemente usa o pretérito imperfeito para enfatizar a ação progressiva, mostrando claramente que Ele vê esses eventos acontecendo diante de seus olhos em uma visão de fé. Habacuque vê o Deus que vem, não para derrotar o deus do mar como na mitologia cananéia, mas em nome de seu povo oprimido e disperso. Através dos olhos da fé pode ver Habacuque o incrível poder de Deus que foi desatado em seus dias contra as nações arrogantes que destruiriam os escolhidos de Deus (3:13, 16).

Todas as forças da morte e destruição estão sob o comando de Deus. Todos os tipos de armas invencíveis estão à sua disposição. Carros não pertencem ao faraó, mas a Deus. Seu lanças brilhante e suas espadas deslumbrantes assustam até mesmo o sol e a lua, em silêncio atordoado (3:11). Ele atropela o mar em sua fúria antiga (3:8, 15). Os objetos mais permanentes e imóveis são sacudidos violentamente na sua vinda (3:6, 10). A geografia em si é radicalmente alterada diante dEle (3:9). Os espectadores ao longo do percurso de sua marcha estão abalados (3:7). O palácio de Baal se desintegra em pó quando o Senhor, o Guerreiro Divino, passa em seu caminho para a batalha em outro lugar.

§ 2 Antropologia

As pessoas tendem a ser violentas, impulsivas, destrutivas e injustas. A natureza humana é tal que se a justiça é tardia, eles são rápidos a fazer o mal. Os seres humanos são propensos a recolher o que não pertence a eles com ganância insaciável (1:5-6, 9; 2:5-8). Eles adoram poder, ou o que eles consideram ser necessário para um estilo de vida elegante (1:11, 16).

Mas enquanto as pessoas possam ser ferozes, eles também são frágeis, dependentes e propensas a auto-destruição (1:14-15). Eles podem ser tão indefeso como um peixe capturado em uma rede (1:14). Eles podem ser tão erráticos como criaturas rastejando sobre a terra. Apenas um ato direto de Deus pode nos salvar de nós mesmos. A verdadeira vida não é para ser encontrado em uma atitude arrogante e auto-confiante, mas pela fé em Deus (2:4).

§ 3 Soteriologia

Habacuque procura febrilmente respostas teóricas, mas ao invés disso, a ele é dada uma forma prática de se relacionar com sua vida. Ele é desafiado para uma vida de fé que vai levá-lo ao longo do período entre profecia e cumprimento: “O justo viverá pela sua fé” (2:4). A fidelidade é um sentimento interno de dependência total, uma atitude interior, bem como a conduta que produz, ao invés de um comportamento exterior. Aqueles de fé vão olhar para trás para os atos salvadores de Deus e serão capazes de enfrentar o futuro desconhecido sem medo. Fé de Habacuque é tão vívida que através dos olhos de sua alma ele já pode ver a salvação de Deus.

Fé de Habacuque vem pelo ouvir a palavra. Ele enche seu coração com as palavras de Deus. Tornam-se tão real para ele que ele é capaz de falar abertamente delas, para adicionar o seu próprio testamento à fé como uma das maiores afirmações de confiança em toda a Bíblia. Ele sente que em sua vida, ele pode ver privações e fome, mas também sua fé, baseada nas tradições recebidas, permanece viva em seu coração no presente, o que lhe dá alegria (3:18). Sua fé proporciona alívio e êxtase. Ele é tão livre quanto um cervo nas montanhas (3:17-19). A pessoa que vive pela fé é contrastada com a pessoa arrogante, soberbar cuja alma não é correta com Deus. O escritor do livro de Hebreus segue a Septuaginta, que verte a primeira parte do verso como “se ele recuar, não estarei satisfeito com ele” (Hb 10:38), e depois continua a dizer que “nós não somos daqueles que recuam e são destruídos, mas dos que creem e são salvos”.

§ 4 Ética

A ganância insaciável leva apenas à frustração (2:5). Tais pessoas se tornam vítimas de picantes provérbios (2:6). A propriedade pessoal é inviolável aos olhos de Deus (1:6). Aqueles que vivem apenas para as coisas e tentam escravizar ou usar o seu próximo em seu benefício vão ter o mesmo destino (2:6-7). Deus é especialmente sensível ao sofrimento dos mais fracos e indefesos, pronunciando um ai sobre aqueles que se aproveitam deles (2:10-12). O edifício não é errado em si, mas fazê-lo à custa dos outros faz mesmo as vigas gritar (2:11-12). Deus está igualmente preocupado com a exploração dos recursos naturais, como cedros do Líbano usados ​​no programa de construção de Nabucodonosor e os animais que ele implacavelmente caçava (2:17).

Pessoas que estão arrogantemente tentar estabelecer seu ninho nos céus à custa dos outros estão realmente pecando contra si mesmo (2:9-10). Não está claro se a desgraça pronunciada contra a bebida é literal ou figurada, mas o cálice acabará por passar de volta para o primeiro que ofereceu (2:15-16). A idolatria carrega seu próprio julgamento, deixando o adorador sem esperança (2:18-19). Os problemas diversos pronunciados por Deus indicam que ele vê tudo, certamente mais do que o profeta vê. Em seu próprio tempo bom Ele vai agir. Mas Ele não será impulsionado pelas emoções, não vai agir até que a plenitude dos tempos venham.

§ 5 Escatologia

Haverá um dia em que a Terra estará cheia do conhecimento da glória de Deus como as águas cobrem o mar (2:14). Este é o objetivo final de toda obra de Deus. A história não é cíclica, a repetição interminável de uma coisa ruim depois da outra. É linear, movendo em direção à meta do reino de Deus. O profeta sabe que não há poder no mundo da natureza ou de qualquer governante humano que possa subverter o plano de Deus para o mundo. Deus ainda está trabalhando na arena da história humana. Ele ainda não abandonou o profética para o apocalípse. Precisamos do senso vivo da fé de Habacuque. O que está acontecendo em nosso mundo é a obra de Deus, embora nem sempre entendamos essa obra.

Paul Ferguson

Teologia do livro de Provérbios

A teologia do livro de Provérbios consiste em cinco aspectos: (1) Deus tem imutavelmente estruturado tanto do cosmos e da sociedade; (2) Deus revelou a estrutura social através deste livro, (3) a estrutura social consiste em uma ação conexões que une e destino; (4 ) a adesão a estrutura ordenada do Senhor é uma questão do coração, e (5) as palavras são poderosamente eficaz na formação dos corações jovens.

§ 1 Uma Sociedade Estruturada.

A mulher sabedoria, uma personificação dos ensinamentos de Salomão, estava presente quando o Senhor criou o mundo com os seus vastos mares, a sua altos céus, e sua boa terra (8:22-26), e celebrou diariamente a maneira pela qual ele fixava os limites dessas entidades vastamente cósmicas, permitindo que a humanidade vivesse dentro deles (vv. 27-31). Ela encantou-se quando ele partiu o mar, estabelecendo seu limite (v. 29). A celebração da sabedoria na ordem beneficente do Senhor sobre o cósmico pelo qual ele conteve o caos no tempo primordial corresponde ao seu papel na eliminação de ordem social, restringindo o mal dentro do tempo histórico. Por seguir estes ensinamentos relativos, entre outras coisas, para a aquisição de riqueza duradoura (10:2-5), realizando atos de justiça de caridade para com os necessitados (vv. 6-7), e falando para formar relacionamentos amorosos (vv. 10 -14), os fiéis esculpem para si um reino eterno (8:15-21). O sábio vive em segurança dentro dos limites desses ensinamentos, mas os insensatos, que sem disciplina desenfreadamente desejam avidamente o que está fora desses limites prescritos (10:3 b), morrem por transgressão da ordem do SENHOR (4:10-19).

