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domingo, 4 de julho de 2010

O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

Prof. Adaylton de Almeida Conceição

INTRODUÇÃO: Os profetas do Antigo Testamento inspiram e instruem não somente a Israel, mas a Igreja de Cristo.

Numero 11.28:”...Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes dera desse Espírito.

O LUGAR DOS PROFETAS NA HISTÓRIA DE HEBREUS.

(1) Os profetas do AT eram homens de Deus que, espiritualmente, achavam-se muito acima de seus contemporâneos.
Nenhuma categoria, em toda a literatura, apresenta um quadro mais dramático do que os profetas do AT.
Os sacerdotes, juízes, reis, conselheiros e os salmistas, tinham cada um, lugar distintivo na história de Israel, mas nenhum deles logrou alcançar a estatura dos profetas, nem chegou a exercer tanta influência na história da redenção.
(2) Os profetas exerceram considerável influência sobre a composição do AT. Tal fato fica evidente na divisão tríplice da Bíblia hebraica: a Torá, os Profetas e os Escritos (cf. Lc 24.44).
(3) ). A categoria dos profetas inclui seis livros históricos, compostos sob a perspectiva profética: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis.
É provável que os autores desses livros fossem profetas. Em segundo lugar, há dezessete livros proféticos específicos (Isaías até Malaquias).
Finalmente, Moisés, autor dos cinco primeiros livros da Bíblia (a Torá), era profeta (Dt 18.15). Sendo assim, dois terços do AT, no mínimo, foram escritos por profetas.

PALAVRAS HEBRAICAS APLICADAS AOS PROFETAS.

(4) (1) Ro’eh. Este substantivo, traduzido por "vidente", se encontra onze vezes no Antigo Testamento, em português, indica a capacidade especial de se ver na dimensão espiritual e prever eventos futuros.
O título sugere que o profeta não era enganado pela aparência das coisas, mas que as via conforme realmente eram — da perspectiva do próprio Deus. Como vidente, o profeta recebia sonhos, visões e revelações, da parte de Deus, que o capacitava a transmitir suas realidades ao povo.
(5) (2) Nabi’. (a) Esta é a principal palavra hebraica para "profeta", e ocorre 316 vezes no AT. Nabi’im é sua forma no plural.
Embora a origem da palavra não seja clara, o significado do verbo hebraico "profetizar" é: "emitir palavras abundantemente da parte de Deus, por meio do Espírito de Deus”.
Sendo assim, o nabi’ era o porta-voz que emitia palavras sob o poder impulsionador do Espírito de Deus.
Também interpretavam sonhos (ex. José, Daniel) e interpretavam a história — presente e futura — sob a perspectiva divina.

- Não há registro do profetismo durante o êxodo. Se crer que começou 200 anos depois com o Profeta SAMUEL em 1050 a.C. (Século XXI a.C.)

- Os Profetas impuseram a base moral do desenvolvimento humano. Também impuseram as bases éticas.

- O rei tinha a liderança política e militar, porém devia obedecer as determinações dos profetas.

- Os Profetas, inicialmente eram apenas conselheiros pessoais, depois começaram a involucrar-se diretamente com o povo.

- Foi em 792 a.C que começaram a serem conhecidos os Profetas escritores.

HOMENS DO ESPÍRITO E DA PALAVRA.

O profeta não era simplesmente um líder religioso, mas alguém possuído pelo Espírito de Deus (Ez 37.1,4).
Pelo fato do Espírito e a Palavra estarem nele, o profeta do AT possuía estas três características:

(1) Conhecimentos divinamente revelados. Ele recebia conhecimentos da parte de Deus no tocante às pessoas, aos eventos e à verdade redentora.
O propósito primacial de tais conhecimentos era encorajar o povo a permanecer fiel a Deus e ao seu concerto.
(2) Poderes divinamente outorgados. Os profetas eram levados à esfera dos milagres à medida que recebiam a plenitude do Espírito de Deus.
Através dos profetas, a vida e o poder divinos eram demonstrados de modo sobrenatural diante de um mundo que, doutra forma, se fecharia à dimensão divina.
(3) Estilo de vida característico. Os profetas, na sua maioria, abandonaram as atividades corriqueiras da vida a fim de viverem exclusivamente para Deus.
Protestavam intensamente contra a idolatria, a imoralidade e iniqüidades cometidas pelo povo, bem como a corrupção praticada pelos reis e sacerdotes.
Suas atividades visavam mudanças santas e justas em Israel.
Suas investidas eram sempre em favor do reino de Deus e de sua justiça. Lutavam pelo cumprimento da vontade divina, sem levar em conta os riscos pessoais.

OITO CARACTERÍSTICAS DO PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO. Que tipo de pessoa era o profeta do AT?

