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sábado, 5 de maio de 2012

ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR

Esmirna era uma prospera cidade da Ásia menor. Tinha uma grande importância comercial, pois uma rodovia a cruzava, partindo desde Frigia. Também tinha um porto de saída para a área comercial do vale do rio Hermo.

Ali foi permitido erigir um templo dedicado a Tibério. Sua forte aliança com Roma, a transformou em uma forte aliada e um centro de culto ao imperador. Isso colocou os cristãos daquela cidade em uma situação desesperante, e a perseguição e a morte foi o resultado natural para eles.

Esmirna foi a terra da fábula de Dionísio, um deus que supostamente fora assassinado, mas ressuscitou. Era o local da celebração dos jogos olímpicos e tinha um dos maiores anfiteatros de toda Ásia.

Competia com Éfeso e Pérgamo. O nome dessa cidade significa “mirra”, substancia extraída de uma planta e usada para fabricação de perfume, mas também usado para embalsamar os corpos dos mortos.

É possível que, sendo uma as onze cidade constituintes de Jonia na época da introdução do Evangelho na Europa, quando estava incorporada à Província romana de Ásia, o Evangelho deve ter chegado ali como consequência o ministério de Paulo em Éfeso (Atos 19.11) na sua terceira viagem missionaria.

O culto ao imperador era uma adoração obrigatória aos imperadores romanos, como se estes fossem divindades. Naturalmente, os cristãos se recusariam a oferecer-lhe culto, e em consequência, foram tremendamente perseguidos e muitos deles sofreram o martírio.

Esmirna se transformou no símbolo da igreja dos mártires. Assim que, se supõe que esta carta deve ser entendida como predição sobre o período das tremendas perseguições que aconteceram entre o ano 100 d.C. e o tempo de conversão de Constantino, já no inicio do século IV.

Atualmente quase que não existe o cristianismo em Esmirna (atualmente conhecida com o nome de Izmir, na atual Turquia), pois a maioria da população, cerca de 99% é muçulmana e o resto está divido entre judeus, cristãos e outros.

Das sete cidades que receberam as cartas, esta é a única que ainda existe, com o nome de Izmir, na atual Turquia.

2.8 =Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu”

Provavelmente o anjo da igreja (o pastor) tenha sido Policarpo, o discípulo pessoal do apostolo João. A narração do seu martírio é apresentada por Eusébio, em sua História Eclesiástica. Foi levado à arena, lugar dos jogos olímpicos, um dos maiores teatros da Ásia Menor (atual Turquia). Foi-lhe ordenado que se retratasse de sua fé e Cristo, confessando sua lealdade ao Imperador Romano como se fosse um deus. Fora-lhe ordenado que disse: “Fora com os ateus”, isso é, com os cristãos. Ele se recusou, e disse: “Em meus 90 anos de vida, meu Jesus tem permanecido fiel para comigo, como é que eu agora poderia ser-lhe infiel?” Assim que, as pessoas enfurecidas o condenaram a morrer queimado na fogueira.

... o primeiro e o último, que foi morto e reviveu. Esse é o mesmo título que se encontra em Ap. 1.18.

Jesus se apresenta como o fundamento ideal, insubstituível.

Ele se apresenta como o único. Não há outro nem antes nem depois dele. Em volta de Cristo se centraliza toda a criação, visto que Ele é seu Senhor e Cabeça. Ele é a origem de tudo: Col. 1.16 = “porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele”.

- Todas as coisas encontram em Cristo a razão de sua existência. Filosoficamente, em termos aristotélicos, Cristo é a “causa material”, e a força potencial de tudo

Cristo também é a “causa formal”, ou seja, o plano que se seguirá, porque o homem redimido deverá compartilhar a própria natureza de Cristo, e todas as demais coisas encontrarão em Cristo o Tudo.

Cristo é a “causa final” de tudo, porque é em Cristo que todas as coisas encontrarão seu fiel cumprimento.

... que foi morto e reviveu: Cristo prometeu que na qualidade de quem vive, seria a “primícia” de uma grandiosa ressurreição.

Não nos esqueçamos de que Esmirna era a sede do mito do deus Dionísio, o qual havia sido morte mas ressuscitou.

2.9 = Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás.

A palavra “Conheço a tua tribulação...”, em grego é usado o termo “thilipsis”, “pressão”, “opressão”, derivado de “thilibo”, “ junto”. Mas esta palavra era usada metaforicamente para indicar “pressionar junto”. Mas no N.T. geralmente tem o sentido de “perseguição”, aquela forma de pressão e de opressão que nos atinge, devido a má vontade e ao ódio de nossos semelhantes. Neste contexto as perseguições feitas pelas autoridades romanas estão particularmente em foco, as quais eram comandadas pelo imperador Domiciano, que foi chamado de “o segundo Nero”

“...pobreza...”. Eles tinham grandes necessidades materiais, pois eram pobres materialmente, porém eram ricos na graça para com Deus. Em contraste com Laodiceia que eram ricos para com o mundo e pobres para com Deus (Ap 3.17). Há pobre-rico e rico-pobre. Temos o exemplo da parábola de Lázaro e o homem rico.