Estas estruturas sociais não existem de forma autônoma, independente do Senhor, que os ordenou. Pelo contrário, o Senhor sustém a eles: “Ele tem a vitória em reserva para os retos, ele é um escudo para aqueles cuja caminhada é irrepreensível, para aquele que guarda o curso do justo e protege o caminho de seus fiéis” (2:8 - 9;. cf 3:26; 5:21-23; 16:1-5). Os provérbios são verdadeiros somente se Deus sustentá-los. A fé não está nos provérbios em si, mas no Senhor que está por trás deles (3:5; 22:19). De fato, os ensinamentos deste livro são equiparados a conhecer o próprio Deus: “Meu filho, se você aceitar as minhas palavras... então você vai encontrar... o conhecimento de Deus” (2:1, 5).

§ 2 A Estrutura Revelada.

Salomão explica por que aceitar seus ensinamentos relativos a estruturas sociais fixas é equivalente ao conhecimento de Deus: “Porque o Senhor dá a sabedoria, e de sua boca procedem o conhecimento e o entendimento” (2:6). A boca de Salomão tornou-se boca de Deus.

Deus falou de várias maneiras em tempos passados ​​aos pais (Hb 1:1). Ao contrário de Moisés, que falou com Deus face a face, e os profetas, a quem deu visões e sonhos (Nm 12:6-8), o Senhor “falou” a Salomão e outros sábios inspirados, como Agur (Pv 30:1) e o Rei Lemuel (31:1) através de suas observações da criação e da humanidade. O laboratório do sábio é o mundo. “Passei pelo campo do preguiçoso”, escreve ele, “[onde] espinhos tinham vindo em todos os lugares ... e na parede de pedra estava em ruínas. Apliquei o meu coração para que eu observasse” (24:30-32). Ao que ele escreve de seu provérbio: “Um pouco de sono, um sono pouco... e pobreza há de vir sobre vós como um bandido” (vv. 33-34). Em outras palavras, o sábio inspirado observa que, dentro da criação caída há um princípio de entropia que destrói a vida, mas com disciplina pode-se superar o caos ameaçador. É claro, o sábio é um mestre moral, não um cientista natural. Sua retirada da ordem cósmica para instruir os fiéis na disciplina pode superar o caos social.

A teologia do livro não é uma teologia natural. A mulher sabdoria não é a ordem cósmica por si só, como muitos afirmam. Em vez disso, Salomão fala como o rei de Israel (1:1), e como tal tem-se sido cuidadosamente educado na Lei Mosaica. Neste livro Solomão consistentemente usa o nome de Deus, “Yahweh”, que significa sua relação de aliança com Israel (Êxodo 3:13-15; 6:2-8). Através da lente da aliança mosaica, o rei inspirado cunha seus provérbios (Pv 29:18). Embora o sábio não fale com o trovão profético do céu, “assim diz o Senhor”, ele fala com autoridade divina, usando o mesmo vocabulário que Moisés usou para sua revelação: torah, “lei/ensino”, e mitzvah, “mandamento” (3:1).

§ 3 A Conduta Consequente.

A estrutura social ordenada e sustentada por Deus revelada neste livro implica uma ligação inseparável entre atos e destino. Esta conexão é representada pela metáfora “o caminho”, que ocorre cerca de 75 vezes em todo o Livro dos Provérbios e trinta vezes nos capítulos 1-9, uma coleção de admoestações para abraçar o ensino do livro e a chave hermenêutica para o livro. A metáfora denota uma estrada transitável, ou o movimento em uma estrada, levando a um destino e conota ao mesmo tempo o “curso da vida” (i.e, o caráter e contexto de vida), “conduta de vida” (i.e, específicas escolhas e comportamento), e “consequências dessa conduta” (isto é, o destino inevitável de tal estilo de vida). Os sábios estão no caminho da vida (2:20-21); tolos estão a caminho de morte (1:15-19). Considerando que o cristianismo pensa nisso como uma “fé”, o Livro dos Provérbios, como a maioria da Bíblia, pensa dos fiéis como seguindo um caminho, uma halakah, um caminho de vida.

A vida neste livro refere-se à vida abundante em comunhão com o Deus vivo e eterno. De acordo com Gênesis 2:17, a ruptura do relacionamento adequado com Aquele que é a fonte da vida significa morte. A sabedoria é a preocupação de estabelecer e manter esse relacionamento adequado e assim a vida (veja 2:5-8). A perícope primeira (1:8-19) assume que o ímpio pode enviar sangue inocente a uma morte prematura, mesmo que prematuramente, como no caso de Cain que matou Abel, o justo (Gen 4:1-9). A promessa de vida neste livro (2:19; 3:2), como na Bíblia como um todo, deve implicar uma realidade que transcende a existência clínica e sobrevive a morte clínica. Se não, o assassinato de Abel, em Gênesis 4, do sangue inocente em Provérbios 1:8-19, e do Filho de Deus, desconstruiria tanto a Bíblia como o livro como os ímpios teriam triunfado sobre os justos.

Salomão compara seus ensinamentos a uma árvore da vida (3:18). A literatura religiosa do antigo Oriente Próximo, especialmente o Egito, e 2-3 Gênesis sugerem que a árvore da vida simboliza a vida eterna, no sentido pleno do termo. O tolo seduzido em Provérbios 5 sofre depois que seu corpo é gasto e depois que ele desperdiçou a sua vida (vv. 7-14). Sem especificar como, o texto hebraico recebeu as promessas da “imortalidade” ao justo (12:28) e um refúgio seguro, mesmo em morte clínica (14:32). No entanto, ao contrário de literatura apocalíptica, que desenha uma nítida distinção entre este mundo e o vindouro, a Literatura Sapiencial diz respeito a vida como tanto esta como a ainda por vir. O sábio enfatiza a importância de abraçar a vida agora.

§ 4 Foco no Fim.

“O justo pode cair sete vezes, ele se erguerá novamente, mas os ímpios são derrubados pela calamidade” (24:16). Jó e Eclesiastes, em contraste, focam na realidade atual, “sob o filho”, quando os justos parecem “nocauteados”. Até mesmo Provérbios 24:16 quase descarta a queda dos justos em uma cláusula concessivo, outros provérbios também, ao mesmo tempo que afirmam a ordem moral, também afirmam ou sugerem que os justos sofrem, enquanto os maus prosperam. Ele qualifica a consequência da conduta, pelos provérbios com o tema “melhor do que” (por exemplo, 15:16-17; 16:16, 19; 17:1; 19:22; 21:03, 22:1; 28:6). Estes pobreza ligação provérbios com retidão e riqueza com a maldade e assim torná-lo perfeitamente claro que a piedade e a moralidade não levam imediatamente a um fim feliz.

