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sexta-feira, 14 de abril de 2017

VIVENDO DE FORMA MODERADA



“Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” (Gálatas 5.22-23)


Esta última parte do fruto do espírito é traduzida geralmente por temperança ou domínio próprio, no grego trata-se do termo “enkrateia” definido pelo Léxico Grego de Strong da seguinte forma: enkrateia, autocontrole (virtude de alguém que domina seus desejos e paixões, esp. seus apetites sensuais).


Definição Bíblica; A palavra original traduzida por “temperança” aparece somente em três passagens no NT: Gl 5.22, At 24.25 e 2 Pe 1.6. Em Gálatas é usada para designar a última seção do fruto nônuplo do Espírito. Em Atos Paulo empregou o termo ao discorrer com Félix acerca “da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro”. Em 2 Pedro a palavra é incluída na lista das qualidades que todo cristão deve desenvolver: “Acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude, a ciência, e à ciência, a temperança, e à temperança, a paciência, e à paciência, a piedade”.


A ideia principal de “temperança é força, poder ou domínio sobre o ego, inclusive petulância, arrogância, brutalidade e vanglória. É o controle de si mesmo sob a orientação do Espírito Santo.

A falta de temperança leva a pessoa a cometer excessos ao dar vazão aos desejos pecaminosos da carne. O melhor antídoto contra isso é estar cheio do Espírito Santo, porque desta maneira estaremos sob seu controle. Ele nos ajuda a dominar nossas fraquezas, e submetermo-nos à sua vontade.


TEMPERANÇA (DOMÍNIO PRÓPRIO) - FRUTO DO ESPÍRITO SANTO


“Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”. Provérbios 16.32

Temperança significa ter moderação em suas atitudes, ter equilíbrio, e é um termo oriundo do latim. Temperança é uma das virtudes universais, e é a que faz com que as pessoas moderem seus desejos e vontades, como as paixões, alimentos, bebidas, e etc. Ter temperança é ter uma virtude, ou qualidade, de quem modera tudo que faz de quem não toma atitudes apenas pelas suas vontades, é alguém que sabe equilibrar, que tem parcimônia ao agir. Temperança significa equilibrar, colocar sob limites, "moderar a atração dos prazeres, assegurar o domínio da vontade sobre os instintos e proporcionar o equilíbrio no uso dos bens criados”. “Autocontrole”

Domínio próprio, portanto, é a capacidade de efetiva que o cristão deve ter de controlar seu corpo e sua mente. Quando fez o homem, Deus deu-lhe o privilégio de dominar sobre todas as coisas: “também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.” (Gênesis 1.26). O salmista relembra esta competência humana, ao dizer que Deus deu ao homem domínio sobre todas as obras das suas mãos e dos seus pés: “Tu o fizeste dominar sobre as obras das tuas mãos; sob os seus pés tudo puseste: Salmos 8.6. Esta competência, no entanto, nem sempre se realiza quando se trata de homem dominar a si mesmo. Embora possa estar em nós desejar fazer o bem, nem sempre o fazemos. 

Afinal, como aprendemos também com Paulo, na nossa carne, não habita bem nenhum, “Pois o querer o bem está em cada um de nós; não, porém, o efetuá-lo, porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7.18-19). Outro versículo em Provérbios: 25.32, nos adverte: “Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se”; que perigo! Somos desafiados a buscarmos o “domínio próprio” sobre nossos “sentimentos e desejos”. Ter domínio próprio é fazer com que os sentimentos bons sejam fortalecidos e canalizados para que possam ser aperfeiçoados.  

A temperança na vida do cristão


Aquele que está em Cristo é plenamente capacitado a nutrir apenas sentimentos nobres e abençoadores e a repreender todo sentimento destrutivo e maligno. Da mesma maneira é preciso buscar da parte de Deus esse domínio sobre nossos desejos quando forem de origem perniciosa e percebermos que a consumação do mesmo será uma afronta a santidade de Deus. Muitas pessoas se tornam absolutamente escravas de “sentimentos e desejos” e sofrem consequências trágicas por isso.   