(1) Era alguém que tinha estreito relacionamento com Deus, e que se tornava confidente do Senhor (Am 3.7). O profeta via o mundo e o povo do concerto sob a perspectiva divina, e não segundo o ponto de vista humano.
(2) O profeta, por estar próximo de Deus, achava-se em harmonia com Deus, e em simpatia com aquilo que Ele sofria por causa dos pecados do povo. Compreendia, melhor que qualquer outra pessoa, o propósito, vontade e desejos de Deus. Experimentava as mesmas reações de Deus.
Noutras palavras, o profeta não somente ouvia a voz de Deus, como também sentia o seu coração (Jr 6.11; 15.16,17; 20.9).
(4) À semelhança de Deus, o profeta amava profundamente o povo. Quando o povo sofria, o profeta sentia profundas dores. Ele almejava para Israel o melhor da parte de Deus (Ez 18.23).
Por isso, suas mensagens continham, não somente advertências, como também palavras de esperança e consolo.
(4) O profeta buscava o sumo bem do povo, i.e., total confiança em Deus e lealdade a Ele; eis porque advertia contra a confiança na sabedoria, riqueza e poder humanos, e nos falsos deuses (Jr 8.9,10; Os 10.13,14; Am 6.8
(5) O profeta tinha profunda sensibilidade diante do pecado e do mal (Jr 2.12,13, 19; 25.3-7; Am 8.4-7; Mq 3.8). Não tolerava a crueldade, a imoralidade e a injustiça. O que o povo considerava leve desvio da Lei de Deus, o profeta interpretava, às vezes, como funesto.
(6) O profeta desafiava constantemente a santidade superficial e oca do povo, procurando desesperadamente encorajar a obediência sincera às palavras que Deus revelara na Lei. Permanecia totalmente dedicado ao Senhor; fugia da transigência com o mal e requeria fidelidade integral a Deus.
Aceitava nada menos que a plenitude do reino de Deus e a sua justiça, manifestadas no povo de Deus.
(7) O profeta tinha uma visão do futuro, revelada em condenação e destruição (e.g., 63.1-6; Jr 11.22,23; 13.15-21; Ez 14.12-21; Am 5.16-20,27, bem como em restauração e renovação (e.g., 61– 62; 65.17–66.24; Jr 33; Ez 37
(8) Finalmente, o profeta era, via de regra, um homem solitário e triste (Jr 14.17,18; 20.14-18; Am 7.10-13; Jn 3– 4), perseguido pelos falsos profetas que prediziam paz, prosperidade e segurança para o povo que se achava em pecado diante de Deus (Jr 15.15; 20.1-6; 26.8-11; Am 5.10; cf. Mt 23.29-36; At 7.51-53).
Ao mesmo tempo, o profeta verdadeiro era reconhecido como homem de Deus, não havendo, pois, como ignorar o seu caráter e a sua mensagem.

A MENSAGEM DOS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO. A mensagem dos profetas enfatiza três temas principais:

(1) A natureza de Deus. (a) Declaravam ser Deus o Criador e Soberano onipotente do universo (e.g., 40.28), e o Senhor da história, pois leva os eventos a servirem aos seus supremos propósitos de salvação e juízo (cf. Is 44.28; 45.1; Am 5.27; Hc 1.6).
Enfatizavam que Deus é santo reto e justo, e não pode tolerar o pecado, iniqüidade e injustiça. Mas a sua santidade é temperada pela misericórdia.
(2) O pecado e o arrependimento. Os profetas do AT compartilhavam da tristeza de Deus diante da contínua desobediência, infidelidade, idolatria e imoralidade de seu povo segundo o concerto. E falavam palavras severas de justo juízo contra os transgressores.
(3) Predição e esperança messiânica. (a) Embora o povo tenha sido globalmente infiel a Deus e aos seus votos, segundo o concerto, os profetas jamais deixaram de enunciar-lhe mensagens de esperança.
Sabiam que Deus cumpriria os ditames do concerto e as promessas feitas a Abraão através de um remanescente fiel. No fim, viria o Messias, e através dEle, Deus haveria de ofertar a salvação a todos os povos.

Profetas da Bíblia

Os Profetas do Antigo Testamento são classificados como Profetas Maiores e Profetas Menores; esta classificação se refere apenas ao tamanho dos livros associados aos Profetas Maiores, que são maiores.
Além disso, existem também Profetas aos quais não está associado um livro, como Elias ou Eliseu.
Uma observação é que no livro de Gênesis o Patriarca Abraão é denominado de Profeta veja: "Agora, pois, restitui a mulher ao seu marido, porque profeta é, e rogará por ti, para que vivas; porém se não lha restituíres, sabe que certamente morrerás,tu e tudo o que é teu." (Gênesis 20 : 7)
O estado dos profetas ao receberem a sua mensagem.
E importantíssima ter uma noção certa das condições espirituais do profeta, afim de que possamos penetrar os segredos da comunicação do homem com Deus.
A concepção pagã da profecia era a de uma condição absolutamente passiva no profeta, de modo que, quanto mais inconsciente se mostrava, mais apto estava para receber a mensagem divina.
Alguma coisa deste gênero se pode ver na histeria do povo israelita. Aquelas danças sagradas dos profetas de Baal, durante as quais eles batiam em si furiosamente, cortando-se com canivetes, para que pudessem receber um sinal visível de aprovação divina, eram, na realidade, uma manifestação típica (1 Rs 18.26 a 28).