Devido à natureza epigramática dos provérbios, cada um expressa uma verdade com a maior concentração no seu assunto. Para obter a plena verdade, no entanto, é preciso lê-los como uma coleção. Por exemplo, após as promessas maravilhosas em 3:1-10, Solomão acrescenta: “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor” (vv. 11-12). Prosperidade e adversidade são a mistura sábia e necessária da formação do filho. A explicação de Salomão, “porque o Senhor corrige a quem ama, como o pai ao filho em quem ele se deleita,” mostra que a tutela do pai passa para o Pai celestial. O sábio qualifica as recompensas palpáveis ​da ​sabedoria que são catalogadas em 3:13-20 com a admoestação “não negues o bem daqueles que o merecem” (v. 27), uma advertência que implica boas pessoas podem estar precisando de ajuda. Seus ensinamentos sobre a riqueza em 10:2-5 não são para ser lido isoladamente, mas juntos: o versículo 2 diz respeito à riqueza e ética, versículo 3 a riqueza e religião, e os versículos 4-5 para a riqueza e prudência. Ler desta forma o livro não ensina um Evangelho rico e próspero, mas promete que o Senhor recompensará os Seus servos fiéis.

§ 5 Coração.

A adesão a estrutura social ordenada por Deus (s) é um assunto do coração, o centro emocional-intelectual-moral de uma pessoa (2:2; 4:23). Solomão não entrega os seus ensinamentos de forma fria, as proposições racionais pedindo uma resposta igualmente racional, desapaixonada. Pelo contrário, em uma bela peça de ficção literária, “a sabedoria chamou em voz alta na rua, levanta a sua voz nas praças públicas” (1:20). “Ela levanta a sua voz” que se refere a uma situação fervorosa e emocional. Salomão exorta o filho a “levantar a sua voz” (“invocar”, NVI) à sabedoria (2:3). Quando a sabedoria de Salomão é aceita com todo o coração, então a sabedoria que estava no coração de Deus entra no coração do crente: “Pois a sabedoria”, que se originou na boca de Deus (v. 6), agora “entrará em seu coração, e o conhecimento [de Deus e de Seus ensinamentos] será agradável à tua alma”. (v. 10).

A sabedoria promete vida daqueles que a amam (8:17, 21) e pede aos seus amantes para vigiar diariamente às suas portas como uma noiva (v. 34). Para ter esta noiva, é preciso estar disposto a vender todos como dote (4:7). Ela deve ser realizada em respeito e reverência: o temor do Senhor é o primeiro princípio da sabedoria (1:7; 9:10). Pelo contrário, simplórios malformados, que passam para a idade adulta sem ter feito um compromisso com a sabedoria, o amor a sua liberdade; odiarão os insensatos o conhecimento, e os escarnecedores cobiçarão a capacidade de simulação (1:22). A escolha ou rejeição dos ensinamentos de Salomão é afetiva, não apenas cognitiva. O simplório formativo, a quem o livro é dirigido (1:4), precisa tomar uma decisão para a prudência ética e religiosa antes de entrar na cidade e se engajar em seu comércio e política (8:3). Tal decisão também é necessário para prepará-los para resistir aos homens maus e mulheres dentro dela.

§ 6 O Poder das Palavras.

Salomão ordenou que este livro para que os pais da aliança pudessem ensiná-la dentro de casa, o lugar da educação no antigo Israel. É dirigido à criança que estiver dentro da aliança para entrar na maturidade. A costura entre as gerações é mais vulnerável para pessoas de fora neste momento quando o orgulho e paixão correm na maré cheia. As vozes de ambos os pais (1:8; 31:26) competem com as vozes de homens apóstatas e mulheres infiéis. Os pais são armados por Salomão com toda sua habilidade retórica na conversa para combater os homens que lançam a tentação do dinheiro fácil, oferecidos por homens apóstatas (1:10-19; 2:12-15), e ao sexo fácil, oferecido por mulheres infiéis (2:16-19; 5:1-23; 6:20-35; 7:1-27; 9:13-18).

A menção da mãe como uma professora é único dentro de Literatura Sapiencial no antigo Oriente Próximo. No Antigo Testamento, ambos os pais são colocados em pé de igualdade diante da criança (Lv 19:3). Para a “linstrução fiel” estar na língua da mãe, ela própria deve primeiro ter sido ensinada. Embora o livro seja dirigido a “filhos” que iria assumir a responsabilidade pela casa, as filhas não são excluídas.

Salomão assume todo o poder da fala: na verdade, ela tem o poder de vida e morte (18:21). Embora as crianças sejam responsáveis ​​por suas próprias decisões (Ezequiel 18:20), a formação parental terá seu efeito (Prov 22:6,15). As crianças que fazem-no na classificação dos sábios traz a alegria aos pais, mas aqueles que não conseguem abraçar a sabedoria herdada trazem apenas a dor (10:1).

Bruce K. Waltke

Amaleque e os Amalequitas


Amaleque era filho do primogênito de Esaú, Elifaz, com sua concubina Timna. (Gên 36:12, 16) Amaleque, neto de Esaú, era um dos xeques de Edom. (Gên 36:15, 16) O nome de Amaleque também designava seus descendentes tribais. — De 25:17; Jz 7:12; 1Sa 15:2.

A crença de alguns de que os amalequitas tiveram origem muito anterior e não eram descendentes de Amaleque, neto de Esaú, não se alicerça em sólida base fatual. A noção de que os amalequitas antecederam a Amaleque baseia-se no dito proverbial de Balaão: “Amaleque foi a primeira das nações, mas o seu fim posterior será mesmo seu perecimento.” (Núm 24:20) No entanto, Balaão não falava aqui da história em geral, nem da origem das nações, sete ou oito séculos antes. Falava da história apenas com relação aos israelitas, contratado como foi para amaldiçoá-los, quando estavam prestes a entrar na Terra da Promessa. Por isso, depois de alistar Moabe, Edom e Seir como oponentes de Israel, Balaão declara que os amalequitas foram realmente “a primeira das nações” a se levantar em oposição aos israelitas em sua marcha para fora do Egito, em direção à Palestina, e, por este motivo, o fim de Amaleque “será mesmo seu perecimento”.

Moisés, por conseguinte, ao relatar os eventos dos dias de Abraão, antes de Amaleque nascer, falou de “todo o campo dos amalequitas”, evidentemente descrevendo a região conforme entendida pelo povo do tempo de Moisés, ao invés de dar a entender que os amalequitas precederam a Amaleque. (Gên 14:7) O centro deste território amalequita achava-se ao N de Cades-Barnéia, no deserto do Negebe, na parte meridional da Palestina, seus acampamentos auxiliares estendendo-se pela península do Sinai e pelo norte da Arábia. (1Sa 15:7) Houve época em que sua influência talvez se estendesse até as colinas de Efraim. — Jz 12:15.

Os amalequitas foram “a primeira das nações” a lançar um ataque não provocado contra os israelitas após o Êxodo, em Refidim, perto do monte Sinai. Como consequência, Yehowah decretou que os amalequitas, por fim, seriam extinguidos. (Núm 24:20; Êx 17:8-16; De 25:17-19) Um ano depois, quando os israelitas tentaram entrar na Terra da Promessa, contrário à palavra de Deus, foram repelidos pelos amalequitas. (Núm 14:41-45) Por duas vezes, nos dias dos juízes, estes adversários de Israel participaram em ataques contra Israel. Fizeram-no nos dias de Eglom, rei de Moabe. (Jz 3:12, 13) De novo, junto com os midianitas e os orientais, saquearam a terra de Israel por sete anos, antes de Gideão e seus 300 homens lhes imporem uma esmagadora derrota. — Jz 6:1-3, 33; 7:12; 10:12.