Dominando-nos diante das circunstâncias: Além dos sentimentos e desejos, que nós podemos controlar, em grau maior ou menor, existem as circunstâncias da vida, aquelas situações que não criamos, mas que nos  atingem. Quando nos enredam, elas provocam desânimo ou outros sentimentos perigosos. Diante delas, podemos perder o autocontrole, partindo para reações inadequadas, seja de desespero, seja com violência, seja agressividade verbal, etc...


Como podemos ver, a temperança ou domínio próprio, consiste no poder de auto dominar-se, não cedendo as nossas próprias paixões ou desejos, esmurrando o corpo para que não ame a preguiça, refreando a língua e as ações, controlando as faculdades mentais e emocionais. Temperança é o poder para rejeitar a nossa vontade e fazer a vontade de Deus. Temperança é “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. 


O homem sem Deus apesar de conhecer o bem e o mal (Gn 3.22), é totalmente incapaz de rejeitar o mal e escolher o bem.


“Ele (Deus) vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos,” (Efésios 2.1-5)


Em contraste com as obras da carne, o fruto do espírito possibilita uma vida digna e honrosa diante de Deus e da sociedade. Com as virtudes do fruto do Espírito, o crente torna-se participante do caráter e da natureza de Cristo. Estas virtudes são demonstradas no relacionamento com Deus (amor, alegria e paz), no relacionamento com as pessoas (longanimidade, benignidade e bondade) e na nossa conduta (fé, mansidão e temperança).


TEMPERANÇA, QUALIDADE DE QUEM É MODERADO.


A temperança pode significar virtude pela qual o homem consegue refrear a sua língua como também a moderação no comer e no beber. A temperança é uma necessidade para o bom viver do cristão e uma demonstração de que realmente provamos o novo nascimento. É o Espírito Santo que produz a temperança como parte do fruto do Espírito que se manifesta através de nove virtudes na vida daqueles que se dedicam em buscar o crescimento espiritual através da oração e do estudo da Palavra de Deus. Porém, como tudo na vida, existe um preço a ser pago para alcançarmos as virtudes produzidas pelo fruto do Espírito, mas com ele em nosso coração conseguiremos controlar as próprias paixões, tornando-nos moderados em nossas atitudes e decisões.


TEMPERANÇA, NECESSIDADE DE AUTOCONTROLE.


Nas palavras – Existe um ditado que diz: “não devemos falar tudo o que sabemos, mas sim, sabermos tudo o que falamos”. Encontramos na Bíblia diversos exemplos de pessoas mal sucedidas porque falaram demais. Você lembra de alguém? (Sl 34.13; PV 13.3; Tg 1.26).

Nas ações – O crente deve sempre se ocupar com coisas boas e a melhor terapia é ler a Bíblia, ouvir e cantar cânticos cristãos, andar com pessoas que compartilham da mesma fé e fugir da aparência do mal (Ts 5.22). Onde você estiver pense e viva como Jesus.

Nos pensamentos - A falta de temperança nos leva a ceder à tentação, a naufragar no pecado e a sofrer suas consequências, muitas vezes, pelo resto da vida. Muitas vezes, quando percebemos o erro, já é tarde demais, pois o pecado já foi consumado (2 Sm 11.1-4).


A temperança atuando nas diversas áreas de nossa vida


a) Controle da língua. A temperança começa com o controle da língua, e o apóstolo Tiago informamos o quão difícil é realizá-lo (Tg 3.2). Se você não controla sua língua, sua fala, sua conversa, não controla nada mais em sua vida. Se você realmente deseja o fruto da temperança, peça ao Espírito Santo para controlar sua língua.


b) Moderação nos hábitos cotidianos. Em I Coríntios 6.12-20, aprendemos a importância de honramos a Deus através do nosso corpo. Nessa passagem, trata-se não só a respeito da imoralidade sexual, mas também sobre qualquer outra prática que desonre o corpo e, consequentemente, desonre a Deus. A glutonaria e a bebedice são hábitos pecaminosos contra os quais somos advertidos na bíblia (Pv 23.20, 21).

