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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DEMANDAS JUDICIAIS ENTRE IRMÃOS

Pastor e Mestre Adaylton de Almeida

Texto Áureo: “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas” (Ex 14:14).
Esta lição é uma belíssima exortação para que, no meio da santa igreja de Cristo, sejamos capazes de resolver nossas pendências e discordâncias, sem a necessidade de recorrermos à justiça dos homens (secular).

À guisa do texto Áureo
- Os santos julgarão o mundo e os anjos. Esta declaração se refere aos eventos escatológicos descritos abaixo, sendo apresentados por Paulo com uma maior abrangência, principalmente em relação ao julgamento do mundo: “Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Mt 19:28)
“Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino; e vos assentareis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Lc 22:29-30)
Em lições anteriores, estudamos que a igreja de Corinto padecia de grandes problemas em virtude da falta de comunhão, entre eles o Partidarismo. (I Co 1:10-13)
“Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer. Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo. será que Cristo está dividido? foi Paulo crucificado por amor de vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?
Devemos observar que a exortação contra demandas judiciais entre os irmãos decorria diretamente desta falta de comunhão:
Os servos de Corinto, pela falta de comunhão, não conseguiam resolver pessoalmente, e internamente (na igreja), suas demandas e problemas, razão pela qual recorriam à justiça dos homens.
Observa-se, no estudo histórico do direito (leis e normas dos homens), que a lide (demanda judicial) pode ser caracterizada como “O Conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”. (Carnelutti)
Em síntese, isso significa que alguém, julgando-se detentor de determinado direito, busca usufruí-lo (utilizá-lo em seu benefício), e, tendo oposição de outra pessoa, busca algum meio para resolver esse impasse.
Demandas judiciais entre os irmãos, era uma prova de que a unidade do corpo de Cristo estava sendo comprometida. A comunhão (Gr. Koinonia) que foi o forte da Igreja primitiva (At. 2:42-47), agora, ao que parece estava sendo esquecida pela neófita igreja de Corinto. O próprio Jesus ensinou que “o reino dividido contra si mesmo não prevalece”. (Mt 12:25; Lc 11:17)
Litígio entre os irmãos evidenciava a fragilidade doutrinária e a superficialidade da compreensão do que é estar em uma nova posição (Ef 2:6) e sob o governo do filho do seu amor. (Cl 1:15)
Pressuposto Básico: A comunhão entre os irmãos traz entendimento.
O texto áureo da Lição nos traz a passagem esculpida em Sl 133:1: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!”. Esta passagem relata uma característica essencial dos servos de Cristo para que a Igreja sempre seja irrepreensível: A comunhão.
A igreja de Corinto padecia de grandes problemas em virtude da falta de comunhão. (I Co 1:10-13)
Assim, observa-se que, ao tempo de Paulo, muitas eram as lides entre os homens, sendo que a maior parte das demandas judiciais versavam sobre questões patrimoniais, como bens móveis, imóveis (casas e terras), pactos (contratos), dentre outras coisas.
Para os homens que viviam fora do seio da Igreja, utilizar a justiça era um meio válido, pois evitava que as discórdias acabassem em meio brutais de resolução, como a autotutela (justiça pelas próprias mãos), em que determinada pessoa fazia à força aquilo que julgava correto, prevalecendo sempre o mais forte contra o mais fraco. Entretanto, para os irmãos em Cristo, utilizar a justiça dos homens era algo extremamente prejudicial, pois comprometia a comunhão entre os servos. A comunhão entre os irmão faz parte da espiritualidade da Igreja, e aproxima o povo de Deus do ideal traçado por Cristo. Sl 133.1
Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Uma igreja verdadeiramente espiritual é alicerçada, dentre outras coisas, na comunhão entre os irmãos. A partir do momento em que os irmãos se encontrem em plena comunhão, o entendimento prevalece em meio à discórdia.
I - O QUE SE ENTENDE POR “DEMANDAS JUDICIAIS”?
O Dicionário Jurídico conceitua “Demanda” como “ação judicial, causa, litígio, processo”. A palavra litígio (vem do latim - litigium), significando “disputa judicial”. O mesmo que lide, questão, querela. Conflito de interesses qualificado pela pretensão de um dos litigantes e pela resistência do outro.

- A FALTA DE COMUNHÃO ENTRE OS CRENTES DE CORINTO
Os membros de uma igreja carnal deixam-se facilmente levar pelos interesses egocêntricos. Por isso, em Corinto, havia quem tivesse “algum negócio contra o outro”, e o pior, levavam uns aos outros aos tribunais pagãos, acionavam os juízes incrédulos para resolverem suas disputas, escandalizando o evangelho de Cristo. Aquela igreja não sabia o significado da palavra comunhão.
A koinonia, comunhão em grego, é uma premissa para a congregação que celebra o nome de Cristo. Esse termo significa também a partilha entre os fiéis da igreja. Tal sentimento recíproco é descrito em At 2:42 em que os cristãos, como discípulos do Senhor, permaneciam juntos em comunhão.
A doutrina da comunhão é recorrente nas epístolas paulinas. Para o apóstolo dos gentios a comunhão envolve a partilha de coisas materiais - ao suprimento das necessidades dos santos (Rm 15:26; II Co 8:4; 9:13).
Para desenvolver o ministério da koinonia é preciso aprender a abrir mão dos interesses próprios em prol dos outros (Fp 2:1). Portanto, se há alguma exortação em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão do Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões.
Somente quando somos guiados pelo Espírito (Gl 5:19-22), podemos viver a verdadeira espiritualidade, e, assim fazendo, não daremos lugar aos interesses egoístas. Por essa razão João admoesta os crentes para que vivam em comunhão uns com os outros. (I Jo 1:3,7) “Sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo... mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.” Tal comunhão está fundamentada no Pai e em Seu Filho Jesus Cristo. (I Jo. 1:6)
Em comentário a I Co 6:1, assim nos traz a Bíblia de Estudo Pentecostal: “Quando ocorrem disputas banais entre os cristãos, isso deve ser julgado na igreja e não na justiça secular. A igreja deve julgar entre aquilo que é certo ou errado. Dar seu veredito e disciplinar o culpado, se necessário for”.
Cabe analisar que, em caso de injustiças praticadas pelos irmãos (má-fé), cabe sim, disciplina para o culpado. Entretanto, nem todas as pendências entre irmãos são causadas por má-fé. Por vezes, ambos se acham em sincera verdade, mas, por falta de resignação, negam-se a dar um passo atrás.

VI – Conclusão.
A comunhão e a justiça devem prevalecer nas relações entre irmãos em Cristo, para que a nossa vida seja espelho da Justiça Divina! Amém!

Prof. Pr. Adaylton de Almeida