Por causa deste ódio persistente, Yehowah, no período dos reis, ‘ajustou contas’ com os amalequitas, ordenando que o Rei Saul os abatesse, o que ele fez, “desde Havilá até Sur, que está defronte do Egito”. No entanto, Saul, infringindo a ordem de Deus, poupou Agague, rei deles. Mas de Deus não se zomba, pois “Samuel foi retalhar Agague perante Yehowah em Gilgal”. (1Sa 15:2-33) Algumas das incursões de Davi incluíam povoados amalequitas, e, quando estes, por sua vez, atacaram Ziclague e levaram as esposas e os bens de Davi, este e 400 homens foram no encalço deles, recuperando tudo o que fora roubado. (1Sa 27:8; 30:1-20) No reinado de Ezequias, alguns da tribo de Simeão aniquilaram o restante dos amalequitas. — 1Cr 4:42, 43.

Não se faz mais menção direta dos amalequitas na história bíblica ou secular. No entanto, “Hamã, filho de . . . agagita”, provavelmente descendia deles, pois “Agague” era o título ou nome de certos reis amalequitas. (Est 3:1; Núm 24:7; 1Sa 15:8, 9) Assim, os amalequitas, junto com outros mencionados nominalmente, foram exterminados, a fim de que “as pessoas saibam que tu, a quem pertence o nome de Yehowah, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra”. — Sal 83:6-18.

domingo, 19 de agosto de 2012

TEXTOS BÍBLICOS SOBRE A VONTADE DE DEUS

INTRODUÇÃO

Temos o desejo de viver segundo a vontade de Deus. No cumprimento desta vontade, os cristãos se deparam com duas perguntas essenciais:
. Como perceber a vontade de Deus?
. Como fazer a vontade de Deus?

1. O que é a vontade de Deus?
2. Como saber se estou fazendo ou não o que Deus quer?
3. Será que Deus responde ("SIM" ou "NÂO") às nossas perguntas?
4. A mesma Bíblia que diz que temos que fazer a vontade de Deus, afirma, por outro lado, que Deus irá realizar os desejos do nosso coração?

Com a intenção de responder a estas perguntas, precisamos ir ao livro que apresenta esta vontade. Na Bíblia, a expressão "vontade de Deus" e suas correlatas ("vontade do Senhor", sua "vontade" e "vontade dEle") figuram diretamente em 42 passagens.
Nelas, como é comum na Bíblia, não há propriamente uma definição do que seja, mas há indicações muito claras de como ela se manifesta.

Estes textos podem ser agrupados em 7 categorias.

. Vontade de Deus como o exercício de sua soberania

. Vontade de Deus como o seu projeto para a nossa salvação

. Vontade de Deus como uma chamada específica para a ação

. Vontade de Deus como dependência dEle

. Vontade de Deus como se realizando por meio de uma vida reta

. Vontade de Deus como orientação em situações específicas

. Vontade de Deus como sua resposta às nossas orações


1 VONTADE DE DEUS COMO O EXERCÍCIO DE SUA SOBERANIA

A vontade de Deus é a expressão de sua soberania sobre a história.

Daniel 4.35 - Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?

2 Crônicas 22.7 - Foi da vontade de Deus que Acazias, para a sua ruína, fosse visitar a Jorão; porque, vindo ele, saiu com Jorão para encontrar-se com Jeú, filho de Ninsi, a quem o Senhor tinha ungido para desarraigar a casa de Acabe.

Isaías 48.14 - Ajuntai-vos, todos vós, e ouvi! Quem, dentre eles, tem anunciado estas coisas? O Senhor amou a Ciro e executará a sua vontade contra a Babilônia, e o seu braço será contra os caldeus.

Esdras 7.17-20 - Também o que a ti e a teus irmãos bem parecer fazerdes do resto da prata e do ouro, fazei-o, segundo a vontade do vosso Deus.  Portanto, diligentemente comprarás com este dinheiro novilhos, e carneiros, e cordeiros, e as suas ofertas de manjares, e as suas libações e as oferecerás sobre o altar da casa de teu Deus, a qual está em Jerusalém. Também o que a ti e a teus irmãos bem parecer fazerdes do resto da prata e do ouro, fazei-o, segundo a vontade do vosso Deus. E os utensílios que te foram dados para o serviço da casa de teu Deus, restitui-os perante o Deus de Jerusalém. E tudo mais que for necessário para a casa de teu Deus, que te convenha dar, dá-lo-ás da casa dos tesouros do rei.

Romanos 9.19 - Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?


2 VONTADE DE DEUS COMO O SEU PROJETO PARA A NOSSA SALVAÇÃO

 
Para cumprir Sua vontade -- a de que todos os homens se salvem -- Ele nos enviou Seu Filho para tornar possível nossa salvação.

1 Timóteo 2.4  -- [Deus] deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

Isaías 53.10  Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.

João 6.39 E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.

João 7.16-17 Respondeu-lhes Jesus: O meu ensino não é meu, e sim daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo.

Atos 22.14 Então, ele disse: O Deus de nossos pais, de antemão, te escolheu para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires uma voz da sua própria boca.

Efésios 1.5, 7 e 11 [Deus] nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, (...) desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, (....)  no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.

Hebreus 2.3-4 Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.


3 VONTADE DE DEUS COMO UMA CHAMADA ESPECÍFICA PARA A AÇÃO

 
A vontade de Deus se realiza por ações diretas dEle e por intermédio daqueles que cumprem a Sua vontade.

2 Timóteo 1.1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, de conformidade com a promessa da vida que está em Cristo Jesus...

1 Coríntios 1.1 Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo...

2 Coríntios 1.1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus...

Efésios 1.1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus...

Colossenses 1.1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por vontade de Deus...


4 VONTADE DE DEUS COMO DEPENDÊNCIA DELE

 
A meta do cristão é conformar (fazer convergir; não se "resignar") a sua vontade à vontade de Deus.

2 Crônicas 27.6 -- Assim, Jotão se foi tornando mais poderoso, porque dirigia os seus caminhos segundo a vontade do Senhor, seu Deus.

Salmos 103.21 Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade.

2 Coríntios 8.5 E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus.

Colossenses 1.9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual.

Hebreus 10.36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.

Hebreus 13.20-21 Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!

1 João 2.17 Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.


5 VONTADE DE DEUS COMO SE REALIZANDO POR MEIO DE UMA VIDA RETA


Devemos viver segundo a vontade Deus, isto é, conforme os princípios que nos deixa em Sua Palavra.

Romanos 12.2 -- Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Marcos 3.35 Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Romanos 2.17-21 Se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade; tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo?

Efésios 5.15-20 Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Efésios 6.5,6 Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus.

Colossenses 4.12 Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.

1 Ts 4.3-4 3 Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra.

1 Ts 5.18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

Tiago 1.17-18  Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

1 Pedro 2.15 Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos.

1 Pedro 4.1,2 Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.

1 Pedro 4.19 Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.


6 VONTADE DE DEUS COMO ORIENTAÇÃO EM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS


Devermos pedir a Deus que nos instrua a como agir diante de situações específicas, em todos os setores da vida.

Romanos 1.9-10 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos.

Atos 21.12-14  Quando ouvimos estas palavras, tanto nós como os daquele lugar, rogamos a Paulo que não subisse a Jerusalém. Então, ele respondeu: Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. Como, porém, não o persuadimos, conformados, dissemos: Faça-se a vontade do Senhor!

Romanos 15.30-32 Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor, para que eu me veja livre dos rebeldes que vivem na Judéia, e que este meu serviço em Jerusalém seja bem aceito pelos santos; a fim de que, ao visitar-vos, pela vontade de Deus, chegue à vossa presença com alegria e possa recrear-me convosco.

