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terça-feira, 31 de julho de 2012

SARDES, A IGREJA MORTA

INTRODUÇÃO: A cidade antiga de Sardes, hoje apenas ruínas perto da atual vila de Sarte na Turquia, considerava-se impenetrável. Foi situada numa rota comercial importante no vale do Hermo, com a parte superior da cidade (a acrópole) quase 500 metros acima da planície, nos rochedos íngremes do vale. Era uma cidade próspera, em parte devido ao ouro encontrado no Pactolos, um ribeiro que passava pela cidade. A cidade antiga fazia parte do reino lídio. Pela produção de ouro, prata, pedras preciosas, lã, tecido, etc., se tornou próspera. Os lídios foram o primeiro povo antigo a cunhar regularmente moedas. Em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande). Soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e, depois, subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade inexpugnável caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite! Em 334 a.C., a cidade se rendeu a Alexandre o Grande. Em 214 a.C., caiu outra vez a Antíoco o Grande, o líder selêucida da Síria. Durante o período romano, pertencia à província da Ásia, mas nunca mais recuperou o seu prestígio

No tempo dos romanos, mais precisamente em 17 d.C., a cidade foi totalmente destruída por um terremoto, mas Tibério ajudou a sua reconstrução. Com este ato, Tibério, levou Sardes a ingressar também no "Culto ao Imperador", com Esmirna, e a ser o principal centro deste culto idólatra, tendo lá erguido um templo a Tibério.

Plínio, historiador romano, nos informa que a arte de tingir lã, foi inventada em Sardes. Também, surgiu ali uma grande indústria de lacticínios, além de vários metais que lá eram extraídos, o que aumentava em muito suas riquezas. Hoje existe no local apenas uma pequena aldeia de nome "Sarte”. Era uma cidade com um passado glorioso e um presente de pouca importância em termos políticos e comerciais.

A RELIGIÃO EM SARDES

A vida religiosa dos habitantes de Sardo girava principalmente em torno de Ártemis, mais conhecida por Diana dos Efésios (Actos 19:28) e de Zeus, considerado pelos seus sacerdotes como “deus salvador”. Havia ainda o culto a Cibele, deusa de um das mais famosas religiões de mistério da Ásia, e também o culto ao imperador romano.



O povo da cidade era conhecido pela sua maneira luxuosa e dissoluta de viver. É significativo que esta carta nada não diz sobre as hostilidades dos judeus. O problema principal era uma profunda apatia espiritual, resultado talvez da despreocupação e do amor ao luxo que caracterizava aquela sociedade secular.

Foi a esta Igreja que Jesus endereçou sua quinta carta

A CARTA.

v.1 = “Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto”.

“...Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas”. Jesus não acha nenhum prazer neste sistema. A carta já começa com uma repreensão, e esta igreja não é recomendada em nada. Jesus escolheu uma de suas características mais interessantes para se revelar à igreja de Sardes. Foi a mesma natureza divina que revelou a João em Apocalipse. Em Isaias 11.2 lemos: "Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor."As sete estrelas são as mesmas de Apocalipse 1:20, quando o Senhor revela a João que as sete estrelas são os sete anjos das sete igrejas. Sete representa a totalidade e a perfeição divina. Diante do trono de Deus, “ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus” (4:5). Os sete olhos do Cordeiro “são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (5:6). Deus sabe tudo e vê tudo (veja 2 Crônicas 16:9). Nada em Sardes seria escondido de Jesus.

Em outras palavras, essa forma de Jesus se apresentar à igreja de Sardes tem o objetivo de justamente adverti-la de que essa igreja confiava mais no Estado do que no Espírito de Deus.

As sete estrelas: Jesus não somente vê, ele também controla. Ele segura os mensageiros das igrejas na sua mão direita (1:16,20). Pode ver, julgar e até castigar conforme a sua infinita sabedoria.