c) Auto domínio da mente. No mundo de hoje, há muitas atrações e passatempos aparentemente inofensivo com o objetivo de afastar-nos de nossas responsabilidades para com Deus. O que lemos, vimos, ou ouvimos causa impacto na nossa mente, e por isso precisamos da ajuda do Espírito Santo a fim de conservá-la pura (Fp 4.8). Acima de tudo Deus deseja que sejamos santos! Esta idéia é enfatizada inúmeras vezes ao longo da Bíblia. O Espírito Santo trabalha em nosso interior, aperfeiçoando a santidade e tornando Cristo uma realidade em nossa vida.


Somente o Espírito Santo pode fazer com que um homem tenha autocontrole.


“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” (1 Coríntios 6.12)


A temperança é um mandamento para o Cristão:


“Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante” (Tito 1.7-8 RC)


“por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade;” (2 Pedro 1.5-6)


RECABITAS, UM EXEMPLO DE TEMPERANÇA: Ainda que não fosse proibido o consumo de vinho entre os judeus na época de Jeremias, os recabitas, em obediência aos seus antepassados, não aceitaram a proposta do profeta: “Mas habitamos em tendas, e assim obedecemos e fazemos conforme tudo quanto nos ordenou Jonadabe, nosso pai” (Jr. 35.10). Os princípios desses homens foram reconhecidos e recompensados pelo Senhor, pois serviram de instrução para os habitantes de Judá daquele tempo (Jr. 35.18,19). Isso porque a atitude dos recabitas deveria servir de exemplo para os líderes de Judá. Se o mandamento de um homem, Jeonadabe, era respeitado e obedecido pela sua família, por mais de duzentos anos, porque o povo de Judá não fazia o mesmo em relação aos princípios do Altíssimo? Se as palavras de homens eram colocadas em tal patamar, por que não as palavras do Senhor, expressas pelos profetas repetidamente? A dedicação que determinadas pessoas têm pelas tradições familiares, e mesmo por suas religiosidades, devem servir de reflexão para os cristãos, a fim de que esses possam atentar para o valor da Eterna Palavra de Deus


O que é glutonaria? 


O significado de Glutonaria segundo nossos conceitos, fala da tendência humana desregrada de se alimentar em demasia, em excesso.


Na Bíblia encontramos muitas vezes, e religiosamente a classificamos como um dos vícios capitais. A conceituação bíblica de glutonaria aparece na carta de são Paulo aos Gálatas. Vejamos em Gálatas 5,16, 21: “Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne.... as invejas, as bebedices, glutonarias (as orgias), e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus”.


... Fugi da prostituição!


Por que a prostituição é tão perigosa? Veja o restante do texto de 1 Co. 18: "...Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.".



Em I Co 6.18 existe uma advertência a respeito da prostituição. O apóstolo Paulo nos ensina que aquele que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. A gravidade está em dois pontos:

1º) I Co 6.19 diz que o corpo do crente é templo do Espírito Santo, ou seja, Deus habita em nosso corpo desde quando aceitamos a Jesus como Senhor e Salvador de nossas vidas.

2º) Onde Deus habita não pode haver imundície; isto significa que devemos ser santos (Hb 12.14; I Pe1.15 e 16).


CONCLUSÃO: Jesus é o maior exemplo de temperança para o cristão. Pois ele, muito embora tenha sido tentado em tudo, não pecou (Hb. 4.15). Com base na experiência da tentação de Jesus, registrada em Lc. 4.1-13, podemos aprender, para o desenvolvimento da temperança, que é fundamental o contato contínuo com o Espírito Santo. A mente do cristão deva estar voltada para Deus, edificada pela Palavra do Senhor e pela oração, na prática de disciplina do domínio próprio. PENSE NISSO!


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Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)

Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.

Email: adayl.alm@hotmail.com

Facebook: adayl manancial



BIBLIOGRAFIA

Adaylton de Almeida Conceição – Ser Manso e Humilde