1 Pedro 3.17 Porque, se for da vontade de Deus [sofrer], é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal.


7 VONTADE DE DEUS COMO SUA RESPOSTA ÀS NOSSAS ORAÇÕES


Nossa oração deve ser prioritariamente para que nossos desejos convirjam com a vontade de Deus. Isto acontecerá quando nos agradarmos da Sua vontade (Salmo 37.4). Serão satisfeitos os nossos desejos que estiverem de acordo com a Sua Vontade.

1 João 5.14 -- Esta é a confiança que temos para com Ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele nos ouve.

João 9.31 Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.

Romanos 8.26-28 Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Segunda Geração

Por: Christian Chen

O livro de Esdras relata a história de duas gerações do povo de Israel que retornaram a Jerusalém depois do cativeiro na Babilônia. Durante 70 anos, Jerusalém havia sido uma cidade vazia, e o templo permanecera em ruínas. No final daquele período, umas 50 mil pessoas sob a liderança de Zorobabel e Josué retornaram e edificaram primeiro o altar e, depois, o templo. Zorobabel era da geração mais antiga, nascida em Israel antes do cativeiro. Esse é o contexto dos três primeiros capítulos. Posteriormente, no capítulo 7, houve um segundo retorno para Israel de uma geração mais jovem, conduzido por Esdras, um escriba nascido na Babilônia.

Qual é o significado de Jerusalém? Na Bíblia, Jerusalém fala do testemunho de Deus, porque dentro da cidade estava o templo que representa a presença de Deus. A razão pela qual Jerusalém é uma cidade única é porque ali está o templo de Deus. Portanto, o testemunho de Deus deriva-se de sua presença. Esse é um princípio muito importante.

No princípio, nos dias de Salomão, quando o templo e a cidade estavam nos dias de glória, a presença de Deus e o seu testemunho estavam em Jerusalém. Logo depois, porém, os líderes e o povo abandonaram a Deus e passaram a adorar ídolos. Por isso, Deus permitiu que Nabucodonosor sitiasse a cidade, destruísse o templo e levasse o povo cativo para a Babilônia.

Foi o tempo mais trágico na história de Israel. O testemunho de Deus estava em desolação. Do templo, não ficou pedra sobre pedra. O povo de Israel foi como uma árvore desarraigada e levada a uma terra remota.

Depois de 70 anos, conforme Deus prometera por meio do profeta Jeremias, o povo voltou a Jerusalém para restaurar o testemunho de Deus. Antes que isso pudesse ocorrer, foi preciso edificar o altar e a casa de Deus. Isso indica que devemos ter primeiro a presença de Deus e, em seguida, teremos o testemunho.

A Igreja Cativa Na Babilônia

Há um paralelo muito claro com a história da Igreja. No início, havia o testemunho de Deus porque a presença de Jesus estava no meio do povo. Quando os santos se reúnem, o lugar em que estão torna-se a casa de Deus, o local onde a glória e a formosura de Cristo se manifestam. As pessoas de fora o veem e dizem: “Este é o testemunho de Deus”.

Quando a Igreja se encontra numa condição de normalidade, o testemunho de Deus é visto em todas as localidades: Taipei, Tóquio, Seul, São Paulo, Santiago, em todo lugar. Esse é o propósito de Deus. Porém, se examinarmos a história da Igreja e observarmos o que ocorre em nossos dias, veremos que a Igreja foi levada cativa, outra vez, para a Babilônia.

Babilônia significa confusão. Hoje em dia, as pessoas estão confusas e pensam que a igreja é uma instituição. Quando você chega a uma reunião, você sabe como se comportar, como cantar, como orar, o que esperar. Alguém vai compartilhar a Palavra, alguém muito espiritual vai ler a Bíblia para os demais. Só precisa comparecer aos domingos e escutar, e isso é tudo. Essa é a nossa confusão.

O que é a igreja? Sabemos que é o Corpo de Cristo. Se é corpo, cada membro deve estar funcionando. Entretanto, por que hoje só há um ou dois membros ativos? Onde está o testemunho? Onde está o testemunho coletivo? Se olharmos ao redor, veremos que há confusão. Fomos levados cativos para a Babilônia.

Movimentos de Restauração

Durante a História, por várias vezes, Deus levantou reformadores para conduzir o povo de volta para Jerusalém. Homens como Martinho Lutero, João Calvino, Zwínglio e outros, tiraram o povo da confusão da Idade Escura, em que as pessoas vendiam indulgências, não conheciam sequer a salvação, e a Bíblia estava encadeada. Não é de surpreender que a condição da igreja naquele tempo fosse de absoluta confusão.

Graças a Deus, esses homens levaram a igreja ao fundamento original. Reedificaram o altar e a casa. Voltaram à presença do Senhor e viram o seu testemunho restaurado.

Mas o que acontecia? Na primeira geração, tudo estava muito bem, cheio de vida. Porém, na segunda geração, perdia-se gradualmente a visão. Passavam a guardar tradições. Na primeira geração, a taça de bênção estava cheia; na segunda, caía para a metade. Na terceira, quase toda a bênção se tinha ido: ficava somente a taça.

Algum tempo depois, o Senhor levantava outras pessoas, havia outro avivamento, uma nova “primeira geração”. Outra vez, retornaram a Jerusalém. Entretanto, quando a bênção se foi, a confusão chegou de novo. Assim, o povo voltava outra vez para a Babilônia.

Foi assim com John Wesley, no século 18, quando Deus restaurou a verdade da santificação pela fé. Foi assim também com John Darby, no século 19.

Em cada mover de Deus, a primeira geração tinha vida, revelação direta de Deus, tudo era dirigido pelo Espírito Santo. A presença de Deus estava clara, o testemunho aparecia na Terra. Mas quando chegava a segunda geração, já sabiam como reunir-se, como fazer as coisas. Aprendiam o método dos mais antigos.

Depois de pegar o método, que maravilha! Como funciona bem! Nem precisa lutar tanto, buscar a presença do Senhor, estudar tanto a Bíblia ou orar. “Já conhecemos a vontade de Deus. É o que os anciões me falaram, o que me foi passado.” Isso é tradição.

A primeira geração tem revelação e bênção. A segunda tem revelação e tradição. A taça já está pela metade. E, ao chegar à terceira geração, a taça está vazia; quase tudo é tradição. É por isso que hoje há tantas taças – milhares de taças.

No princípio, cada taça tinha razão para gloriar-se, porque estava cheia de bênção. Mas quando a presença de Deus se foi, o que eles têm agora? Apenas uma taça vazia para comparar com outras: “A minha taça é melhor que a sua”.

Como podemos mudar esse padrão e preservar a presença e o testemunho do Senhor? Como a segunda geração pode pegar a taça da primeira geração e mantê-la cheia? Somente se ela tiver uma experiência de primeira mão, em contato com a fonte de vida, exatamente como teve a primeira.

Se você pertence à primeira geração, seja cuidadoso. A sua responsabilidade é trazer, para a geração mais jovem, a presença do Senhor. O Espírito Santo saberá como ensinar-lhes. A unção está neles. Não devemos usurpar o lugar do Espírito Santo. Só assim, podemos manter cada geração com vida. Isso é muito importante.

Esdras e a Segunda Geração

Voltemos ao livro de Esdras. Zorobabel foi o líder da primeira geração. Por ter deixado Jerusalém como cativo quando era jovem, o retorno tinha grande significado. Já com cerca de 90 anos de idade, ele sentia que seu lar estava em Jerusalém. Seu coração, profundamente comovido e saudoso, ansiava por retornar.

Para Esdras, como parte da segunda geração, nascida no cativeiro, que nunca vira Israel, a situação era bem diferente. Jerusalém lhes parecia uma cidade vazia, uma cidade morta. Por outro lado, olhe para a Babilônia! Havia um futuro brilhante esperando-os ali.

