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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

PRIMEIRA EPISTOLA DE JOÃO

Pastor e Mestre Adaylton de Almeida Conceição

AUTORIA – João, o apóstolo. Seu nome não é mencionado em suas três epístolas. Não obstante, sua autoria foi confirmada por Policarpo, Papias, Eusébio, Irineu, Clemente de Alexandria e Tertuliano. O nome "João" significa "graça de Deus".
Era judeu, pescador (Mt.4.21, Mc. 1.17-20), irmão de Tiago, filho de Zebedeu e Salomé (Compare Mt.27.56 e Mc.15.40).
Foi chamado de discípulo amado – Jo. 13.23; 19.26; 21.20. Foi o discípulo mais íntimo do Mestre. Até no momento da crucificação, João estava presente. Isso mostra sua disposição de correr risco de vida para ficar ao lado de Jesus.
Foi um dos três que estavam com o Senhor quando a filha de Jairo foi levantada dos mortos (Mc. 5:35–42); no Monte da Transfiguração (Mt. 17:1–9); e no Getsêmani (Mt. 26:36–46).
Cinco livros do Novo Testamento são atribuídos ao apóstolo João: Evangelho de João, o Apocalipse e as chamadas três Epístolas de João. Estes cinco livros, conhecidos como literatura joanina, contém três tipos de literatura encontrada no Novo Testamento: história, epístolas e apocalíptica. As três Epístolas estão incluídas no grupo de escritos neotestamentários denominados Epístolas Gerais.
Existem diferenças entre o evangelho e a epístola de João, mas isso não constitui base sobre a qual fundamentar uma teoria de autoria diferente,, uma vez que o autor tinha propósitos diferentes ao escrever cada uma dessas obras. Ele escreveu o evangelho para incrédulos e a epístola para crentes. No evangelho os inimigos são judeus incrédulos, na epístola, os inimigos são cristãos professos.
O tema da carta é a comunhão da vida divina. Pelo testemunho daqueles que ouviram, viram, contemplaram e tocaram a "Palavra de vida", os crentes chegaram a nascer de novo, tornar-se filhos de Deus, e gozar da Comunhão com o Pai, com o Filho e com todos aqueles que também creram. Por meio dessa vida divina, os fiéis andam na luz e observam o mandamento do mútuo amor.

Objetivo
O objetivo de João ao escrever era expor a heresia dos falsos mestres e confirmar a fé dos verdadeiros crentes. João declara ter escrito para dar garantia da vida eterna àqueles que Crêem “no nome do Filho de Deus (5.13). A incerteza de seus leitores sobre sua condição espiritual foi causada por um conflito desordenado com os mestres de uma falsa doutrina. João refere-se ao ensinamento como enganosos (2.26; 3.7) e aos mestres como “falsos profetas” (4.1), mentirosos (2.22) e anticristos (2.18,22; 4.3). Eles um dia tinha estado com a igreja, mas tinha se afastado (2.19) e tinha se “levantado no mundo” (4.1) para propagar sua perigosa heresia.
Este falso ensinamento me parece ser precursor do Gnosticismo (do termo grego gnosis, que significa conhecimento), e reivindicavam possuir um conhecimento especial sobre Deus, a teologia e Jesus Cristo. Sua base doutrinária incluía:
I) que Jesus fosse realmente o Cristo (2:22),
II) a pré-existência do Filho de Deus (1:1; 4:15 e 5:5,10),
III) eles negavam a Encarnação de Cristo (4:2) IV) que seu objetivo fosse vir para salvar os homens (4:9).