“,,,Conheço as tuas obras”. Como nas outras cartas, aquele que estava no meio dos candeeiros conhecia perfeitamente as obras e os corações das igrejas. A igreja gozava de grande reputação na cidade. Nenhuma falsa doutrina estava prosperando na comunidade. Não se ouve de balaamitas, nem dos nicolaítas, nem mesmo dos falsos ensinos de Jezabel. Aos olhos dos observadores parecia ser uma igreja viva e dinâmica. Tudo na igreja sugeria vida e vigor, mas a igreja estava morta. Era uma igreja apenas de rótulo, de aparência.

“Tens nome de que vives, e estás morto”. Tens nome – Literalmente”um nome” (reputação) tens e vive mas (na realidade) estás morto. Esta frase ilustra perfeitamente a diferença importante entre reputação e caráter. A reputação é a fama da pessoa, o que os outros acham que ela é. O caráter é a essência real da pessoa, o que realmente é. As outras pessoas podem ver somente por fora, mas Jesus vê o homem interior e sonda os corações. Ele não pode ser enganado por ninguém. A igreja de Sardes teve a reputação de ser ativa e viva, mas Jesus sabia que estava quase morta. Ele não fala de perseguição romana, nem de conflitos com falsos judeus. Não cita nenhum caso de falsos mestres seduzindo o povo ao pecado. Ele fala de uma igreja aparentemente em paz e tomada por indiferença e apatia. A igreja parecia mais um cemitério espiritual, do que um jardim cheio de vida .É impossível matar uma igreja desde fora, algo triste ocorreu no seu interior que a estava levando à morte.

A igreja tinha fama, mas não vida. Tinha pompa, mas não Pentecoste. Tinha exuberância de vida diante dos homens, mas estava morta diante de Deus. Deus não vê como vê o homem. A fama diante dos homens nem sempre é glória diante de Deus.

Estás morto. Compare com 1 Timóteo 5.5-6, “vivendo está morta”. Era uma igreja manequim, bem vestida, com uma rotina sofisticada. Sua adoração diante de Deus era pesada, pequena e formal. Seu testemunho ao mundo quase extinto.

Porque é que o judeu incrédulo e os romanos pagãos não se preocupavam em perseguir diretamente esta igreja? Porque não valia a pena. Ali não tinha nada que os preocupasse.

v. 2, 3 = “Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus.

Sê vigilante. (ginou gregorön). Não diz: “Levanta-te dentre os mortos” Ef. 5.14, pois ainda há vestigio de vida.Os que ainda vivem são interpelados pelo anjo da igreja. “Confirma o restante” (stërison ta loipa), com o sentido de ‘tornar estável’.

No versículo 2 há laguns imperativos: -: 1) Sê vigilante; 2) Fortaleça ou consolida o que resta; 3) Lembre-se; 4) Obedeça; 5) Arrependa-se.

“Sê” - (ginu). Literalmente ‘chega a ser”.

“Vigilante” vem do gr ego ‘gregoreo’. A NVI o traduz como “desperta-te”, aporque vivia em um estado de sonolencia. Romanos 13.11 “E isso fazei, conhecendo o tempo, que já é hora de despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando nos tornamos crentes”.

“Confirma” =- Outra vez, Cristo suavisa a dureza do que disse no versículo anterior. “estas morto”, compare com 2.6, 2.20.

“As outras coisas”. Pode rfeferir-se à pessoa que ainda não se encontra no estado de letargia, porém esta é sua tendencia. Devia fazer todo o possivel para resgatar o pouco de bom que ainda restava.

“Que estava para morrer”. Podemos observar uma ternura nesta admoestação necessaria.

“Não tenho achado”. A reclamação de Cristo não é pelo mal q eu encontrou, mas pela falta do que devia haver.

“Tua obras”. Cristo queria dizer que “tuas obras não alcançaram o padrão divino”. Jesus confirma que as obras da Igreja de Sardes na realidade não eram autênticas diante de Deus.

“perfeitas”. Não se usa a palavra comum para madurez ‘téleia’, mas “pleráo’, cumprir, encher, lograr. A re prfeensão tem o sentido de Efesios 2.10, o proopósito divino não se realiza em sua vida. Um exemplo do A.T. é Daniel 5.27. “Pesado foste na balança, e foste achado em falta”.