No entanto, de alguma forma, Deus estava operando na Babilônia, no meio da confusão. Se você vive em Jerusalém, tudo está claro; porém, para quem vive neste outro mundo, tudo é confuso. Esdras nasceu e cresceu naquele ambiente onde se adoravam ídolos, onde havia outras esperanças, outros anseios. Mesmo assim, de alguma forma, ele procurou a Palavra de Deus e foi cativado por ela. Esdras se tornou o grande escriba. Por meio dele, foram reunidos os 39 livros do Antigo Testamento. Pela primeira vez, a revelação do Antigo Testamento estava completa.

Esdras não tinha um motivo natural para ir a Jerusalém. No entanto, o Senhor é capaz de fazer algo além do que imaginamos e levantou um jovem que abandonou seu futuro brilhante na Babilônia, voltou as costas a esse mundo e chegou a Jerusalém. O que significa isso? Que embora a segunda geração tenha nascido fora de Jerusalém, sem revelação de primeira mão, ela pode chegar a ser mais rica que a primeira.

Na família natural, os pais sempre ficam muito orgulhosos quando seus filhos os ultrapassam, tornando-se melhores, mais bem-sucedidos e inteligentes do que a geração anterior. Essa é a prova de êxito de uma família. Não me diga que seus filhos têm só a metade de sua habilidade, e seus netos a metade da habilidade de seus filhos. Se for assim, sua família está indo cada vez mais para baixo. Como sabemos que uma família está realmente subindo e não descendo? Quando os filhos são melhores que os pais, têm mais êxito que eles – e os pais não sentem ciúme por isso. E quando chega a vez dos netos, eles irão ainda mais longe.

Foi exatamente isso o que aconteceu no livro de Esdras. O testemunho de Deus não ficou só na primeira geração, mas avançou ainda mais na segunda.

A Contribuição de Esdras

Vemos, na história da restauração, que a tarefa da primeira geração foi lançar o fundamento. Fizeram isso, edificando o altar e, depois, a casa. Durante 20 anos, sua obra foi voltada exclusivamente para os alicerces.

E qual foi a contribuição de Esdras para a segunda geração? Ao estudar esse livro cuidadosamente, vemos que ele trouxe duas contribuições.

Primeiro, ele procurou embelezar o templo (Ed 7.27 – “ornar” a casa do Senhor ou “glorificar”, em outra versão). Traduzindo isso para a linguagem do Novo Testamento, significa que a igreja deve crescer para atingir a maturidade. Na primeira geração, o fundamento está seguro.

Mas, depois, na segunda geração, Esdras não construiu outro templo. Não. Ele edificou algo sobre o fundamento para embelezar a construção original. É a igreja como segunda geração.

Lembre-se: a igreja não é só algo exato, algo “correto” de acordo com o entendimento da verdade. Esse é o primeiro passo, e é maravilhoso quando o alcançamos. Mas a igreja, o corpo de Cristo, deve crescer. Portanto, o que significa embelezar o templo? Muito simples. Por meio da segunda geração, a igreja chega a ser muito mais bela, mais amadurecida, sem mancha, pronta para ser apresentada a Cristo como uma igreja gloriosa.

Por que Esdras retornou a Jerusalém? Ele sabia, pela palavra profética do Antigo Testamento, que quando o Messias viesse, ele entraria no templo. Então, Jerusalém tinha de ser reedificada, e o templo, embelezado. Esdras retornou porque sabia que o Messias viria logo. Ele retornou por amor ao Messias.

Hoje, a geração mais jovem está, sem dúvida, mais próxima da volta do Senhor do que a primeira. Supõe-se que serão eles que receberão o Mestre quando voltar em glória. Para isso, a igreja precisa amadurecer. É claro que o templo precisa ser belo, glorioso. Portanto, essa foi sua primeira contribuição.

A segunda contribuição foi a restauração da autoridade da Palavra de Deus. Quando Esdras leu a Palavra, muitas pessoas choraram, foram tocadas (Ne 8.9). Então, a geração mais jovem deve ter uma palavra muito mais rica do que a primeira.

Como pode a igreja tornar-se gloriosa, sem mancha e sem ruga? A Bíblia diz que é “pela lavagem de água pela palavra” (Ef 5.26). No original grego, palavra neste texto é rhema, a palavra de vida, inspirada e aplicada pelo Espírito Santo.

Quando nossos jovens, nestes dias, estudam as Escrituras, eles estudam o Logos (Palavra escrita) e aplicam o coração ao estudo metódico e sistemático. Eles contam com melhores condições do que os da primeira geração, manejam o inglês, conhecem os computadores, sabem como utilizar livros de referências. Mas também vivem na presença do Senhor a fim de que o Espírito Santo fale outra vez à sua geração, tornando aquele Logos uma palavra viva.

Essas foram as contribuições de Esdras e da geração mais jovem.

A Responsabilidade da Primeira Geração

Portanto, se o Senhor for misericordioso conosco, se ele demorar a retornar, a nossa história não se reduzirá só aos primeiros capítulos do livro de Esdras (restauração dos fundamentos por meio da primeira geração), mas poderemos alcançar, além disso, a experiência do capítulo 7 (levantamento de uma segunda geração com encargo, revelação e autoridade na Palavra).

Diante disso, a primeira geração tem uma grande responsabilidade. Se você faz parte da geração “mais madura” e conheceu ao Senhor em uma experiência de primeira mão, sua taça está cheia. Mas, o que será da geração mais jovem? O que acontecerá nos próximos dez anos se o Senhor ainda tardar?

Você tem uma grande responsabilidade: a de orar pela geração mais jovem, incentivar e estimulá-la, ajudá-la a conhecer o Senhor diretamente.

O seu papel não é encontrar realização em seu próprio sucesso, mas fazer tudo para que a geração mais jovem vá muito mais longe do que a sua.

Os jovens gostam de competir, de superar, de vencer desafios. Que eles recebam o nosso ânimo e encorajamento para serem superiores a nós, para alcançarem o máximo no Reino dos céus. Se a taça deles estiver cheia, assim como a da primeira geração, o testemunho será, de fato, preservado, e a casa de Deus preparada para o retorno do Rei!

Adaptado de um artigo com o mesmo título da revista Águas Vivas, Ano 9, nº 54, de novembro e dezembro de 2008 (para ler o artigo original, acesse www.aguasvivas.ws/revista/54/02.htm).

Christian Chen, ex-professor de Física Nuclear na Universidade de São Paulo (USP) e em Taiwan Chung Yuan University, é autor e conferencista, profundo estudioso da Bíblia e das riquezas espirituais acumuladas pelos santos do passado. Reside atualmente em Nova York, EUA.

terça-feira, 31 de julho de 2012

SARDES, A IGREJA MORTA

INTRODUÇÃO: A cidade antiga de Sardes, hoje apenas ruínas perto da atual vila de Sarte na Turquia, considerava-se impenetrável. Foi situada numa rota comercial importante no vale do Hermo, com a parte superior da cidade (a acrópole) quase 500 metros acima da planície, nos rochedos íngremes do vale. Era uma cidade próspera, em parte devido ao ouro encontrado no Pactolos, um ribeiro que passava pela cidade. A cidade antiga fazia parte do reino lídio. Pela produção de ouro, prata, pedras preciosas, lã, tecido, etc., se tornou próspera. Os lídios foram o primeiro povo antigo a cunhar regularmente moedas. Em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande). Soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e, depois, subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade inexpugnável caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite! Em 334 a.C., a cidade se rendeu a Alexandre o Grande. Em 214 a.C., caiu outra vez a Antíoco o Grande, o líder selêucida da Síria. Durante o período romano, pertencia à província da Ásia, mas nunca mais recuperou o seu prestígio

No tempo dos romanos, mais precisamente em 17 d.C., a cidade foi totalmente destruída por um terremoto, mas Tibério ajudou a sua reconstrução. Com este ato, Tibério, levou Sardes a ingressar também no "Culto ao Imperador", com Esmirna, e a ser o principal centro deste culto idólatra, tendo lá erguido um templo a Tibério.