Porém, segundo alguns estudiosos, a forma exata dessa heresia, é incerta. Geralmente é afirmado que tinha alguma afinidade com os pontos de vista mantidos por Cerinto, na Ásia Menor, no fim do primeiro século, ainda que não fosse inteiramente idêntico com aquilo que se sabe sobre seu ensino. De acordo com Cerinto, Jesus foi um homem bom, no qual o Cristo celestial viera habitar desde o tempo de seu batismo até pouco antes de sua crucificação.
Isto é combatido em diversas passagens da epístola, que afirma que Jesus é o Cristo (5:6) o Filho de Deus (2:22, 5:1,5). O ensino de Cerinto baseava-se no dualismo gnóstico entre o espíritual e o material, que negava a possibilidade de Deus (Espírito) ter se tornado homem (Matéria). Outra versão desta heresia, o Docetismo (do grego dokeo, parecer) afirmava que a Encarnação foi aparente, não uma realidade concreta. A posição de Cerinto, que fica entre essas duas, afirma que a Encarnação foi temporária, ou seja, desde o batismo até o momento da crucificação.
O método de João em expor os erros dos hereges e confrontá-los com a verdade.
Este falso ensinamento me parece ser precursor do Gnosticismo (do termo grego gnosis, que significa conhecimento), e reivindicavam possuir um conhecimento especial sobre Deus, a teologia e Jesus Cristo. Sua base doutrinária incluía:
I) que Jesus fosse realmente o Cristo (2:22),
II) a pré-existência do Filho de Deus (1:1; 4:15 e 5:5,10),
III) eles negavam a Encarnação de Cristo (4:2) IV) que seu objetivo fosse vir para salvar os homens (4:9).

A primeira Epístola de João começa sem uma introdução formal. Por alguma razão, o autor não se apresenta. A segunda e a terceira epístola mencionam como autor uma pessoa chamada apenas como “o presbítero”. Elas também nos informam a quem elas são endereçadas — uma senhora eleita e também alguém chamado Gaio. Essas informações não são extensas e deixam várias perguntas sem resposta; não obstante, nas próprias epístolas, podemos saber algo sobre quem as escreveu.
João tinha muita intimidade com seus destinatários.
- O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.
- Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
- Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
- Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.
- O presbítero à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na verdade, e não somente eu, mas também todos os que têm conhecido a verdade,
- Tendo muito que escrever-vos, não quis fazê-lo com papel e tinta; mas espero ir ter convosco e falar de face a face, para que o nosso gozo seja cumprido.
- O presbítero ao amado Gaio, a quem em verdade eu amo.
- Tinha muito que escrever, mas não quero escrever-te com tinta e pena. Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos de face a face.
Obviamente, o autor era testemunha ocular de Jesus. Ele também parecia ter mantido uma comunhão próxima com os membros da igreja a quem escrevia, porque os chamava de “filhinhos”, expressão de estima. Ele mantinha posição de liderança na igreja e, mais de uma vez disse que posteriormente esperava visitar aqueles a quem estava escrevendo. A semelhança íntima das frases e temas com o Evangelho de João, bem como o testemunho dos pais da igreja, revelam que ele foi o apóstolo João.
Tudo isso apresenta uma lição muito importante. Como é importante desenvolver um relacionamento bondoso, atencioso e amoroso com os que nos rodeiam! Nessas epístolas, fica muito claro que João amava e se importava com todos e que desejava vê-los fortalecidos no Senhor.
João nos diz repetidamente por que escreveu sua primeira epístola. Quais foram os motivos?
R. = Para completar sua alegria; pelo crescimento cristão dos seus destinatários; pela certeza da salvação.