“diante do”. (enópion). Toda obra está sob o escritinio de Deus. É vão os louvores dos homens, Lucas 16.15 “vos justificais".

“do meu Deus”. Literalmente. Ainda que Cristo é enaltecido à dextra do seu pai, Ele se submete à vontade dos a tos da Trindade.

V, 3. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”. Apesar da péssima condição da igreja de Sardes, ainda havia esperança enquanto Cristo não voltasse – 3.3. A carta foi um ultimato. Tal é a situação de muitas igrejas atualmente. Em que consistia a esperança daquele povo? O Senhor lhe exortou, dizendo: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido e guarda-o, e arrepende-te”. a igreja precisava lembrar as grandes bênçãos recebidas e voltar a valorizar a sua comunhão especial com Deus. Se esquecermos da palavra de Deus e da salvação do pecado, facilmente cairemos no pecado (veja 2 Pedro 1:8-9). Para nos firmar na fé, temos que lembrar do que temos recebido.

“Lembra-te”. (mnëmoneue) ‘Tem em mente’, como em 2.5. ). Mas não é suficiente lembrar-se das coisas que ouvimos; precisamos guardar as palavras do Senhor. O evangelho não é apenas para ouvir; é para ser obedecido (2 Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17). No caso do povo desobediente de Sardes, teriam de se arrependerem para voltar às boas obras de obediência.

“Arrepende-te”. (metanoéo) a raiz deste verbo é ‘mente’. Deve haver uma mudança de atitude, porque a mente se entorpeceu com a fria rotina e a ortodoxia estéril. O arrependimento é uma atuação do Espírito sobre a alma, e não uma mudança superficial da atitude mental ou da intenção. Juntamente com a f é, forma a conversão (ver Atos 20.21). Requer a cooperação da vontade humana, mas transcende a possibilidade que é puramente humano, implantando o infinito dentro do finito.

“virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”. A figura de um ladrão encontrando pessoas despreparadas é comum nas Escrituras. Jesus empregou esta ideia várias vezes no seu trabalho entre os judeus (veja Mateus 24:43; Lucas 12:39) e os apóstolos imitaram este exemplo nas suas cartas (1 Tessalonicenses 5:2-4; 2 Pedro 3:10). No Apocalipse, Jesus prometeu vir como ladrão, encontrando despreparadas as pessoas que não vigiavam (16:15).

R. N. Champlin, em seu comentário de Apocalipse, ressalta que há algo muito importante a ser observado: Nas ultimas quatro cartas do Apocalipse (Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia) encerram, todas, alusões escatológicas , ao milênio, à ‘parousia’, etc. Com base nisso, julgamos que todas essas cartas, falam de algum modo, acerca da igreja dos últimos tempos.

v. 4 “Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidas de branco, porquanto são dignas”.

No versiculo 4 brilha através da escuridão, um raio de esperança. Até mesmo em Sardes há alguns fiéis. Quando Abraão estava intercedendo diante de Deus por Sodoma, lhe dizias: “Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás toda a cidade por causa dos cinco? Respondeu ele: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco”. (Genesis 18.215). Deus nunca deixade buscar os que lhe são fiéis.

Deus tem sempre o seu remanescente fiel, mesmo quando parece que todos estão jogados na lama do pecado, há sempre um pequeno grupo que não se mistura e não se contamina com o erro. Para esses, Jesus faz uma promessa antecipada, “Andarão de branco”, e completa dizendo que eram dignos disso.

No entanto, antes que acreditemos que a salvação é pelas obras, ou dignidade humana, vejamos o que está escrito em Tito 3.5-7: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna”.