Plínio, historiador romano, nos informa que a arte de tingir lã, foi inventada em Sardes. Também, surgiu ali uma grande indústria de lacticínios, além de vários metais que lá eram extraídos, o que aumentava em muito suas riquezas. Hoje existe no local apenas uma pequena aldeia de nome "Sarte”. Era uma cidade com um passado glorioso e um presente de pouca importância em termos políticos e comerciais.

A RELIGIÃO EM SARDES

A vida religiosa dos habitantes de Sardo girava principalmente em torno de Ártemis, mais conhecida por Diana dos Efésios (Actos 19:28) e de Zeus, considerado pelos seus sacerdotes como “deus salvador”. Havia ainda o culto a Cibele, deusa de um das mais famosas religiões de mistério da Ásia, e também o culto ao imperador romano.



O povo da cidade era conhecido pela sua maneira luxuosa e dissoluta de viver. É significativo que esta carta nada não diz sobre as hostilidades dos judeus. O problema principal era uma profunda apatia espiritual, resultado talvez da despreocupação e do amor ao luxo que caracterizava aquela sociedade secular.

Foi a esta Igreja que Jesus endereçou sua quinta carta

A CARTA.

v.1 = “Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto”.

“...Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas”. Jesus não acha nenhum prazer neste sistema. A carta já começa com uma repreensão, e esta igreja não é recomendada em nada. Jesus escolheu uma de suas características mais interessantes para se revelar à igreja de Sardes. Foi a mesma natureza divina que revelou a João em Apocalipse. Em Isaias 11.2 lemos: "Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor."As sete estrelas são as mesmas de Apocalipse 1:20, quando o Senhor revela a João que as sete estrelas são os sete anjos das sete igrejas. Sete representa a totalidade e a perfeição divina. Diante do trono de Deus, “ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus” (4:5). Os sete olhos do Cordeiro “são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (5:6). Deus sabe tudo e vê tudo (veja 2 Crônicas 16:9). Nada em Sardes seria escondido de Jesus.

Em outras palavras, essa forma de Jesus se apresentar à igreja de Sardes tem o objetivo de justamente adverti-la de que essa igreja confiava mais no Estado do que no Espírito de Deus.

As sete estrelas: Jesus não somente vê, ele também controla. Ele segura os mensageiros das igrejas na sua mão direita (1:16,20). Pode ver, julgar e até castigar conforme a sua infinita sabedoria.

“,,,Conheço as tuas obras”. Como nas outras cartas, aquele que estava no meio dos candeeiros conhecia perfeitamente as obras e os corações das igrejas. A igreja gozava de grande reputação na cidade. Nenhuma falsa doutrina estava prosperando na comunidade. Não se ouve de balaamitas, nem dos nicolaítas, nem mesmo dos falsos ensinos de Jezabel. Aos olhos dos observadores parecia ser uma igreja viva e dinâmica. Tudo na igreja sugeria vida e vigor, mas a igreja estava morta. Era uma igreja apenas de rótulo, de aparência.

“Tens nome de que vives, e estás morto”. Tens nome – Literalmente”um nome” (reputação) tens e vive mas (na realidade) estás morto. Esta frase ilustra perfeitamente a diferença importante entre reputação e caráter. A reputação é a fama da pessoa, o que os outros acham que ela é. O caráter é a essência real da pessoa, o que realmente é. As outras pessoas podem ver somente por fora, mas Jesus vê o homem interior e sonda os corações. Ele não pode ser enganado por ninguém. A igreja de Sardes teve a reputação de ser ativa e viva, mas Jesus sabia que estava quase morta. Ele não fala de perseguição romana, nem de conflitos com falsos judeus. Não cita nenhum caso de falsos mestres seduzindo o povo ao pecado. Ele fala de uma igreja aparentemente em paz e tomada por indiferença e apatia. A igreja parecia mais um cemitério espiritual, do que um jardim cheio de vida .É impossível matar uma igreja desde fora, algo triste ocorreu no seu interior que a estava levando à morte.

A igreja tinha fama, mas não vida. Tinha pompa, mas não Pentecoste. Tinha exuberância de vida diante dos homens, mas estava morta diante de Deus. Deus não vê como vê o homem. A fama diante dos homens nem sempre é glória diante de Deus.

Estás morto. Compare com 1 Timóteo 5.5-6, “vivendo está morta”. Era uma igreja manequim, bem vestida, com uma rotina sofisticada. Sua adoração diante de Deus era pesada, pequena e formal. Seu testemunho ao mundo quase extinto.

Porque é que o judeu incrédulo e os romanos pagãos não se preocupavam em perseguir diretamente esta igreja? Porque não valia a pena. Ali não tinha nada que os preocupasse.

v. 2, 3 = “Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus.

Sê vigilante. (ginou gregorön). Não diz: “Levanta-te dentre os mortos” Ef. 5.14, pois ainda há vestigio de vida.Os que ainda vivem são interpelados pelo anjo da igreja. “Confirma o restante” (stërison ta loipa), com o sentido de ‘tornar estável’.

No versículo 2 há laguns imperativos: -: 1) Sê vigilante; 2) Fortaleça ou consolida o que resta; 3) Lembre-se; 4) Obedeça; 5) Arrependa-se.

“Sê” - (ginu). Literalmente ‘chega a ser”.

“Vigilante” vem do gr ego ‘gregoreo’. A NVI o traduz como “desperta-te”, aporque vivia em um estado de sonolencia. Romanos 13.11 “E isso fazei, conhecendo o tempo, que já é hora de despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando nos tornamos crentes”.

“Confirma” =- Outra vez, Cristo suavisa a dureza do que disse no versículo anterior. “estas morto”, compare com 2.6, 2.20.

“As outras coisas”. Pode rfeferir-se à pessoa que ainda não se encontra no estado de letargia, porém esta é sua tendencia. Devia fazer todo o possivel para resgatar o pouco de bom que ainda restava.

“Que estava para morrer”. Podemos observar uma ternura nesta admoestação necessaria.

“Não tenho achado”. A reclamação de Cristo não é pelo mal q eu encontrou, mas pela falta do que devia haver.

“Tua obras”. Cristo queria dizer que “tuas obras não alcançaram o padrão divino”. Jesus confirma que as obras da Igreja de Sardes na realidade não eram autênticas diante de Deus.

“perfeitas”. Não se usa a palavra comum para madurez ‘téleia’, mas “pleráo’, cumprir, encher, lograr. A re prfeensão tem o sentido de Efesios 2.10, o proopósito divino não se realiza em sua vida. Um exemplo do A.T. é Daniel 5.27. “Pesado foste na balança, e foste achado em falta”.

“diante do”. (enópion). Toda obra está sob o escritinio de Deus. É vão os louvores dos homens, Lucas 16.15 “vos justificais".