I Jo. 1.4 = “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.”
I Jo. 2.12-14 =“Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados. Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.”
I Jo. 5.13 = “Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.”
Todas estas declarações são positivas e afirmativas. Porém, o contexto mostra que devem ser entendidas tendo em vista os problemas sérios existentes nas igrejas a que 1 João foi dirigida. A epístola faz declarações fortes sobre falsos mestres. Eles são chamados de anticristos. O termo é encontrado quatro vezes em 1 João e uma vez em 2 João. Além dessas aplicações, não é usado em nenhum outro lugar da Bíblia.
Esses anticristos tinham idéias errôneas sobre ¬Jesus Cristo, que também afetavam seu estilo de vida cristã. Naturalmente, João sentiu a necessidade de enfrentar esses ensinos, e fez isso de maneira poderosa e inflexível.
Apesar disso, o autor pinta um quadro positivo do verdadeiro cristianismo e destaca sua natureza positiva. Ao enfrentar o erro teológico e o erro ético dos falsos mestres, João argumenta em favor da unidade entre Pai e Filho, aceitação do perdão divino e uma vida governada pelo princípio do amor.
Enquanto encoraja os membros da igreja e os adverte contra visões equivocadas de Cristo e do comportamento cristão, ele pode até esperar re¬cuperar alguns daqueles que haviam deixado a igreja.
O capítulo 1 da primeira epístola de João admoesta os santos a comungarem com Deus. O capítulo 2 enfatiza que os santos conhecem Deus pela obediência e instrui-os a não amarem o mundo. O capítulo 3 exorta todos a se tornarem filhos de Deus e a amarem-se uns aos outros. O capítulo 4 explica que Deus é amor e está naqueles que o amam. O capítulo 5 explica que os santos são nascidos de Deus através da crença em Cristo.
A segunda epístola é semelhante à primeira. Nela João se regozija em virtude da fidelidade dos filhos da “senhora eleita.”
Na terceira epístola João elogia um homem chamado Gaio por sua fidelidade e auxílio aos que amam a verdade.
Havia, na época do apóstolo João, os hereges do “Gnosticismo” , cuja preocupação era libertar-se da “carne”, que eles consideravam a prisão da alma.
O verso 6 trata-se, pois, de uma oposição à doutrina e provavelmente à prática de hereges gnósticos.
Sobre esta passagem William Barclay diz o seguinte:
O propósito imediato desta passagem aponta aos falsos mestres gnósticos. Como temos visto, os gnósticos apresentavam mais de uma razão para justificar o pecado. Diziam que o corpo é mal e que, por isso mesmo, não havia nenhum perigo em satisfazer suas luxúrias e saciar seus prazeres. Estes homens diziam que o homem verdadeiramente espiritual está tão protegido pelo Espírito, que podem pecar para satisfazer a seu coração, sem perigo algum.
O texto de 1 João 3: 6 sofre diferentes interpretações em diferentes versões no português, algumas dão o sentido de ato isolado , outras, dão o sentido de uma prática contínua , ou também, um estado .
Ver por exemplo:
Na Bíblia de Jerusalém encontramos: “não peca”.
Na Bíblia Tradução Ecumênica encontramos: “não peca mais”.
Na Almeida Revista e Corrigida encontramos: “não peca”.
Na Tradução Novo Mundo encontramos: “não pratica pecado”.
Na Almeida Revista e Atualizada encontramos: “não vive pecando”.
Na Bíblia na Linguagem de Hoje encontramos: “não continua pecando”.
Na Nova Versão Internacional encontramos: “não está no pecado".
É o único escrito do Novo Testamento que fala de Jesus Cristo como Advogado para com o Pai, quando o crente peca. (2.1)
O termo grego aqui utilizado é para,klhtoj, que significa consolador, ajudador, advogado.
Influenciadas pela Vulgata, que traduziu o termo grego por advocatus, quase todas as traduções colocaram aqui Jesus como Advogado, dando a falsa idéia que podemos pecar à vontade que Jesus sempre vai nos defender diante do Pai.
A Bíblia na Linguagem de Hoje particularmente é bem explícita nisso: “Meus filhinhos e minhas filhinhas, escrevo isso a vocês para que não pequem. Porém, se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que faz o que é certo; ele nos defende diante do Pai”.
A ênfase deve ser dada na primeira afirmativa – “não pequeis! Mas, se pecarmos, visto ser isso desastroso para a vida cristã, temos não um advogado para justificar nossa atitude pecaminosa, e sim um consolador, pra curar as feridas deixadas pelo pecado’’.
“E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o Seu Filho como Salvador do mundo.” I Jo 4:14
Falsos mestres espalhando erro entre os santos! Posições estranhas sobre a natureza de Cristo! Brigas por posições na igreja! Erros teológicos se espalhando entre os membros! Pessoas precisando da certeza da salvação! Outros precisando saber que a fé deve levar à obediência à lei!
Entretanto, João não se concentrou apenas em problemas. Ele apontou para ¬Deus, o Pai e o Filho; descreveu quem são Eles e o que Eles fizeram por nós, e assim, o que devemos fazer em resposta.
O conhecimento de Deus é sempre visto nas escrituras e por essa razão cativa seus leitores a um envolvimento mais intenso e profundo com esse Deus.
Talvez esse seja um ponto alto da concepção joanina sobre Deus exposto em sua primeira epístola: Deus pode ser conhecido pessoalmente, pois é possível existir um relacionamento entre um ser humano regenerado e seu Redentor. Entretanto, mais importante do que essa observação, é que para João essa cognicibilidade em Deus pode ser verifica como certeza. Observe: “Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai”. (2.14) Nesse texto, João apresenta de modo convicto que seus leitores primários já haviam estabelecido um relacionamento com Deus. O verbo que descreve essa certeza é “gnosko“, que pode contribuir em muito com nossa compreensão dessa afirmação joanina.
Na primeira epístola de João temos algumas indicações sobre o significado dessa expressão quando relacionada com Deus: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. (4.7)
É possível, ainda, que essa expressão de conhecimento do Pai tenha estrita relação com o recebimento do ensino dos apóstolos: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve[1]; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve”. (4.6) Em sua discussão sobre o problema do surgimento das heresias sobre Cristo que assolavam a comunidade primitiva a quem João endereçara sua carta, ele transparece com intensidade que esses “anticristos” teriam saído de meio da comunidade cristã, mas evidenciam com seu ensino pernicioso que nunca fizeram parte dessa comunidade. (2.19) João chega a identificá-los como pessoas que negam o Pai e o Filho (2.22), e ainda são apresentados como pessoas que não tem o Pai por negarem o Filho. (2.23) Pouco a frente João ainda incentiva os cristãos a não darem ouvidos para outras pessoas com ensinos contraditórios (4.1) ao que ouviram do próprio João. (2.20)
Dessa forma, João afirma que as pessoas que tem inclinação ao ensino dos apóstolos são pessoas que apresentam um relacionamento pessoal com Deus. Assim, esse conhecimento não é mero acúmulo de informações teológicas, mas a prática cristã saudável da busca pela vida com Deus. Por isso que é evidente na visão de João que aquele que não demonstra amor, não pode conhecer a Deus: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (4.8). Isso não significa que essas pessoas não tem acesso a salvação, mas que por sua imaturidade não tem um relacionamento consistente estabelecido com Deus, ou que por sua falta de relacionamento com Deus permanecem em sua imaturidade.