Não está mal ser rico, e não há nenhuma virtude e ser pobre. Ninguém será condenado por ser rico, e ninguém será salvo por ser pobre. Tudo depende de como tratamos a oferta de Cristo. Se a aceitamos ou a recusamos.

... a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás. Pode ser uma referencia aos gnósticos, que diziam ser o “novo Israel”, tendo tanto a Moisés como a Jesus como seus progenitores espirituais. Mas reduzindo a Cristo a apenas um entre muitos aeons (emanações angelicais).

2.10= Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.

a- Nem sempre se promete ao crente, liberdade da perseguição e das tragédias, apesar de que ele ora e pede a Deus sobre estes e outros problemas. ...

O mal, a tragédia e o sofrimento podem vir independente de que sejamos crentes ou não. Se trata de um dos problemas mais difíceis para a fé religiosa. Muitos dizem: “como é que meu Deus permita que exista o sofrimento até na vida dos santos”.

b- O problema do mal chama a nossa atenção. O mal, tragédia e o sofrimento podem vir da perversidade voluntaria do homem, e os inocentes poder sofrer. A própria natureza aflige a todos, com inundações, incêndios, desastres, tragédias, enfermidades e a própria morte. Se trata de um dos problemas mais difíceis para a fé religiosa. Muitos dizem: “Como é possível que um Deus todo poderoso, bondoso, que igualmente é onisciente, permite que exista o sofrimento” . Por que Ele não impede? Os cristãos apelam ao padrão mais elevado do plano divino, mais elevado que qualquer hem mortal pode ver, e percebem que os sofrimentos redundarão, finalmente, em glória (ver Romanos 8.18; 2 Coríntios 4.17).

“...Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados”.

= O Novo Testamento defende a real existência de um diabo pessoal, e centro total da maldade, tal como expõe a real existência de Deus pessoal, como a totalidade do bem.

Os cristãos eram presos acusados de traição, por não prestarem culto ao imperador

Satanás se mostra ativo na terra, contando com muitíssimos agentes para confundir aos hem e prejudica-los. As perseguições movidas pelos romanos, com a ajuda dos judeus foram encaradas por João como uma obra de Satanás.

... Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Primeiramente indica que o martírio era como algo paralelo à fé cristã naqueles dias.

A metáfora usada. Talvez esteja por trás desta metáfora a ideia das competições gregas. O fundista vencedor recebia uma coroa de loros. Mas também pode estar em vista a coroa usada por uma pessoa numa coroação real. Aqueles crentes reinariam com Cristo. Usariam essa coroa porque o Rei haveria de recompensa-los com sua própria forma de vida, levando-os a participar de sua gloria. Seria conforme o dito em Apocalipse 1.6, reis e sacerdotes, ou seja, “reis sacerdotais”.

Consiste no grau em que participaremos da vida e da natureza de Cristo, com os atributos e poderes correspondentes.

A coroa é uma representação poética da “recompensa” ou “galardão”. Os galardões ou recompensas não consistirão, essencialmente, daquilo que recebemos, mas daquele em quem seremos transformados para poder servir ao Deus eterno, no mundo de Deus.

Aqui é usado o genitivo de oposição, no grego, o que poderia ser melhor traduzido como” a coroa que é vida”. A vida eterna está em foco, o que também consta em apocalipse 2.7, sob o símbolo da árvore da vida.

v. 11 = “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte”.

Notamos que em cada uma das sete cartas há um “vencedor”. Em cada época houve vencedores, apesar dos problemas e das crises que tiveram que enfrentar. Aqui neste ponto, o vencedor aparece como alguém invulnerável para a segunda morte, o que não é uma promessa nada comum.

“... de modo algum sofrerá o dado da segunda morte”. Somente no livro de Apocalipse (no Novo Testamento) se encontra a expressão “segunda morte”. Supomos que o vidente João se refere à “ira de Deus”, ao “juízo dos incrédulos”. Este texto pode ser comparado com o que diz Apocalipse 20.14, 15, onde temos uma descrição mais completa sobre o que significa a “segunda morte”. Trata-se do juízo final, depois do reino milenial de Cristo (Apocalipse 20.8). O mesmo ocorrerá depois da segunda ressurreição, e consistirá no lançamento no “lago de fogo’.

Que Deus nos conceda o privilégio de reinar com Ele pelos séculos dos séculos.

Pastor Adaylton de Almeida Conceição (Th. B. ;Th.M.; Th