O PROFETA NA IGREJA PRIMITIVA

No Novo Testamento não há o ofício profético como havia no Antigo, mas há o dom de profecia, 1Co 12: 28, 29 e Ef 4: 11.
Nessas passagens, o profeta é citado imediatamente após os apóstolos, e está associado aos mestres, como se vê na Igreja de Antioquia, At 13: 1. Eram também considerados alicerces (fundamentos) sobre os quais a Igreja foi edificada, Ef 2: 20.
• Os profetas do Novo Testamento tinham como função a proclamação e a predição; eram canais através dos quais Deus transmitia uma orientação especial à Igreja. Foi, por exemplo, o que fez Ágabo, At 11: 28; 21: 10 e 11; e Judas e Silas, At 15: 32.
• Os profetas do NT não eram fonte de novas verdades doutrinárias a serem absorvidas pela Igreja e sim expositores da verdade já revelada por Jesus e pelos apóstolos.
• Eram dotados do dom sobrenatural de conhecer, e com a liberdade de revelar, os “segredos do coração humano”, 1Co 14: 24,25.

O PROFETA NA IGREJA HOJE

• Não se pode perder a noção de que a responsabilidade da Igreja Local e a sua direção espiritual estão com o pastor, que é auxiliado pelos presbíteros, no que lhes cabe, e por todos aqueles que possuem talentos e dons.
• É isso que se interpreta com base no significado do próprio título “pastor” (bispo) como está em At 20: 28.
• Portanto, ao pastor cabe transmitir à Igreja as mensagens como diretrizes para o rebanho do Senhor. Segundo Ap 2: 1, 8 e 12, o pastor é o anjo protetor designado pelo Senhor para aquela localidade.
• Logo, o que possui o dom de profecia deve alinhar-se com o pastor e ajudar a promover a paz e o crescimento do rebanho, 1Co 14: 33, repreendendo as distorções sem se intimidar com os que agem como Jezabel, Ap 2: 20.

Quais são as qualificações de ser profeta?
Para alguém ser profeta de Deus, Deus tem que o ordenar e o ungir como profeta (Deut 18:15).
Isaías foi assim chamado e consagrado (Isaías 6), Jeremias foi assim ungido (Jer 1:5) e é assim que os do Novo Testamento que tinha esse nome foram chamados (Atos 13:1-5; Efés 4:11).
É como o sacerdócio, “ninguém toma para si esta honra” (Heb 5:4). Os que são de Deus, fala o que Deus ordena, e só isso (Deut 18:18-22; I Cor 2:2; II Tim 4:2).
A prova que os profetas são verdadeiramente de Deus ou não é pelo cumprimento de todas (100%) das suas profecias (Jer 28:9). Quem só tem parte da sua profecia cumprida evidentemente não é de Deus.

Qual é a diferença dos profetas do Velho Testamento dos do Novo Testamento?
Os profetas do Velho Testamento eram antigamente conhecidos pelo nome de vidente (I Sam 9:9; I Crôn 9:29).
A palavra “vidente” vem de uma palavra que significa ver, perceber ou olhar. Este nome indica que a obra principal dos profetas do Velho Testamento era de consultar ao SENHOR pelo povo (II Reis 3:11).
Na era apostólica, a obra principal era de falar da Palavra de Deus e ensinar dela (Efés 4:11-16; I Cor 2:2-10).
Olhando nos usos da palavra “profeta” podemos observar que dos 66 vezes essa palavra é usada no Novo Testamento, só 4 delas referem se aos profetas propriamente do Novo Testamento (Atos 13:6; 21:10; I Cor 14:37; Tito 1:12). Da palavra no plural, “profetas”, no Novo Testamento, há 87 usos, mas só 11 referem se aos profetas da era do Novo Testamento (Atos 11:27; 13:1; 15:32; 12:28,29: I Cor 14:29,32; Efés 2:20; 3:5; 4:11; I João 4:1).
Os outros usos das palavras “profeta” e “profetas” no Novo Testamento referem se aos profetas do VelhoTestamento ou ao Messias, Jesus Cristo. Tudo isso mostra, na era apostólica, o ofício de “profeta” não era igual ao o do Velho Testamento.

Cuidados com a profecia

• O que profetiza sem autoridade de Deus é um falso profeta e devia ser morto (Deut 18:20). De outra maneira devemos dar maior respeito para os de Deus (I Crôn 16:22; Heb 13:7,17).
Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th. B.; Th. M.; D.D.)

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