CONCLUSÃO
A maior lição que podemos tirar para os nossos dias está em 4.8: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. O amor aqui não possui um alvo específico: este alvo é indefinido, pois deve ser direcionado a todos indistintamente.
Isto é importante frisar: os gnósticos contemplavam o conhecimento como um meio de salvação, e aqueles que não possuíam tal conhecimento eram desprezados. Nós, que pela graça de Deus adquirimos um pouco mais de conhecimento teológico, não podemos desprezar os irmãos mais humildes. Isto é um perigo dentro de nossas igrejas.
Devemos nos colocar como instrumentos nas mãos de Deus para levar a estes, conhecimento. E, mais do que conhecimento, o amor. Sem o amor, o Cristianismo seria uma religião como outras. Mas Jesus enfatizou: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. (Jo 13.35) Se não formos capazes de amar a todos que nos cercam, teremos perdido todo o tempo do mundo na busca do conhecimento teológico. Teremos falhado mesmo no objetivo de descobrir Deus, conforme a versão da Tradução Ecumênica para I Jo 4.8: “quem não ama não descobriu a Deus, porque Deus é amor”.
A mais fantástica revelação sobre a natureza de Deus completa este versículo supracitado: “Deus é amor”. O amor deixa de ser uma opção em nossas vidas, para ser uma obrigação nossa. O amor não pode ficar intelectualizado, restrito às discussões acadêmicas: antes deve ser exercitado. Se devemos ser santos porque Deus é santo (Lv 19.2), também devemos amar porque Ele ama. (Jo 13.34)