“do meu Deus”. Literalmente. Ainda que Cristo é enaltecido à dextra do seu pai, Ele se submete à vontade dos a tos da Trindade.

V, 3. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”. Apesar da péssima condição da igreja de Sardes, ainda havia esperança enquanto Cristo não voltasse – 3.3. A carta foi um ultimato. Tal é a situação de muitas igrejas atualmente. Em que consistia a esperança daquele povo? O Senhor lhe exortou, dizendo: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido e guarda-o, e arrepende-te”. a igreja precisava lembrar as grandes bênçãos recebidas e voltar a valorizar a sua comunhão especial com Deus. Se esquecermos da palavra de Deus e da salvação do pecado, facilmente cairemos no pecado (veja 2 Pedro 1:8-9). Para nos firmar na fé, temos que lembrar do que temos recebido.

“Lembra-te”. (mnëmoneue) ‘Tem em mente’, como em 2.5. ). Mas não é suficiente lembrar-se das coisas que ouvimos; precisamos guardar as palavras do Senhor. O evangelho não é apenas para ouvir; é para ser obedecido (2 Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17). No caso do povo desobediente de Sardes, teriam de se arrependerem para voltar às boas obras de obediência.

“Arrepende-te”. (metanoéo) a raiz deste verbo é ‘mente’. Deve haver uma mudança de atitude, porque a mente se entorpeceu com a fria rotina e a ortodoxia estéril. O arrependimento é uma atuação do Espírito sobre a alma, e não uma mudança superficial da atitude mental ou da intenção. Juntamente com a f é, forma a conversão (ver Atos 20.21). Requer a cooperação da vontade humana, mas transcende a possibilidade que é puramente humano, implantando o infinito dentro do finito.

“virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”. A figura de um ladrão encontrando pessoas despreparadas é comum nas Escrituras. Jesus empregou esta ideia várias vezes no seu trabalho entre os judeus (veja Mateus 24:43; Lucas 12:39) e os apóstolos imitaram este exemplo nas suas cartas (1 Tessalonicenses 5:2-4; 2 Pedro 3:10). No Apocalipse, Jesus prometeu vir como ladrão, encontrando despreparadas as pessoas que não vigiavam (16:15).

R. N. Champlin, em seu comentário de Apocalipse, ressalta que há algo muito importante a ser observado: Nas ultimas quatro cartas do Apocalipse (Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia) encerram, todas, alusões escatológicas , ao milênio, à ‘parousia’, etc. Com base nisso, julgamos que todas essas cartas, falam de algum modo, acerca da igreja dos últimos tempos.

v. 4 “Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidas de branco, porquanto são dignas”.

No versiculo 4 brilha através da escuridão, um raio de esperança. Até mesmo em Sardes há alguns fiéis. Quando Abraão estava intercedendo diante de Deus por Sodoma, lhe dizias: “Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás toda a cidade por causa dos cinco? Respondeu ele: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco”. (Genesis 18.215). Deus nunca deixade buscar os que lhe são fiéis.

Deus tem sempre o seu remanescente fiel, mesmo quando parece que todos estão jogados na lama do pecado, há sempre um pequeno grupo que não se mistura e não se contamina com o erro. Para esses, Jesus faz uma promessa antecipada, “Andarão de branco”, e completa dizendo que eram dignos disso.

No entanto, antes que acreditemos que a salvação é pelas obras, ou dignidade humana, vejamos o que está escrito em Tito 3.5-7: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna”.

No meio de uma igreja quase morta, Jesus encontrou algumas pessoas fiéis! Este fato nos lembra de que o julgamento final será individual (veja 2:23; 22:12). Cada um receberá “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Coríntios 5:10). Embora as cartas fossem destinadas às sete igrejas, as mensagens precisavam ser aplicadas na vida de cada discípulo. A salvação não é coletiva; é individual. Ao mesmo tempo, não devemos interpretar este versículo para justificar tolerância de pecado aberto numa igreja. Pessoas que sabem do pecado e não agem para corrigi-lo não podem alegar ter vestiduras brancas, pois desobedece a palavra de Deus (Gálatas 6:1-2; Mateus 18:15-17; Tiago 5:19-20; etc.). Não devemos ser participantes nem cúmplices nas obras das trevas (Efésios 5.7,11).

“não contaminaram as suas vestes”. Sardes era famosa pelo negocio de tinturaria. Aqui não se fala de estado de perfeição sem pecado. Nos papiros daquele tempo, o uso secular do verbo “manchar” falava da infidelidade matrimonial. É traduzido por “se contamina” em I Corintios 8.7 e em Apocalipse 14.4.

Andarão de branco junto comigo: Já andavam de vestidura branca, sem as manchas do pecado. Esperavam andar com Jesus de roupas brancas, representando a vitória final sobre o pecado. “Linho finíssimo, resplandecente e puro...são os atos de justiça dos santos” (19:8). É Deus quem nos aperfeiçoa e nos equipa para toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17). A cor branca na Bíblia significa a justiça de Deus. Ou seja, aos vencedores Jesus lhes revestirá de justiça divina. Somente em Cristo somos justificados diante de Deus Pai. Nunca somos justificados em nós mesmos. Em outras palavras, Ele limpa as nossas vestiduras, conforme está em 2 Coríntios 5:21.
O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
O "Livro da Vida" é mencionado várias vezes na Bíblia (veja 3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:27; Filipenses 4:3). Paulo disse que as pessoas que cooperavam com ele no evangelho tinham seus nomes escritos no Livro da Vida (Filipenses 4:3). Jesus disse que os nomes dos vencedores que se mantêm puros não seriam apagados deste livro (3:5). Em contraste, os que rejeitam a palavra de Deus e servem falsos mestres não têm seus nomes escritos no Livro da Vida (13:7-8; 17:8). No julgamento descrito em Ap. 20:11-15, esses são condenados ao lago de fogo. Por outro lado, na cidade iluminada pela glória de Deus, somente entram aqueles cujos nomes são inscritos no Livro da Vida (21:27).

O Livro da Vida contém o nome de todas as pessoas. Ao contrário do que muitos pensam, o nome de uma pessoa pode sim ser apagado do Livro da Vida. Significa que podemos deixar de desfrutar da salvação se continuarmos uma vida de pecados sem querermos demonstrar verdadeiro arrependimento. O próprio Jesus afirma aqui que existe a possibilidade de se apagar nomes do Livro da Vida.

Existem algumas razões que levam uma pessoa a ter seu nome apagado do Livro da Vida:

1. Pecar contra Deus (Êxodo 32:33) “Então disse o Senhor a Moisés: Aquele que tiver pecado contra mim, a este riscarei do meu livro.”
2. Pecar contra o Espírito Santo (Marcos 3:29) “mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno.”
3. Ou alterar as palavras proféticas do livro de Apocalipse (Apocalipse 22:19) “e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro.”

Sem sombra de dúvidas, ter o nome apagado do Livro da Vida significa a morte eterna.

Confessarei o seu nome diante de meu Pai (5): Jesus prometeu confessar diante do Pai todo aquele que confessa o nome dele diante dos homens. Prometeu, também, negar os nomes daqueles que se envergonharem dele (Mateus 10:32-33; Marcos 8:38).

Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas.

Pastor Adaylton de Almeida Conceição ( Th.B.Th.M. Th.D.)
(Ministro do Evangelho desde 1975, foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos atuou como Missionário na Argentina, Uruguai e El Salvador. Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Jornalista Profissional, Psicanalista especialista em Programas de Prevenção sobre Drogas, Pós graduado em Psicanálise pela Faculdade Darwin)
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