No meio de uma igreja quase morta, Jesus encontrou algumas pessoas fiéis! Este fato nos lembra de que o julgamento final será individual (veja 2:23; 22:12). Cada um receberá “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Coríntios 5:10). Embora as cartas fossem destinadas às sete igrejas, as mensagens precisavam ser aplicadas na vida de cada discípulo. A salvação não é coletiva; é individual. Ao mesmo tempo, não devemos interpretar este versículo para justificar tolerância de pecado aberto numa igreja. Pessoas que sabem do pecado e não agem para corrigi-lo não podem alegar ter vestiduras brancas, pois desobedece a palavra de Deus (Gálatas 6:1-2; Mateus 18:15-17; Tiago 5:19-20; etc.). Não devemos ser participantes nem cúmplices nas obras das trevas (Efésios 5.7,11).

“não contaminaram as suas vestes”. Sardes era famosa pelo negocio de tinturaria. Aqui não se fala de estado de perfeição sem pecado. Nos papiros daquele tempo, o uso secular do verbo “manchar” falava da infidelidade matrimonial. É traduzido por “se contamina” em I Corintios 8.7 e em Apocalipse 14.4.

Andarão de branco junto comigo: Já andavam de vestidura branca, sem as manchas do pecado. Esperavam andar com Jesus de roupas brancas, representando a vitória final sobre o pecado. “Linho finíssimo, resplandecente e puro...são os atos de justiça dos santos” (19:8). É Deus quem nos aperfeiçoa e nos equipa para toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17). A cor branca na Bíblia significa a justiça de Deus. Ou seja, aos vencedores Jesus lhes revestirá de justiça divina. Somente em Cristo somos justificados diante de Deus Pai. Nunca somos justificados em nós mesmos. Em outras palavras, Ele limpa as nossas vestiduras, conforme está em 2 Coríntios 5:21.
O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
O "Livro da Vida" é mencionado várias vezes na Bíblia (veja 3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:27; Filipenses 4:3). Paulo disse que as pessoas que cooperavam com ele no evangelho tinham seus nomes escritos no Livro da Vida (Filipenses 4:3). Jesus disse que os nomes dos vencedores que se mantêm puros não seriam apagados deste livro (3:5). Em contraste, os que rejeitam a palavra de Deus e servem falsos mestres não têm seus nomes escritos no Livro da Vida (13:7-8; 17:8). No julgamento descrito em Ap. 20:11-15, esses são condenados ao lago de fogo. Por outro lado, na cidade iluminada pela glória de Deus, somente entram aqueles cujos nomes são inscritos no Livro da Vida (21:27).

O Livro da Vida contém o nome de todas as pessoas. Ao contrário do que muitos pensam, o nome de uma pessoa pode sim ser apagado do Livro da Vida. Significa que podemos deixar de desfrutar da salvação se continuarmos uma vida de pecados sem querermos demonstrar verdadeiro arrependimento. O próprio Jesus afirma aqui que existe a possibilidade de se apagar nomes do Livro da Vida.

Existem algumas razões que levam uma pessoa a ter seu nome apagado do Livro da Vida:

1. Pecar contra Deus (Êxodo 32:33) “Então disse o Senhor a Moisés: Aquele que tiver pecado contra mim, a este riscarei do meu livro.”
2. Pecar contra o Espírito Santo (Marcos 3:29) “mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno.”
3. Ou alterar as palavras proféticas do livro de Apocalipse (Apocalipse 22:19) “e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro.”

Sem sombra de dúvidas, ter o nome apagado do Livro da Vida significa a morte eterna.

Confessarei o seu nome diante de meu Pai (5): Jesus prometeu confessar diante do Pai todo aquele que confessa o nome dele diante dos homens. Prometeu, também, negar os nomes daqueles que se envergonharem dele (Mateus 10:32-33; Marcos 8:38).

Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas.

Pastor Adaylton de Almeida Conceição ( Th.B.Th.M. Th.D.)
(Ministro do Evangelho desde 1975, foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos atuou como Missionário na Argentina, Uruguai e El Salvador. Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Jornalista Profissional, Psicanalista especialista em Programas de Prevenção sobre Drogas, Pós graduado em Psicanálise pela Faculdade Darwin)
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